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28 de julho de 2026

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De pior café a grão premiado ‘fora da cartilha’: indicação geográfica redime Caparaó

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Foto: Apec

O nome é chique, mas o objetivo do Connection Terroirs é singelo: mostrar como produtos com indicação geográfica (IG) traduzem a essência de um país e podem alavancar o turismo, desenvolver regiões carentes e conferir identidade a um território e a um povo.

O evento, que ocorre em Gramado, na Serra Gaúcha, até 13 de junho, traz um exemplo concreto do ideal que busca transmitir: o Café Caparaó, antes afamado como o pior do Brasil e produzido em uma das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do país, mas agora portador de selo de origem e vencedor de prêmios.

“Nós produzimos entre a Zona da Mata Mineira e o Espírito Santo, e diziam que fazíamos o pior café possível. Quando algum produtor conseguia produzir um ‘melhorzinho’, tinha de dizer que era colhido em outra região, do contrário, não conseguia vender. Éramos realmente o ‘patinho feio’ do café”, lembra Cecília Nakao, diretora-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec).

A qualidade inferior ocorria pela florada e maturação irregulares, típicas de lavouras em áreas montanhosas. A região de Caparaó é composta de dez municípios capixabas e seis mineiros, localizados a mais de 1.200 metros de altitude. “Há 10, 15 anos, nossos produtores colhiam na época de chuva, sem estrutura, sem cobertura ou secador, em terreno de terra, ou seja, tudo convergia para um resultado essencialmente ruim na xícara.”

Tudo começou a mudar em 2013, com o que Cecília chama de “convergência cósmica”, um acontecimento que surpreendeu a todos: a vitória do produtor José Alexandre de Lacerda, de Espera Feliz, Minas Gerais, na 9ª Edição do Concurso Nacional Abic de Qualidade do Café (Safra 2012). “Quem espalhou a história da vitória do prêmio foi o pai do produtor, mas ninguém acreditou nele. Todos acharam que ele tinha se enganado ou interpretado errado o resultado”, conta Cecília, aos risos.

Segundo ela, com esse reconhecimento, os produtores da região se juntaram para entender mais sobre cafés especiais, realizando cursos de torra, de barista e de classificação.

“A partir de então, surgiu o movimento coletivo com o desejo de criar a associação. Em seguida, chamamos o Sebrae, que já trabalhava com a gente na questão do turismo, para um diagnóstico de nosso produto. Eles acreditaram em nosso café mais do que nós mesmos. Já tínhamos um levantamento informal dos produtores que tinham mais consistência na produção e as coisas foram fluindo”, relembra.

Foto: Apec

Em meio a todo o processo, técnicos agrícolas passaram também a enxergar o potencial dos produtores, ministrando treinamentos e capacitações. “Inicialmente, o plano era ir de um café muito ruim para um pouco ruim, tentando sair da categoria de bebida rio/riada para a bebida dura. Mas ninguém estava pensando em conquistar mercado.”

Hoje, a Apec possui cerca de 170 produtores, com mais de 100 marcas de cafés especiais, um universo ínfimo diante dos mais de dois milhões de produtores do grão no país, mas o suficiente para a conquista de oito entre os dez melhores cafés arábica do país no prêmio Coffee of the Year 2025 e cuja exclusividade ajudou a região a conquistar a indicação geográfica de denominação de origem, categoria que foca na qualidade superior ligada ao terroir.

O selo reconhece as condições naturais que favorecem a produção de grãos superiores. Assim, altitude, clima, relevo e solo formam a combinação que proporciona as características únicas ao café na região, trazendo uma bebida caracterizada pela alta doçura, acidez equilibrada e notas sensoriais frutadas.

Cecília conta que 95% dos produtores de Caparaó são pequenos e cultivam em parcelas exíguas de terra, com mão de obra familiar. “Quase nada é mecanizado porque as lavouras são em locais muito íngremes. O terreiro de secagem do café é, em muitos casos, no quintal das casas dos produtores, quase que encostado na parede da casa”, detalha.

Café “fora da cartilha”

Após a conquista da IG de denominação geográfica em 2021 após sete anos de processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o objetivo da vez é atrair mais olhares para a região, trazendo melhora no IDH – ainda entre os mais baixos de Minas Gerais e Espírito Santo – por meio do turismo.

“Temos entre 30 e 40 produtores que estão investindo em turismo, atraindo visitantes para suas propriedades e mostrando o modo de produzir no Caparaó. Já entendemos que não conseguimos transformar o território todo de uma vez, por isso, focamos em núcleos onde se despontam alguns produtores empreendedores que se envolvem mais, fortalecem sua marca e a região, indo a eventos, gerando quase que um ‘fator de inveja’ aos outros cafeicultores para que se envolvam e façam o mesmo”.

