Connect with us
25 de maio de 2026

Business

Arrendamento caro e quebra de safra pressionam produtores e já afetam economia de município em MT

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores rurais em Mato Grosso já tentam repassar áreas arrendadas diante da dificuldade para manter o plantio da próxima temporada. O cenário não só preocupa o setor produtivo visto o aumento dos custos no campo e a perda de rentabilidade das últimas safras, como já afeta a economia de municípios e reacende o debate sobre a necessidade de apoio financeiro ao agronegócio.

A posição dos agricultores surge após uma sequência de safras com margens apertadas e elevação contínua dos custos operacionais. Em meio à preparação para o próximo ciclo, o valor dos contratos de uso de terras se tornou um dos principais gargalos financeiros. Mesmo com recuos pontuais, o peso dos compromissos de longo prazo inviabiliza a permanência de muitos profissionais na atividade.

Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média estimada para os arrendamentos é de 15,58 sacas por hectare na temporada 2026/27. O índice representa uma alta de 8,55% em relação à média das últimas três safras. Esse patamar elevado acende o alerta no campo e força uma reorganização entre os investidores da região.

Diante do panorama, alguns agricultores de Querência, sem condições financeiras de plantar, buscam repassar as áreas arrendadas. A medida é uma tentativa imediata de reduzir os prejuízos acumulados e manter os demais compromissos com fornecedores em dia. A prioridade máxima do setor, conforme relatam produtores, passou a ser a eliminação destes custos fixos severos.

Advertisement
colheita soja patrulheiro agro foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oferta de áreas reflete aperto financeiro

De acordo com o setor produtivo local, a dificuldade foi agravada severamente pela baixa rentabilidade das últimas safras. A expectativa inicial era garantir uma boa receita com o cultivo de cerca de 450 mil hectares de soja e 300 mil de milho nesta temporada. O resultado final, contudo, acabou ficando muito abaixo do projetado pelas lideranças agrícolas do município.

O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, afirma que o volume de produtores tentando repassar áreas reflete a insustentabilidade dos custos. “Tem muita oferta dessas, porque realmente o produtor não está conseguindo plantar mais”, destaca o dirigente. Frizzo aponta que a situação é de repasse total: “esse produtor está só passando esse arrendamento, sem cobrar nada, então só passa o arrendamento para se livrar dele, pois que está muito pesado”.

Para o líder sindical, a quebra de produtividade reduziu o faturamento planejado e frustrou os investimentos realizados para o ciclo atual. As lavouras registraram uma quebra média de quatro a cinco sacas por hectare em relação às médias históricas. Além disso, o preço de venda da soja ficou cerca de R$ 10 menor do que no ano passado.

“Era uma expectativa de se ter uma safra muito boa esse ano e isso não se realizou. Nós tivemos uma safra muito boa de milho, o milho do ano passado até que foi muito bom, mas o produtor mesmo assim não conseguiu se estabilizar totalmente”, explica Osmar Frizzo ao Canal Rural Mato Grosso.

Clima e custos elevados castigam lavouras

Os impactos negativos da última safra também já aparecem com clareza nas contas das propriedades familiares da região. O atraso no plantio da soja, provocado pela forte irregularidade das chuvas no período ideal, acabou comprometendo a janela recomendada para o milho segunda safra. Sem a umidade necessária no solo, o potencial produtivo das lavouras subsequentes caiu.

Além da quebra direta na produtividade, os agricultores relatam um aumento expressivo nos custos operacionais e extrema dificuldade para recuperar as perdas financeiras. A combinação de clima adverso e custos de pós-colheita elevados inviabilizou a geração de margem de lucro. A situação se repete em propriedades de diferentes portes na região.

Advertisement

O agricultor Lauri Jantsch ressalta que os problemas climáticos se estenderam do início ao fim do ciclo da soja, prejudicando a cultura subsequente. “O plantio atrasou de 10 a 15 dias e isso trouxe atraso para o milho, que agora está sendo prejudicado pela falta de chuva. Aí diminui a rentabilidade por falta de produtividade”, argumenta.

De acordo com o produtor, o excesso de chuva na colheita da oleaginosa também gerou descontos pesados e despesas extras nos armazéns da região. A localidade recebeu 700 milímetros de chuva entre o fim de janeiro e o término de fevereiro. A umidade excessiva elevou os custos de secagem e reduziu o ganho real do agricultor na entrega do produto.

“Colhemos uma saca a menos por hectare esse ano, então a gente vem tendo perdas na soja e agora consequentemente um pouco de perda por falta de chuva no milho. Viemos de um ano sem rentabilidade e provavelmente vamos para mais um ciclo também sem rentabilidade para o setor”, conclui Lauri Jantsch à reportagem.

querência foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Arrecadação municipal sofre queda milionária

Os reflexos da crise no campo ultrapassam as cercas das propriedades rurais e já são sentidos diretamente na arrecadação pública do município. Sendo uma localidade essencialmente agrícola, a dinâmica econômica urbana depende diretamente do sucesso das safras de soja e milho. A retração do poder de compra dos produtores atinge o comércio local e o setor de serviços de forma imediata.

