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10 de julho de 2026

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Arrendamento caro e quebra de safra pressionam produtores e já afetam economia de município em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores rurais em Mato Grosso já tentam repassar áreas arrendadas diante da dificuldade para manter o plantio da próxima temporada. O cenário não só preocupa o setor produtivo visto o aumento dos custos no campo e a perda de rentabilidade das últimas safras, como já afeta a economia de municípios e reacende o debate sobre a necessidade de apoio financeiro ao agronegócio.

A posição dos agricultores surge após uma sequência de safras com margens apertadas e elevação contínua dos custos operacionais. Em meio à preparação para o próximo ciclo, o valor dos contratos de uso de terras se tornou um dos principais gargalos financeiros. Mesmo com recuos pontuais, o peso dos compromissos de longo prazo inviabiliza a permanência de muitos profissionais na atividade.

Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média estimada para os arrendamentos é de 15,58 sacas por hectare na temporada 2026/27. O índice representa uma alta de 8,55% em relação à média das últimas três safras. Esse patamar elevado acende o alerta no campo e força uma reorganização entre os investidores da região.

Diante do panorama, alguns agricultores de Querência, sem condições financeiras de plantar, buscam repassar as áreas arrendadas. A medida é uma tentativa imediata de reduzir os prejuízos acumulados e manter os demais compromissos com fornecedores em dia. A prioridade máxima do setor, conforme relatam produtores, passou a ser a eliminação destes custos fixos severos.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oferta de áreas reflete aperto financeiro

De acordo com o setor produtivo local, a dificuldade foi agravada severamente pela baixa rentabilidade das últimas safras. A expectativa inicial era garantir uma boa receita com o cultivo de cerca de 450 mil hectares de soja e 300 mil de milho nesta temporada. O resultado final, contudo, acabou ficando muito abaixo do projetado pelas lideranças agrícolas do município.

O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, afirma que o volume de produtores tentando repassar áreas reflete a insustentabilidade dos custos. “Tem muita oferta dessas, porque realmente o produtor não está conseguindo plantar mais”, destaca o dirigente. Frizzo aponta que a situação é de repasse total: “esse produtor está só passando esse arrendamento, sem cobrar nada, então só passa o arrendamento para se livrar dele, pois que está muito pesado”.

Para o líder sindical, a quebra de produtividade reduziu o faturamento planejado e frustrou os investimentos realizados para o ciclo atual. As lavouras registraram uma quebra média de quatro a cinco sacas por hectare em relação às médias históricas. Além disso, o preço de venda da soja ficou cerca de R$ 10 menor do que no ano passado.

“Era uma expectativa de se ter uma safra muito boa esse ano e isso não se realizou. Nós tivemos uma safra muito boa de milho, o milho do ano passado até que foi muito bom, mas o produtor mesmo assim não conseguiu se estabilizar totalmente”, explica Osmar Frizzo ao Canal Rural Mato Grosso.

Clima e custos elevados castigam lavouras

Os impactos negativos da última safra também já aparecem com clareza nas contas das propriedades familiares da região. O atraso no plantio da soja, provocado pela forte irregularidade das chuvas no período ideal, acabou comprometendo a janela recomendada para o milho segunda safra. Sem a umidade necessária no solo, o potencial produtivo das lavouras subsequentes caiu.

Além da quebra direta na produtividade, os agricultores relatam um aumento expressivo nos custos operacionais e extrema dificuldade para recuperar as perdas financeiras. A combinação de clima adverso e custos de pós-colheita elevados inviabilizou a geração de margem de lucro. A situação se repete em propriedades de diferentes portes na região.

O agricultor Lauri Jantsch ressalta que os problemas climáticos se estenderam do início ao fim do ciclo da soja, prejudicando a cultura subsequente. “O plantio atrasou de 10 a 15 dias e isso trouxe atraso para o milho, que agora está sendo prejudicado pela falta de chuva. Aí diminui a rentabilidade por falta de produtividade”, argumenta.

De acordo com o produtor, o excesso de chuva na colheita da oleaginosa também gerou descontos pesados e despesas extras nos armazéns da região. A localidade recebeu 700 milímetros de chuva entre o fim de janeiro e o término de fevereiro. A umidade excessiva elevou os custos de secagem e reduziu o ganho real do agricultor na entrega do produto.

“Colhemos uma saca a menos por hectare esse ano, então a gente vem tendo perdas na soja e agora consequentemente um pouco de perda por falta de chuva no milho. Viemos de um ano sem rentabilidade e provavelmente vamos para mais um ciclo também sem rentabilidade para o setor”, conclui Lauri Jantsch à reportagem.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Arrecadação municipal sofre queda milionária

Os reflexos da crise no campo ultrapassam as cercas das propriedades rurais e já são sentidos diretamente na arrecadação pública do município. Sendo uma localidade essencialmente agrícola, a dinâmica econômica urbana depende diretamente do sucesso das safras de soja e milho. A retração do poder de compra dos produtores atinge o comércio local e o setor de serviços de forma imediata.

