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‘Abordagem foi absolutamente truculenta’, diz advogado sobre operação do ICMBio no Pará

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Foto: reprodução

Segundo o advogado Diogo Franco, a atuação de agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) durante uma operação de apreensão de gado realizada na última terça-feira (9) na região da Terra do Meio, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará se deu de forma violenta. “A abordagem foi absolutamente truculenta.”, definiu Franco.

O advogado representa o produtor rural Pedro Coco, que teve parte do rebanho apreendida durante a Operação Pasto Nullus, deflagrada pelo ICMBio com apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para combater a pecuária considerada irregular dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio.

Segundo Franco, os agentes entraram na propriedade sob o argumento de que fariam fiscalizações em outras áreas da região, mas acabaram apreendendo os animais sem comunicação prévia ao proprietário.

“Chegaram na propriedade do seu Pedro, pediram autorização para entrar alegando que fariam fiscalização em outras propriedades e acabaram apreendendo o gado dele sem notificá-lo”, afirmou.

De acordo com o advogado, o produtor ocupa a área desde o ano 2000 e aguarda há quase duas décadas uma solução fundiária por parte do governo federal.

“Em 2005 foi criada a Estação Ecológica da Terra do Meio. Em 2006, ele foi notificado de que a área passaria a integrar a unidade de conservação. Desde então, aguarda indenização e reassentamento. Há 20 anos ele espera uma definição do governo”, disse.

Tensão

A operação provocou tensão entre produtores rurais e agentes federais. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores tentando impedir a retirada dos animais e soltando parte do rebanho que estava sendo transportado pelos fiscais.

O caso ampliou o debate sobre fiscalização ambiental, regularização fundiária e segurança jurídica em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia em relação aos conflitos de terra.

Segundo relatos de produtores e lideranças locais, a ação teria ocorrido sem apresentação de ordem judicial.

O que diz o ICMBio

A Estação Ecológica da Terra do Meio é uma unidade de conservação de proteção integral, categoria na qual a exploração econômica privada é proibida.

Em nota, o ICMBio informou que os animais apreendidos estavam sendo criados irregularmente dentro da unidade de conservação e em áreas já embargadas administrativamente pelo próprio instituto.

Segundo o órgão, os ocupantes haviam sido previamente notificados e a permanência da atividade pecuária configura descumprimento reiterado da legislação ambiental.

O instituto afirma ainda que as apreensões possuem respaldo jurídico e fazem parte de uma estratégia para interromper atividades ilegais em áreas protegidas da Amazônia.

Durante a fiscalização, o ICMBio informou ter identificado também possíveis irregularidades sanitárias. De acordo com o órgão, parte dos animais não estaria declarada junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), situação que poderia representar risco ao controle sanitário e caracterizar fraude na atividade pecuária.

O instituto sustenta que a operação respeita os processos de regularização fundiária em andamento e garante aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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De pior café a grão premiado ‘fora da cartilha’: indicação geográfica redime Caparaó

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Foto: Apec

O nome é chique, mas o objetivo do Connection Terroirs é singelo: mostrar como produtos com indicação geográfica (IG) traduzem a essência de um país e podem alavancar o turismo, desenvolver regiões carentes e conferir identidade a um território e a um povo.

O evento, que ocorre em Gramado, na Serra Gaúcha, até 13 de junho, traz um exemplo concreto do ideal que busca transmitir: o Café Caparaó, antes afamado como o pior do Brasil e produzido em uma das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do país, mas agora portador de selo de origem e vencedor de prêmios.

“Nós produzimos entre a Zona da Mata Mineira e o Espírito Santo, e diziam que fazíamos o pior café possível. Quando algum produtor conseguia produzir um ‘melhorzinho’, tinha de dizer que era colhido em outra região, do contrário, não conseguia vender. Éramos realmente o ‘patinho feio’ do café”, lembra Cecília Nakao, diretora-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec).

