Sustentabilidade
Controle biológico da mosca-da-haste em soja – MAIS SOJA

Considerada uma praga “silenciosa”, com difícil diagnose e crescente expansão em lavoura de soja, a mosca-da-haste da soja (Melanagromyza sojae), pode causar danos nos diferentes estádios do desenvolvimento da cultura. A praga realiza postura endofítica próxima às nervuras de folíolos jovens da soja, e após a eclosão, as larvas minam os tecidos, migram pelas nervuras e pecíolos até o caule, onde se desenvolvem internamente alimentando-se da medula e deslocando-se principalmente para a parte inferior da planta, causando o dano característico da mosca-da-haste (Sosa-Gómez et al., 2023).
Figura 1. Plantas de soja com injúrias ocasionadas por Melanagromyza sojae: Murcha das folhas opostas (A), Brotos mumificados (B), pupa e orifício de saída na haste principal (C), haste danificada (D), folíolo seco (E), pupa e orifício de saída no pecíolo (F), nervura danificada na folha oposto (G), puncturas de alimentação dos adultos (H).
Embora a mosca-da-haste da soja possa ocorrer durante todo ciclo da cultura, as perdas mais significativas são observadas quando as plantas são atacadas nos estádios iniciais do desenvolvimento, sendo que o período crítico para infestação se dá quatro a cinco semanas após a emergência das plantas (Ramon, 2023). A praga é nativa da Ásia, mas estabeleceu-se com sucesso no Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia (Pozebon et al., 2021). Embora sua ocorrência no Brasil seja relatada desde a década de 1980, o primeiro registro de M. sojae no Cerrado Brasileiro data de 2018 (Czepak et al., 2018).
Figura 2. Larva da mosca-da-haste-da-soja (Melanagromyza sojae) em soja voluntária, em área do Cerrado brasileiro.

Com relação aos impactos da praga, pesquisas demonstram que a cada ponto percentual da haste injuriada, há a redução de 0,18 cm na estatura e de 0,11 g planta-1 na produtividade de grão (Ramon, 2023). Nesse contexto, considerando a expansão da praga para regiões de relevância econômica na produção de soja, os impactos sobre a produtividade e a dificuldade de identificação dos sintomas, a adoção de estratégias integradas torna-se essencial para o manejo eficiente da mosca-da-haste da soja.
Figura 3. Adulto da mosca-da-haste-da-soja (Melanagromyza sojae).

Ainda que o controle químico concentre a base do manejo da mosca-da-haste da soja, há uma limitada oferta de inseticidas químicos com registro para o controle da praga na soja. Atualmente, apenas três inseticidas baseados no princípio ativo Clotianidina (Neonicotinóide), apresentam registro para o controle da Melanagromyza sojae em soja (Agrofit, 2026). Esse cenário torna evidente a necessidade de medidas integradas para o controle da mosca-da-haste da soja, dentre elas, o controle biológico.
Controle biológico da mosca-da-haste da soja
Até então, há poucas informações relacionadas ao controle biológico da mosca-da-haste da soja, com uma oferta limitada de produtos comerciais destinados a esse manejo. Sabe-se que além do uso de cultivares com resistência genética e do controle químico com inseticidas, o biocontrole da mosca-da-haste da soja com parasitoides constitui uma das principais estratégias para o manejo da praga (Pozebon et al., 2021). O parasitismo nas fases larval e de pupa da praga contribui para reduzir o nível populacional da mosca-da-haste da soja em áreas agrícolas, no entanto, com resultados variáveis de eficácia de acordo com a espécie parasitoide e condições ambientais (Talekar & Chen, 1986).
Dentre os parasitoides mais conhecidos utilizados no biocontrole da mosca-da-haste da soja, destacam-se a vespa Syntomopus parisii (Figura 4). Conforme destacado por Beche et al. (2018), essa espécie de vespa é responsável por altas taxas de parasitismo da mosca-da-haste Melanagromyza sojae e sua presença foi confirmada pelos autores, parasitando pupas da mosca-da-haste da soja no Brasil e no Paraguai.
Figura 4. Macho (esquerda) e fêmea (direita) de Syntomopus parisii (Hymenoptera: Pteromalidae).

