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17 de junho de 2026

Business

Preços de soja apresentam melhora e negociações são registradas no Brasil; saiba as cotações

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Foto: Daniel Popov

O mercado brasileiro de soja teve uma terça-feira (16) mais movimentada, com destaque para os negócios realizados no mercado interno. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as melhores oportunidades vieram da indústria, que em algumas regiões chegou a oferecer preços acima da paridade de exportação, favorecendo a comercialização.

A Bolsa de Chicago apresentou forte volatilidade ao longo do dia, mas encerrou a sessão em alta. O avanço das cotações, aliado à valorização do dólar, abriu espaço para melhores indicações de preços e incentivou a realização de negócios.

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De acordo com Silveira, houve registro de negociações em diversas regiões do país, impulsionadas justamente pelas ofertas mais atrativas da indústria. Nos portos, porém, o ritmo foi mais moderado e não acompanhou o mesmo dinamismo observado no interior.

Do lado do produtor, a postura continua cautelosa. O spread mais elevado e a expectativa por preços ainda melhores fazem com que muitos agricultores mantenham o ritmo de vendas mais lento, comercializando apenas parte dos volumes ainda disponíveis.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 120,00 para R$ 120,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 111,00 para R$ 112,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 113,00 para R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 112,00 para R$ 114,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 131,50 para R$ 132,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 132,00 para R$ 133,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Especulações de que a China estaria voltando a comprar soja dos Estados Unidos garantiram a recuperação.

“O mercado volta a operar em alta diante das expectativas envolvendo a demanda chinesa e também de novos acordos comerciais entre EUA e União Europeia, fatores que acabam trazendo uma percepção de demanda mais forte para a soja”, explica o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira.

Neste momento, o Brasil segue com forte ritmo de exportações e preços ainda competitivos nos portos, cenário que deve permanecer ao menos até meados de julho. “Contudo, a curva de prêmios começa a mudar de maneira mais significativa a partir de agosto, com diferenças mais substanciais entre os prêmios brasileiros e americanos”, ressalta o analista.

Os prêmios nos bids de Paranaguá estão variando entre US$ 1,00 e US$ 1,10
sobre Chicago nos contratos de agosto e setembro. Já no Golfo americano, os prêmios permanecem na faixa de 86 a 75 cents de dólar por bushel. “Esta diferença acaba colocando o flat price brasileiro entre US$ 6 e US$ 13 por tonelada acima do produto americano, podendo ser ainda maior nos contratos de setembro”, acrescenta.

Segundo Silveira, essa disparidade tende a influenciar diretamente as decisões de compra da China e de outros players internacionais ao longo do segundo semestre, favorecendo uma concentração maior da demanda no mercado americano, justamente durante a entrada da nova safra dos EUA.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 10,75 centavos de dólar, ou 0,96%, a US$ 11,30 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,34 1/2 por bushel, com elevação de 11,00 centavos de dólar ou 0,97%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 2,80 ou 0,92% a US$ 304,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 72,92 centavos de dólar, com perda de 1,45 centavo ou 1,94%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,55%, sendo negociado a R$ 5,0895 para venda e a R$ 5,0875 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0420 e a máxima de R$ 5,1030.

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Agro mantém confiança no futuro apesar de juros altos e restrição de crédito

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Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Juros elevados, crédito mais restrito e margens apertadas seguem pressionando o agronegócio brasileiro. Ainda assim, a avaliação de lideranças do setor reunidas na Febrasem – Feira Brasileira de Sementes, realizada em Rondonópolis, é de que o momento exige cautela, mas não compromete os fundamentos que sustentam a produção agropecuária em Mato Grosso.

O tema permeou debates e palestras durante o primeiro dia do evento, que reuniu produtores, empresas, pesquisadores e representantes de entidades ligadas à cadeia de sementes. Um dos destaques da programação foi a palestra do especialista em comércio internacional Marcos Jank, que abordou o posicionamento do Brasil no cenário global e as oportunidades para o agro nos próximos anos.

A preocupação com os custos de produção e a disponibilidade de crédito apareceu em diferentes momentos da feira. Ao mesmo tempo, lideranças destacaram a capacidade de adaptação dos produtores e a confiança na próxima safra.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda, o cenário é desafiador, marcado por juros altos, custos elevados e escassez de recursos. “É um ano bastante desafiador. Todos sabem das dificuldades, juros altos, custos altos e escassez de recursos”.

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Foto: Sérgio Simões/ Assessoria de Imprensa Febrasem

Resiliência no campo

Apesar das dificuldades, Croda avalia que a atividade agropecuária já demonstrou, em outros momentos, capacidade para superar períodos de adversidade. “Não é a primeira crise e não será a última, mas o produtor sabe se reinventar, ele tem resiliência”. Segundo ele, essa característica ajudou a impulsionar o desenvolvimento do estado. “Mato Grosso evoluiu desde que cheguei há 30 anos aqui no estado”.

A percepção de que a atual crise é passageira também foi compartilhada pelo presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain. Conforme ele, os desafios enfrentados pelo setor estão ligados principalmente ao mercado. “Nós temos sim uma crise, que é uma crise de mercado. Ela vai passar”.

Na avaliação de Tomain, o comportamento dos produtores demonstra essa confiança. “O produtor de Mato Grosso é visionário e mesmo diante das dificuldades eles não desanimam”.

