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Rússia reconhece status sanitário do Brasil e amplia mercado para o agro

A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, reforçando a credibilidade sanitária do agronegócio brasileiro e abrindo caminho para a ampliação das exportações. A decisão foi formalizada no último dia 10 de junho, durante missão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao país europeu.
O reconhecimento ocorre pouco mais de um ano após a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e se soma ao anúncio semelhante feito pela China no início deste mês. A medida fortalece a posição do Brasil nas negociações internacionais e pode favorecer a abertura de novas oportunidades comerciais para produtos agropecuários.
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A missão brasileira passou por São Petersburgo, Kirovsk e Moscou e foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua. A comitiva também contou com a participação do adido agrícola do Brasil em Moscou, Marco Túlio Santiago, e do coordenador de Articulação, Rafael Requião.
Em São Petersburgo, a delegação participou do Fórum Econômico Internacional, um dos principais eventos de negócios da Rússia. Além de painéis sobre as relações econômicas entre Brasil, Rússia e os países do Brics, a agenda incluiu reuniões com autoridades de países como Uruguai, Uzbequistão, Belarus e Vietnã, além de representantes do setor privado.
Fertilizantes em pauta
Outro foco da missão foi o mercado de fertilizantes. A delegação visitou a operação da PhosAgro, em Kirovsk, uma das principais produtoras russas de fertilizantes fosfatados, e se reuniu com outras grandes empresas do setor.
Segundo o Mapa, as conversas reforçaram a importância do Brasil como destino estratégico para os fertilizantes russos, insumos considerados essenciais para a produção agropecuária nacional.
Durante a visita, os representantes brasileiros conheceram a estrutura de mineração e processamento de apatita, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.
Novas oportunidades comerciais
A etapa final da missão ocorreu em Moscou, onde a delegação se reuniu com o Ministério da Agricultura da Federação da Rússia e com o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor).
Os encontros trataram de cooperação sanitária, habilitação de plantas brasileiras, ampliação das exportações e abertura de novos mercados. Além do reconhecimento sanitário, a relação bilateral avançou recentemente com as primeiras habilitações de estabelecimentos brasileiros de pescado para exportação à Rússia e com a abertura daquele mercado para as castanhas brasileiras.
Em 2025, o comércio entre os dois países superou, pelo segundo ano consecutivo, a marca de US$ 10 bilhões. O Brasil exporta principalmente carnes, café e amendoim, enquanto importa fertilizantes e trigo da Rússia.
A agenda em Moscou também incluiu a participação da comitiva no Brazilian Beef Dinner, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e pela ApexBrasil, com foco na promoção da carne bovina brasileira junto a importadores russos.
De acordo com o Mapa, a missão reforçou a atuação conjunta de órgãos do governo brasileiro e entidades do setor privado para ampliar a presença do agronegócio nacional no mercado russo e fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
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‘Abordagem foi absolutamente truculenta’, diz advogado sobre operação do ICMBio no Pará

Segundo o advogado Diogo Franco, a atuação de agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) durante uma operação de apreensão de gado realizada na última terça-feira (9) na região da Terra do Meio, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará se deu de forma violenta. “A abordagem foi absolutamente truculenta.”, definiu Franco.
O advogado representa o produtor rural Pedro Coco, que teve parte do rebanho apreendida durante a Operação Pasto Nullus, deflagrada pelo ICMBio com apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para combater a pecuária considerada irregular dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio.
Segundo Franco, os agentes entraram na propriedade sob o argumento de que fariam fiscalizações em outras áreas da região, mas acabaram apreendendo os animais sem comunicação prévia ao proprietário.
“Chegaram na propriedade do seu Pedro, pediram autorização para entrar alegando que fariam fiscalização em outras propriedades e acabaram apreendendo o gado dele sem notificá-lo”, afirmou.
De acordo com o advogado, o produtor ocupa a área desde o ano 2000 e aguarda há quase duas décadas uma solução fundiária por parte do governo federal.
“Em 2005 foi criada a Estação Ecológica da Terra do Meio. Em 2006, ele foi notificado de que a área passaria a integrar a unidade de conservação. Desde então, aguarda indenização e reassentamento. Há 20 anos ele espera uma definição do governo”, disse.
Tensão
A operação provocou tensão entre produtores rurais e agentes federais. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores tentando impedir a retirada dos animais e soltando parte do rebanho que estava sendo transportado pelos fiscais.
O caso ampliou o debate sobre fiscalização ambiental, regularização fundiária e segurança jurídica em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia em relação aos conflitos de terra.
Segundo relatos de produtores e lideranças locais, a ação teria ocorrido sem apresentação de ordem judicial.
O que diz o ICMBio
A Estação Ecológica da Terra do Meio é uma unidade de conservação de proteção integral, categoria na qual a exploração econômica privada é proibida.
Em nota, o ICMBio informou que os animais apreendidos estavam sendo criados irregularmente dentro da unidade de conservação e em áreas já embargadas administrativamente pelo próprio instituto.
Segundo o órgão, os ocupantes haviam sido previamente notificados e a permanência da atividade pecuária configura descumprimento reiterado da legislação ambiental.
O instituto afirma ainda que as apreensões possuem respaldo jurídico e fazem parte de uma estratégia para interromper atividades ilegais em áreas protegidas da Amazônia.
Durante a fiscalização, o ICMBio informou ter identificado também possíveis irregularidades sanitárias. De acordo com o órgão, parte dos animais não estaria declarada junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), situação que poderia representar risco ao controle sanitário e caracterizar fraude na atividade pecuária.
O instituto sustenta que a operação respeita os processos de regularização fundiária em andamento e garante aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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Tratamento de sementes é a base para proteger a lavoura e sustentar altas produtividades

