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4 de novembro de 2026

Sustentabilidade

El Niño 2026: clima, grãos e forragens elevam incertezas para a produção pecuária no Brasil – MAIS SOJA

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Para a pecuária brasileira, o ponto central não é apenas saber se haverá ou não El Niño, mas entender por quais canais o fenômeno pode afetar a produção animal. É nesse sentido que este material busca fornecer insights.

1. O El Niño como fator de volatilidade, não apenas de quebra produtiva

O El Niño não deve ser interpretado como um choque climático uniforme sobre o Brasil. Em termos gerais, o fenômeno costuma aumentar o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece maiores volumes de chuva no Sul. Já em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, os efeitos tendem a aparecer mais como irregularidade das chuvas, maior frequência de períodos secos, temperaturas elevadas e maior instabilidade na transição entre a estação seca e a estação chuvosa. O Inmet também ressalta que os impactos dependem da intensidade do fenômeno e da interação com outros fatores oceânicos, especialmente o Atlântico Tropical e o Atlântico Sul.

Isso significa que o risco para a pecuária não está apenas em uma eventual seca. O excesso de chuvas também pode ser problemático, sobretudo quando compromete manejo, qualidade de forragens, sanidade, logística, colheita de grãos e conservação de volumosos. Portanto, a leitura mais adequada é tratar o El Niño 2026 como um fator de aumento da volatilidade climática e produtiva, com impactos regionais bastante distintos.

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2. Os principais pontos de atenção para a pecuária

O primeiro ponto que requer atenção redobrada é a disponibilidade de pastagens e água. Em sistemas baseados em pasto, qualquer atraso na recuperação das chuvas, veranicos prolongados ou temperaturas acima da média podem reduzir o crescimento das forrageiras, diminuir a capacidade de suporte das áreas e pressionar o ganho de peso dos animais ou a produção de leite. Importante destacar que o período de maio a outubro é muito importante para a condição corporal da fêmea, para entrar em um ambiente favorável na estação reprodutiva – logo, oscilações climáticas e, consequentemente, na nutrição do animal nesse período têm impactos relevantes no ciclo produtivo. No semiárido, esse canal é ainda mais sensível, porque a oferta de água e a disponibilidade de forragem nativa determinam diretamente a capacidade de manutenção dos rebanhos.

Nas forragens, a atenção deve se concentrar em três frentes:

– Produção de pasto durante a transição seca-águas, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste;

– Qualidade, disponibilidade e valor de mercado de forragens conservadas, seja por fermentação (silagens), secagem (feno) ou um mix dos dois (pré-secados);

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– Capacidade produtiva regional de reservas estratégicas de forragens para o período seco, como pastagens diferidas, capineiras, cana-de-açúcar e, especialmente para o semiárido, palma forrageira.

O segundo fator envolve a produção e a qualidade das forragens conservadas. No caso do milho, a Conab estimava, em abril de 2026, produção total de 139,6 milhões de toneladas para a safra 2025/26, ligeiramente abaixo do ciclo anterior, com crescimento da área plantada, mas queda esperada de produtividade na segunda safra. A Conab também projeta avanço do consumo doméstico de milho, impulsionado pela indústria de etanol, o que pode manter o mercado sensível a qualquer alteração climática ou logística.

Para a soja, a estimativa da Conab era de produção recorde de aproximadamente 179,2 milhões de toneladas na safra 2025/26. Ainda assim, a disponibilidade de farelo e sua formação de preços dependem não apenas da produção brasileira, mas também do esmagamento interno, das exportações, da demanda internacional e da taxa de câmbio.

Do ponto de vista pecuário, isso significa que o risco climático sobre grãos não pode ser analisado apenas como risco de quebra de safra. É preciso observar também os efeitos sobre preços relativos, fretes, estoques, qualidade dos grãos, mercado futuro e decisões de compra de ração. Esse ponto é particularmente importante para aves e suínos, mas também afeta confinamentos bovinos, sistemas leiteiros intensivos e suplementação estratégica de ovinos e caprinos.

Em um cenário de El Niño, portanto, a segurança alimentar dos rebanhos dependerá menos da média nacional de produção de grãos e mais da combinação regional entre chuva, temperatura, estoques e capacidade de compra dos produtores.