Cecília também acredita que a fama de “rasgador de cartilha” do Caparaó é outro fator que tende a impulsionar ainda mais a região. “Não seguimos a cartilha de como produzir cafés especiais, temos a nossa própria, o que acaba dando muito certo. Em algumas regiões do Caparaó não recolhemos o café colhido para o terreiro no mesmo dia, sendo que essa questão é aplicada até mesmo na prova da certificação de café. Eu mesma já levei o café para o terreiro somente após dez dias e ele não sofreu qualquer alteração”, conta.

De acordo com ela, tal comportamento ilustra o sentimento de inovação que tem tomado conta de Caparaó, com produtores que acreditam não importar a quantidade de erros cometidos, mas sim a chegar na solução adequada para cada caso. “Em essência, não gostamos de seguir padrões.”

Afinal, ninguém embarca em navios, aviões ou cruza montanhas para provar uma xícara de café. O que faz um território ser inesquecível são as histórias que o café conta e o ambiente em que ele está inserido.

*O jornalista viajou para Gramado (RS) a convite da organização do Connection Terroirs

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Plataforma mapeia javalis e apoia combate à espécie invasora em MS

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Foto: Reprodução.

Considerada uma das pragas mais graves do agronegócio, a proliferação de javalis tem gerado apreensão entre os produtores nas últimas semanas. Os animais adultos, que podem alcançar até 200 quilos, destroem patrimônios, atingem ativos biológicos, ameaçam a fauna nativa e colocam trabalhadores em risco.

Sem predadores naturais e com alta capacidade de adaptação, essa espécie também cruza com porcos domésticos, formando os chamados ‘javaporcos’. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a presença dessas espécies é ampla e crescente.

Pensando nisso, a Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja/MS), com recursos do Fundems e em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), criou uma ferramenta de geotecnologia que transforma registros feitos em campo em inteligência territorial para rastrear a presença das espécies invasoras. 

O objetivo é gerar dados que subsidiem ações de manejo e orientem gestores e produtores sobre a situação dos javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul.

Região Sul concentra mais registros

Na última atualização do sistema, 291 javalis e javaporcos já haviam sido identificados. 

Segundo a Aprosoja, embora ainda seja necessário ampliar a participação dos usuários para obter um retrato ainda mais preciso, as informações atuais indicam que a região Sul concentra o maior número de registros validados, com 158 javalis e 14 javaporcos observados nas regiões de Dourados, Antônio João e Rio Brilhante. 

Imagens da região de Rio Brilhante (MS). Foto: Divulgação/Aprosoja MS.

“Em pouco mais de um mês de funcionamento, o painel já confirma um problema que os produtores rurais enfrentam há muitos anos. O número não chega a surpreender, mas evidencia a dimensão do problema. A perspectiva é que esse quantitativo aumente nos próximos meses, à medida que mais produtores e técnicos passem a utilizar a plataforma”, explica a analista de geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Ribeiro.

Imagem da região de Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Em relação à dispersão, Ribeiro explica que a presença do porco feral (Sus scrofa) é considerada generalizada no estado, com registros distribuídos em diferentes regiões. “No entanto, a intensidade das ocorrências varia conforme fatores como disponibilidade de alimento, abrigo e proximidade de áreas agrícolas e de produção animal”.

Talhão aberto por javalis em Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Como funciona a validação dos registros

De acordo com a Aprosoja, o processo de validação dos dados segue um fluxo rigoroso de governança. Após o envio do registro pelo produtor rural ou técnico (clique aqui para acessar o formulário), a informação não é incorporada automaticamente ao sistema. Inicialmente, ela permanece em uma etapa de triagem e somente é validada após análise da equipe técnica da entidade.

Assim, para evitar registros duplicados ou inconsistências geográficas, o sistema cruza as coordenadas obtidas pelo GPS do dispositivo com as informações da propriedade e do município informados no formulário. Além disso, os técnicos realizam verificações manuais para identificar possíveis duplicidades e garantir a qualidade dos dados. 

Mapa com dados do registro e localização dos bandos de javalis e javaporcos em MS (Foto: Divulgação Aprosoja/MS).

Segundo Staël Ribeiro, a identificação correta das espécies é assegurada pela exigência de evidências, como fotografias ou vídeos dos animais, pegadas ou danos causados. 

“Esse material permite que os analistas confirmem as características do animal e diferenciem javalis e javaporcos de espécies nativas, como o cateto e a queixada, garantindo maior confiabilidade aos registros”.

Nas redes sociais, a Aprosoja/MS fez um vídeo explicando o passo a passo de como preencher o formulário da plataforma de forma rápida e correta. Confira:

Para o poder público e os órgãos de defesa sanitária, as informações permitem direcionar ações de monitoramento, controle e vigilância para as áreas mais críticas, contribuindo para a otimização de recursos e para o aumento da eficiência das medidas adotadas. 

“Além disso, os dados podem subsidiar estratégias de prevenção de riscos sanitários e de mitigação dos prejuízos causados à produção agropecuária”, finaliza Ribeiro. 

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FAO mantém Brasil fora do Mapa da Fome e destaca agricultura familiar

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) confirmou, nesta terça-feira (21), em Roma, que o Brasil segue fora do Mapa da Fome da ONU. Segundo a edição 2026 do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI)", a prevalência de subnutrição no país permaneceu abaixo de 2,5% da população, patamar usado pelo organismo para essa classificação.

O relatório tem como tema o financiamento da nutrição e o acesso a dietas saudáveis. No caso brasileiro, os dados também mostram avanço no acesso econômico da população a uma alimentação saudável. Entre 2021 e 2025, a proporção de brasileiros sem condições financeiras de adquirir uma dieta saudável caiu de 31,2% para 21,1%. Em números absolutos, o contingente recuou de 65,3 milhões para 44,8 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20 milhões de brasileiros a mais com condições de acesso a esse tipo de alimentação no período.

A FAO define alimentação saudável como aquela que promove saúde, crescimento, desenvolvimento e bem-estar, além de prevenir deficiências nutricionais, doenças crônicas e doenças transmitidas por alimentos. Para isso, a dieta deve ser adequada, equilibrada, diversificada e moderada, com segurança dos alimentos como requisito indispensável.

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A experiência brasileira foi apresentada como exemplo de abordagem integrada, com políticas de proteção social, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação do acesso a alimentos saudáveis. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, o combate à fome depende da prioridade dada a políticas de redução da pobreza e da desigualdade.

Durante a apresentação, o papel da agricultura familiar foi apontado como estratégico na produção de alimentos saudáveis e na construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis. As políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) incluem ampliação do crédito rural, assistência técnica, inovação, acesso aos mercados, além de investimentos em bioinsumos, pesquisa e sistemas agroflorestais.

O relatório também destacou a participação das mulheres rurais em espaços produtivos voltados à diversificação da alimentação, geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica.

Na avaliação apresentada em Roma, o conjunto de políticas públicas brasileiras foi reconhecido pela FAO como referência na articulação entre produção de alimentos, acesso econômico da população e segurança alimentar.

Fonte: gov.br

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Temporais no noroeste paulista mobilizam ajuda e atingem áreas rurais

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A Defesa Civil estadual reforçou o atendimento aos municípios atingidos pelo temporal de sexta-feira (24) no noroeste de São Paulo. A operação concentrou apoio em Dumont, Guariba, Pradópolis, Ribeirão Preto e Taquaritinga, com envio de itens de ajuda humanitária, telhas e caminhões-pipa. Na área rural, técnicos estaduais identificaram danos em lavouras, pomares, estufas e estruturas produtivas.

Segundo o governo estadual, cerca de 11,5 mil itens foram distribuídos para apoio aos moradores afetados. A quarta remessa de ajuda humanitária incluiu cestas básicas, colchões, cobertores, água potável e outros materiais destinados à cidade de Dumont.

A operação também enviou 6 mil telhas para recuperação emergencial de residências danificadas e disponibilizou 11 caminhões-pipa para reforçar o abastecimento de água nos municípios atendidos.

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Nas cidades de Dumont, Guariba, Pradópolis, Ribeirão Preto e Taquaritinga, o temporal provocou quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e danos em residências. Quatro municípios da região decretaram situação de emergência.

No campo, técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento estadual apontaram Taquaritinga como o município com mais impactos na área rural. Foram registrados prejuízos em estufas, lavouras, pomares e estruturas de propriedades rurais. Também houve danos em canaviais, estoques de amendoim e estruturas produtivas nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal.

Em Ribeirão Preto, a prefeitura estima em R$ 21,15 milhões os custos já registrados com limpeza emergencial, remoção de resíduos, recolhimento de massa verde, lavagem de vias, praças e áreas públicas, além de corte, poda, destocamento de árvores, extração de troncos e desobstrução de vias públicas. O município encaminhou à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil pedido de reconhecimento de situação de emergência e apoio financeiro para a reconstrução.

De acordo com a prefeitura, os pedidos incluem recursos para recuperação de moradias atingidas, reconstrução da infraestrutura urbana, recuperação de equipamentos públicos, apoio à rede de energia elétrica e restabelecimento dos serviços municipais. Na cidade, a estimativa é de centenas de árvores derrubadas, destelhamentos, interrupção de energia, comprometimento do abastecimento de água, interdições viárias, danos em equipamentos públicos e uma vítima fatal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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