Considerado o primeiro passo do manejo dentro da porteira, o tratamento de sementes ganhou ainda mais importância diante do aumento da pressão de pragas, doenças e nematoides nas lavouras. A proteção inicial das plantas é vista por especialistas como fundamental para preservar o potencial produtivo das culturas.
O avanço de materiais genéticos cada vez mais produtivos também elevou a necessidade de estratégias capazes de proteger as plantas desde a germinação. Sem um manejo adequado nessa fase, problemas presentes no solo podem comprometer o desenvolvimento da lavoura e refletir nos resultados da colheita.
Para o gerente sênior de Tratamento de Sementes da Basf, Nilson Caldas, o tratamento de sementes é uma das principais ferramentas para garantir o bom estabelecimento das culturas e criar as condições necessárias para altas produtividades.
“O tratamento de sementes, ele, na minha opinião, ele é a base para você conseguir altas produtividade, seja na cultura da soja, na cultura do milho, no algodão, no arroz e em outras culturas”.

Proteção desde o início
Segundo Caldas, os materiais genéticos disponíveis atualmente apresentam elevado potencial produtivo, mas também maior susceptibilidade a pragas, doenças e nematoides presentes no solo.
Diante desse cenário, a definição da estratégia de tratamento deve considerar os desafios específicos de cada área. Conforme o especialista, a escolha da solução adequada ajuda a proteger as sementes e preservar seu potencial desde o início do ciclo.
Um bom tratamento precisa ser direcionado aos problemas identificados na propriedade. “Um bom tratamento de sementes com a solução certa, com a receita certa para aquela problemática que o produtor tá enfrentando, seja de fungos de solo, praga de solo ou mesmo nematóide, vai proporcionar essa proteção robusta das sementes”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Além da proteção contra agentes presentes no solo, a prática contribui para manter características fundamentais para o estabelecimento da lavoura. Como destaca Caldas, “o quê que o tratamento de semente proporciona? A proteção do vigor e do potencial de germinação das sementes”.

Impactos na produtividade
A escolha da estratégia de tratamento também passa pelo conhecimento do histórico da área e dos problemas recorrentes enfrentados pelo produtor.
Quando há presença de fungos de solo, por exemplo, o manejo precisa ser ajustado para atender essa necessidade específica. A identificação correta dos desafios permite adotar soluções mais eficientes ainda na fase de implantação da lavoura.
O gerente da Basf pontua que áreas com esse tipo de ocorrência exigem uma proteção mais robusta. “Quando você consegue detectar, por exemplo, que uma área tem um problema de complexo de fungos de solo, você vai fazer uma um tratamento de sementes mais robusto para esses problemas com fungos de solo, complexo de fungos de solo”.
Ele ressalta que falhas nessa etapa podem resultar em perdas percebidas apenas no fim do ciclo produtivo. “Caso você não faça esse manejo de uma maneira adequada, quando chegar lá na colheita, você vai perceber que você perdeu para algum problema que estava no solo”.
As diferenças entre uma estratégia adequada e outra insuficiente, salienta Caldas, costumam aparecer diretamente nos resultados de produtividade obtidos pelo produtor.
Soluções para desafios cada vez maiores
Os problemas fitossanitários têm aumentado nas principais culturas agrícolas. Na soja, por exemplo, doenças, nematoides e pragas seguem entre os principais desafios enfrentados pelos produtores. “O problema na lavoura, ele seja para cultura da soja, algodão o milho, ele tem aumentado muito”.
De acordo com Caldas, esse cenário levou a indústria a desenvolver combinações de produtos voltadas para situações específicas encontradas nas propriedades rurais. A proposta é reunir diferentes tecnologias para ampliar o nível de proteção oferecido às sementes.
“Isso forçou a gente aqui da indústria a criar a estratégia para desenvolver o que nós chamamos de receitas, que são combinações de vários produtos que vão entregar essa solução mais robusta para o agricultor”.
Entre os exemplos citados pelo especialista está o Standak® Prime, que reúne tecnologias químicas e biológicas para ampliar a proteção das sementes. Em determinadas situações, a estratégia pode incluir também o Sistiva®, voltado ao manejo de doenças na soja.
Segundo ele, a combinação dessas soluções permite entregar uma proteção mais abrangente ao produtor. “Aí você passa a ter de solo ou de soja uma solução bem robusta que cobre basicamente todos os problemas ali que o produtor enfrenta na sua lavoura”.
Para Caldas, a construção da produtividade começa antes mesmo da emergência das plantas e depende diretamente do manejo adotado na semente. “O tratamento de sementes, ele é a base para um manejo de alta produtividade. Então, a produtividade, ela se constrói pela raiz”.
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Agro Mato Grosso
Circuito Aprosoja MT passa por Sapezal e Campo Novo do Parecis e destaca resultados da entidade

