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26 de maio de 2026

Sustentabilidade

Qual é a principal via de perda de potássio no solo: lixiviação ou escoamento superficial? – MAIS SOJA

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O potássio (K) é um dos macronutrientes essências para a soja, sendo demandado em grandes quantidades pela cultura. Nesse contexto, a adubação potássica é uma prática recorrente nas lavouras comerciais, a fim de suprir a demanda nutricional da cultura e obter altas produtividades. Sobretudo, para efeito de manejo, conhecer o comportamento do K no solo, bem como sua dinâmica é determinante para reduzir perdas e maximizar a eficiência da adubação.

A adsorção do potássio é bem mais simples do que a adsorção do fosfato. De forma simplificada, dá para considerar que há apenas dois tipos de adsorção de potássio: adsorção física ou não específica e adsorção química ou específica (Santos & Silva, 2010).  O potássio no solo ocorre em quatro formas: estrutural, não trocável, trocável e em solução. O K estrutural e o não trocável representam reservas pouco disponíveis às plantas, sendo liberados lentamente ao longo do tempo. O K trocável é a principal reserva imediata do nutriente, pois está adsorvido às partículas do solo e repõe rapidamente o K da solução. Já o K em solução é a forma diretamente absorvida pelas raízes, embora esteja presente em pequenas quantidades. Entre essas formas, o K trocável e o K em solução são os mais importantes para a nutrição das culturas e para o manejo da adubação potássica (Facco et al., 2022).

Figura 1. Esquema representando a dinâmica do potássio no solo.
Fonte: Santos e Silva (2010), apud. Facco et al. (2022).

A maior mobilidade do potássio no solo permite a realização da adubação potássica em cobertura, prática amplamente utilizada em culturas de grande extensão, como a soja. Além de reduzir a quantidade de fertilizante aplicada no sulco de semeadura e favorecer a operacionalização da semeadora, essa estratégia possibilita o fracionamento de doses elevadas de K, contribuindo para aumentar a eficiência de uso do nutriente e reduzir potenciais perdas.

Quando aplicado na superfície, o potássio tende a se concentrar inicialmente nas camadas mais superficiais do solo, deslocando-se gradualmente para profundidades maiores em função da dose aplicada, da frequência de aplicação e das características do ambiente. Entretanto, a dinâmica de distribuição do nutriente varia conforme o sistema de manejo adotado e as propriedades químicas e físicas do solo (Costa, 2024).

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Embora o potássio apresente maior mobilidade no perfil do solo e, consequentemente, seja suscetível à lixiviação, diversos estudos demonstram que, em sistemas agrícolas sob, as maiores perdas do nutriente costumam ocorrer por escoamento superficial, especialmente durante eventos de chuvas intensas. Ao monitorarem as perdas de potássio entre 2002 e 2007, Ceretta et al., (2010) verificaram que entre 9% e 17% do K aplicado foi perdido por escoamento superficial. No mesmo período, Girotto et al. (2013) observaram perdas significativamente menores por lixiviação, variando de 0,33% a 0,65% do total aplicado.

Resultados semelhantes foram encontrados por Bertol et al (2011), que identificaram o escoamento superficial como uma via potencialmente mais relevante de perda de potássio do que a lixiviação em áreas sob plantio direto, especialmente quando ocorre acúmulo superficial do nutriente associado a precipitações capazes de gerar elevado volume de enxurrada. Dessa forma, torna-se fundamental adotar práticas de manejo que minimizem as perdas de potássio no sistema produtivo, tanto por lixiviação quanto, principalmente, por escoamento superficial.

Entre as principais estratégias destacam-se a realização das operações em nível, a construção de terraços em áreas com declividade e a utilização de plantas de cobertura. Além de promoverem a ciclagem do potássio presente em camadas mais profundas do solo, as plantas de cobertura reduzem a velocidade do escoamento superficial e aumentam a infiltração da água, contribuindo para a reduzir as perdas do nutriente e aumentar seu aproveitamento pelas culturas (Facco et al., 2022).


Veja mais: Alumínio e seus efeitos nas raízes das plantas



Referências:

SANTOS, D. R.; SILVA, L. S. FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS. UFSM, 2010. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/16178/Curso_Agric-Famil-Sustent_Fertilidade-Solo-Nutricao-Plantas.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 26/05/2026.