De acordo com Beche et al. (2018), o elevado número de pupas de M. sojae parasitadas, associado à baixa taxa de emergência de adultos observada nas plantas avaliadas, indica que o controle biológico natural desempenha papel importante na supressão da praga, contribuindo para evitar surtos generalizados da mosca-da-haste em lavouras de soja. Tal fato evidencia a aptidão das vespas Syntomopus parisii como agentes para o controle biológico da mosca-da-haste da soja.
Além dos parasitoides das larvas e pupas das mosca-da-haste da soja, há consenso que fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae podem atuar no biocontrole da mosca-há-haste da soja, apresentando ação larvicida a pupicida e, portanto, sendo agentes promissores para o biocontrole da praga (Forgiarini, 2023). Contudo, vale destacar que ação desses fungos no parasitismo e controle da mosca-da-haste da soja é altamente dependente das condições ambientais e climáticas, o que torna altamente condicionável a eficácia do controle.
Além dos fungos supracitados, há relatos na literatura da infecção de adultos de Melanagromyza sojae pelo fungo entomopatogênico Ophiocordyceps dipterigena, o qual também apresenta potencial como agente de controle biológico da mosca-da-haste da soja (Salgado-Neto et al., 2018). Entretanto, ainda são escassas as informações relacionadas à eficácia e à eficiência desses bioagentes no manejo da praga, tornando necessários estudos que ampliem o conhecimento sobre sua atuação e possibilitem novas perspectivas para o controle biológico. Embora diferentes agentes de controle sejam conhecidos, a limitada disponibilidade de informações sobre sua aplicação em escala comercial reforça a necessidade de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estratégias práticas e viáveis para o manejo da mosca-da-haste da soja.
Referências:
AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 15/06/2026.
BECHE, M. et al. OCCURRENCE OF Syntomopus parisii (Hymenoptera: Pteromalidae) PARASITIZING Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN BRAZIL AND PARAGUAY. Genetics and Molecular Research, 2018. Disponível em: < https://geneticsmr.com/wp-content/uploads/2024/03/gmr18074.pdf >, acesso em: 15/06/2026.
CZEPAK, C. et al. FIRST RECORD OF THE SOYBEAN STEM FLY Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN THE BRAZILIAN SAVANNAH. Pesq. Agropec. Trop., 2018. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pat/a/SS3XwW9RZ7DKXjVdML4HrRy/?lang=en >, acesso em: 15/06/2026.
FORGIARINI, S. E. CONTROLE DA MOSCA-DA-HASTE [Melanagromyza sojae (Zehntner, 1900) (DIPTERA: AGROMYZIDAE)] NA SOJA COM INSETICIDAS VIA TRATAMENTO DE SEMENTES. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/31818/DIS_PPGAGRONOMIA_2023_FORGIARINI_SARAH.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 15/06/2026.
POZEBON, H. et al. HIGHLY DIVERSE AND RAPIDLY SPREADING: Melanagromyza sojae THREATENS THE SOYBEAN BELT OF SOUTH AMERICA. Biol Invasions, 2021. Disponível em: < https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-020-02447-7 >, acesso em: 15/06/2026.
RAMON, P. C. CONTROLE E DANOS DE Melanagromyza sojae (ZEHNTNER, 1900) (DIPTERA: AGROMYZIDAE) EM SOJA. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/29547/DIS_PPGAGRONOMIA_2023_RAMON_PAULO.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 15/06/2026.
SALGADO-NETO, G. FIRST RECORD OF Ophiocordyceps dipterigena (Ascomycota: Hypocreales: Ophiocordycipitaceae) INFECTING ADULTS OF Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) IN BRAZIL. Ciência Rural, 2018. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/8e96df45-27e5-41ff-9714-c2fcea36d8f3/content >, acesso em: 15/06/2026.
SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. 4. ed. Embrapa Soja, documentos, n. 269, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152855 >, acesso em: 15/06/2026.
TALEKAR, N. S.; CHEN, B. S. THE BEANFLY PEST COMPLEX OF TROPICAL SOYBEAN. SOYBEAN CROPPING SYSTEMS, 1986. Disponível em: < https://worldveg.tind.io/record/5207/files/eam0266.pdf >, acesso em: 15/06/2026.
Foto de capa: Lucas Vitorio.

