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28 de maio de 2026

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Safra de erva-mate no Rio Grande do Sul deve chegar a 310 mil toneladas em 2026

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A safra 2026 de erva-mate no Rio Grande do Sul deve alcançar cerca de 310 mil toneladas de folhas verdes em quase 30 mil hectares de ervais. A abertura oficial da colheita foi realizada nesta quinta-feira (28), em Machadinho, no norte do estado. Segundo os dados apresentados no evento, a produção está distribuída em 173 municípios e mais de 7 mil propriedades rurais.

A erva-mate (Ilex paraguariensis) integra uma cadeia produtiva com peso regional no estado. De acordo com as informações divulgadas durante a Festa da Colheita da Erva-Mate, o Rio Grande do Sul concentra cinco polos ervateiros e é o maior beneficiador da matéria-prima no país, com pelo menos 163 indústrias ativas.

Durante a abertura da safra, representantes do setor destacaram a necessidade de ampliar mercados, diversificar produtos derivados e elevar padrões de qualidade e produtividade. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, afirmou que a cadeia vive um novo momento, com foco em agregação de valor e expansão comercial.

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Um dos pontos centrais do evento foi a recente Indicação Geográfica (IG) da erva-mate de Machadinho, oficializada em novembro de 2025 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação abrange dez municípios e reforça a rastreabilidade, a identidade regional e a diferenciação comercial do produto.

No Fórum da Erva-Mate, a pesquisadora do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Gerusa Steffen, apresentou resultados sobre o uso de Trichoderma nos cultivos. Segundo ela, o fungo atua desde a germinação até a fase produtiva, com efeito sobre proteção radicular, mitigação de estresses climáticos e suporte à fertilidade e à umidade do solo.

Esses fatores técnicos ganham relevância para um setor distribuído em milhares de propriedades e dependente de produtividade, qualidade industrial e abertura de mercado para ampliar renda e competitividade.

Com área próxima de 30 mil hectares e presença em 173 municípios, a erva-mate mantém importância agrícola e agroindustrial no Rio Grande do Sul. A evolução da safra, do consumo e da inserção em novos mercados dependerá do avanço em pesquisa, padronização de qualidade e estratégias de agregação de valor já indicadas por entidades do setor.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Embrapa lança conteúdos sobre maracujá e uva para processamento na Ater+ Digital

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou, na sexta-feira (22), durante a AgroBrasília 2026, novos conteúdos sobre maracujá e uva para processamento na plataforma Ater+ Digital. A ferramenta on-line reúne informações técnicas voltadas a produtores rurais, extensionistas e técnicos, com materiais que abrangem do plantio à colheita, além de orientações sobre comercialização, agregação de valor e cursos gratuitos.

Segundo a Embrapa, os novos hubs temáticos foram estruturados para ampliar o acesso a recomendações técnicas em linguagem acessível, com conteúdos em vídeo, áudio, publicações, cartilhas, aplicativos e cursos. No caso do maracujá, o material reúne informações sobre preparo do solo, escolha de cultivares, manejo da produção, pós-colheita, mercado, receitas e análise de rentabilidade.

Durante o lançamento, o pesquisador da Embrapa Cerrados, Fábio Faleiro, afirmou que plataformas digitais como a Ater+ Digital e o e-Campo ampliam o alcance das tecnologias geradas pela pesquisa agropecuária, inclusive em regiões mais distantes. De acordo com ele, o uso crescente de smartphones no campo tem facilitado o acesso direto de produtores aos conteúdos técnicos.

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A plataforma Ater+ Digital foi lançada em 2024 e resulta de parceria entre Embrapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pesquisa Agropecuária e Regularização Fundiária (Asbraer), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e outras instituições.

Além dos conteúdos sobre maracujá e uva para processamento, a plataforma organiza informações em hubs voltados a diferentes cadeias produtivas e temas transversais, como mandioca, manga, peixes, mudanças climáticas, sistemas agroflorestais e sistemas agrícolas tradicionais. A proposta é apoiar os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) com ferramentas úteis para monitoramento climático, análise de mercado, gestão da propriedade e controle de pragas.

A disponibilização de conteúdos técnicos em ambiente digital amplia o acesso à informação qualificada e pode apoiar decisões de manejo e gestão nas propriedades. A adoção prática dessas ferramentas, no entanto, depende de conectividade, capacitação e uso contínuo por produtores e equipes de assistência técnica.