A qualidade inferior ocorria pela florada e maturação irregulares, típicas de lavouras em áreas montanhosas. A região de Caparaó é composta de dez municípios capixabas e seis mineiros, localizados a mais de 1.200 metros de altitude. “Há 10, 15 anos, nossos produtores colhiam na época de chuva, sem estrutura, sem cobertura ou secador, em terreno de terra, ou seja, tudo convergia para um resultado essencialmente ruim na xícara.”

Tudo começou a mudar em 2013, com o que Cecília chama de “convergência cósmica”, um acontecimento que surpreendeu a todos: a vitória do produtor José Alexandre de Lacerda, de Espera Feliz, Minas Gerais, na 9ª Edição do Concurso Nacional Abic de Qualidade do Café (Safra 2012). “Quem espalhou a história da vitória do prêmio foi o pai do produtor, mas ninguém acreditou nele. Todos acharam que ele tinha se enganado ou interpretado errado o resultado”, conta Cecília, aos risos.

Segundo ela, com esse reconhecimento, os produtores da região se juntaram para entender mais sobre cafés especiais, realizando cursos de torra, de barista e de classificação.

“A partir de então, surgiu o movimento coletivo com o desejo de criar a associação. Em seguida, chamamos o Sebrae, que já trabalhava com a gente na questão do turismo, para um diagnóstico de nosso produto. Eles acreditaram em nosso café mais do que nós mesmos. Já tínhamos um levantamento informal dos produtores que tinham mais consistência na produção e as coisas foram fluindo”, relembra.

Foto: Apec

Em meio a todo o processo, técnicos agrícolas passaram também a enxergar o potencial dos produtores, ministrando treinamentos e capacitações. “Inicialmente, o plano era ir de um café muito ruim para um pouco ruim, tentando sair da categoria de bebida rio/riada para a bebida dura. Mas ninguém estava pensando em conquistar mercado.”

Hoje, a Apec possui cerca de 170 produtores, com mais de 100 marcas de cafés especiais, um universo ínfimo diante dos mais de dois milhões de produtores do grão no país, mas o suficiente para a conquista de oito entre os dez melhores cafés arábica do país no prêmio Coffee of the Year 2025 e cuja exclusividade ajudou a região a conquistar a indicação geográfica de denominação de origem, categoria que foca na qualidade superior ligada ao terroir.

O selo reconhece as condições naturais que favorecem a produção de grãos superiores. Assim, altitude, clima, relevo e solo formam a combinação que proporciona as características únicas ao café na região, trazendo uma bebida caracterizada pela alta doçura, acidez equilibrada e notas sensoriais frutadas.

Cecília conta que 95% dos produtores de Caparaó são pequenos e cultivam em parcelas exíguas de terra, com mão de obra familiar. “Quase nada é mecanizado porque as lavouras são em locais muito íngremes. O terreiro de secagem do café é, em muitos casos, no quintal das casas dos produtores, quase que encostado na parede da casa”, detalha.

Café “fora da cartilha”

Após a conquista da IG de denominação geográfica em 2021 após sete anos de processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o objetivo da vez é atrair mais olhares para a região, trazendo melhora no IDH – ainda entre os mais baixos de Minas Gerais e Espírito Santo – por meio do turismo.

“Temos entre 30 e 40 produtores que estão investindo em turismo, atraindo visitantes para suas propriedades e mostrando o modo de produzir no Caparaó. Já entendemos que não conseguimos transformar o território todo de uma vez, por isso, focamos em núcleos onde se despontam alguns produtores empreendedores que se envolvem mais, fortalecem sua marca e a região, indo a eventos, gerando quase que um ‘fator de inveja’ aos outros cafeicultores para que se envolvam e façam o mesmo”.

Cecília também acredita que a fama de “rasgador de cartilha” do Caparaó é outro fator que tende a impulsionar ainda mais a região. “Não seguimos a cartilha de como produzir cafés especiais, temos a nossa própria, o que acaba dando muito certo. Em algumas regiões do Caparaó não recolhemos o café colhido para o terreiro no mesmo dia, sendo que essa questão é aplicada até mesmo na prova da certificação de café. Eu mesma já levei o café para o terreiro somente após dez dias e ele não sofreu qualquer alteração”, conta.