A redução na circulação de mercadorias e insumos afeta o retorno do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Embora a cidade possua um comércio forte e concessionárias que atendem a uma ampla região regional, as receitas alternativas não são suficientes para cobrir o rombo deixado pela quebra das principais culturas.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, aponta que o orçamento municipal de 2026 sofrerá um impacto severo em decorrência da crise agrícola.

“Querência nesse ano de 2026 vem sentindo. Nós tivemos uma perda de receita, nosso índice é 10,28% menor do que 2025. Para nós faz muita diferença porque a gente vai perder ou ter uma receita menor de praticamente R$ 10 milhões a menos em 2026 em relação a 2025”, afirma o gestor.

Setor cobra medidas de socorro financeiro

Diante do agravamento da situação, o setor produtivo cobra maior sensibilidade do governo federal e acompanha com preocupação o avanço das discussões sobre medidas de apoio financeiro ao campo. A avaliação geral é de que o atual cenário econômico, somado às restrições e dificuldades de acesso ao crédito, pode comprometer os investimentos tecnológicos e afetar o ritmo de crescimento da atividade agropecuária nos próximos anos.

Representantes alertam que a falta de uma política de renegociação de dívidas eficaz pode reverter a tendência histórica de recordes de produção que o país ostenta. A necessidade de uma atuação mais firme e novos aportes de recursos é vista como urgente para evitar a desestruturação de cadeias produtivas inteiras no estado.

Para o presidente do Sindicato Rural, a solução para o endividamento do campo exige celeridade do poder público. “Com juros altos, pouco incentivo para o agronegócio, realmente está dificultando o produtor. Já existiu em outros anos essas renegociações das dívidas, então com certeza o setor está precisando muito”, pontua Osmar Frizzo.

O dirigente ressalta que a categoria precisa se organizar para evitar o enfraquecimento da produção. Ele conclui que o Congresso estuda fontes alternativas de recursos para amparar os agricultores: “a gente já sabe que já existe no Congresso essa discussão. A dificuldade é saber onde conseguir esses recursos. Estão falando até em pegar recursos do pré-sal, mas isso não está andando muito no Congresso. O setor agro está precisando dessa ajuda”.


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Plantio do trigo alcança 87% da área prevista no Rio Grande do Sul

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A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul atingiu 87% da área prevista para a safra 2026, ante 83% na semana passada, informou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater) nesta quinta-feira (9). Segundo a entidade, o avanço do plantio no período foi restrito pela umidade do solo. Nas áreas de maior altitude, os trabalhos devem seguir até o fim de julho.

A Emater projeta área de 814.220 hectares com trigo no Estado em 2026. A produtividade média estimada é de 2.701 quilos por hectare.

De acordo com a entidade, as lavouras já implantadas apresentam estabelecimento e estandes adequados, com desenvolvimento compatível com a época de cultivo. No momento, predominam os estádios de desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento. Nas áreas semeadas mais cedo, já começou o alongamento do colmo.

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As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem danos expressivos às plantações. Por outro lado, a nebulosidade e a baixa disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo.

Em regiões com maior volume de chuva, houve encharcamento, perdas localizadas de solo e necessidade de replantio em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade também prejudicou o andamento da semeadura e restringiu operações de manejo, como a aplicação de herbicidas e de fertilizantes nitrogenados em cobertura.

Segundo a Emater, a umidade do dossel elevou o potencial de incidência de doenças foliares, o que levou ao aumento do monitoramento fitossanitário nas lavouras.

No mercado, o valor médio da saca de 60 quilos de trigo no Estado recuou 0,11% na semana, de R$ 69,67 para R$ 69,59.

Com 87% da área prevista já semeada, a safra de trigo no Rio Grande do Sul avança sob influência das condições de umidade, com lavouras em desenvolvimento inicial e continuidade do plantio nas áreas de maior altitude até o fim de julho.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Comissão da CNA debate safra, crédito e cortes no PAP 2026/2027

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A Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta quinta-feira (9), em Brasília, uma reunião para discutir temas centrais do setor. Entre os assuntos estiveram as perspectivas para a safra e o mercado de grãos, o cenário de crédito e os recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027.

O encontro marcou a primeira reunião com o novo presidente da comissão, Endrigo Dalcin, e com a nova assessora técnica, Jerusa Rech. O diretor técnico da comissão, Bruno Lucchi, também participou. Segundo Dalcin, a proposta é ampliar o alcance dos debates da comissão, que representa diversas culturas, e atuar em conjunto com os estados.

A primeira pauta foi a apresentação do consultor da Agroconsult, André Pessoa, sobre as perspectivas para a safra e o mercado de grãos. Na exposição, ele detalhou estimativas de produtividade, o quadro de oferta e demanda e o ritmo dos insumos agropecuários.

