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Irrigação pode elevar em quase R$ 9 mil por hectare o valor gerado no campo

A ampliação da agricultura irrigada tem potencial para gerar cerca de R$ 8,9 mil adicionais por hectare no Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária dos municípios brasileiros, além de elevar a produtividade, a renda e o emprego no campo.
A conclusão faz parte de um estudo elaborado pelo Grupo de Políticas Públicas da Esalq/USP para a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que analisou os impactos socioeconômicos da irrigação em alguns dos principais polos de agricultura irrigada do país.
Segundo o levantamento, a ampliação da área irrigada nos municípios analisados produz efeitos significativos sobre a economia local. Pelas estimativas dos pesquisadores, um aumento de cerca de 1.600 hectares irrigados pode acrescentar quase R$ 14 milhões ao VAB agropecuário municipal no longo prazo.
O estudo destaca que isso significa uma ampliação de cerca de R$ 8.921 por hectare irrigado no valor gerado pela agropecuária municipal.
Os resultados ganham relevância diante do espaço ainda existente para crescimento da atividade. Em 2021, o Brasil possuía cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados, mas o potencial adicional supera 55,8 milhões de hectares.
Segundo o estudo, esse cenário representa uma “oportunidade estratégica para ampliar a produção agropecuária e fortalecer a resiliência frente às mudanças climáticas”.
Os pesquisadores afirmam que, “em conjunto, os resultados indicam que maior presença de irrigação nas regiões analisadas se associa a maior intensidade produtiva e a maior peso da agropecuária no produto regional”, além de produzir “efeitos estimados sobre a produtividade da soja e respostas dinâmicas de renda, emprego e crédito após choques de expansão da área irrigada”.
O estudo também identificou ganhos diretos na produção agrícola. Entre 2013 e 2023, cada aumento de 1% na área irrigada esteve associado a um crescimento de 0,0698% na produtividade da soja.
Em termos práticos, uma duplicação da área irrigada poderia elevar os rendimentos da cultura em 5,33 sacas por hectare na Bahia; 2,27 sacas por hectare em Minas Gerais; e 2,41 sacas por hectare em Mato Grosso.
A pesquisa avaliou sete Regiões Geográficas Imediatas consideradas estratégicas para a irrigação:
- Barreiras e Santa Maria da Vitória (BA);
- Unaí e Patos de Minas (MG);
- Sorriso (MT); e
- Cruz Alta e São Luiz Gonzaga (RS)
Juntas, elas concentram 704 mil hectares irrigados por pivô central, o equivalente a 37,1% da área irrigada agrícola nacional, embora representem apenas 11,1% da área agrícola do País.
Reflexos na economia
O peso econômico dessas regiões também chamou a atenção dos pesquisadores. Em média, a agropecuária responde por 43,3% do Valor Adicionado Bruto regional, participação mais de seis vezes superior à observada nas demais regiões brasileiras. Além disso, o setor emprega cerca de 21,2% dos trabalhadores dessas localidades, percentual 8,2 vezes superior ao registrado no restante do país.
Além dos ganhos produtivos, os polos irrigados analisados apresentaram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios rurais dos mesmos estados. O PIB per capita alcançou R$ 182,87 mil em Mato Grosso, R$ 91,41 mil no Rio Grande do Sul, R$ 47,25 mil na Bahia e R$ 46,10 mil em Minas Gerais, com diferenças que variam de 49,6% a 256,3% acima das médias rurais estaduais.
Na dimensão social, o estudo verificou menor dependência de programas de transferência de renda em boa parte dos polos de irrigação. A proporção de beneficiários do Bolsa Família ficou 50,9% abaixo da média dos municípios rurais de Mato Grosso, 23,3% abaixo em Minas Gerais e 12,7% abaixo na Bahia.
Os pesquisadores também encontraram correlação positiva entre a expansão da irrigação e indicadores como exportações, arrecadação tributária, emprego formal agropecuário, PIB per capita e valor adicionado da agropecuária.
Ao mesmo tempo, observaram uma correlação negativa com áreas de pastagem e com a proporção de moradores inscritos no Cadastro Único, sugerindo menor vulnerabilidade socioeconômica nos municípios com maior presença da irrigação.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam que a irrigação exerce papel relevante na transformação econômica dos territórios analisados. Segundo o relatório, “a irrigação emerge como um fator associado à intensificação produtiva, ao aumento da renda agropecuária e à melhoria de indicadores socioeconômicos”, além de contribuir para a expansão do emprego formal e do crédito rural.
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Alta do dólar impulsiona preços do arroz, que atingem maior média desde fevereiro de 2025