Sustentabilidade
Ceema: Mercado do clima nos EUA e alta do trigo sustentam cotações do milho em Chicago – MAIS SOJA

As cotações do milho, em Chicago, se mantiveram firmes nesta semana, com o bushel fechando a quinta-feira (16) em US$ 4,41, após ter atingido a US$ 4,47 na véspera, a qual foi a melhor cotação desde o dia 28/05, para o primeiro mês cotado. Uma semana antes o bushel valia US$ 4,27.
A pressão climática nos EUA vem ajudando a este movimento, assim como a forte alta do trigo durante a corrente semana. Lembrando que estamos em pleno mercado do clima nos EUA e no momento mais delicado do desenvolvimento das lavouras do cereal naquele país. Ao mesmo tempo, o aumento das tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia, nestes últimos dias, trouxe novas preocupações quanto ao comércio do milho e do trigo junto ao Mar Negro, influenciando as cotações.
Por sua vez, o relatório de oferta e demanda do USDA, do dia 10/07, manteve a produção final dos EUA em 406,4 milhões de toneladas, colocando os estoques finais daquele país, para 2026/27, em 45,5 milhões de toneladas, com pouco mais de quatro milhões de toneladas a menos do que o anunciado em junho. Já a produção mundial do cereal ficou em 1,297 bilhão de toneladas, perdendo três milhões sobre junho, enquanto os estoques finais mundiais ficaram em 275,3 milhões, perdendo seis milhões de toneladas em relação a junho. A produção brasileira é prevista em 139 milhões e a da Argentina em 55 milhões de toneladas.
O USDA também apontou que, no dia 12/07, 68% das lavouras de milho estadunidense estavam entre boas a excelentes condições, contra 67% da semana anterior. Outras 24% estavam em situação regular e 8% em condições ruins ou muito ruins. Por outro lado, 34% das lavouras estavam na fase de pendoamento, contra a média de 30% para o período. Outras 6% estavam na fase de formação de grãos, contra a média de 5%.
Já aqui no Brasil, as altas em Chicago têm pouco efeito, pois o milho nacional responde especialmente a uma realidade do mercado interno. Assim, os preços do cereal, nesta semana, oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 60,50/saco conforme as diferentes praças nacionais. No Rio Grande do Sul, os mesmos continuaram em R$ 58,00/saco.
Houve pequeno aumento em diferentes regiões nacionais, em relação à semana anterior, porém, a pressão da colheita da safrinha, que avança bem no país, continua a impedir melhorias substanciais nos preços. Até o dia 10/07 a colheita da safrinha, no Brasil, atingia a 38,9% da área semeada, contra 46,7% na média histórica. Segundo os últimos dados da Conab, anunciados agora em julho, a produção total da safrinha está esperada em 108,4 milhões de toneladas para 2025/26, contra pouco mais de 113 milhões no ano anterior. Já a produção total de milho está, agora, estimada em 140,7 milhões, contra 141,2 milhões de toneladas no ano anterior.
Em particular, no Mato Grosso, a colheita de milho atingiu a 60% da área cultivada na safra 2025/26 na virada da semana, contra a média de 70,6% para esta época. Entretanto, estimativas revisadas apontam para um safra recorde naquele estado, com a safra 2025/26 podendo atingir a 57 milhões de toneladas. Este volume supera os 55,4 milhões da safra anterior. “O avanço se dá exclusivamente com a contabilização de uma produtividade mais alta, já que a área plantada permaneceu inalterada, sendo estimada em 7,39 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,8% no comparativo anual. A produtividade média por hectare passou para 128,6 sacos/ha, superando a do ano anterior, que havia sido de 127,3 sacos (cf. Imea).
Enquanto isso, no Centro-Sul brasileiro a colheita atingia a 40% da área até o dia 09/07 (cf. AgRural).
Já as exportações de milho pelo Brasil, nos primeiros oito dias úteis de julho, atingiram a 519.706 toneladas, com recuo de 38,9% na média diária em relação a todo o mês de julho de 2025. Este baixo ritmo se justificaria devido aos baixos preços do cereal nos portos nacionais. Enfim, o preço médio recebido por tonelada avançou 3% até aqui, saindo dos US$ 205,20 de 2025 para US$ 211,50 no acumulado de julho de 2026.