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No Sul, chuvas excessivas podem dificultar a colheita e a ensilagem, elevar perdas por compactação inadequada, fermentação ruim, contaminação ou redução da qualidade nutricional. No Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o risco maior está na menor produção de biomassa, no atraso da rebrota das pastagens e na necessidade de uso antecipado dos estoques de silagem, feno, palma ou concentrado.

O terceiro ponto é a ambiência, sanidade e logística, impactando de forma mais severa propriedades que fazem o uso de raças taurinas. Temperaturas elevadas reduzem conforto térmico, pioram conversão alimentar, reduzem consumo voluntário e podem afetar fertilidade, crescimento e produção de leite. Chuvas excessivas, por outro lado, aumentam lama, problemas de casco, mastite, doenças respiratórias, dificuldade de transporte, interrupções logísticas e perda de qualidade de insumos. Apesar do maior impacto em raças europeias, o alerta também é extremamente importante para aqueles que trabalham raças zebuínas que, a despeito da maior rusticidade, também podem ser afetados negativamente pelo cenário.

O quarto ponto é o custo da alimentação animal. Milho, farelo de soja, silagem, sorgo, feno e outros volumosos conservados entram no centro da análise porque conectam o clima às margens de praticamente todas as cadeias pecuárias. Mesmo quando não há quebra imediata da produção agrícola, a simples percepção de risco climático pode elevar a volatilidade dos preços, alterar estratégias de compra, retenção de estoques e formação de preços futuros.

4. Leitura regional dos riscos

No Sul, o El Niño pode favorecer a recuperação hídrica e melhorar a disponibilidade de pastagens e culturas de inverno em alguns momentos. Porém, o excesso de chuva é o risco mais relevante. Chuvas frequentes podem prejudicar o manejo de áreas de pastagem, aumentar lama, reduzir qualidade de forragens conservadas, dificultar colheitas e ampliar problemas sanitários. O Inmet destaca que o El Niño costuma estar associado a maiores volumes de precipitação na região Sul, especialmente no inverno e na primavera, com risco de encharcamento do solo, doenças fúngicas e dificuldades operacionais.

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No Sudeste, por sua vez, o risco é mais ambíguo. A região pode enfrentar calor, irregularidade hídrica e atraso na recuperação das chuvas de primavera. Para pecuária de leite e corte, isso afeta diretamente pastagens tropicais, capineiras, produção de silagem e necessidade de suplementação. Em polos avícolas e suinícolas, o impacto aparece principalmente via custo de ração, conforto térmico, energia elétrica, ventilação e mortalidade.

Já para a região Centro-Oeste, a atenção deve se concentrar na transição seca-águas. Caso as chuvas atrasem ou ocorram de forma irregular, a recuperação das pastagens pode ser comprometida justamente no período em que os sistemas de cria, recria e engorda dependem da retomada do crescimento forrageiro. Isso pode aumentar a suplementação, encarecer a terminação e alterar decisões de venda, retenção ou confinamento.

No Norte, o risco está associado à redução de chuvas em parte da região, aumento do calor, déficit hídrico, e piora da logística. Para a pecuária, isso pode afetar disponibilidade de pasto, acesso à água, ganho de peso e sanidade. Em áreas de expansão agrícola, os efeitos sobre milho, soja e logística também podem repercutir sobre custos alimentares.

No Nordeste, o principal risco está na maior pressão sobre água e forragem, especialmente no semiárido. A região concentra grande parte da caprinovinocultura brasileira [1] e também conta com bacias leiteiras e áreas de bovinocultura em intensificação. Em caso de chuvas mais irregulares ou prolongamento do período seco, produtores podem enfrentar menor oferta de pasto, uso antecipado de reservas alimentares, maior dependência de palma, silagem, feno e concentrados, além de aumento dos custos de suplementação.

5. Bovinos de corte

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Na pecuária de corte, os efeitos do El Niño tendem a se concentrar em quatro pontos: qualidade das pastagens, disponibilidade de água, estresse térmico e aumento dos custos de suplementação. Esses fatores podem ser especialmente relevantes no Centro-Oeste e no Norte, onde a irregularidade das chuvas e temperaturas mais elevadas podem comprometer a recuperação das pastagens durante a transição seca-águas.

