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26 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Endividamento avança no campo após juros altos, perdas climáticas e queda da renda – MAIS SOJA

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Depois de anos impulsionando recordes de produção, exportações e crescimento econômico, produtores rurais passaram a enfrentar uma combinação de juros elevados, perdas em decorrência de eventos climáticos e retração do crédito que elevou o endividamento no campo e colocou em risco a continuidade da atividade agrícola em diferentes regiões do país.

Lideranças do setor afirmam que o avanço das dívidas não está ligado à expansão desordenada ou à especulação, mas à tentativa de manter a produção diante da alta dos custos de fertilizantes, diesel e insumos, somada à queda da rentabilidade das lavouras nos últimos ciclos.

“O produtor não se endividou porque quis crescer demais. Ele se endividou tentando continuar produzindo”, destaca o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Dados do Ministério da Agricultura apontam desaceleração nas operações do Plano Safra 2025/2026. As contratações de custeio registraram queda de 13%, enquanto as linhas de investimento recuaram 20% em relação ao ciclo anterior. Programas voltados à modernização da produção, como Moderfrota e Proirriga, tiveram retração próxima de 50%.

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Perdas por eventos climáticos agravam cenário no Sul

A situação se agravou em estados afetados por eventos climáticos extremos. No Rio Grande do Sul, produtores convivem há anos com estiagens sucessivas e, em 2024, sofreram com enchentes históricas que atingiram mais de 206 mil propriedades rurais, segundo a Defesa Civil estadual.

Levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) estima que as perdas acumuladas do agro gaúcho ultrapassaram R$ 100 bilhões nos últimos cinco anos. O atual presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, afirmou que o produtor rural gaúcho enfrenta um dos períodos mais difíceis das últimas décadas em razão da sequência de eventos climáticos extremos e do encarecimento do crédito.

“O mundo nos vê como responsáveis pela segurança alimentar, como um País amigo, capaz de produzir alimento e energia”, declarou Domingos Lopes após assumir a presidência da entidade em 2026.

Em municípios do interior gaúcho, agricultores relatam venda de máquinas, renegociação de arrendamentos e dificuldade para financiar a próxima safra.

“Tem produtor que não está discutindo lucro. Está tentando descobrir como vai continuar plantando”, resume um dirigente do setor agropecuário do estado.

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Mato Grosso enfrenta pressão financeira

A pressão financeira também atingiu Mato Grosso, principal produtor de grãos do país. Com a queda nos preços internacionais da soja e do milho e o aumento das taxas de financiamento, agricultores passaram a enfrentar dificuldades para renovar operações de crédito e contratar custeio para o próximo ciclo agrícola.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirmou neste ano que a combinação entre juros elevados, quebra de produtividade e queda na rentabilidade comprometeu a capacidade de pagamento de parte expressiva dos produtores do estado.

“Nós não estamos pedindo perdão de dívida. O produtor quer prazo para conseguir continuar produzindo e honrar seus compromissos”, afirmou Lucas Beber durante debate sobre crédito rural e endividamento promovido pela entidade.

Em outra frente de discussão sobre a crise financeira no agro, o produtor rural Regis Porazzi, afirmou que muitos agricultores passaram a operar no limite financeiro após sucessivas perdas de margem.

“Nós estamos impossibilitados de pagar as nossas contas porque a nossa produtividade ficou muito próxima do nosso custo de produção”, declarou.

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Segundo Porazzi, muitos produtores recorreram a linhas privadas com juros superiores a 16% ao ano diante da retração do crédito oficial.

Matopiba reduz investimentos

No Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, produtores relatam redução dos investimentos e aumento da pressão bancária após queda de produtividade causada por irregularidades climáticas.

Representantes do agro classificam o atual cenário como uma “tempestade perfeita”, resultado da combinação entre juros elevados, retração do crédito, aumento dos custos de produção e perdas climáticas sucessivas.

“A preocupação do setor é que o agravamento da situação financeira provoque redução da área plantada e menor capacidade de investimento nos próximos ciclos, com impacto sobre a produção de alimentos e a inflação”, concluiu o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion.

Congresso amplia pressão por renegociação

Diante do cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária intensificou a articulação política no Congresso Nacional em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023 que prevê mecanismos para renegociação das dívidas rurais com recursos do Fundo Social.

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A proposta passou a ser tratada como prioridade pela bancada no Senado Federal. A vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), articula o avanço do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), enquanto entidades do agro defendem uma solução mais ampla para o passivo financeiro acumulado pelos produtores.