De acordo com ela, tal comportamento ilustra o sentimento de inovação que tem tomado conta de Caparaó, com produtores que acreditam não importar a quantidade de erros cometidos, mas sim a chegar na solução adequada para cada caso. “Em essência, não gostamos de seguir padrões.”

Afinal, ninguém embarca em navios, aviões ou cruza montanhas para provar uma xícara de café. O que faz um território ser inesquecível são as histórias que o café conta e o ambiente em que ele está inserido.

*O jornalista viajou para Gramado (RS) a convite da organização do Connection Terroirs

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Rússia reconhece status sanitário do Brasil e amplia mercado para o agro

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Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, reforçando a credibilidade sanitária do agronegócio brasileiro e abrindo caminho para a ampliação das exportações. A decisão foi formalizada no último dia 10 de junho, durante missão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao país europeu.

O reconhecimento ocorre pouco mais de um ano após a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e se soma ao anúncio semelhante feito pela China no início deste mês. A medida fortalece a posição do Brasil nas negociações internacionais e pode favorecer a abertura de novas oportunidades comerciais para produtos agropecuários.

A missão brasileira passou por São Petersburgo, Kirovsk e Moscou e foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua. A comitiva também contou com a participação do adido agrícola do Brasil em Moscou, Marco Túlio Santiago, e do coordenador de Articulação, Rafael Requião.

Em São Petersburgo, a delegação participou do Fórum Econômico Internacional, um dos principais eventos de negócios da Rússia. Além de painéis sobre as relações econômicas entre Brasil, Rússia e os países do Brics, a agenda incluiu reuniões com autoridades de países como Uruguai, Uzbequistão, Belarus e Vietnã, além de representantes do setor privado.

Fertilizantes em pauta

Outro foco da missão foi o mercado de fertilizantes. A delegação visitou a operação da PhosAgro, em Kirovsk, uma das principais produtoras russas de fertilizantes fosfatados, e se reuniu com outras grandes empresas do setor.

Segundo o Mapa, as conversas reforçaram a importância do Brasil como destino estratégico para os fertilizantes russos, insumos considerados essenciais para a produção agropecuária nacional.

Durante a visita, os representantes brasileiros conheceram a estrutura de mineração e processamento de apatita, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.

Novas oportunidades comerciais

A etapa final da missão ocorreu em Moscou, onde a delegação se reuniu com o Ministério da Agricultura da Federação da Rússia e com o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor).

Os encontros trataram de cooperação sanitária, habilitação de plantas brasileiras, ampliação das exportações e abertura de novos mercados. Além do reconhecimento sanitário, a relação bilateral avançou recentemente com as primeiras habilitações de estabelecimentos brasileiros de pescado para exportação à Rússia e com a abertura daquele mercado para as castanhas brasileiras.

Em 2025, o comércio entre os dois países superou, pelo segundo ano consecutivo, a marca de US$ 10 bilhões. O Brasil exporta principalmente carnes, café e amendoim, enquanto importa fertilizantes e trigo da Rússia.

A agenda em Moscou também incluiu a participação da comitiva no Brazilian Beef Dinner, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e pela ApexBrasil, com foco na promoção da carne bovina brasileira junto a importadores russos.

De acordo com o Mapa, a missão reforçou a atuação conjunta de órgãos do governo brasileiro e entidades do setor privado para ampliar a presença do agronegócio nacional no mercado russo e fortalecer as relações comerciais entre os dois países.

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Tratamento de sementes é a base para proteger a lavoura e sustentar altas produtividades

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Considerado o primeiro passo do manejo dentro da porteira, o tratamento de sementes ganhou ainda mais importância diante do aumento da pressão de pragas, doenças e nematoides nas lavouras. A proteção inicial das plantas é vista por especialistas como fundamental para preservar o potencial produtivo das culturas.

O avanço de materiais genéticos cada vez mais produtivos também elevou a necessidade de estratégias capazes de proteger as plantas desde a germinação. Sem um manejo adequado nessa fase, problemas presentes no solo podem comprometer o desenvolvimento da lavoura e refletir nos resultados da colheita.