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Na avaliação do consultor, o setor enfrenta um ambiente de margens reduzidas, custos elevados e dificuldade de acesso ao crédito. Segundo Pessoa, esse quadro tende a se manter nos próximos anos, principalmente com a permanência dos juros em patamares elevados. Ele afirmou que o cenário não se caracteriza como uma crise aguda, mas como uma crise crônica iniciada em 2023, agravada ao longo do período e com perspectiva de continuidade até 2027 e 2028.

Na sequência, o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, apresentou um panorama do PAP 2026/2027. Ele destacou a nota técnica da entidade com análise das medidas anunciadas e chamou atenção para a redução de recursos em programas considerados prioritários. De acordo com a apresentação, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) teve cortes entre 24% e 32%, enquanto o Proirriga registrou redução de 39% em relação ao ciclo anterior.

Rios também informou que o volume de recursos equalizados para a safra 2026/2027 será de R$ 141 bilhões, número 10% inferior ao da safra passada. Entre os pontos de preocupação apresentados pela CNA estão a gestão de riscos e o seguro rural, com recursos ainda contingenciados.

A reunião da comissão concentrou as discussões sobre o quadro financeiro e operacional das cadeias de cereais, fibras e oleaginosas, em um contexto de custos elevados, restrição de crédito e redução de recursos em linhas do PAP 2026/2027.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Obrigatoriedade de CNPJ rural é adiada para 2027; entenda o que muda para o produtor

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A obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas foi adiada para janeiro de 2027. A mudança amplia o prazo de adaptação ao novo sistema cadastral, que será utilizado para a emissão de documentos fiscais e para a implementação da reforma tributária, sem alterar a natureza jurídica do produtor.

Em entrevista ao Mercado & Cia, a especialista em tributação do agronegócio Viviane Morales explicou que a principal mudança será apenas cadastral. Segundo ela, o produtor continuará sendo pessoa física, mas deixará de utilizar o CPF como identificação da atividade rural, passando a operar com um CNPJ vinculado à sua inscrição estadual.

“Não é para mudar nada na rotina do produtor. O que muda é o cadastro. Antes ele utilizava o CPF em conjunto com a inscrição estadual de produtor rural. Agora, necessariamente, utilizará um CNPJ e a inscrição estadual”, afirmou.

Segundo a especialista, a exigência está diretamente ligada à reforma tributária, que prevê uma plataforma única para todos os contribuintes do país.

“Todos os contribuintes precisarão estar dentro da mesma plataforma para que os novos tributos possam ser operacionalizados. Por isso, os produtores rurais também precisarão ter um CNPJ”, explicou.

Medida valerá para todos os produtores

De acordo com Viviane Morales, a obrigatoriedade alcançará todos os produtores rurais pessoas físicas do país, independentemente do porte da propriedade.

Ela afirma que circulam informações de que pequenos produtores poderiam ser dispensados da exigência, mas ressalta que esse entendimento não tem respaldo nas orientações da Receita Federal.

“Até o momento, a Receita tem sinalizado que a medida será aplicada a todos os produtores do Brasil.”

Principal impacto será burocrático

Na avaliação da especialista, o maior desafio estará na abertura do novo cadastro. Por isso, ela recomenda que os produtores contem com orientação técnica para evitar erros que possam comprometer o histórico cadastral da atividade rural.

“O produtor precisa tomar cuidado para não cancelar sua inscrição estadual e abrir uma nova. O correto é fazer a abertura do CNPJ mantendo todo o histórico cadastral já existente”, alertou.

Segundo ela, essa preocupação é especialmente importante porque bancos e instituições financeiras costumam exigir o histórico da atividade na análise de crédito. A perda desse registro pode dificultar futuras operações financeiras.

Viviane acredita que a prorrogação do prazo, inicialmente previsto para julho deste ano, foi justamente uma forma de permitir maior preparação dos produtores e simplificar a implantação do novo sistema.

CNPJ não transforma produtor em empresa

A especialista também fez questão de esclarecer uma das principais dúvidas sobre a mudança: a inscrição no CNPJ não transforma automaticamente o produtor rural em pessoa jurídica.

“O CNPJ será apenas um cadastro nacional que dará mais transparência à atividade rural. O produtor continuará sendo pessoa física”, destacou.

Segundo ela, a nova identificação permitirá separar de forma mais clara a atividade rural das finanças pessoais, reunindo em um único cadastro todas as receitas e despesas relacionadas à produção.

Além disso, o novo modelo tende a facilitar o relacionamento com fornecedores, clientes e instituições financeiras, já que torna mais transparente a identificação da atividade econômica exercida pelo produtor.

Orientação é preservar o histórico da atividade

Como a obrigatoriedade só entrará em vigor em janeiro de 2027, a recomendação é que os produtores aproveitem o prazo adicional para se preparar e buscar orientação especializada antes de realizar o cadastro.

Viviane reforça que a abertura do CNPJ deve preservar toda a trajetória da atividade rural, incluindo alterações cadastrais já realizadas, como mudanças em áreas arrendadas, evitando a necessidade de encerrar inscrições anteriores.

“Não é para ser um problema. É possível fazer essa abertura de forma tranquila e sem mudar praticamente nada na vida do produtor rural”, concluiu.

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