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Eucalipto em Mato Grosso: técnica define sucesso na floresta

O avanço do eucalipto em Mato Grosso abre uma nova frente de produção no campo, especialmente em áreas arenosas e menos competitivas com grãos. Apesar do potencial, especialistas alertam que o sucesso da cultura não acontece por acaso e depende diretamente de planejamento, conhecimento técnico e decisões assertivas desde a implantação.
Em meio à expansão do setor florestal no estado, produtores têm buscado diversificar a produção e aproveitar áreas antes consideradas marginais. Ainda assim, o manejo exige atenção aos detalhes, como escolha do material genético, preparo do solo e condução da floresta ao longo do ciclo produtivo.
A base de tudo, conforme o engenheiro florestal Ranieri Souza, é entender que o eucalipto não foge à lógica das demais culturas agrícolas. “A cultura florestal é como qualquer outra cultura. Ela demanda planejamento e, principalmente, conhecimento técnico ou no mínimo básico”, afirma, ao destacar que fatores como tipo de solo, regime de chuvas e potencial produtivo da área precisam ser analisados antes de qualquer decisão.
Esse diagnóstico inicial se torna ainda mais relevante em Mato Grosso, onde há grande diversidade de ambientes. Segundo ele, o produtor precisa conhecer bem a área para evitar erros que podem comprometer o desenvolvimento da floresta logo nos primeiros anos.

Escolha do clone e adaptação
A definição do clone é outro ponto-chave para o sucesso da produção. Ranieri explica que o estado apresenta diferentes condições climáticas e de solo, o que exige atenção redobrada na escolha do material genético. “Quando a gente fala de Mato Grosso, é uma colcha de retalhos. Tem várias nuances climáticas dentro do estado”, diz em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Na prática, isso significa que nem todo clone vai performar bem em qualquer região. Ele ressalta que já existem materiais mais versáteis, além de opções específicas para determinadas áreas, o que amplia as possibilidades de cultivo. “A gente tem clones que podem ser plantados em todos esses ambientes e clones mais adaptados a cada micro região”, pontua, ao reforçar a importância de evitar escolhas generalistas.
Essa definição impacta diretamente na produtividade e na sanidade da floresta, já que alguns materiais podem ser mais suscetíveis a doenças ou menos adaptados a determinadas condições de solo e clima.
Solo, espaçamento e manejo
Com a expansão do eucalipto sobre solos arenosos, o manejo da fertilidade e da correção química se torna indispensável. Apesar de a cultura apresentar certa tolerância à acidez, o engenheiro destaca que a produtividade está ligada ao bom preparo do solo. “Por mais que o eucalipto seja tolerante a solos ácidos, quando a gente faz uma calagem, eu tenho maior aproveitamento do fertilizante”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
O espaçamento entre plantas também precisa ser bem ajustado para equilibrar crescimento e sanidade da floresta. Conforme Ranieri, a recomendação gira em torno de mil a 1.100 plantas por hectare, evitando extremos que possam comprometer o desenvolvimento. “Quando eu tenho uma floresta muito adensada, posso ter problemas com doenças. E quando eu tenho um estande mais ajustado, também reduzo o risco no período seco”, afirma.
Além disso, práticas como preparo adequado do solo, uso de pré-emergentes e atenção ao plantio das mudas fazem diferença no estabelecimento inicial, fase considerada crítica para o sucesso do cultivo.
Controle de pragas e implantação
O cuidado com pragas começa antes mesmo do plantio, sendo a formiga apontada como o principal desafio na silvicultura. Ranieri é direto ao tratar do tema: “Formiga é a maior e pior praga da silvicultura no Brasil. Então é indispensável que assim que você entre na área, faça o controle”.
Ele explica que a negligência nesse ponto pode comprometer toda a implantação da floresta, já que o ataque ocorre justamente no estágio inicial das mudas. Por isso, o manejo preventivo e contínuo é considerado essencial dentro do sistema produtivo.
Outras práticas também entram nesse pacote de cuidados, como o controle da matocompetição e o uso correto de insumos, que garantem melhores condições para o crescimento das plantas.
Produtividade em alta
Com o avanço tecnológico e o uso de materiais genéticos mais adaptados, o eucalipto em Mato Grosso tem apresentado ganhos expressivos de produtividade nos últimos anos. A combinação entre clima favorável, com bom volume de chuvas, e manejo adequado tem impulsionado os resultados no campo.
“A gente busca produtividade entre 420 e 520 metros estéreos no ciclo de seis anos”, afirma Ranieri, ao destacar que o estado reúne condições para alcançar esses patamares com consistência.
Ele reforça que, apesar do cenário positivo, atingir esses números exige investimento em tecnologia e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. “A gente tem tecnologia e material genético que vão permitir chegar próximo disso”, diz.
Nesse contexto, a assistência técnica aparece como fator determinante para reduzir riscos e garantir eficiência. “É importante buscar conhecimento e pessoas que já têm know-how na região para que você tenha sucesso na cultura”, conclui.
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Morre aos 71 anos empresário e pecuarista Carlos Nascimento Pedreira