FACCO, D. B. et al. ADUBAÇÃO POTÁSSIOCA DA SOJA: ESTRATÉGIAS DE MANEJHO EM SOLOS ARENOSOS. Aprosoja MT, Circular Técnica, n. 04, 2022. Disponível em: < https://siteapi.aprosoja.com.br/storage/arquivos/4/180124103104.pdf >, acesso em: 26/05/2026.

COSTA, O. V. IMPORTÂNCIA NUTRICIONAL DO POTÁSSIO EM SOJA. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/importancia-nutricional-do-potassio-em-soja/ >, acesso em: 26/05/2026.

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CERETTA, C.A.; GIROTTO, E.; LOURENZI, C. R.; TRENTIN, G.; VIEIRA, R. C. B.; BRUNETTO, G. NUTRIENT TRANSFER BY RUNOFF UNDER NO TILLAGE IN A SOIL TREATED WITH SUCCESSIVE APPLICATIONS OF PIG SLURRY. Agriculture, Ecosystems and Environment, 2010. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167880910002847 >, acesso em: 26/05/2026.

GIROTTO, E.; CERETTA, C. A.; LOURENZI, C. R.; LORENSINI, F.; TIECHER, T. L.; VIEIRA, R. C. B.; TRENTIN, G.; BASSO, C. J.; MIOTTO, A.; BRUNETTO, G. NUTRIENT TRANSFERS BY LEACHING IN A NO-TILLAGE SYSTEM THROUGH SOIL TREATED WITH REPEATED PIG SLURRY APPLICATIONS. Nutrient Cycling Agroecosystem, 2013. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/257564044_Nutrient_transfers_by_leaching_in_a_no-tillage_system_through_soil_treated_with_repeated_pig_slurry_applications >, acesso em: 26/05/2026.

BERTOL, O. J. et al. PERDA DE NUTRIENTES VIA ESCOAMENTO SUPERFICIAL NO SISTEMA PLANTIO DIRETO SOB ADUBAÇÃO MINERAL E ORGÂNICA. Ciência Rural, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/pY4qQfscDVwQBMFnKSp8R9G/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 26/05/2026.

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Sustentabilidade

Chuvas frequentes beneficiam o desenvolvimento da safra de soja 25/26 em Roraima, aponta Inmet

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Foto: Freepik

O cultivo de soja em Roraima possui um calendário agrícola diferente do restante do Brasil, coincidindo com o período chuvoso da região, o que favorece maior estabilidade produtiva das lavouras. O zoneamento agrícola no estado teve início no fim de março e segue até meados de junho, período considerado ideal para a semeadura devido à regularidade das chuvas.

Na safra de 2026, o cenário tem sido positivo para os produtores. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), desde o início da janela recomendada de plantio, Roraima tem registrado chuvas frequentes e, em alguns períodos, acumulados expressivos, favorecendo a emergência das plantas e o bom estabelecimento das lavouras.

De acordo com análises do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro), as perdas registradas até o momento são reduzidas. O bom desempenho está relacionado à distribuição equilibrada das chuvas, à ausência de deficiência hídrica e às temperaturas adequadas ao desenvolvimento da cultura.

O monitoramento climático realizado na região de Alto Alegre (RR) utilizou indicadores como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo para avaliar os impactos das condições meteorológicas sobre a produtividade da soja.

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Nas próximas semanas, as lavouras entrarão em fases de maior demanda hídrica, tornando a manutenção das chuvas essencial para garantir o potencial produtivo. Em Roraima, a estação chuvosa é influenciada principalmente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), responsável por chuvas intensas e persistentes entre abril e agosto.

Climatologicamente, junho e julho representam o pico do período chuvoso no estado, com volumes frequentemente superiores a 250 milímetros. Quando bem distribuídas, essas precipitações atendem adequadamente às necessidades hídricas da soja ao longo do ciclo produtivo.

Entretanto, a partir de agosto, o deslocamento sazonal da ZCIT reduz gradualmente os volumes de chuva, elevando o risco de déficit hídrico, especialmente em áreas de plantio tardio.

Atenção para o El Niño

Especialistas também alertam para os possíveis impactos do El Niño. O aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica tropical, podendo reduzir e desregular as chuvas no norte da Amazônia, antecipando o fim da estação chuvosa e aumentando o risco de secas severas.

Segundo previsão climática elaborada pelo Inmet, pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o período entre junho e agosto pode registrar volumes de chuva até 50 milímetros abaixo da média em Roraima, aumentando o risco climático para a soja justamente nas fases de maior exigência hídrica da cultura.

