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Manejo inteligente ganha força no campo diante do avanço das doenças nas lavouras

O avanço das doenças nas lavouras acende um alerta no campo, pressiona os custos e obriga o produtor a mudar o manejo dentro da porteira. Com o clima favorável aos fungos, um cenário imprevisível e decisões cada vez mais dinâmicas, a estratégia tem sido apostar em práticas mais inteligentes, flexíveis e eficientes para proteger a produtividade e garantir rentabilidade nas principais culturas que sustentam o setor.
A combinação de clima úmido, temperaturas elevadas e janelas cada vez mais curtas de aplicação tem sido perfeita para o avanço das doenças fúngicas no campo. Nas últimas safras, o produtor rural tem convivido com um cenário mais instável, onde a pressão nas lavouras aumenta e as decisões precisam ser cada vez mais céleres. Esse desafio não se limita a uma única cultura, exigindo atenção constante ao longo de todo o ciclo produtivo.
A cercóspora e a mancha-alvo estão entre as doenças fúngicas que mais têm tirado o sono dos agricultores recentemente. Além de comprometer o rendimento das plantas, elas elevam significativamente os custos de produção, com forte impacto tanto na soja quanto no algodão. Diante desse panorama, os produtores vêm ajustando as estratégias de manejo, um esforço que já começa a trazer resultados práticos na redução dos prejuízos ao fim da colheita.

Desafios climáticos e janelas curtas
Em Lucas do Rio Verde, após a colheita de 1,5 mil hectares de soja, o agricultor Nelei José Kraemer iniciou a semeadura do algodão de segunda safra em 1,2 mil hectares. Parte da área acabou ficando fora da janela considerada ideal, o que reforça o desafio de encaixar as aplicações no tempo certo entre a colheita de uma cultura e o desenvolvimento da outra. Esse cenário exige dedicação diária e atenção constante aos mínimos detalhes para proteger o alto investimento realizado na lavoura.
O monitoramento diário da propriedade tornou-se uma regra indispensável para evitar que os patógenos se espalhem e destruam o potencial das plantas. Segundo o produtor, a atividade exige atenção constante por se tratar de um cultivo de alto custo. “Exige todos os dias você estar dentro da lavoura. São detalhes que você tem que estar observando, é uma cultura muito cara, de alto investimento”.
A flexibilidade dos defensivos agrícolas também entra como peça fundamental para o sucesso do planejamento do agricultor. Como as condições meteorológicas mudam rapidamente, o insumo precisa oferecer um espectro de ação que atenda a diferentes frentes de trabalho.
A gerente de desenvolvimento de mercado da Basf, Mariana Ferneda Dossin, explica que o manejo precisa ser alterado pela condição climática ou pela necessidade de alguma doença. Por isso, a indústria foca em ferramentas versáteis. “Esse produto tem que estar flexível para que o produtor possa usar tanto na soja, tanto no milho. O produtor que faz soja e algodão também possa ter essa possibilidade. E altíssimo potencial de eficácia de controle de doenças disponível para o produtor”.

Prejuízos causados pela mancha-alvo
A cercóspora ataca precocemente e prejudica diretamente o peso dos grãos e a formação de proteína na oleaginosa. Já a mancha-alvo, que antes não figurava entre as principais preocupações na região, tornou-se um problema grave no cultivo do algodão nos últimos três anos, gerando quebras severas que acendem o alerta técnico.
A orientação da pesquisa mostra que o atraso nas primeiras pulverizações pode inviabilizar o controle posterior, pois as doenças avançam rapidamente a partir do baixeiro das plantas.
O produtor Nelei lembra que há dois anos a pressão da mancha-alvo foi forte na região. “Em alguns materiais pode se falar que teve perdas de 20% a 30%. A pesquisa mostra que tem que entrar cedo no controle. É importante você fazer uma base bem feita desde o começo”.
Para combater esse cenário de alta pressão, a indústria tem desenvolvido ferramentas com alta tecnologia embarcada para trazer mais segurança operacional ao campo. O uso de formulações modernas assegura que os ingredientes ativos tenham a efetividade necessária no momento exato da aplicação.