Além dos efeitos sobre o ganho de peso e o ritmo de terminação, há um ponto específico importante para os sistemas de cria: a condição corporal das fêmeas. O período entre maio e outubro é estratégico para a preparação das matrizes que entrarão na estação reprodutiva. Caso a seca se prolongue, as pastagens percam qualidade ou o custo da suplementação aumente, a recuperação do escore corporal das vacas pode ser comprometida, afetando fertilidade, taxa de prenhez e desempenho reprodutivo do ciclo seguinte.

Do ponto de vista da oferta, o efeito pode ocorrer em duas direções. No curto prazo, a piora das condições de pasto pode estimular a antecipação da venda de animais, principalmente quando o produtor busca evitar perda de peso ou reduzir pressão sobre as áreas. Por outro lado, se os custos de suplementação e reposição se mantiverem elevados, a decisão de retenção pode se tornar mais difícil, limitando a recomposição futura da oferta.

No momento atual, esse ponto merece atenção porque os preços do boi gordo seguem em patamar elevado. Em 8 de junho de 2026, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ estava em R$ 353,15/@, com alta de 0,99% no mês, embora maio tenha mostrado alguma pressão negativa nos preços. Isso sugere que o mercado já opera em ambiente sensível, no qual alterações climáticas que afetem retenção, descarte ou ritmo de terminação podem ampliar a volatilidade da arroba.

6. Pecuária leiteira

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Na pecuária leiteira, o impacto do El Niño tende a aparecer de forma combinada sobre produção de volumosos, custo do concentrado e conforto térmico dos animais. Sistemas mais dependentes de pastagens podem sofrer com atraso na rebrota e queda na qualidade das forrageiras, enquanto sistemas mais intensivos ficam mais expostos ao custo de milho, farelo de soja, silagem e energia.

Em períodos de calor e maior irregularidade hídrica, as vacas podem reduzir consumo de matéria seca, apresentar queda de produção e pior desempenho reprodutivo. Além disso, cresce a necessidade de estratégias de resfriamento, como sombra, ventilação, aspersão e maior disponibilidade de água. Isso eleva custos e pode pressionar margens, especialmente em sistemas com menor infraestrutura de ambiência.

No Sul, a maior umidade pode favorecer pastagens de inverno e produção de forragem em alguns momentos, mas também aumenta o risco de lama, mastite, problemas de casco, perdas de qualidade da silagem e dificuldades logísticas. No Sudeste e Centro-Oeste, o principal risco é a combinação entre calor, baixa umidade, atraso das chuvas e maior dependência de concentrado. No Nordeste, os efeitos podem aparecer na disponibilidade de palma, silagem, feno, capim de corte, água para dessedentação e custo de ração.

No momento atual, a pecuária leiteira já entra nesse cenário com custos pressionados. Segundo o Cepea, o preço do leite ao produtor subiu no primeiro trimestre de 2026, mas ainda estava abaixo do nível observado no mesmo período de 2025 em termos reais; ao mesmo tempo, o Custo Operacional Efetivo subiu em abril pelo quarto mês consecutivo, influenciado por nutrição, sanidade e operações mecanizadas. Assim, se o El Niño aumentar a necessidade de concentrado, resfriamento ou uso antecipado de volumosos, o efeito pode ser mais forte sobre margem do que necessariamente sobre volume imediato de produção.

7. Ovinos e caprinos

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Na caprinovinocultura, o recorte regional é essencial. O Nordeste concentra a maior parte dos rebanhos de caprinos e ovinos do país, com sistemas frequentemente baseados em estratégias de convivência com o semiárido, uso de pastagens nativas, cultivares mais tolerantes à seca, palma forrageira, resíduos agrícolas e suplementação estratégica.

Em um cenário de El Niño, o principal risco para esses sistemas é a redução da disponibilidade de água e forragem. Caso o período seco se prolongue ou as chuvas se tornem mais irregulares, produtores podem ser levados a antecipar vendas, reduzir lotação, aumentar compras de ração ou consumir mais rapidamente reservas estratégicas. Isso pode pressionar margens e alterar a oferta regional de animais para abate.

No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a ovinocultura tem uma dinâmica diferente, mais associada a sistemas de campo nativo, produção de carne, lã e integração com bovinos. Nessa região, o El Niño pode trazer risco oposto ao observado no semiárido: excesso de chuva, encharcamento de áreas, piora das condições de manejo, aumento de problemas sanitários e perdas de qualidade em forragens conservadas. Portanto, enquanto no Nordeste o ponto crítico é a escassez hídrica, no Sul o risco maior pode estar no excesso de umidade e nos efeitos sobre sanidade e manejo.