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Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas para auxiliar o planejamento das operações no campo, reduzir riscos e apoiar a tomada de decisão dos produtores.

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Sustentabilidade

Trigo/CEPEA: Preços seguem em alta com oferta restrita e atenção ao clima no Sul – MAIS SOJA

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As cotações do trigo seguem acumulando altas consecutivas. Pesquisadores do Cepea indicam que os valores são sustentados pela restrição de oferta neste período de entressafra e pela postura retraída dos vendedores, devido aos possíveis impactos do El Niño no Sul do Brasil.

No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual ultrapassou os R$ 1.300/tonelada, retornando aos patamares nominais observados em agosto/25. No Paraná, os valores superaram R$ 1.350/tonelada, voltando aos níveis registrados em meados de setembro/25, também em termos nominais.

Segundo pesquisadores do Cepea, de modo geral, produtores seguem retendo o cereal diante da expectativa de produção reduzida na próxima temporada, em meio a incertezas relacionadas ao clima – a confirmação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 mantém triticultores do Sul do País em alerta, devido à possibilidade de aumento das chuvas durante o período de maturação e pré-colheita do trigo.

Do lado comprador, moageiras têm aceitado os preços mais elevados oferecidos por vendedores, tanto para atender à demanda no mercado spot quanto para recompor estoques, considerando a expectativa de estabilidade do consumo interno, conforme apontado pelo Cepea.

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Fonte: Cepea



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Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Adesão ao ZarcNM deve começar de imediato com análise de solo – MAIS SOJA

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Os sojicultores que pretendem acessar a subvenção diferenciada do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) por meio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM) devem iniciar os preparativos agora. O ZarcNM estará disponível na próxima safra em uma segunda fase do projeto piloto para a cultura da soja no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O primeiro passo para quem deseja entrar no programa é fazer a análise de solo em um dos laboratórios credenciados a operar o SiNM, plataforma desenvolvida pela Embrapa para indicação do nível de manejo. A análise para o ZarcNM mensura a saturação por bases, o teor de cálcio e a saturação por alumínio.

Após realizar a análise de solo, o agricultor deve procurar um operador de contrato de seguro rural, que pode ser uma cooperativa, banco, corretora ou outro. Caberá ao operador de contrato inserir no SiNM informações sobre o produtor e sobre o talhão a ser segurado. Também é o operador quem contrata avaliação por sensoriamento remoto para quantificar a área de cobertura do solo e conferir o histórico de culturas dos últimos três anos.

Com todas as informações inseridas no sistema, o SiNM  calcula o nível de manejo do talhão e o operador de contrato repassa as informações para o governo para que seja feita a subvenção conforme o nível de manejo (NM). Para NM 4 a subvenção na safra 2026/2027 de soja será de 40%. No NM3 será de 35%, 30% para NM2 e 20%, que é o padrão do PSR, para NM1.

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“Os contratos de seguro da safra 2026/2027 já começaram a ser negociados. Por isso, o produtor, a cooperativa e a seguradora que quiserem participar da fase 2 do projeto piloto precisa se antecipar. Quanto antes o seguro for contratado, maior a possibilidade de acesso à subvenção e melhores condições de coberturas”, alerta Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária.

“O objetivo é que no momento da contratação do seguro da soja, o produtor já tenha a classificação do nível de manejo do talhão disponível no SiNM da Embrapa, pois isso permite que as seguradoras já utilizem a informação na precificação do risco e também que o produtor consiga acessar com antecedência os recursos do PSR com percentuais diferenciados de subvenção”, explica.

Além da cultura da soja, o projeto piloto do ZarcNM se ampliará para o milho segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e de 50% nos NM3 e NM4.

A lista com laboratórios de análise de solo, operadores de contrato e de sensoriamento remoto credenciados a utilizar o SiNM está disponível em https://www.embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo. Na mesma página é possível encontrar as informações completas sobre o Zarc Níveis de Manejo.

Nesta fase de testes, o ZarcNM está sendo utilizado apenas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para a safra 2026/2027 serão destinados R$ 1 milhão para subvenção no piloto na cultura da soja e R$ 1 milhão para o milho. De acordo com o Mapa, o valor pode ser ampliado, caso haja demanda. Na safra passada, quando o ZarcNM foi testado pela primeira vez apenas no Paraná, foram destinados R$ 8 milhões, mas somente R$ 206 mil foram contratados.

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Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Gabriel Faria (MTB 15.624 MG) – Embrapa Agricultura Digital

Site: Embrapa

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