O diretor de pesquisas da Fundação Rio Verde, Fábio Pittelkow, destaca que essa evolução tecnológica é o que garante o sucesso das operações. “Há muita tecnologia embarcada nesses produtos mais modernos e isso ajuda o produtor no campo a ter segurança de fazer a operação e ter aquela efetividade do controle da doença”.
Falhas no manejo reduzem a vida útil das tecnologias, gerando um ciclo prejudicial para a sustentabilidade econômica de toda a atividade agrícola regional. A recomendação técnica passa obrigatoriamente pela rotação de princípios ativos e pela inclusão de produtos protetores nas estratégias de pulverização.
Tecnologia e rotação de ativos
Manter o desempenho dessas soluções com alta performance ao longo do tempo é o principal desafio dos pesquisadores e produtores. A escolha de produtos com boa seletividade ajuda a preservar o potencial da planta sem causar fitoxidez, permitindo que a cultura expresse seu máximo rendimento.
De acordo com Fábio Pittelkow, o cenário atual exige estratégias combinadas para segurar o avanço dos fungos. “Precisamos rotacionar os ativos, entrar com produtos protetores. Nós temos um cenário onde o manejo cada vez mais tem sido difícil de segurar essas doenças e reter os prejuízos que elas causam”.
O mercado tem demandado soluções versáteis que simplifiquem a gestão operacional do agricultor, permitindo o uso do mesmo produto em diferentes culturas de forma rotativa. Essa flexibilidade é considerada essencial para quem trabalha com sistemas de sucessão.
A gerente da Basf, Mariana Ferneda Dossin, salienta que o foco das novas tecnologias está voltado para o início do manejo, focado nas aplicações do período vegetativo. Ela cita o exemplo do Belyan®, um produto direcionado para o sistema de cultivo de soja, milho e algodão. “Um excelente produto para iniciar o manejo, aplicações do vegetativo, fazendo todo aquele manejo robusto do baixeiro. Então a gente olha para as dores emergentes e trazemos essas inovações pensando em alcançar altos tetos produtivos”.
Com a adoção de um manejo inteligente, o agricultor ganha eficiência, protege o investimento financeiro e minimiza os riscos climáticos e biológicos. O objetivo central reside em reduzir as incertezas em um ambiente de produção cada vez mais complexo.
A cooperação mútua entre produtores, equipes técnicas e empresas de tecnologia surge como o caminho definitivo para superar a pressão das doenças. Quando as recomendações da pesquisa são aplicadas de forma integrada na lavoura, os resultados aparecem diretamente na colheita. Nelei José Kraemer conclui que o trabalho integrado é o segredo do sucesso. “O agricultor com as empresas e a parte técnica, a gente ter que ir seguindo e trabalhando junto”.
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Empresa contrata 200 profissionais para laboratórios de algodão

O Bureau Veritas abriu cerca de 200 vagas para atuação em seus laboratórios de classificação de fibra de algodão em Mato Grosso. As oportunidades são para os cargos de auxiliar de laboratório e operador de HVI (High Volume Instrument) e estão distribuídas entre cinco unidades da empresa no estado.
Líder no segmento de classificação de fibra, o Bureau Veritas responde por aproximadamente 65% do mercado brasileiro. A ampliação das equipes acompanha o crescimento da cotonicultura nacional. Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá produzir cerca de 4 milhões de toneladas de pluma em 2026.
As vagas estão disponíveis nos municípios de Sapezal, Campo Novo do Parecis, Rondonópolis, Sorriso e Lucas do Rio Verde.
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Segundo o diretor de Agronegócios, Food e Commodities do Bureau Veritas no Brasil, Paulo Freire, Mato Grosso ocupa posição estratégica para a empresa devido à relevância da produção estadual de algodão.
“O estado possui produção comparável à dos maiores produtores de algodão do mundo e vem crescendo muito nos últimos anos. Ampliar nossos times locais é essencial para acompanharmos a demanda crescente por serviços técnicos, com qualidade, agilidade e confiabilidade”, afirma.
