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17 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Controle biológico da mosca-da-haste em soja – MAIS SOJA

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Considerada uma praga “silenciosa”, com difícil diagnose e crescente expansão em lavoura de soja, a mosca-da-haste da soja (Melanagromyza sojae), pode causar danos nos diferentes estádios do desenvolvimento da cultura. A praga realiza postura endofítica próxima às nervuras de folíolos jovens da soja, e após a eclosão, as larvas minam os tecidos, migram pelas nervuras e pecíolos até o caule, onde se desenvolvem internamente alimentando-se da medula e deslocando-se principalmente para a parte inferior da planta, causando o dano característico da mosca-da-haste (Sosa-Gómez et al., 2023).

Figura 1. Plantas de soja com injúrias ocasionadas por Melanagromyza sojae: Murcha das folhas opostas (A), Brotos mumificados (B), pupa e orifício de saída na haste principal (C), haste danificada (D), folíolo seco (E), pupa e orifício de saída no pecíolo (F), nervura danificada na folha oposto (G), puncturas de alimentação dos adultos (H).
Fonte: VITORIO et al., 2019, apud. Ramon (2023)

Embora a mosca-da-haste da soja possa ocorrer durante todo ciclo da cultura, as perdas mais significativas são observadas quando as plantas são atacadas nos estádios iniciais do desenvolvimento, sendo que o período crítico para infestação se dá quatro a cinco semanas após a emergência das plantas (Ramon, 2023). A praga é nativa da Ásia, mas estabeleceu-se com sucesso no Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia (Pozebon et al., 2021). Embora sua ocorrência no Brasil seja relatada desde a década de 1980, o primeiro registro de M. sojae no Cerrado Brasileiro data de 2018 (Czepak et al., 2018).

Figura 2. Larva da mosca-da-haste-da-soja (Melanagromyza sojae) em soja voluntária, em área do Cerrado brasileiro.
Foto: Paula Barcelos Simões de Oliveira Lima, fonte: Czepak et al. (2018)

Com relação aos impactos da praga, pesquisas demonstram que a cada ponto percentual da haste injuriada, há a redução de 0,18 cm na estatura e de 0,11 g planta-1 na produtividade de grão (Ramon, 2023). Nesse contexto, considerando a expansão da praga para regiões de relevância econômica na produção de soja, os impactos sobre a produtividade e a dificuldade de identificação dos sintomas, a adoção de estratégias integradas torna-se essencial para o manejo eficiente da mosca-da-haste da soja.

Figura 3. Adulto da mosca-da-haste-da-soja (Melanagromyza sojae).
Foto: Beatriz Spalding Corrêa-Ferreira

Ainda que o controle químico concentre a base do manejo da mosca-da-haste da soja, há uma limitada oferta de inseticidas químicos com registro para o controle da praga na soja. Atualmente, apenas três inseticidas baseados no princípio ativo Clotianidina (Neonicotinóide), apresentam registro para o controle da Melanagromyza sojae em soja (Agrofit, 2026). Esse cenário torna evidente a necessidade de medidas integradas para o controle da mosca-da-haste da soja, dentre elas, o controle biológico.



Controle biológico da mosca-da-haste da soja

Até então, há poucas informações relacionadas ao controle biológico da mosca-da-haste da soja, com uma oferta limitada de produtos comerciais destinados a esse manejo. Sabe-se que além do uso de cultivares com resistência genética e do controle químico com inseticidas, o biocontrole da mosca-da-haste da soja com parasitoides constitui uma das principais estratégias para o manejo da praga (Pozebon et al., 2021). O parasitismo nas fases larval e de pupa da praga contribui para reduzir o nível populacional da mosca-da-haste da soja em áreas agrícolas, no entanto, com resultados variáveis de eficácia de acordo com a espécie parasitoide e condições ambientais (Talekar & Chen, 1986).

Dentre os parasitoides mais conhecidos utilizados no biocontrole da mosca-da-haste da soja, destacam-se a vespa Syntomopus parisii (Figura 4). Conforme destacado por Beche et al. (2018), essa espécie de vespa é responsável por altas taxas de parasitismo da mosca-da-haste Melanagromyza sojae e sua presença foi confirmada pelos autores, parasitando pupas da mosca-da-haste da soja no Brasil e no Paraguai.