Além da renegociação emergencial, parlamentares e entidades defendem o fortalecimento do seguro rural, a ampliação de fundos garantidores e a construção de uma política agrícola plurianual que dê previsibilidade ao financiamento da produção agropecuária brasileira.

Fonte: Frente Parlamentar da Agropecuária

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Sustentabilidade

Preços recebidos pelos produtores rurais gaúchos saltam 7,54% em setembro – MAIS SOJA

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Os preços recebidos pelos produtores rurais do Rio Grande do Sul registraram um salto expressivo no mês de setembro. Segundo o relatório mensal divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul, nesta segunda-feira (26/10/), o Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) subiu 7,54% em relação ao mês anterior. O resultado marca a quarta alta mensal consecutiva e representa a maior variação para o indicador desde fevereiro de 2022.

O grande motor dessa elevação foi a soja, que apresentou avanço de 8,7% no mês, quase quatro vezes superior ao padrão sazonal para o período, atingindo o maior patamar de cotação desde abril de 2023. O arroz também manteve forte ritmo de valorização, subindo 8,4% no mês e acumulando expressiva alta de 52,4% no ano. A sustentação nos preços do cereal é amparada pela projeção de uma redução de 36% nos estoques brasileiros para a próxima safra. Na contramão dos grãos, o boi gordo recuou 3,3%, movimento atribuído a fatores sazonais do mercado pecuário.

Com o resultado de setembro, o IIPR acumula alta de 16,29% no ano e saltou de 4,05% em agosto para 13,73% no acumulado em 12 meses.

Recomposição de perdas

Embora a variação acumulada do IIPR em 12 meses (13,73%) supere com margem o IPCA geral (4,58%) e o IPCA Alimentos e Bebidas (4,66%), a Assessoria Econômica da Farsul pontua que o cenário exige uma análise de longo prazo.

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Ao observar o horizonte dos últimos dois anos, constata-se que o preço recebido pelo produtor rural permanece praticamente estável, com leve variação de 0,7%, enquanto os preços dos alimentos ao consumidor final subiram 11,6% no mesmo período. Portanto, a alta recente reflete a recomposição de perdas acumuladas pelo setor produtivo, e não a origem de um novo ciclo inflacionário vindo do campo.

Custos de produção voltam a acelerar

Do lado da porteira para dentro, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou alta de 1,44% em setembro, maior avanço mensal desde o mês de abril. No acumulado em 12 meses, o ritmo do IICP praticamente dobrou, passando de 1,65% em agosto para 3,35% em setembro, somando 5,13% no ano.

Os fertilizantes continuam sendo os principais ofensores dos custos, subindo 3,9% no mês e respondendo por mais da metade da variação positiva do índice. No acumulado do ano, o insumo explica mais do que a totalidade da inflação de custos. O impacto foi parcialmente mitigado pela retração nos preços dos defensivos agrícolas.

Além disso, a alta de 17% nas cotações internacionais do petróleo pressionou diretamente o mercado interno de combustíveis. O preço do diesel subiu 5,2% no Rio Grande do Sul em setembro, impulsionado pela defasagem frente à paridade de importação e por restrições pontuais na oferta. A elevação do combustível refletiu imediatamente nos serviços de frete (4,1%) e nos custos das operações mecânicas nas propriedades (2,1%).

Confira o relatório na íntegra.

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Fonte: Farsul



 

FONTE

Autor:Farsul

Site: Farsul

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Frente fria deixa chuvas no Centro-Norte e volumes voltam a crescer no Sul no início de novembro – Rural Clima – MAIS SOJA

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A última semana de outubro começa com chuvas concentradas na faixa mais ao norte do Brasil, após a passagem de uma frente fria pela região Sudeste, segundo o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos.

No Sul, o tempo abre no início da semana, com pancadas isoladas entre o Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná. Também há áreas de instabilidade na faixa litorânea do Sudeste e no litoral paranaense. Entre segunda e terça-feira (27), as chuvas devem se concentrar principalmente em Mato Grosso, Goiás, norte de Minas Gerais e na região do Matopiba.

O cenário muda a partir de quarta-feira (28), quando áreas de instabilidade se formam sobre a faixa central do país. “Na quinta-feira, o tempo volta a fechar no Sul do Brasil, em especial no Paraná. Então, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais com muitas chuvas já no final dessa semana”, disse o especialista.

Segundo Santos, os volumes podem atrapalhar os trabalhos no campo. “Todas essas chuvas, como a gente falou na semana passada, podem trazer algumas paralisações no plantio da soja e nas atividades de campo, como a colheita da cana-de-açúcar. Deem muita atenção ao longo dessa semana”, alertou.