A redução na circulação de mercadorias e insumos afeta o retorno do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Embora a cidade possua um comércio forte e concessionárias que atendem a uma ampla região regional, as receitas alternativas não são suficientes para cobrir o rombo deixado pela quebra das principais culturas.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, aponta que o orçamento municipal de 2026 sofrerá um impacto severo em decorrência da crise agrícola.

Advertisement

“Querência nesse ano de 2026 vem sentindo. Nós tivemos uma perda de receita, nosso índice é 10,28% menor do que 2025. Para nós faz muita diferença porque a gente vai perder ou ter uma receita menor de praticamente R$ 10 milhões a menos em 2026 em relação a 2025”, afirma o gestor.

Setor cobra medidas de socorro financeiro

Diante do agravamento da situação, o setor produtivo cobra maior sensibilidade do governo federal e acompanha com preocupação o avanço das discussões sobre medidas de apoio financeiro ao campo. A avaliação geral é de que o atual cenário econômico, somado às restrições e dificuldades de acesso ao crédito, pode comprometer os investimentos tecnológicos e afetar o ritmo de crescimento da atividade agropecuária nos próximos anos.

Representantes alertam que a falta de uma política de renegociação de dívidas eficaz pode reverter a tendência histórica de recordes de produção que o país ostenta. A necessidade de uma atuação mais firme e novos aportes de recursos é vista como urgente para evitar a desestruturação de cadeias produtivas inteiras no estado.

Para o presidente do Sindicato Rural, a solução para o endividamento do campo exige celeridade do poder público. “Com juros altos, pouco incentivo para o agronegócio, realmente está dificultando o produtor. Já existiu em outros anos essas renegociações das dívidas, então com certeza o setor está precisando muito”, pontua Osmar Frizzo.

O dirigente ressalta que a categoria precisa se organizar para evitar o enfraquecimento da produção. Ele conclui que o Congresso estuda fontes alternativas de recursos para amparar os agricultores: “a gente já sabe que já existe no Congresso essa discussão. A dificuldade é saber onde conseguir esses recursos. Estão falando até em pegar recursos do pré-sal, mas isso não está andando muito no Congresso. O setor agro está precisando dessa ajuda”.

Advertisement

Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Arrendamento caro e quebra de safra pressionam produtores e já afetam economia de município em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading
Advertisement

Business

Levantamento mostra que pequenos produtores lideram produção de café no Brasil

Published

on


Foto: Divulgação/Seagri

Um levantamento inédito do Sebrae mostra que a maioria dos produtores brasileiros de café (54%) é formada por pequenos negócios. O estudo, realizado com base na Pesquisa Nacional de Segmentação dos Produtores de Café, aponta que esses produtores se concentram em propriedades com menos de 20 hectares. Produtores de médio porte são 38% do total e 8% são de grande porte.

O perfil do produtor à frente de pequenos negócios, segundo a pesquisa, tem média de idade de 49 anos e 21 anos de experiência na área. Minas Gerais e São Paulo têm predominância de médios produtores, enquanto estados fora do Sudeste concentram maior número de pequenos produtores, com destaque para Rondônia, onde 87% dos produtores são pequenos negócios, Acre (83%) e Goiás + DF (76%).

A pesquisa entrevistou 1.102 produtores em 14 estados. Mais da metade dos entrevistados tem até o ensino médio completo, pelo menos.

“A escolaridade dos produtores varia consideravelmente entre os estados. Em Minas Gerais, Paraíba, Goiás, Distrito Federal e São Paulo, temos uma maior concentração de pessoas com ensino superior completo e pós-graduação”, aponta a analista de Competitividade do Sebrae, Carmen Sousa.

Escolaridade dos produtores de café

Goiás + Distrito Federal: ensino superior: 47%; pós-graduação: 29%

Advertisement

Paraíba: ensino superior: 53%; pós-graduação: 11%.

São Paulo: ensino superior: 40%; pós-graduação: 11%

Minas Gerais: ensino superior: 45%; pós-graduação: 8%

Os homens são maioria no setor, com 79% de participação, frente a 21% de produtoras de café. A Geração X (41 a 56 anos) é maioria, com 41%; seguido dos boomers (mais de 57 anos), com 29%; e millenials (25 a 40 anos), com 27%. Apenas 3% são da Geração Z, de 18 a 24 anos.

Cafés especiais e certificação

A pesquisa indica que 61% dos entrevistados informaram produzir café especial. Esse resultado se conecta ao fato de que 27% dos produtores já possuem certificações socioambientais e 29% pretendem obter algum tipo de certificação, evidenciando uma crescente valorização de atributos ligados à qualidade e à sustentabilidade.

Advertisement

Outro importante diferencial de qualidade são as indicações geográficas (IGs): o Brasil conta atualmente com 23 IGs de cafés, todas com apoio do Sebrae.

Nesse contexto, destacam-se a adesão dos produtores de São Paulo, que correspondem a 44% dos produtores entrevistados, seguidos por Minas Gerais, com 35%.