Figura 4. Macho (esquerda) e fêmea (direita) de Syntomopus parisii (Hymenoptera: Pteromalidae).
Fonte: Beche et al. (2018)

De acordo com Beche et al. (2018), o elevado número de pupas de M. sojae parasitadas, associado à baixa taxa de emergência de adultos observada nas plantas avaliadas, indica que o controle biológico natural desempenha papel importante na supressão da praga, contribuindo para evitar surtos generalizados da mosca-da-haste em lavouras de soja. Tal fato evidencia a aptidão das vespas Syntomopus parisii como agentes para o controle biológico da mosca-da-haste da soja.

Além dos parasitoides das larvas e pupas das mosca-da-haste da soja, há consenso que fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae podem atuar no biocontrole da mosca-há-haste da soja, apresentando ação larvicida a pupicida e, portanto, sendo agentes promissores para o biocontrole da praga (Forgiarini, 2023). Contudo, vale destacar que ação desses fungos no parasitismo e controle da mosca-da-haste da soja é altamente dependente das condições ambientais e climáticas, o que torna altamente condicionável a eficácia do controle.

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Além dos fungos supracitados, há relatos na literatura da infecção de adultos de Melanagromyza sojae pelo fungo entomopatogênico Ophiocordyceps dipterigena, o qual também apresenta potencial como agente de controle biológico da mosca-da-haste da soja (Salgado-Neto et al., 2018). Entretanto, ainda são escassas as informações relacionadas à eficácia e à eficiência desses bioagentes no manejo da praga, tornando necessários estudos que ampliem o conhecimento sobre sua atuação e possibilitem novas perspectivas para o controle biológico. Embora diferentes agentes de controle sejam conhecidos, a limitada disponibilidade de informações sobre sua aplicação em escala comercial reforça a necessidade de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estratégias práticas e viáveis para o manejo da mosca-da-haste da soja.

Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 15/06/2026.

BECHE, M. et al. OCCURRENCE OF Syntomopus parisii (Hymenoptera: Pteromalidae) PARASITIZING Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN BRAZIL AND PARAGUAY. Genetics and Molecular Research, 2018. Disponível em: < https://geneticsmr.com/wp-content/uploads/2024/03/gmr18074.pdf >, acesso em: 15/06/2026.

CZEPAK, C. et al. FIRST RECORD OF THE SOYBEAN STEM FLY Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN THE BRAZILIAN SAVANNAH. Pesq. Agropec. Trop., 2018. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pat/a/SS3XwW9RZ7DKXjVdML4HrRy/?lang=en >, acesso em: 15/06/2026.

FORGIARINI, S. E. CONTROLE DA MOSCA-DA-HASTE [Melanagromyza sojae (Zehntner, 1900) (DIPTERA: AGROMYZIDAE)] NA SOJA COM INSETICIDAS VIA TRATAMENTO DE SEMENTES. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/31818/DIS_PPGAGRONOMIA_2023_FORGIARINI_SARAH.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 15/06/2026.

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POZEBON, H. et al. HIGHLY DIVERSE AND RAPIDLY SPREADING: Melanagromyza sojae THREATENS THE SOYBEAN BELT OF SOUTH AMERICA. Biol Invasions, 2021. Disponível em: < https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-020-02447-7 >, acesso em: 15/06/2026.

RAMON, P. C. CONTROLE E DANOS DE Melanagromyza sojae (ZEHNTNER, 1900) (DIPTERA: AGROMYZIDAE) EM SOJA. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/29547/DIS_PPGAGRONOMIA_2023_RAMON_PAULO.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 15/06/2026.

SALGADO-NETO, G. FIRST RECORD OF Ophiocordyceps dipterigena (Ascomycota: Hypocreales: Ophiocordycipitaceae) INFECTING ADULTS OF Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN BRAZIL. Ciência Rural, 2018. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/8e96df45-27e5-41ff-9714-c2fcea36d8f3/content >, acesso em: 15/06/2026.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. 4. ed. Embrapa Soja, documentos, n. 269, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152855 >, acesso em: 15/06/2026.

TALEKAR, N. S.; CHEN, B. S. THE BEANFLY PEST COMPLEX OF TROPICAL SOYBEAN. SOYBEAN CROPPING SYSTEMS, 1986. Disponível em: < https://worldveg.tind.io/record/5207/files/eam0266.pdf >, acesso em: 15/06/2026.

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Foto de capa: Lucas Vitorio.

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Sustentabilidade

Farsul cobra ANP por ações urgentes contra risco de diesel no RS – MAIS SOJA

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A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou, nesta segunda-feira (14 de setembro de 2026), um ofício urgente direcionado ao Diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto. O documento manifesta profunda preocupação com os novos relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel aos produtores rurais gaúchos, justamente no momento em que se inicia o plantio da safra de verão.