A valorização do dólar na última semana de outubro voltou a estimular as expectativas de exportação de arroz brasileiro, contribuindo para uma leve recuperação dos preços no mercado do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a média do Indicador Cepea/Irga-RS em outubro foi a maior, em termos nominais, desde fevereiro de 2025.
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De acordo com pesquisadores do Cepea, a possibilidade de retomada da demanda internacional levou parte dos vendedores a adiar negociações, na expectativa de melhores oportunidades comerciais.
Por outro lado, as indústrias permaneceram cautelosas nas compras, diante das vendas enfraquecidas de arroz beneficiado no mercado interno e das dificuldades para repassar os custos da matéria-prima.
Com os produtores também concentrados nas atividades de semeadura da nova safra, o ritmo de comercialização permaneceu limitado. Mesmo com negócios pontuais, os preços apresentaram leve reação no encerramento de outubro.
Plantio de arroz avança no Rio Grande do Sul
Enquanto o mercado acompanha as perspectivas de exportação, os produtores gaúchos avançam na implantação da safra 2026/27.
Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), até 29 de outubro, a semeadura havia alcançado 533,18 mil hectares no Rio Grande do Sul, o equivalente a 61,86% da área prevista para o ciclo.
Apesar do avanço dos trabalhos, o excesso de umidade no solo continua dificultando as operações em determinadas regiões produtoras.
O andamento da semeadura e a possibilidade de maior demanda externa permanecem entre os fatores acompanhados pelo setor, em um cenário de negociações restritas e recuperação moderada dos preços.
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Benefícios fiscais para máquinas agrícolas e irrigação são prorrogados até 2028

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) estendeu até dezembro de 2028 a validade de dois convênios que reduzem ou eliminam a cobrança de ICMS sobre equipamentos utilizados na produção rural. A decisão assegura a continuidade dos incentivos fiscais para a compra de máquinas e implementos agrícolas e de equipamentos de irrigação, que venceriam no fim de 2026.
A prorrogação dos Convênios ICMS 52/1991 e 54/2021 mantém condições tributárias que ajudam a reduzir os custos de aquisição de equipamentos utilizados na atividade rural. Sem a renovação, os incentivos deixariam de valer a partir de janeiro de 2027, o que poderia elevar o valor pago pelos produtores.
Um exemplo da diferença está na compra de tratores. Em operações internas, a alíquota nominal do ICMS é de 17%, mas, com a redução da base de cálculo prevista no convênio, o percentual efetivamente pago corresponde a 5,6% do valor da operação.
“É uma redução significativa no custo tributário da aquisição, que continuará valendo até dezembro de 2028”, destaca o assessor técnico tributário da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), José Cristovão.
A prorrogação atende a uma solicitação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que encaminhou ofício ao Confaz em 23 de outubro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (29).
O Convênio ICMS 52/1991 contempla tratores, plantadeiras, semeadoras, colheitadeiras, pulverizadores e distribuidores de fertilizantes. Para esses produtos, permanece a redução da base de cálculo do imposto.
Já o Convênio ICMS 54/2021 garante isenção total do ICMS na venda de equipamentos de irrigação destinados à agricultura e à horticultura.
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IBGE inicia censo experimental do 12º CAFA com foco em geoplanejamento no Maranhão

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta terça-feira (3) o Censo Experimental do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola (CAFA). A etapa será realizada em São Paulo, Mato Grosso e Maranhão. No território maranhense, os trabalhos começaram em Cururupu e Mirinzal, com foco no geoplanejamento da coleta e na preparação das equipes para a operação em campo.
No Maranhão, a equipe da Superintendência Estadual do IBGE no Maranhão (SES/MA) atua nos municípios de Cururupu e Mirinzal, escolhidos para o teste geral da operação censitária. A proposta é simular, em escala real, todas as fases da pesquisa, desde a montagem dos postos censitários até a coleta de dados dos estabelecimentos agropecuários.
Neste primeiro dia, os trabalhos se concentraram na listagem dos setores a serem percorridos e no planejamento da coleta. A equipe também se reuniu com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Secretaria da Agricultura de Cururupu para obter contatos de lideranças locais nos territórios onde haverá levantamento.
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A operação no estado inclui dois territórios de povos e comunidades tradicionais: a Reserva Extrativista Cururupu, em Cururupu, e o Território Quilombola Santa Tereza, em Mirinzal. Segundo o agente operacional regional de Cururupu, Bruno de Oliveira Serrão, a articulação prévia com essas lideranças é parte central da estratégia de campo. “É importante que a gente respeite essas comunidades, que a gente não vá até lá sem pedir autorização. Nós precisamos obter o apoio dessas lideranças para que tenhamos a resposta dos questionários de forma adequada. Ter o respeito por essas tradicionalidades é primordial para que a gente obtenha sucesso na operação”, afirmou.
Além da preparação territorial, o Censo Experimental servirá para testar tecnologias previstas para o 12º CAFA em 2027. Entre os itens em avaliação estão os aplicativos de coleta, o fluxo de questionários, os métodos de pagamento para recenseadores e um módulo geoespacial. De acordo com Bruno, essa ferramenta foi desenvolvida para identificar talhões, perímetro e benfeitorias nas propriedades.
A etapa experimental funciona como ensaio da operação nacional prevista para 2027. Segundo a gerente de planejamento e orçamento da coordenação geral de operações censitárias, Cynthia Damasceno, o objetivo é ajustar procedimentos, sistemas, treinamento e coleta antes da execução do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
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