A questão sanitária também merece atenção. Estresse térmico, restrição alimentar e concentração de animais em áreas com acesso limitado à água podem aumentar vulnerabilidade a doenças, parasitoses e mortalidade de cordeiros e cabritos. Em sistemas leiteiros caprinos, a redução da qualidade da dieta pode afetar produção, reprodução e regularidade de fornecimento.

8. Suínos e aves

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Em suínos e aves, os efeitos do El Niño são diferentes daqueles observados em cadeias baseadas em pastagens. O impacto direto sobre o campo é menor; o ponto central está no custo da ração, na ambiência, na energia elétrica e na logística. Milho e farelo de soja são componentes estruturais da alimentação dessas cadeias, de modo que qualquer volatilidade nos grãos pode se traduzir rapidamente em pressão sobre custos.

Nas aves de corte, ondas de calor podem reduzir consumo de ração, piorar conversão alimentar, elevar mortalidade e aumentar a necessidade de ventilação, nebulização e controle de ambiência. Na avicultura de postura, o impacto pode ser ainda mais sensível: temperaturas elevadas podem reduzir taxa de postura, afetar qualidade dos ovos, aumentar mortalidade e elevar o consumo de energia elétrica nas granjas.

Na suinocultura, o estresse térmico pode comprometer ganho de peso, consumo alimentar, fertilidade, desempenho reprodutivo de matrizes e reprodutores e resultados em fases sensíveis, como maternidade e creche. Portanto, mesmo que a oferta de grãos seja suficiente, a margem pode ser comprimida pela combinação entre ração, energia, perdas de desempenho e maior necessidade de manejo ambiental.

No momento atual, esse alerta é relevante porque o poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja estava em queda em maio de 2026. Segundo o Cepea, até 19 de maio, o poder de compra em relação ao milho registrava o oitavo mês consecutivo de baixa e era o pior desde fevereiro de 2023. Isso indica que qualquer novo choque de custo, mesmo moderado, pode encontrar produtores já pressionados.

9. Implicações de mercado

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O possível El Niño de 2026 tende a adicionar um componente de incerteza às cadeias pecuárias brasileiras. Esse efeito pode aparecer antes mesmo de impactos produtivos concretos, porque agentes de mercado ajustam expectativas, preços futuros, estoques e estratégias de compra com base no risco climático.

Para bovinos de corte, o principal ponto de atenção é a interação entre clima, condição das pastagens e decisões de retenção ou descarte. Se a recuperação das pastagens atrasar no Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste, pode haver aumento de vendas no curto prazo, sobretudo de animais em sistemas menos suplementados. Ao mesmo tempo, custos mais altos de alimentação podem limitar a intenção de retenção, afetando a oferta futura. Em um mercado com arroba já em patamar elevado, essa combinação pode ampliar a volatilidade dos preços.

Para o leite, o risco está menos em uma quebra imediata da produção nacional e mais em uma pressão adicional sobre margens. O setor já vem de aumento do preço ao produtor, mas também de elevação dos custos operacionais. Caso o El Niño eleve gastos com concentrado, volumosos, energia e resfriamento, parte dos produtores pode reduzir investimentos produtivos ou ajustar dietas, limitando a recuperação da oferta e dando sustentação aos preços ao produtor.

Para ovinos e caprinos, especialmente no Nordeste, o impacto de mercado tende a depender da disponibilidade de água e reserva forrageira. Em regiões com maior escassez, pode haver antecipação de vendas e aumento temporário da oferta de animais. Porém, se a seca comprometer matrizes, cordeiros e cabritos, o efeito posterior pode ser de menor capacidade de recomposição dos rebanhos e oferta mais ajustada.

Para aves e suínos, o ponto central é o custo. O mercado de proteína animal intensiva é altamente sensível à relação entre preço do animal, milho, farelo de soja e energia. Em abril de 2026, o IPPA/Cepea já mostrava movimentos distintos dentro da pecuária: alta para boi gordo, leite e ovos, mas queda para frango vivo e suíno vivo. Esse tipo de divergência reforça que o El Niño não deve afetar todas as cadeias da mesma forma; em aves e suínos, o risco principal é a compressão de margens caso custos subam mais rapidamente que os preços recebidos pelos produtores.