No ofício assinado pelo presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, a entidade lembra que um cenário semelhante ocorreu entre março e abril deste ano, durante a colheita do arroz e da soja. Naquela ocasião, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques suficientes no estado, produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios enfrentaram severas limitações de fornecimento, com registros de operações agrícolas interrompidas e preços do diesel comercializado chegando a alcançar até R$ 9,00 por litro. As dificuldades atingiram cerca de 170 municípios, afetando serviços públicos essenciais.

Estudos da Assessoria Econômica da Farsul apontam que a alta de 21,1% no preço do diesel S10 (que saltou de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro) poderia acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do estado. Em um cenário mais crítico, com o combustível a R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais poderiam chegar a R$ 1,47 bilhão.

Agora, o problema reaparece em um momento de janela agronômica bastante limitada. A Farsul adverte que a falta de combustível pode atrasar a implantação das culturas, reduzir a área plantada e comprometer a produtividade. Além disso, o encarecimento do diesel encarece a produção e o transporte, gerando reflexos diretos na economia e nos preços dos alimentos ao consumidor.

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A entidade também destaca que, conforme boletim da Abicom, o preço nacional do diesel permaneceu abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com defasagem de até R$ 2,56 por litro. A subvenção de R$ 1,00 por litro anunciada pelo Governo Federal em 9 de setembro é vista como uma medida que precisa resultar urgentemente em oferta efetiva, regularidade de entregas e redução de preços.

Solicitações à ANP

Diante da urgência imposta pelo calendário agrícola, a Farsul cobra da ANP a adoção imediata das seguintes providências:

  1. Fiscalização imediata das distribuidoras que operam no Rio Grande do Sul, com foco no atendimento aos TRRs, postos independentes e municípios do interior;
  2. Divulgação atualizada e regionalizada dos estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento;
  3. Esclarecimento dos critérios utilizados pelas distribuidoras na alocação dos volumes disponíveis;
  4. Apuração de eventuais recusas injustificadas, retenção de produto, discriminação entre compradores ou limitação artificial da oferta;
  5. Informações sobre o calendário de importações e os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo Governo Federal;
  6. Apresentação dos resultados das apurações realizadas durante a crise de março e abril, bem como de um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita.

Por fim, a Farsul reforça que permanece à disposição para encaminhar informações que auxiliem na identificação dos pontos de restrição, reiterando que o acesso a diesel disponível no momento adequado e a preço economicamente viável é condição indispensável para a produção de alimentos, a manutenção de empregos e a proteção do consumidor brasileiro.

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Sustentabilidade

Subsolagem ou escarificação? Diagnóstico do solo define operação mais adequada no campo – MAIS SOJA

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Foto de capa: Assessoria

A presença de camadas compactadas no solo pode limitar o desenvolvimento das raízes, dificultar a infiltração de água e comprometer o estabelecimento das culturas. Para corrigir o problema, operações como escarificação e subsolagem podem ser utilizadas, mas a escolha deve partir de um diagnóstico da área, principalmente da profundidade em que está localizada a camada compactada.

De acordo com Henrique Moscatelli, engenheiro agrônomo, inteligência de mercado e marketing da Piccin Equipamentos, a profundidade de trabalho é o principal fator que diferencia as duas operações. “A subsolagem é mais profunda, podendo chegar a 45 centímetros, com hastes mais robustas e maior espaçamento entre elas, o que também exige mais potência do trator. Já o escarificador atua nas camadas mais superficiais, até cerca de 30 centímetros, com possibilidade de menor revolvimento e manutenção da palhada na superfície”, explica.

Antes de levar o implemento ao campo, é importante identificar em qual profundidade a compactação ocorre. Alguns sinais podem ser observados diretamente na lavoura, como manchas de plantas com menor desenvolvimento, germinação desuniforme, pontos de encharcamento e alterações no crescimento das raízes. “Ao retirar uma planta com cuidado, é possível observar se as raízes estão verticalizadas e aprofundando normalmente ou se apresentam crescimento lateralizado, como se estivessem achatadas. Mas, para uma análise mais precisa, o penetrômetro é o equipamento mais indicado porque permite identificar em qual profundidade está a camada compactada”, afirma o especialista.

Em áreas maiores, diferentes pontos podem ser avaliados para a elaboração de um mapa de compactação do talhão. A abertura de trincheiras também permite observar diretamente o perfil do solo e o comportamento das raízes. A Embrapa recomenda que o diagnóstico combine observações de campo, análise do sistema radicular, abertura de trincheiras e uso de equipamentos capazes de medir a resistência do solo à penetração.