Funções
Os auxiliares de laboratório serão responsáveis pela organização, conferência e identificação das amostras de algodão, além do registro de informações nos sistemas e da correta vinculação das amostras aos respectivos clientes e análises.
Já os operadores de HVI atuarão na operação dos equipamentos High Volume Instrument, tecnologia utilizada para avaliar as características da fibra de algodão. Entre as atividades estão a calibração e ajustes básicos das máquinas, acompanhamento das análises, monitoramento dos resultados, controle da rastreabilidade do processo e conservação dos equipamentos, seguindo os padrões de qualidade e segurança.
Benefícios e inscrições
Os profissionais contratados terão acesso a benefícios como vale-alimentação e Wellhub.
O processo seletivo é realizado de forma online, e as inscrições podem ser feitas pelo site da empresa.
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A dívida do Brasil cresce. Onde está o problema?

As notícias deste fim de semana voltaram a chamar a atenção para o avanço da dívida pública brasileira. É um tema que merece preocupação. Mas o verdadeiro desafio não está apenas no volume da dívida. Está, principalmente, no preço que o Brasil paga para financiá-la.
O custo dos juros já consome uma parcela gigantesca da riqueza nacional. Em vez de direcionar recursos para infraestrutura, logística, educação, inovação e aumento da produtividade, o país destina uma fatia crescente de sua capacidade financeira ao serviço da dívida.
A conta que reduz o crescimento
O Brasil convive com uma das maiores taxas reais de juros do planeta. Isso significa que o Tesouro Nacional precisa oferecer um prêmio elevado para captar recursos, refletindo a percepção de risco sobre a economia.
A dívida, por si só, não explica esse fenômeno. Diversos países possuem níveis de endividamento superiores ao brasileiro e conseguem financiá-los pagando juros muito menores. A diferença está na confiança que inspiram, na previsibilidade das políticas públicas e na solidez de suas instituições.
O orçamento perdeu capacidade de investir
Outro aspecto pouco discutido é a rigidez das contas públicas.
Hoje, a maior parte da arrecadação federal já está comprometida com despesas obrigatórias. O espaço para investimentos tornou-se extremamente reduzido. Dos recursos discricionários restantes, parcela significativa é destinada às emendas parlamentares, que cumprem função política relevante, mas frequentemente se distribuem em milhares de iniciativas de alcance local, com impacto limitado sobre a produtividade da economia.
O resultado é um Estado que investe pouco justamente onde poderia aumentar a competitividade do país.
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O capital segue os incentivos
O investidor faz uma conta simples.
Se os títulos públicos oferecem remuneração elevada e praticamente sem risco de crédito, muitos investimentos produtivos deixam de ser competitivos. Projetos industriais, logísticos, agropecuários e de infraestrutura passam a exigir retornos cada vez maiores para compensar o custo do capital.
Juros elevados deixam de ser apenas um problema do governo. Tornam-se um freio ao crescimento de toda a economia.
Discutimos os efeitos e esquecemos as causas
Ao longo de décadas, o Brasil acumulou despesas obrigatórias, renúncias tributárias, subsídios, vinculações orçamentárias e uma estrutura fiscal extremamente rígida. Sempre que a atividade desacelera, a resposta costuma ser ampliar benefícios, criar exceções ou buscar soluções de curto prazo.
O resultado é uma política econômica que frequentemente exige do Banco Central juros elevados para preservar a estabilidade de preços, enquanto o mercado incorpora um prêmio maior para financiar o Estado.
Forma-se um círculo vicioso: o risco aumenta, os juros sobem, a dívida fica mais cara e o próprio custo da dívida alimenta novas preocupações fiscais.
O debate que o Brasil adia
Talvez esteja na hora de mudar a pergunta.
Em vez de discutir apenas quanto a dívida cresceu, deveríamos perguntar por que o Brasil continua sendo um dos países mais caros do mundo para financiar o próprio Estado.