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A principal conclusão é que o possível El Niño de 2026 não deve ser analisado como uma ameaça homogênea à produção pecuária nacional. Ele tende a reorganizar riscos por região e por cadeia. O Sul pode enfrentar excesso de chuva; o Centro-Oeste e o Sudeste podem sofrer com irregularidade na retomada das pastagens; o Norte e o Nordeste ficam mais expostos ao déficit hídrico; e aves e suínos reagem sobretudo pela via dos grãos, da energia e da ambiência.

Portanto, o cenário atual ainda não permite afirmar que haverá uma quebra ampla da produção pecuária brasileira. Mas ele já justifica maior atenção a estoques de forragem, compra antecipada de insumos, monitoramento de preços de milho e farelo, planejamento hídrico e estratégias regionais de manejo. O risco central não é apenas produzir menos, mas produzir com maior custo, maior instabilidade e menor previsibilidade ao longo do segundo semestre.

[1] Segundo o IBGE, em 2024 o Brasil tinha 13,3 milhões de caprinos e 21,9 milhões de ovinos, com o Nordeste respondendo por 96,3% dos caprinos e 73,5% dos ovinos.

Fonte: CEPEA

Autores:

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Natália Grigol – Pesquisadora de Pecuária do Cepea

Giovanni Penazzi – Pesquisador de Pecuária do Cepea

Thiago Carvalho – Pesquisador de Pecuária do Cepea

cepea@usp.br

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Mercado brasileiro de milho deve ter dia lento nos negócios – MAIS SOJA

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 O mercado brasileiro de milho pode ter uma quarta-feira de movimentação lenta nos negócios, em meio ao impasse de produtores e compradores no que tange aos preços. O dólar opera em queda frente ao real, mas a recente escalada deve fazer com que os produtores segurem as intenções de venda, apostando em preços mais elevados para o cereal. Na ponta compradora, porém, a demanda deve seguir fraca, uma vez que os consumidores estão bem ofertados do cereal. No cenário internacional, a pressão de oferta proveniente do avanço da colheita nos Estados Unidos mantém a Bolsa de Chicago em queda.

O mercado brasileiro de milho teve um retorno do feriado de negociações fracas. Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, os produtores acreditam que as cotações podem subir devido ao câmbio, já os consumidores não veem espaço para altas devido à oferta e ao bom clima para a safra de verão.

No Porto de Santos, o preço ficou entre R$ 67,00/70,00 a saca (CIF). Já no Porto de Paranaguá, cotação entre R$ 66,00/69,00 a saca.

No Paraná, a cotação ficou em R$ 56,00/60,00 a saca em Cascavel. Em São Paulo, preço de R$ 60,00/62,00 na Mogiana. Em Campinas CIF, preço de R$ 66,00/67,00 a saca.

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No Rio Grande do Sul, preço ficou em R$ 68,00/70,00 a saca em Erechim. Em Minas Gerais, preço em R$ 61,00/63,00 a saca em Uberlândia. Em Goiás, preço esteve em R$ 57,00/60,00 a saca em Rio Verde – CIF. No Mato Grosso, preço ficou a R$ 52,00/56,00 a saca em Rondonópolis.

CHICAGO

* Os contratos com entrega em dezembro de 2026 estão cotados a US$ 4,40 1/2 por bushel, queda de 2,00 centavos em relação ao fechamento anterior.

* O mercado estende perdas, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas preocupações com o ritmo mais lento da demanda externa pelo produto norte-americano. O desempenho negativo do petróleo em Nova York também contribui para o cenário de baixa.

* Ontem (3), os contratos de milho com entrega em dezembro/26 fecharam a US$ 4,42 1/2 por bushel, com baixa de 5,75 centavos, ou 1,28%, em relação ao fechamento anterior. A posição março/27 fechou a sessão a US$ 4,56 1/4 por bushel, recuo de 5,75 centavos, ou 1,24%, em relação ao fechamento anterior.

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CÂMBIO

* O dólar comercial registra baixa de 0,57% a R$ 5,4547. O Dollar Index registra queda de 0,48% a 101,376 pontos.

INDICADORES FINANCEIROS

* As principais bolsas da Ásia fecharam mistas. China, +2,11%. Japão, -1,42%.