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Quando a compactação está concentrada nos primeiros 30 centímetros, condição que pode ocorrer em áreas com histórico de gradagens e tráfego de máquinas, a escarificação pode atender à necessidade com menor mobilização do perfil. Dependendo da configuração do equipamento, a operação também pode contribuir para a manutenção da palhada na superfície e ser utilizada em situações específicas dentro de sistemas de plantio direto, desde que constatada a necessidade de intervenção.

Já quando a camada de impedimento está abaixo desse limite, a subsolagem pode ser uma alternativa. Entre as situações que podem exigir atuação em maior profundidade estão áreas com histórico de pisoteio animal, integração lavoura-pecuária, cabeceiras de talhões e pontos submetidos repetidamente ao tráfego de máquinas.

Mais profundidade não significa melhor resultado

Um dos erros mais comuns é associar uma operação mais profunda a uma descompactação necessariamente mais eficiente. Na prática, trabalhar abaixo da camada que precisa ser rompida aumenta o esforço de tração, o consumo de combustível e o desgaste do equipamento, sem necessariamente proporcionar ganho agronômico.

O problema inverso também pode ocorrer. Quando o equipamento trabalha acima da camada compactada, rompe apenas a parte superficial do perfil e mantém o impedimento ao desenvolvimento das raízes. “Operar mais fundo do que o necessário aumenta a exigência de potência, o consumo de combustível e o desgaste do conjunto sem ganho. Se trabalhar mais raso que a camada compactada, existe uma impressão de que o serviço foi realizado, mas o impedimento continua ali e o comportamento da raiz não muda”, destaca Moscatelli.

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O diagnóstico também ajuda a evitar que problemas de outra natureza sejam confundidos com compactação. Limitações químicas do solo, como acidez ou deficiência de nutrientes, por exemplo, exigem estratégias específicas de correção e não serão solucionadas apenas com uma operação mecânica.

Umidade interfere na eficiência

Além da profundidade, a condição de umidade do solo no momento da operação é determinante. O ideal é que o perfil esteja em condição friável, quando apresenta umidade suficiente, mas se desfaz com facilidade ao ser pressionado. Com o solo muito úmido, a haste pode comprimir as paredes do sulco em vez de promover a ruptura desejada.

Em condições excessivamente secas, aumenta a resistência à passagem do implemento e, consequentemente, a demanda de tração. “O solo precisa estar friável. Nessa condição, a haste consegue romper uma faixa maior do que apenas a linha de contato da ponteira. Solo úmido demais não traz bom resultado e solo seco demais exige muita tração”, explica o especialista.

O espaçamento das hastes também influencia a qualidade da operação. Segundo Moscatelli, uma referência é trabalhar com distância equivalente a aproximadamente uma a 1,5 vez a profundidade de atuação. Espaços excessivos podem deixar faixas sem rompimento, enquanto uma configuração muito fechada aumenta o revolvimento e a demanda energética. Orientações técnicas da Embrapa também apontam relações próximas a essa faixa para favorecer a ruptura do solo entre as hastes.

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Nivelamento do implemento e estado das ponteiras completam os cuidados. O equipamento deve permanecer paralelo ao terreno para manter profundidade uniforme, enquanto ponteiras desgastadas podem perder eficiência de penetração e aumentar a demanda de potência.

Equipamento deve acompanhar a necessidade da área

A definição da profundidade de trabalho também deve orientar a escolha do equipamento. Para diferentes condições de campo, a Piccin possui linhas de escarificadores e subsoladores com configurações distintas. Entre os escarificadores está o EPCR 300, com configurações de cinco a 25 hastes e trabalho de até 260 milímetros de profundidade.

Para operações mais profundas, a empresa dispõe da linha de subsoladores SP, com versões de três a 11 hastes e profundidades entre 200 e 450 milímetros, além de configurações com sistemas de desarme para situações com pedras e outros obstáculos. Na linha com controle remoto, o SPCR 500 pode atingir 500 milímetros. A fabricante também possui a linha Advanced, com configuração modular e trabalho entre 200 e 550 milímetros de profundidade, além de opções de espaçamento e sistemas de desarme de acordo com a aplicação.

Para Moscatelli, a escolha deve começar pelo diagnóstico da área. “Observe como está a lavoura, faça uma avaliação com penetrômetro ou abra uma trincheira para descobrir em qual profundidade está a camada compactada. Com esse dado em mãos, é possível identificar o equipamento adequado para aquela condição. A profundidade da compactação é que deve definir a operação, e não o contrário”, conclui.