Morreu nesta terça-feira (22), aos 71 anos, o empresário e pecuarista Carlos Nascimento Pedreira. Atuante na região de Iaçu (BA), ele se dedicava à criação de gado das raças nelore e guzerá na Fazenda Lapa.
Associado à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) desde dezembro de 2012, Carlos Pedreira também foi sócio-fundador do Grupo GPS, criado em 1962, em Salvador (BA), que se tornou uma das maiores empresas de prestação de serviços terceirizados e facilities do Brasil.
Em 2025, Carlos Pedreira foi listado pela revista Forbes entre os 300 brasileiros com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Ele era filho de Nilo Pedreira, um dos fundadores da Odebrecht.
O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (23), no Funeral Home, em São Paulo (SP).
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Produtor fatura R$ 1,2 milhão com tecnologia de monitoramento florestal

Registros fotográficos em solo, imagens de drones e georreferenciamento por satélite acompanham de perto o desenvolvimento florestal das mudas na Fazenda Copaíba, em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.
Esse ecossistema de rastreabilidade faz parte do método Pé de Árvore Saudável (PAS), desenvolvido pelo engenheiro industrial e sócio-proprietário da fazenda, Fábio Garcia Filho.
O sistema já é aplicado no monitoramento de mais de 22 mil árvores plantadas desde 2024. Com o acompanhamento, a propriedade localiza cada unidade, verifica sua evolução e comprova uma taxa de 99,7% de sobrevivência, índice superior aos 75% exigidos por contratos firmados com órgãos públicos.
De acordo com Garcia Filho, em lotes específicos e conforme a demanda de cada cliente, as árvores recebem identificação individual, um sistema que remete à eficiência de controle utilizada na pecuária.
“Defendemos que plantar árvores é simples. A inovação está no modelo de negócio que viabiliza o plantio e na tecnologia que permite identificar e acompanhar individualmente cada muda. É como ter o nome, o RG e o endereço de cada árvore na palma da mão. Assim, conseguimos acompanhar sua evolução, identificar perdas rapidamente e comprovar que o ativo ambiental foi realmente entregue e permanece saudável”, destaca.
Segundo ele, a rastreabilidade também funciona como a porta de entrada para um modelo de negócio altamente rentável. Isso porque com a utilização de apenas 10 hectares da propriedade, o projeto já faturou mais de R$ 1,2 milhão e viabilizou a compensação ambiental e o licenciamento de oito empreendimentos.
Garcia Filho ainda conta que essa iniciativa conecta-se diretamente ao conceito de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), mecanismo que atribui valor econômico a atividades de conservação.
Na prática, o modelo tem o potencial de gerar receita que, muitas vezes, supera o alcançado com culturas tradicionais, em áreas declivosas ou de baixa aptidão para a produção de grãos, transformando passivos ecológicos em fontes sustentáveis de lucro.
Segundo o sócio-proprietário, na Fazenda Copaíba, as áreas sem viabilidade para o cultivo de grãos, como encostas e margens de rios, dão lugar a uma mata de árvores nativas. Assim, o monitoramento das mudas, desde o plantio até a identificação de perdas para reposição, ajuda a transformar essas áreas em espaços de produtividade ambiental.
O faturamento por hectare com o modelo de compensação, conforme Garcia Filho, pode alcançar até R$ 200 mil, valor que superaria anos de colheitas tradicionais na mesma extensão.
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Produtor segura a soja, mercado freia e preços têm movimentos distintos; confira as cotações

O mercado brasileiro de soja teve poucas movimentações nesta quarta-feira (23), com preços mistos nas principais praças. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, algumas regiões registraram recuos diante do movimento negativo da Bolsa de Chicago e dos prêmios, enquanto a forte alta do dólar limitou as variações.
“Não tivemos grandes variações hoje e também não houve reporte de negócios firmes ocorrendo”, afirma Silveira. Segundo o analista, a liquidez apertada segue segurando o mercado.
O produtor mantém uma postura pouco vendedora neste momento e busca ofertas melhores antes de negociar novos volumes.
No mercado físico, as cotações apresentaram movimentos distintos entre as principais regiões produtoras do país.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 155,00 para R$ 156,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 156,00 para R$ 157,00
- Cascavel (PR): recuou de R$ 151,00 para R$ 150,50
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
- Rio Verde (GO): recuou de R$ 149,00 para R$ 148,00
- Paranaguá (PR): recuou de R$ 162,00 para R$ 161,50
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 163,00 para R$ 164,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quarta-feira (23). O mercado operou lentamente antes da reunião de quinta-feira (24) entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. A valorização do dólar frente a outras moedas também pressionou as cotações.
Os operadores avaliaram o potencial de novos anúncios sobre o comércio agrícola entre os dois países, incluindo possíveis compras chinesas de soja norte-americana e uma eventual retirada da tarifa de importação de 10% sobre o produto. Embora haja cautela quanto aos resultados do encontro, alguns participantes consideram que a reunião pode trazer medidas favoráveis à alta dos preços.
A estatal chinesa Sinograin realizou na terça-feira seu segundo leilão de grande escala de soja importada em setembro, com a venda de mais de 500 mil toneladas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 7,50 centavos de dólar ou 0,56%, a US$ 13,18 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,33 3/4 por bushel, com retração de 7,50 centavos de dólar ou 0,55%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,10 ou 0,02%, a US$ 370,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,81 centavos de dólar, com perda de 0,11 centavo ou 0,16%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 1,28%, sendo negociado a R$ 5,1684 para venda e a R$ 5,1664 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1214 e a máxima de R$ 5,1754.
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