* As principais bolsas na Europa operam firmes. Paris, +1,42%. Frankfurt, +1,52%. Londres, +1,19%.

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* O petróleo opera em baixa. Dezembro do WTI em NY: US$ 95,12 o barril (-1,00%).

AGENDA

10:30 – EUA: Balança comercial de bens e serviços de setembro.

12:30 – EUA: Relatório semanal da Administração de Informações de Energia (EIA) sobre estoques de petróleo referente à semana de 30 de outubro.

18:30 – Definição da taxa Selic pelo Copom/BC.

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– Resultados financeiros da Minerva, da Vibra e da Prio.

20:50 – Japão: Ata da reunião de política monetária do Banco do Japão (BoJ).

—–Quinta-feira (05/11)

07:00 – Zona do euro: Índice de Preços ao Produtor (PPI) de setembro.

09:00 – Reino Unido: Ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra.

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09:00 – Reino Unido: Decisão sobre as taxas de juros do Banco da Inglaterra.

09:00 – Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do Brasil/IBGE.

10:30 – EUA: Dados de exportação semanal de grãos/USDA.

15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.

15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

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16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.

– Resultados financeiros da PetroRecôncavo e do Brasil Agro.

20:30 – Japão: Pesquisa preliminar do trabalho – salários, emprego e horas trabalhadas de setembro.

—–Sexta-feira (06/11)

10:30 – EUA: Relatório de emprego dos Estados Unidos de outubro.

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15:00 – Balança comercial consolidada de outubro/MDIC.

16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.

– Resultado financeiro da Fertilizantes Heringer.

Autor/Fonte: Arno Baasch – arno@safras.com.br) / (Agência Safras)

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Arroz/BR: Semeadura atinge 50,9% no país com avanço no RS e progresso nas demais regiões – MAIS SOJA

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Arroz/BR: 50,9% semeado. No RS, o clima foi mais estável e permitiu bom avanço do plantio. Ao todo, cerca de 60% da área estadual está semeada, com bom desenvolvimento geral da cultura. No TO, as chuvas recentes permitiram o preparo e a sistematização das áreas de várzea, iniciando o plantio do arroz irrigado.

Em SC, mesmo com a baixa luminosidade, as temperaturas amenas e o excesso hídrico, o plantio avança e se aproxima do final. As lavouras apresentam danos pontuais por conta desse cenário climático.

No MA, a semeadura do arroz irrigado foi finalizada, restando as áreas tardias de arroz sequeiro. No PR, o clima foi mais favorável e permitiu a retomada do plantio. As condições das lavouras são consideradas boas.

Fonte: Conab

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FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Soja despenca ao menor preço em 11 semanas em Chicago

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Os preços da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) recuam nesta quarta-feira (4), acumulando a oitava sessão consecutiva de perdas e atingindo o menor patamar em 11 semanas. O movimento é influenciado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, pela maior oferta global e pela competitividade da soja brasileira no mercado internacional.

Os contratos futuros com vencimento em janeiro eram negociados a US$ 12,02 por bushel na sessão eletrônica desta manhã, com desvalorização de 0,94%, equivalente a 11,50 centavos de dólar em relação ao fechamento anterior.

A proximidade do encerramento da colheita norte-americana mantém a pressão sobre as cotações, diante da ampla disponibilidade do grão. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a possibilidade de aumento da concorrência brasileira nas exportações, especialmente nos destinos internacionais fora da China.

Outro fator que pesa sobre os preços é o desempenho das compras chinesas, que seguem abaixo das expectativas dos operadores, mesmo após o anúncio de uma nova venda por exportadores privados.

Soja já havia fechado em queda na terça-feira

Na sessão de terça-feira (3), os contratos futuros da soja encerraram o dia em baixa, acompanhando a desvalorização do petróleo e os fundamentos de oferta e demanda.

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O contrato com vencimento em janeiro fechou cotado a US$ 12,14 por bushel, com recuo de 0,22%, equivalente a 2,75 centavos de dólar.

Já a posição março terminou o pregão a US$ 12,20 por bushel, registrando queda de 0,46%, ou 5,75 centavos de dólar.

O comportamento do mercado reflete a combinação entre o aumento da disponibilidade de soja nos Estados Unidos, a concorrência brasileira e as incertezas sobre o ritmo da demanda internacional.

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