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Para o fim de semana e, principalmente, o início de novembro, a tendência é de retorno de altos volumes ao Sul do país, com avanço gradual das chuvas para as regiões centrais. O ponto de atenção segue sendo o Matopiba.

De acordo com o agrometeorologista, tanto o modelo americano quanto o europeu indicam poucas chuvas para a região nas próximas semanas, embora o europeu seja um pouco mais úmido. A tendência é de concentração das precipitações entre Santa Catarina, Paraná, Sudeste e Centro-Oeste, alcançando apenas algumas áreas do sul do Matopiba, como o sul do Tocantins, o oeste da Bahia e o extremo sul do Maranhão, além de partes do Pará.

As temperaturas devem subir ao longo da semana, mas sem picos expressivos. “Por conta das chuvas, as temperaturas não sobem tanto, mas é uma semana que vai trazer chuvas em grande parte dessa faixa central do Brasil, chuvas um pouco menores e mais irregulares sobre o Sul, e o final de semana com muita chuva no Sul”, concluiu Santos.

Fonte: Agência Safras



 

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FONTE

Autor:Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News

Site: Agência Safras

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Safra de grãos 2026/27 projeta recordes em São Paulo e no Brasil, aponta Faesp – MAIS SOJA

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A safra de grãos 2026/27 caminha para novos recordes de produção tanto no cenário paulista quanto no brasileiro. De acordo com análise do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), fundamentada no 1º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o avanço da área cultivada justifica o crescimento das projeções para o novo ciclo.

Em São Paulo, a produção total de grãos deve atingir a marca inédita de 12,43 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 1,2% (+146,9 mil toneladas) frente ao ciclo 2025/26. Esse resultado é sustentado pela ampliação de 3,5% na área plantada, estimada em 2,84 milhões de hectares, compensando a retração prevista de 2,2% na produtividade média estadual.

Carros-chefes da agricultura paulista, a soja e o milho concentram os maiores volumes do estado, previstos em 5,4 milhões e 5,0 milhões de toneladas, respectivamente.

A soja tem previsão de avanço de 0,3% na colheita (+15,1 mil toneladas) e de 1,9% na área, embora a produtividade aponte recuo de 1,6% diante da postura cautelosa dos produtores em relação a possíveis efeitos do El Niño, fator que atrasou o início da semeadura em relação ao padrão histórico. Já o milho paulista projeta salto de 4,9% na produção (+229,6 mil toneladas), puxado pela expansão de 7,8% da área, com perspectivas positivas para todas as safras, especialmente a primeira.

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No panorama de outras culturas em território paulista, o algodão (+6,7%) e o sorgo (+6,1%) destacam-se com estimativas de crescimento. Por outro lado, há projeções de recuo para o feijão (-2,4%), pressionado por perdas em área e produtividade e pelo receio de alterações no regime de chuvas no sudoeste do estado, e para o amendoim (-12,4%), afetado por desestímulo decorrente de altos custos operacionais e cotações desfavoráveis.

BRASIL

No âmbito nacional, o 1º levantamento da Conab estima uma safra brasileira de grãos de 367,1 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% (+4,9 milhões de toneladas) sobre o período anterior. A área plantada no país deve avançar 2,3% (alcançando 1,9 milhão de hectares adicionais), enquanto a produtividade média registra ligeira queda de 0,9%.

O milho desponta como a principal alavanca do recorde nacional, com colheita prevista de mais de 148 milhões de toneladas (+2,4%), respondendo isoladamente por 71,7% do incremento total de grãos do país. O quadro reflete o fortalecimento do consumo doméstico para a produção de etanol do cereal, o ritmo consistente das exportações e preços mais vantajosos no mercado em relação a outras culturas. Crescimentos também são esperados para o sorgo (+9,0%), a soja (+0,7%) e o algodão (+0,3%).

Em contrapartida, as lavouras nacionais de arroz (-2,9%) e feijão (-0,7%) apontam retração de volume no país. A leguminosa tem sido desestimulada por ocorrências de mosca-branca em regiões produtoras, enquanto a cadeia orizícola projeta impactos na produtividade em razão de previsões de chuvas excessivas sobre a Região Sul ao longo do ciclo.

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Clique aqui para acessar o relatório completo elaborado pelo Departamento Técnico da Faesp. Outras informações relevantes sobre o setor podem ser acessadas através do Painel de Dados da Faesp.

Fonte: CNA



 

FONTE

Autor:CNA

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Site: CNA

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