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Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Sustentabilidade

Clima instável, produção menor – MAIS SOJA

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As lavouras de milho safrinha do Paraná enfrentaram condições climáticas adversas e distintas na temporada 2025/26. Estiagens pontuais e altas temperaturas afetaram o desenvolvimento das plantas na fase inicial da cultura.

No oeste do estado, Gabriel Redivo destinou 960 hectares ao milho. O plantio levou pouco mais de duas semanas, entre o final de janeiro e o dia 14 de fevereiro. As chuvas foram escassas em março e abril, e reduziram o potencial produtivo em 40%, conta o produtor. A média ficou entre 82 e 90 sacas/hectare.

A família de Gabriel atua no agronegócio do Paraná desde os anos 1970. O avô materno dele, Adolfo Oto Midding, deixou o município catarinense de Videira para arrendar a propriedade de um familiar na divisa de Santa Tereza do Oeste e São Pedro do Iguaçu, em 1977. Pouco depois, com recursos relativos a uma herança, comprou uma área de terra vizinha aproveitando uma época em que os valores não eram tão elevados. Era um período em que a mecanização recém estava se iniciando e os produtores costumavam apostar em três culturas. Era soja no verão e trigo no inverno. Naquela época, já pelo início dos anos 1980, Adolfo começou a fazer experimento com o plantio do milho com matraca no meio das linhas de soja. Como a colheita ainda era manual, permitia o consórcio das duas culturas. Era o esboço da safrinha nascendo já que naquela época o milho era um cultivo de verão.

Atualmente, a soja ocupa 100% da área no verão enquanto o milho cobre 70% do total no inverno. Seis anos atrás, Gabriel e o avô Adolfo decidiram apostar em uma terceira cultura. Passaram a dedicar 190 hectares ao feijão. O plantio normalmente é no final de fevereiro e a colheita acontece entre maio e junho. A última safra rendeu 38 sacas/hectare para um nível médio de investimento.

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Odelir, o pai de Gabriel, se ocupa de outra atividade da família em Santa Tereza do Oeste, próximo a Cascavel (PR). Assim, Adolfo, de 84 anos, é quem divide com Gabriel os afazeres e as decisões sobre a lavoura. “Ele se envolve e vai todo dia à lavoura”, diz o neto. Como um bom descendente de germânicos, ele fala fluentemente o idioma de seus antecessores. E foi no idioma de seus ancestrais, que ele lamentou a eliminação da seleção alemã de futebol pela derrota para o Paraguai pela Copa do Mundo.

Milho safrinha 2026

Produtividade média (sacas/hectare)

  • MT – 116,58 (+1,6%)
  • MS –    88,33 (+41,6%)
  • PR –     99,50 (+20,5%)
  • GO – 82,86 (-24,3%)
  • Brasil – 98,50 (-9%)

Produção por estado (milhões toneladas)

  • MT – 52,66 (-3,5%)
  • MS – 11,92 (-13,7%)
  • PR – 17,61 (-0,1%)
  • GO – 10,01 (-31%)
  • Brasil – 106,79 (-7,9%)
  • Fonte: IBGE, julho 2026
Centro-oeste        

Maior produtor agrícola brasileiro, o Mato Grosso colheu grandes volumes de milho apesar da redução da produtividade em 6,4%. Levantamento realizado pelo IBGE e divulgado em julho aponta a produção de 52,66 milhões de toneladas. Algumas regiões tiveram clima menos favorável que a área da atuação da C.Vale. “Os produtores conseguiram plantar, em sua grande maioria, dentro da melhor janela de plantio e o clima também ajudou com chuvas regulares e melhor distribuídas. Pragas e doenças foram bem manejadas e não tiveram impacto significativo. A soma destes fatores resultou em boas médias de produtividade”, avalia Renato Rambo, gerente da C.Vale para o Mato Grosso.

 Em Mato Grosso do Sul, a combinação de estiagens, ataque de lagartas e chuva no ciclo reprodutivo complicou o desempenho da cultura, segundo o gerente regional da cooperativa Jeferson Salatti. “Apesar dessas adversidades, a produtividade oscila entre 80 e 120 sacas por hectare, garantindo um resultado considerado normal para o estado. Segundo ele, o desempenho “comprova a eficiência da gestão do produtor no campo”.

Fonte: Assessoria de Imprensa C.Vale, disponível em Sistema Ocepar



FONTE
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Autor:Assessoria de Imprensa C.Vale, disponível em Sistema Ocepar

Site: Sistema Ocepar

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