“O apoio à gestão para a conquista desses reconhecimentos de qualidade e para a adoção de práticas sustentáveis é fundamental para o fortalecimento do setor e dos empreendedores”, aponta Carmen Sousa. 

O post Levantamento mostra que pequenos produtores lideram produção de café no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.

Advertisement
Continue Reading

Business

IBGE incluirá graviola e morango em levantamento de produção agrícola

Published

on


Foto 1: Antonio Lindemberg Martins Mesquita/Embrapa
Foto 2: Pixabay

Duas culturas agrícolas da Bahia passarão a integrar a Produção Agrícola Municipal (PAM) 2026, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) previsto para ser divulgado em agosto: a graviola, com forte presença principalmente na região do Baixo Sul, e o morango, que vem ganhando destaque na Chapada Diamantina e no Sudoeste baiano.

A inclusão atende a uma solicitação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e de produtores baianos e foi anunciada durante reunião realizada na última quarta-feira (20), com representantes da Seagri, do IBGE e de outras instituições ligadas ao setor agropecuário no estado.

“O morango e a graviola são culturas que vêm crescendo bastante no estado, e os próprios produtores já reivindicavam essa inclusão no levantamento do IBGE”, destacou a assessora técnica da Seagri, Kátia Correia Lima.

Ela ainda explicou que a Seagri formalizou a solicitação e, com esses dados, será possível acompanhar melhor o desenvolvimento dessas cadeias produtivas, subsidiando políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção e a geração de emprego e renda.

Ajustes metodológicos

Durante o encontro, também foram discutidas novas culturas que poderão ser incluídas futuramente na PAM, como a cenoura, além do aperfeiçoamento das fontes e da metodologia de coleta de dados da produção agrícola.

Advertisement

“O IBGE realiza o levantamento e os ajustes metodológicos a partir das informações compartilhadas pelas instituições parceiras, como a Seagri. No caso da graviola, por exemplo, os dados da produção baiana são obtidos por meio de levantamentos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab)”, explicou Luís Alberto Pacheco, da Supervisão de Agropecuária do IBGE na Bahia.

Pacheco destacou que essa reunião teve como objetivo avaliar os dados disponíveis, discutir melhorias metodológicas e identificar novas demandas que possam ser incorporadas ao estudo.

O coordenador de Contas Regionais da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), João Paulo Caetano, ressaltou a importância da inclusão dessas culturas para a mensuração da economia estadual.

“A graviola e o morango são culturas relevantes para a produção baiana, mas ainda não havia dados consolidados sobre sua contribuição econômica. Com a inclusão na PAM, será possível mensurar o valor da produção e da comercialização dessas culturas, fortalecendo os indicadores do PIB baiano”, pontuou.

O post IBGE incluirá graviola e morango em levantamento de produção agrícola apareceu primeiro em Canal Rural.

Advertisement
Continue Reading

Business

São Marcos recebe seminário sobre irrigação nesta quinta-feira

Published

on


O município de São Marcos, na Serra gaúcha, recebe nesta quinta-feira (28), a partir das 13h30, mais uma edição do Seminário de Irrigação. O encontro será realizado no auditório da prefeitura e terá como foco a adoção de sistemas de irrigação para sustentação da produtividade nas lavouras. A programação também prevê a apresentação do edital da fase 3 do Programa Irriga+ RS.

O seminário é promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) em parceria com a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar). Segundo a programação divulgada, a abertura será seguida de um painel sobre o programa estadual de irrigação.

A apresentação ficará a cargo do subsecretário de Irrigação da Seapi, Márcio Amaral. De acordo com as informações do evento, o programa prevê subvenção direta de 20% sobre o valor do projeto de irrigação, com teto de R$ 150 mil por produtor. A medida tem relação direta com a ampliação do uso de infraestrutura hídrica nas propriedades, sobretudo em regiões sujeitas à irregularidade das chuvas.

Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

Advertisement

Também está prevista a palestra “Irrigação Inteligente: caminho para estabilidade e rentabilidade do produtor”, com o engenheiro agrônomo Diego Pacheco, da empresa Agrimar. A programação inclui ainda dois relatos de produtores que adotaram irrigação por gotejamento em culturas de maior valor agregado.

Um dos cases será apresentado pela família Jovani Casagrande, de São Marcos, com experiência em pêssego. O outro terá a participação da família de Sérgio Parmegiani, de Garibaldi, com uso do sistema em videira. Em ambas as situações, a irrigação localizada é uma ferramenta associada ao manejo mais preciso da água e à redução de perdas produtivas em períodos de restrição hídrica.

O material divulgado sobre o seminário não informa necessidade de inscrição prévia nem detalha o público estimado para o evento.

A realização do seminário ocorre em um contexto de maior atenção à segurança hídrica no campo, especialmente no Rio Grande do Sul. Para produtores interessados em investimento em irrigação, o encontro pode servir como fonte de orientação técnica e de esclarecimento sobre acesso ao programa estadual.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

Advertisement

O post São Marcos recebe seminário sobre irrigação nesta quinta-feira apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT