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10 de junho de 2026

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Manejo inteligente ganha força no campo diante do avanço das doenças nas lavouras

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O avanço das doenças nas lavouras acende um alerta no campo, pressiona os custos e obriga o produtor a mudar o manejo dentro da porteira. Com o clima favorável aos fungos, um cenário imprevisível e decisões cada vez mais dinâmicas, a estratégia tem sido apostar em práticas mais inteligentes, flexíveis e eficientes para proteger a produtividade e garantir rentabilidade nas principais culturas que sustentam o setor.

A combinação de clima úmido, temperaturas elevadas e janelas cada vez mais curtas de aplicação tem sido perfeita para o avanço das doenças fúngicas no campo. Nas últimas safras, o produtor rural tem convivido com um cenário mais instável, onde a pressão nas lavouras aumenta e as decisões precisam ser cada vez mais céleres. Esse desafio não se limita a uma única cultura, exigindo atenção constante ao longo de todo o ciclo produtivo.

A cercóspora e a mancha-alvo estão entre as doenças fúngicas que mais têm tirado o sono dos agricultores recentemente. Além de comprometer o rendimento das plantas, elas elevam significativamente os custos de produção, com forte impacto tanto na soja quanto no algodão. Diante desse panorama, os produtores vêm ajustando as estratégias de manejo, um esforço que já começa a trazer resultados práticos na redução dos prejuízos ao fim da colheita.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Desafios climáticos e janelas curtas

Em Lucas do Rio Verde, após a colheita de 1,5 mil hectares de soja, o agricultor Nelei José Kraemer iniciou a semeadura do algodão de segunda safra em 1,2 mil hectares. Parte da área acabou ficando fora da janela considerada ideal, o que reforça o desafio de encaixar as aplicações no tempo certo entre a colheita de uma cultura e o desenvolvimento da outra. Esse cenário exige dedicação diária e atenção constante aos mínimos detalhes para proteger o alto investimento realizado na lavoura.

O monitoramento diário da propriedade tornou-se uma regra indispensável para evitar que os patógenos se espalhem e destruam o potencial das plantas. Segundo o produtor, a atividade exige atenção constante por se tratar de um cultivo de alto custo. “Exige todos os dias você estar dentro da lavoura. São detalhes que você tem que estar observando, é uma cultura muito cara, de alto investimento”.

A flexibilidade dos defensivos agrícolas também entra como peça fundamental para o sucesso do planejamento do agricultor. Como as condições meteorológicas mudam rapidamente, o insumo precisa oferecer um espectro de ação que atenda a diferentes frentes de trabalho.

A gerente de desenvolvimento de mercado da Basf, Mariana Ferneda Dossin, explica que o manejo precisa ser alterado pela condição climática ou pela necessidade de alguma doença. Por isso, a indústria foca em ferramentas versáteis. “Esse produto tem que estar flexível para que o produtor possa usar tanto na soja, tanto no milho. O produtor que faz soja e algodão também possa ter essa possibilidade. E altíssimo potencial de eficácia de controle de doenças disponível para o produtor”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízos causados pela mancha-alvo

A cercóspora ataca precocemente e prejudica diretamente o peso dos grãos e a formação de proteína na oleaginosa. Já a mancha-alvo, que antes não figurava entre as principais preocupações na região, tornou-se um problema grave no cultivo do algodão nos últimos três anos, gerando quebras severas que acendem o alerta técnico.

A orientação da pesquisa mostra que o atraso nas primeiras pulverizações pode inviabilizar o controle posterior, pois as doenças avançam rapidamente a partir do baixeiro das plantas.

O produtor Nelei lembra que há dois anos a pressão da mancha-alvo foi forte na região. “Em alguns materiais pode se falar que teve perdas de 20% a 30%. A pesquisa mostra que tem que entrar cedo no controle. É importante você fazer uma base bem feita desde o começo”.

Para combater esse cenário de alta pressão, a indústria tem desenvolvido ferramentas com alta tecnologia embarcada para trazer mais segurança operacional ao campo. O uso de formulações modernas assegura que os ingredientes ativos tenham a efetividade necessária no momento exato da aplicação.