Para o gerente sênior de Tratamento de Sementes da Basf, Nilson Caldas, o tratamento de sementes é uma das principais ferramentas para garantir o bom estabelecimento das culturas e criar as condições necessárias para altas produtividades.

“O tratamento de sementes, ele, na minha opinião, ele é a base para você conseguir altas produtividade, seja na cultura da soja, na cultura do milho, no algodão, no arroz e em outras culturas”.

soja broto foto canal rural mato grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Proteção desde o início

Segundo Caldas, os materiais genéticos disponíveis atualmente apresentam elevado potencial produtivo, mas também maior susceptibilidade a pragas, doenças e nematoides presentes no solo.

Diante desse cenário, a definição da estratégia de tratamento deve considerar os desafios específicos de cada área. Conforme o especialista, a escolha da solução adequada ajuda a proteger as sementes e preservar seu potencial desde o início do ciclo.

Um bom tratamento precisa ser direcionado aos problemas identificados na propriedade. “Um bom tratamento de sementes com a solução certa, com a receita certa para aquela problemática que o produtor tá enfrentando, seja de fungos de solo, praga de solo ou mesmo nematóide, vai proporcionar essa proteção robusta das sementes”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da proteção contra agentes presentes no solo, a prática contribui para manter características fundamentais para o estabelecimento da lavoura. Como destaca Caldas, “o quê que o tratamento de semente proporciona? A proteção do vigor e do potencial de germinação das sementes”.

tratamento de sementes foto reprodução basf
Foto: BASF/Reprodução

Impactos na produtividade

A escolha da estratégia de tratamento também passa pelo conhecimento do histórico da área e dos problemas recorrentes enfrentados pelo produtor.

Quando há presença de fungos de solo, por exemplo, o manejo precisa ser ajustado para atender essa necessidade específica. A identificação correta dos desafios permite adotar soluções mais eficientes ainda na fase de implantação da lavoura.

O gerente da Basf pontua que áreas com esse tipo de ocorrência exigem uma proteção mais robusta. “Quando você consegue detectar, por exemplo, que uma área tem um problema de complexo de fungos de solo, você vai fazer uma um tratamento de sementes mais robusto para esses problemas com fungos de solo, complexo de fungos de solo”.

Ele ressalta que falhas nessa etapa podem resultar em perdas percebidas apenas no fim do ciclo produtivo. “Caso você não faça esse manejo de uma maneira adequada, quando chegar lá na colheita, você vai perceber que você perdeu para algum problema que estava no solo”.

As diferenças entre uma estratégia adequada e outra insuficiente, salienta Caldas, costumam aparecer diretamente nos resultados de produtividade obtidos pelo produtor.

Soluções para desafios cada vez maiores

Os problemas fitossanitários têm aumentado nas principais culturas agrícolas. Na soja, por exemplo, doenças, nematoides e pragas seguem entre os principais desafios enfrentados pelos produtores. “O problema na lavoura, ele seja para cultura da soja, algodão o milho, ele tem aumentado muito”.

De acordo com Caldas, esse cenário levou a indústria a desenvolver combinações de produtos voltadas para situações específicas encontradas nas propriedades rurais. A proposta é reunir diferentes tecnologias para ampliar o nível de proteção oferecido às sementes.

“Isso forçou a gente aqui da indústria a criar a estratégia para desenvolver o que nós chamamos de receitas, que são combinações de vários produtos que vão entregar essa solução mais robusta para o agricultor”.

Entre os exemplos citados pelo especialista está o Standak® Prime, que reúne tecnologias químicas e biológicas para ampliar a proteção das sementes. Em determinadas situações, a estratégia pode incluir também o Sistiva®, voltado ao manejo de doenças na soja.

Segundo ele, a combinação dessas soluções permite entregar uma proteção mais abrangente ao produtor. “Aí você passa a ter de solo ou de soja uma solução bem robusta que cobre basicamente todos os problemas ali que o produtor enfrenta na sua lavoura”.

Para Caldas, a construção da produtividade começa antes mesmo da emergência das plantas e depende diretamente do manejo adotado na semente. “O tratamento de sementes, ele é a base para um manejo de alta produtividade. Então, a produtividade, ela se constrói pela raiz”.


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