Entidade apresenta balanço das ações dos últimos três anos e promove palestra sobre geopolítica e os impactos do cenário internacional para o agro
Nesta quarta-feira (10.06), a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) passou pelos núcleos de Sapezal e Campo Novo do Parecis, dando continuidade à programação do 20º Circuito Aprosoja MT.
A entidade segue levando aos seus associados o balanço das ações realizadas nos últimos três anos, além da palestra do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC, com o tema “Geopolítica: como o mundo funciona”.
Em Campo Novo do Parecis, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou o potencial produtivo da região da Chapada dos Parecis, considerada a maior planície agricultável do mundo. Bier também ressaltou a relevância do município na produção de milho-pipoca, que somente em 2025 produziu cerca de 234 mil toneladas do grão.
“Estamos na terra dos Parecis, uma das regiões mais importantes para o agro mato-grossense. Campo Novo do Parecis é um grande produtor de soja e milho, mas também se destaca pela produção de milho-pipoca e pela harmonia no convívio entre produtores rurais e comunidades indígenas. O Circuito Aprosoja MT vem justamente para ouvir o produtor e trazer informações relevantes sobre temas que impactam diretamente o setor”, afirmou Bier.
O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, destacou a força da região na produção de outras culturas, como feijão, gergelim e girassol. “Campo Novo do Parecis não é apenas a capital nacional do milho-pipoca. O município também se destaca pela produção de soja, milho, algodão, gergelim, girassol e feijões. É uma região extremamente diversificada e conectada ao mercado global. Por isso, discutir geopolítica é tão importante, já que os acontecimentos internacionais impactam diretamente a realidade dos produtores que atuam aqui”, ressaltou.
Já a delegada coordenadora do núcleo de Campo Novo do Parecis, Clarete Brolio, agradeceu a proximidade da entidade com os produtores da região. “A Aprosoja Mato Grosso está sempre presente em nosso município, seja por meio do Circuito, do Centro Tecnológico ou de outras ações realizadas ao longo do ano. Essa proximidade da entidade com os associados é muito importante para nós produtores, e agradecemos a Aprosoja MT por estar sempre ao lado do campo e das demandas da nossa região”, destacou.
No município de Sapezal, a delegada coordenadora Marlise Marafon enfatizou a importância da atuação da Aprosoja MT em pautas estratégicas para o setor, como a moratória da soja e a ação relacionada aos royalties da tecnologia Intacta RR2 PRO.
“Entre as ações mais importantes da Aprosoja MT, eu destacaria a questão dos royalties e a moratória da soja. A vitória relacionada à moratória foi fantástica porque beneficiou todo o setor produtivo. Sozinhos, jamais conseguiríamos alcançar um resultado dessa magnitude. Isso demonstra a força da entidade na defesa dos produtores rurais”, afirmou.
Marlise também reforçou a importância do debate geopolítico diante do cenário atual do setor produtivo no Brasil e no mundo. “Ficamos muito felizes com a participação dos produtores no Circuito. Além da apresentação dos resultados da Aprosoja MT, havia uma grande expectativa pela palestra do Professor HOC. Os produtores estão cada vez mais atentos à importância da entidade e também aos temas que influenciam diretamente a atividade agrícola, como a geopolítica e o comércio internacional”, completou.
Com as eleições se aproximando, o Professor HOC afirmou que este é um momento importante para discutir o posicionamento do Brasil diante das transformações geopolíticas globais e seus reflexos na economia.
“O Brasil precisa estar muito atento ao que está acontecendo no mundo e saber se posicionar. Nós não podemos tomar lado, porque precisamos da China, dos Estados Unidos e da União Europeia. O ideal é manter uma política externa equilibrada, diplomática e neutra. Quanto mais conseguirmos preservar esse equilíbrio, melhores serão os resultados para a nossa economia e para a nossa inserção geopolítica”, avaliou.
A Aprosoja MT dará continuidade à programação do Circuito ainda nesta semana, passando por outros municípios e levando informação, conhecimento e prestação de contas aos produtores rurais.
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