O diretor de pesquisas da Fundação Rio Verde, Fábio Pittelkow, destaca que essa evolução tecnológica é o que garante o sucesso das operações. “Há muita tecnologia embarcada nesses produtos mais modernos e isso ajuda o produtor no campo a ter segurança de fazer a operação e ter aquela efetividade do controle da doença”.

Falhas no manejo reduzem a vida útil das tecnologias, gerando um ciclo prejudicial para a sustentabilidade econômica de toda a atividade agrícola regional. A recomendação técnica passa obrigatoriamente pela rotação de princípios ativos e pela inclusão de produtos protetores nas estratégias de pulverização.

Tecnologia e rotação de ativos

Manter o desempenho dessas soluções com alta performance ao longo do tempo é o principal desafio dos pesquisadores e produtores. A escolha de produtos com boa seletividade ajuda a preservar o potencial da planta sem causar fitoxidez, permitindo que a cultura expresse seu máximo rendimento.

De acordo com Fábio Pittelkow, o cenário atual exige estratégias combinadas para segurar o avanço dos fungos. “Precisamos rotacionar os ativos, entrar com produtos protetores. Nós temos um cenário onde o manejo cada vez mais tem sido difícil de segurar essas doenças e reter os prejuízos que elas causam”.

O mercado tem demandado soluções versáteis que simplifiquem a gestão operacional do agricultor, permitindo o uso do mesmo produto em diferentes culturas de forma rotativa. Essa flexibilidade é considerada essencial para quem trabalha com sistemas de sucessão.

A gerente da Basf, Mariana Ferneda Dossin, salienta que o foco das novas tecnologias está voltado para o início do manejo, focado nas aplicações do período vegetativo. Ela cita o exemplo do Belyan®, um produto direcionado para o sistema de cultivo de soja, milho e algodão. “Um excelente produto para iniciar o manejo, aplicações do vegetativo, fazendo todo aquele manejo robusto do baixeiro. Então a gente olha para as dores emergentes e trazemos essas inovações pensando em alcançar altos tetos produtivos”.

Com a adoção de um manejo inteligente, o agricultor ganha eficiência, protege o investimento financeiro e minimiza os riscos climáticos e biológicos. O objetivo central reside em reduzir as incertezas em um ambiente de produção cada vez mais complexo.

A cooperação mútua entre produtores, equipes técnicas e empresas de tecnologia surge como o caminho definitivo para superar a pressão das doenças. Quando as recomendações da pesquisa são aplicadas de forma integrada na lavoura, os resultados aparecem diretamente na colheita. Nelei José Kraemer conclui que o trabalho integrado é o segredo do sucesso. “O agricultor com as empresas e a parte técnica, a gente ter que ir seguindo e trabalhando junto”.


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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.

Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.

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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.

Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.

A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.

O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.

Fonte: gov.br

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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

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Foto: reprodução/Mercado & Cia

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.

A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.

No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.

“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.

Eficiência e tecnologia

A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.

Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.

“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.

Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.

“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.

Atualizações disponíveis

A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.

Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos. 

O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade. 

Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.

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Sistema Faep pede reversão de corte de R$ 461,7 mi no seguro rural para 2026

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Foto: Pixabay

O Sistema Faep manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026.

Segundo dados do Painel do Orçamento Federal divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento pode chegar a R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para o programa.

A entidade pede que o governo federal reverta a medida para assegurar previsibilidade e proteção financeira aos produtores rurais.

Os recentes cortes geram alerta e dificultam ainda mais a situação do campo. Em 2025, cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR foram bloqueados. Já em 2024, a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeros dificuldades nas últimas temporadas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

“Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o estado que mais contrata o seguro rural no país”, complementa.

Contratos firmados

Em 2025, o Paraná contratou 28,02 mil apólices, quase 43,7% dos contratos firmados via PSR no país (64,17 mil apólices). Segundo Meneguette, os cortes dos últimos anos, pelo governo federal, são críticos e desestimulam ainda mais o agricultor.

Informações do PSR e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que o número de apólices caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, queda de 68,3% em quatro anos. Ainda de acordo com dados do programa, a extensão da área assegurada, no Paraná, acompanha o declínio das apólices.

Em 2021, o estado protegia mais de 3,8 milhões de hectares, mas esse número encolheu para 1,25 milhão de hectares em 2025, queda de 63,8%.

“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, reforça Meneguette.

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