Essa é uma discussão que sucessivos governos e diferentes Legislaturas adiaram. A agenda de reformas estruturais quase sempre perde espaço para prioridades de curto prazo, disputas políticas e decisões voltadas ao próximo ciclo eleitoral. Enquanto isso, permanecem intocados os fatores que elevam o risco, encarecem o crédito e limitam a capacidade de investimento do país.
O Brasil precisa de um projeto nacional que sobreviva aos mandatos, fortaleça a responsabilidade fiscal, simplifique o Estado, aumente a produtividade e devolva confiança ao investidor.
Enquanto continuarmos administrando apenas as consequências, a dívida continuará crescendo. E, mais grave do que seu tamanho, continuará crescendo o preço que os brasileiros pagam por ela.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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‘O Brasil tem muito para mostrar de uma nova agricultura’, diz representante da FAO

Embora o Brasil seja reconhecido mundialmente como uma potência na produção de alimentos, o país ainda precisa comunicar melhor os avanços da agropecuária em sustentabilidade. A avaliação é do representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, que defendeu uma atuação mais estratégica do setor para fortalecer sua credibilidade no cenário internacional.
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Durante palestra promovida pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), Meza afirmou que o desafio não está apenas em mostrar o volume da produção agrícola, mas em evidenciar como os alimentos são produzidos e quais avanços vêm sendo alcançados nas áreas ambiental e social.
“Tem muito para mostrar o Brasil de uma nova agricultura”, afirmou. “É uma potência agroalimentar produtora, mas esses esforços de ser mais ambientalmente adequada e socialmente adequada precisam ganhar mais ênfase na comunicação.”
Produção é reconhecida, mas imagem pode avançar
Segundo Meza, a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro já é amplamente conhecida pelos países importadores e por organismos internacionais. Para ele, o próximo passo é consolidar uma narrativa baseada em evidências sobre a evolução das práticas sustentáveis adotadas pelo setor.
Na avaliação do representante da FAO, o Brasil deve participar de forma mais ativa das discussões internacionais sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, apresentando propostas e demonstrando como a agropecuária pode contribuir para enfrentar esses desafios.
“O setor agrícola tem que desembarcar muito mais forte nessa discussão”, afirmou. Segundo ele, além de fazer parte do debate, o agro também é um dos segmentos mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas.
Dados científicos fortalecem a narrativa
Ao responder perguntas dos participantes do evento, Meza afirmou que uma comunicação eficiente depende da construção de indicadores sólidos e reconhecidos internacionalmente.
Para ele, estudos isolados ou experiências pontuais não são suficientes para responder aos questionamentos feitos por consumidores e governos de outros países. O caminho, segundo o representante da FAO, passa pela produção de dados consistentes que permitam demonstrar a evolução da agropecuária brasileira em aspectos como emissões de carbono, conservação ambiental, biodiversidade e adoção de tecnologias sustentáveis.
Na avaliação de Meza, uma base científica construída de forma coordenada entre governo, setor privado e academia teria mais força para sustentar a imagem do agro brasileiro.
“Tendo isso, quem poderia falar o contrário contra o produto Brasil?”, questionou ao defender que a narrativa seja construída sobre evidências, e não apenas sobre percepções.
Proposta é criar indicadores internacionais
Como exemplo, Meza sugeriu que o governo brasileiro proponha, no âmbito da FAO, a criação de uma metodologia internacional para medir a sustentabilidade da agropecuária.
A ideia seria desenvolver indicadores aceitos globalmente para acompanhar temas como redução do desmatamento, uso de bioinsumos, emissões de carbono, conservação da água e proteção da biodiversidade. Segundo ele, métricas padronizadas dariam mais transparência às discussões e permitiriam comparar a evolução dos países com base em critérios técnicos.
“O governo do Brasil poderia solicitar aos outros países membros da organização que se estabeleça um sistema para medir a sustentabilidade do setor agropecuário”, afirmou.
Para Meza, iniciativas desse tipo ajudariam a reduzir disputas de narrativa e fortaleceriam a posição brasileira em negociações e fóruns internacionais, ao demonstrar de forma objetiva os avanços alcançados pela agropecuária nacional.
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