Fonte: embrapa.br

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GreenFarm 2026 movimenta Cuiabá com tecnologia, negócios e grandes debates do setor produtivo

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Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento rural, crédito agrícola, segurança jurídica e a dependência brasileira de fertilizantes importados estiveram entre os principais temas debatidos nesta quarta-feira (27) em Cuiabá, durante a abertura da GreenFarm 2026. A feira, realizada no Parque Novo Mato Grosso, reúne tecnologia, negócios, inovação e entretenimento voltados ao agronegócio e segue até sábado (30).

Em sua terceira edição, o evento aposta em uma programação ampliada e na expectativa de público recorde para reforçar o protagonismo de Mato Grosso no cenário nacional do agronegócio. A estrutura montada ocupa cerca de 45 mil metros quadrados e reúne mais de 180 expositores e marcas com máquinas, tecnologias embarcadas e soluções para o campo.

Além da exposição de produtos e serviços, a feira concentra fóruns de discussão sobre os principais gargalos enfrentados pelo setor produtivo, desde o acesso ao crédito até os impactos das tensões internacionais sobre os custos de produção.

A presidente da GreenFarm, Randala Lopes, destacou que a proposta do evento é integrar diferentes segmentos ligados ao agronegócio e ampliar o espaço de negócios e conexões dentro da capital mato-grossense. “É uma mega estrutura. Tudo na GreenFarm é muito grande. Nós temos mais de 10 eventos simultâneos que vão acontecer aqui dentro dessa estrutura”, afirmou.

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Segundo ela, a feira reúne desde empresas de tecnologia, energia, internet e maquinários até startups, agricultura familiar e cadeias produtivas em expansão no estado. “Aqui as pessoas realmente enxergam a importância desse agronegócio que é a coluna vertebral do Brasil, a mola propulsora que faz o agronegócio acontecer no Brasil”.

Randala também ressaltou a presença de mais de 15 municípios na feira e projetos voltados ao fortalecimento de cadeias como leite, mel, café e cacau. “O GreenFarm chega para posicionar Cuiabá realmente como um polo econômico financeiro do agronegócio, para colocar essa capital do agro no circuito das grandes feiras nacionais”.

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Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Cuiabá no centro das discussões do agro

Para o presidente do LIDE Mato Grosso, Igor Taques, a realização da GreenFarm fortalece o papel de Cuiabá dentro da economia estadual, especialmente pela concentração de empresas e grupos ligados à prestação de serviços para o agronegócio.

“Cuiabá por ser a capital precisa se colocar também como protagonista dessa pujança econômica que acontece no nosso estado”, disse à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com ele, a feira também contribui para geração de negócios e disseminação de conhecimento. “É importante termos uma feira como a GreenFarm que seja relevante, que faça negócio, que tenha exposições, que gere resultado para os seus expositores e que tenha também a difusão do conhecimento”.

A programação da feira também busca aproximar o setor produtivo de investidores, lideranças nacionais e representantes públicos em debates considerados estratégicos para o futuro do agronegócio brasileiro.

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Igor Taques destacou ainda que Mato Grosso vive um momento de transformação econômica, com avanço da verticalização da produção e crescimento da agroindústria. “Não é só agregar no valor da produção, não é só agregar na economia, é agregar no conhecimento”.

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Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Fertilizantes e dependência externa preocupam setor

Após a abertura oficial, a programação seguiu com o Fórum LIDE Agro, que reuniu empresários, parlamentares, investidores e ex-ministros em debates sobre competitividade, investimentos e segurança jurídica. Entre os assuntos mais discutidos esteve a dependência brasileira da importação de fertilizantes e combustíveis, tema que voltou ao centro das preocupações do setor diante das tensões no Oriente Médio.

O ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Francisco Matturro, lembrou que o agro brasileiro já enfrentou outras crises, mas avaliou que o cenário atual exige atenção. “Essa crise que nós estamos vivendo é grave e foi agravada pela crise no Oriente Médio”.

Segundo ele, o Brasil depende diretamente da importação de fertilizantes e combustíveis refinados. “Eu espero que se abra logo o Estreito de Ormuz e a gente possa continuar recebendo a nossa produção”.

O agricultor Rui Prado também criticou a falta de investimentos na produção nacional de insumos. “Nós somos os grandes produtores de soja, de algodão e de milho, mas não produzimos adubo, não produzimos os defensivos”.

Para ele, o país precisa avançar além da produção de commodities. “O Brasil tem que entender que não adianta ser só o produtor das commodities, tem que ser também o produtor dos insumos que vão produzir as commodities”.

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Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento rural domina debates

O endividamento agrícola e a necessidade de prorrogação das dívidas rurais também dominaram os debates ao longo do evento. Lideranças do setor cobraram medidas emergenciais para garantir crédito e financiamento da próxima safra.

O presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Alexandre Schenkel, afirmou que o aumento da inadimplência está diretamente ligado ao cenário econômico e aos juros elevados. “O Brasil está em um endividamento muito grande”, disse ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com Schenkel, os produtores enfrentam o desafio de manter a atividade produtiva mesmo diante do aumento das dívidas. “O produtor tem que fazer as contas, o produtor tem que fazer as suas economias e se manter produtivo ainda”.

O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, defendeu ações mais rápidas e estruturadas para atender os produtores. “O produtor realmente nesse momento precisa de um socorro, mas tem que ser um socorro muito bem estruturado para de fato atender e chegar na ponta final que é o produtor”.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou as exigências previstas para renegociação das dívidas rurais. “Tem que comprovar em duas safras, tem que pedir a certificação que houve ali uma situação de calamidade pública naquele município”, pontuou. Caiado frisou ainda que as regras dificultam o acesso dos produtores às medidas de renegociação. “Terá que trazer um laudo a mais de um técnico, de um laudo científico para poder prorrogar as suas dívidas”.

Já o ex-ministro Neri Geller defendeu maior participação do governo federal no apoio ao setor produtivo. “Alguma coisa tem que ser feita”. Conforme ele, o país precisa ampliar os recursos destinados à equalização dos juros e alongamento das dívidas rurais. “O que nós precisamos é de R$ 60 bilhões para equalizar as taxas de juros, para alongar as dívidas e fazer um próximo plano safra”.

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Agro Mato Grosso

MPT alega risco à saúde de trabalhadores e pede fim do uso do glifosato em lavouras do país

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou, no último dia 22 de maio, uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União para pedir a proibição do uso do agrotóxico glifosato nas lavouras do país. O processo considera os graves riscos à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente do trabalho pela aplicação do defensivo agrícola. A ação tramita na Justiça do Trabalho com pedido de tutela de urgência.

A Ação Civil Pública (ACP) foi ajuizada pelo Grupo Especial de Atuação Finalística (GEAF) da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do MPT.

O grupo é integrado pelos procuradores do Trabalho Joaquim Nascimento, Leomar Daroncho, Bruno Choairy Cunha de Lima (Mato Grosso) e Edson Beas Rodrigues Júnior, pelo subprocurador-geral do Trabalho Pedro Luiz Serafim da Silva e pela subprocuradora-geral do Trabalho Ileana Neiva Mousinho.

Na ação, o MPT pede, em caráter urgente e definitivo, o cancelamento de todos os registros de agrotóxicos à base de glifosato, além da proibição da produção, importação, exportação, comercialização e utilização desses produtos no país. A instituição também pede que a União e a Anvisa sejam obrigadas a impedir novas autorizações e promover a retirada das substâncias do mercado brasileiro.

Segundo o MPT, a permanência do glifosato no mercado expõe milhões de trabalhadores, empregados ou proprietários, especialmente os do setor rural, a riscos considerados incompatíveis com os direitos fundamentais à saúde, à vida e a um ambiente de trabalho seguro.

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Evidências científicas
A ação destaca que há evidências científicas sobre os efeitos nocivos do produto, incluindo associação com diferentes tipos de câncer, como mama, tireoide e linfoma não-Hodgkin, além de infertilidade, desregulação hormonal, abortos, malformações congênitas e partos prematuros. O documento também cita estudos que relacionam a exposição ao glifosato a transtornos neurológicos, como autismo e déficit de atenção.

Além de estudos do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da Fiocruz, que apontam que a exposição representa risco, mesmo em pequenas doses, para trabalhadores rurais e suas famílias, o MPT reforça que, desde 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica o glifosato como provável cancerígeno para humanos.

O MPT considera como muito relevante a despublicação, no final de 2025, do estudo publicado pela revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology, de 2000, que era usado para justificar a autorização do uso por agências regulatórias. O estudo assegurava que o glifosato não seria cancerígeno. A revista encontrou falhas graves no estudo, que perdeu a credibilidade.

Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classificou o glifosato como provável cancerígeno para humanos, principalmente linfoma não-Hodgkin.

Exposição e falta de proteção
De acordo com o MPT, trabalhadores rurais são expostos ao agrotóxico a partir da inalação, do contato com a pele e da ingestão de alimentos, frequentemente de forma contínua e sem condições adequadas de proteção. A ACP afirma ainda que o Estado brasileiro falha em adotar medidas efetivas de proteção à população trabalhadora, o que viola os princípios constitucionais da prevenção e da precaução.

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A ação destaca ainda que os impactos do glifosato atingem de forma mais intensa grupos considerados vulneráveis, como trabalhadores rurais, indígenas, mulheres em idade reprodutiva, crianças e recém-nascidos, devido à exposição prolongada e às condições precárias de proteção no ambiente laboral.

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