E a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) considera a aprovação da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um importante avanço para a política nacional de biocombustíveis e para a implementação da Lei do Combustível do Futuro. Afinal, considerando as recentes evoluções do mandato de mistura, em menos de um ano o Brasil acrescentou cinco pontos percentuais ao teor de etanol na gasolina, o equivalente a cerca de 2,25 bilhões de litros anuais adicionais de etanol anidro no mercado nacional. Se, por um lado, este processo tem muitos pontos positivos, por outro lado, se o mesmo não levar a uma redução do preço do litro da gasolina ao consumidor final, este terá prejuízo, pois o álcool diminui a performance quilômetros/litro nos automóveis flex, hoje a grande maioria da frota nacional.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Sustentabilidade
Ceema: Trigo dispara em Chicago e atinge maior valor em dois anos com menor safra nos EUA desde 1970 – MAIS SOJA

Trigo: Em Chicago, o primeiro mês cotado viu sua cotação disparar no dia 15/07, batendo em US$ 6,77/bushel. Esta foi a mais alta cotação desde o dia 31 de maio de 2024, portanto, há mais de dois anos. Lembrando que ainda no final de junho o bushel do cereal esteve cotado em US$ 5,69. Ou seja, em cerca de 15 dias úteis o bushel do cereal ganhou mais de um dólar em Chicago. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 6,74/bushel, contra US$ 6,11 uma semana antes. Aqui, além das questões climáticas mundiais, e a redução da produção nos EUA e problemas climáticos locais (a colheita de trigo nos EUA, prevista para apenas 41,8 milhões de toneladas neste ano, será a menor desde 1970/71), tem-se, ainda, o recrudescimento do conflito entre Rússia x Ucrânia, o qual passou a pesar sobre este mercado, já que a região do Mar Negro é forte produtora e exportadora do cereal.
Por sua vez, o relatório de oferta e demanda, do dia 10/07, reduziu ainda mais a safra estadunidense, com a mesma ficando estimada, agora, em 41,8 milhões de toneladas. Os estoques finais estadunidenses igualmente recuaram, caindo para 19,7 milhões para o ano 2026/27. Já a produção mundial ficou mantida em 820 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais seriam de 272,8 milhões, perdendo cerca de três milhões de toneladas sobre junho. A produção da Argentina ficou estimada em 21 milhões de toneladas, enquanto a brasileira em 6,7 milhões. Com isso, estima-se que o Brasil irá importar 7,2 milhões de toneladas neste novo ano comercial.
Aliás, em relação a Argentina, os agricultores locais estão vendendo uma quantidade excepcionalmente baixa de sua nova safra de trigo, mesmo com o plantio avançando rapidamente, informou a Bolsa de Grãos de Rosário, isso devido a preços mais baixos e uma preocupação crescente com a oferta futura. Os agricultores argentinos já teriam semeado 82% da área prevista pelo governo para a safra de trigo 2026/27. No entanto, as vendas da nova safra atingiram apenas 2 milhões de toneladas até o momento, um dos inícios mais fracos da última década. A bolsa informou que o volume contratado representa apenas 10,5% da produção prevista, ficando abaixo da média de cinco anos que é de 16,6% para esta fase. Do trigo já vendido, 690.000 toneladas ainda não têm preço fixado. De fato, os preços do trigo a ser entregue após a colheita caíram acentuadamente. O contrato de dezembro caiu de cerca de US$ 231,00 por tonelada, no final de abril e meados de maio, para cerca de US$ 206,00 no início de julho, levando os agricultores a desacelerar as vendas em vez de fechar negócios a preços mais baixos. Em tal contexto, a Argentina pode acabar com estoques maiores de trigo se as exportações não continuarem fluindo. A Bolsa estimou os estoques finais de 2025/26 em cerca de 4,5 milhões de toneladas, o maior nível desde 2014/15, mesmo com a demanda interna estimada em 9,2 milhões de toneladas e as exportações em um recorde de 19 milhões de toneladas. A Argentina também enfrenta uma concorrência mais acirrada no exterior. Seu preço de exportação do trigo está agora em cerca de US$ 227,00/tonelada, próximo ao de fornecedores rivais, enquanto as grandes safras do Hemisfério Norte estão pressionando os preços globais.