Ao falar sobre a importância do segmento de sementes para a agricultura mato-grossense, ele destacou o papel da inovação no avanço da produtividade. “São vocês que desenvolvem as sementes e colocaram Mato Grosso onde ele está”.

A força do estado também foi associada à organização construída pelas diferentes cadeias produtivas. Tomain afirmou ainda que essa integração ajuda a explicar o protagonismo mato-grossense no cenário nacional.

“Todas as cadeias produtivas de Mato Grosso estão organizadas e é isso o que diferencia o estado dos demais e o coloca sempre à frente”, disse. Para ele, os resultados alcançados são consequência direta da adoção de tecnologia e do investimento em conhecimento. “Hoje Mato Grosso é o estado mais produtivo do Brasil e do Mundo. Isso é tecnologia, ciência e potencial”.

Presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Paulo Pinto ressaltou que encontros voltados à troca de conhecimento e experiências se tornam ainda mais importantes em momentos de instabilidade. “É nesses períodos de crise que se precisa investir em eventos como estes”.

marcos jank foto sérgio simões assessoria de imprensa Febrasem
Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Brasil de olho em novos mercados

Palestrante do primeiro dia da Febrasem, Marcos Jank levou aos participantes uma análise sobre as transformações do comércio global e os espaços que podem ser ocupados pelo Brasil nas próximas décadas.

De acordo com o especialista, a China continuará exercendo papel central para o agronegócio brasileiro. “China é o grande destino do agro brasileiro. Hoje o Brasil é um grande fornecedor da China e vice-versa. O Brasil explodiu com a guerra comercial entre EUA e China”.

Jank destacou que a posição alcançada pelo país foi construída ao longo de décadas por meio da pesquisa, da inovação e da parceria entre instituições públicas e privadas. “O Brasil hoje não pensa no longo prazo, mas já pensou. Na década de 1970 com a Embrapa, universidades, centros de pesquisa. Hoje é mais o setor privado”.

O especialista também apontou que o Brasil possui diferenciais competitivos capazes de ampliar sua presença internacional, especialmente em áreas ligadas à agricultura tropical e à bioenergia. “Nós temos políticas desde a década de 1970 que estão aqui e que podem ser aproveitadas por todos: agricultura tropical e bioenergia”.

Embora a China siga como principal mercado, Jank acredita que as oportunidades para o agro brasileiro vão além da relação comercial com o país asiático. “A gente tem oportunidades quando se fala em segurança alimentar, não são só China. Nós temos Ásia e África”.

A mensagem deixada ao público da Febrasem foi de que, apesar dos desafios enfrentados no presente, o Brasil continua reunindo condições para ampliar sua participação nos mercados globais. Para as lideranças presentes no evento, a combinação entre tecnologia, pesquisa, organização das cadeias produtivas e capacidade de adaptação dos produtores segue sendo um dos principais ativos do agro brasileiro.


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Preços do arroz voltam a cair no RS com oferta elevada e demanda enfraquecida

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do arroz em casca registraram nova queda no Rio Grande do Sul, interrompendo o movimento de recuperação observado no início de junho. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta o aumento da oferta disponível e as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado como os principais fatores de pressão sobre o mercado.

Segundo os pesquisadores, a ampla disponibilidade do cereal tem mantido os compradores cautelosos, em um momento em que as indústrias enfrentam dificuldades para escoar o produto beneficiado. Esse cenário reduz o interesse por novas aquisições de matéria-prima e contribui para o recuo das cotações.

Demanda externa não sustenta preços

De acordo com o Cepea, a demanda internacional segue ativa e continua oferecendo alternativas de comercialização para parte dos produtores. No entanto, o efeito das exportações sobre os preços internos tem sido limitado diante da oferta elevada disponível no mercado doméstico.

Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) perderam força como fator de sustentação das cotações.

Indústrias mantêm postura cautelosa

Outro fator que pesa sobre o mercado é a dificuldade na venda do arroz beneficiado. Com menor fluidez nos negócios, as indústrias têm reduzido o ritmo das compras de arroz em casca, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Na avaliação do Cepea, a combinação entre oferta abundante, demanda industrial enfraquecida e menor impacto dos mecanismos de sustentação do mercado mantém o cenário desafiador para as cotações do cereal no estado.

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Chuvas interrompem colheita e impulsionam preços do café arábica

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

Depois de iniciar junho em forte queda, os preços do café arábica voltaram a subir na segunda semana do mês, impulsionados pelas chuvas registradas nas principais regiões produtoras do país. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou as cotações do arábica no início do mês. No entanto, a partir do dia 10 de junho, o mercado passou a reagir diante das precipitações que atingiram áreas produtoras, afetando o ritmo dos trabalhos no campo e reduzindo pontualmente a oferta da variedade.

Além de dificultar a colheita, as chuvas nesta fase do ciclo também acendem um alerta para a qualidade dos grãos. De acordo com os pesquisadores, agentes do setor têm relatado problemas relacionados à qualidade e ao tamanho dos grãos colhidos, com desempenho inferior ao observado na temporada passada.

O cenário ocorre mesmo diante de estimativas oficiais que apontam para uma safra recorde de café no Brasil.

Robusta segue mais firme

No mercado do café robusta, os preços seguem mais sustentados em comparação ao arábica. Conforme o Cepea, a firmeza das cotações está relacionada às projeções de uma safra menor que a registrada na temporada anterior.

Com expectativa de oferta mais restrita, a variedade tem encontrado suporte adicional no mercado, mantendo os preços em patamares mais elevados.

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