Já no Brasil, a forte redução de área semeada neste ano, somada a possibilidade de problemas climáticos graves devido ao super-El Niño, esperado a partir da primavera, manteve aquecido o mercado. Os preços, junto aos principais produtores nacionais (RS e PR), giraram entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco, porém, lembramos que tais preços já estão estacionados nestes níveis há três semanas nos dois estados. Vale destacar que, em condições normais de clima, o recente boletim da Conab reduziu ainda mais a produção nacional de trigo, com a mesma ficando em apenas 6 milhões de toneladas, após 7,9 milhões no ano anterior. Portanto, bem menos do que o relatório do USDA indicou no último dia 10/07. A área total nacional estaria em 2,04 milhões de hectares, contra 2,44 milhões no ano anterior, ou seja, um recuo de 400.000 hectares plantados com o cereal.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Ceema: Soja em Chicago volta a superar os US$ 12,00/bushel impulsionada por tensões globais e clima nos EUA – MAIS SOJA

O primeiro mês cotado, em Chicago, voltou a superar os US$ 12,00/bushel nesta semana, após 35 dias úteis abaixo deste teto. No dia 14/07 o bushel atingiu a US$ 12,07. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 11,95, contra US$ 11,79 uma semana antes. Registrar, também, que o farelo chegou a bater em US$ 323,10/tonelada curta no dia 10/07, recuando posteriormente e fechando o dia 16/07 em US$ 322,90. E o óleo de soja voltou a superar o teto dos 70 centavos de dólar por libra-peso, batendo em 73,04 nos dias 13 e 14 de julho e fechando esta quinta-feira (16) em 72,43 centavos.
O movimento de alta se dá em função das novas tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia; ao novo aumento nos preços do petróleo devido ao fracasso do cessar-fogo no Oriente Médio; e a um clima mais quente e seco no Meio-Oeste estadunidense, embora neste último caso a situação tenha melhorado um pouco nesta semana.
O relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 10/07, foi até baixista para o mercado, porém, acabou não tendo este efeito na prática. O mesmo aumentou a futura colheita dos EUA, para o ano 2026/27, em um milhão de toneladas, com ela ficando estimada em 121,8 milhões de toneladas. Já os estoques finais naquele país foram mantidos em 8,4 milhões. As produções da Argentina e do Brasil foram mantidas em 50 e 186 milhões de toneladas respectivamente. Já a produção mundial passou a 441,7 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais ficaram em 124,2 milhões. As importações chinesas foram aumentadas para 115 milhões de toneladas, após 114 milhões em junho.
Por sua vez, as condições das lavouras estadunidenses de soja melhoraram um pouco, atingindo, no dia 12/07, 65% entre boas a excelentes, contra 70% um ano atrás. Outras 27% estavam regulares e 8% estavam entre ruins a muito ruins. Na data indicada, 50% das lavouras estavam na fase de florescimento, contra 34% da semana anterior, 45% do mesmo período do ano passado e 44% da média. Já em formação de vagens estavam 19% das lavouras, contra 9% da semana anterior, 14% em 2025 e 13% na média.
Enquanto isso, o esmagamento de soja nos EUA, no mês de junho, foi de 5,83 milhões de toneladas, segundo informou a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas nesta semana. O volume superou em 16% o esmagado em junho de 2025. Já os estoques estadunidenses de óleo de soja ficaram em 1,5 bilhão de libras, testando as mínimas em oito meses.
E aqui no Brasil, os preços da soja se mantiveram firmes, ensaiando novas altas as quais não se sustentaram devido ao fortalecimento do Real perante o dólar. Efetivamente, a moeda brasileira voltou para R$ 5,07 por dólar, após R$ 5,20 dias atrás.
Com isso, as principais praças gaúchas ficaram em R$ 122,00/saco, enquanto no restante do país as principais regiões registraram valores entre R$ 113,00 e R$ 124,00/saco. Um ano atrás, no Rio Grande do Sul se praticava R$ 121,00 e no restante do país valores entre R$ 107,00 e R$ 125,00/saco. Ou seja, os valores atuais estão praticamente idênticos aos de 12 meses atrás, consolidando uma perda real média (considerando a inflação do período) aos produtores de soja no país.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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