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‘Vamos semeando conforme o clima permite’: produtor de MT enfrenta adversidades e avança com o plantio

Em Boa Esperança do Norte (MT), região próxima a Sorriso, cada janela de chuva é aproveitada para colocar a soja no campo. O time do Soja Brasil esteve na fazenda de Vanderlei Bariviera, representante do Grupo Prediger, que já semeou cerca de 35% dos 6 mil hectares da propriedade.
As primeiras chuvas de setembro trouxeram segurança hídrica para o início dos trabalhos no campo. As áreas que receberam as sementes já apresentam plantas no estágio vegetativo conhecido como VE, fase de emergência da soja.
De acordo com o sojicultor, o volume de água registrado na primeira quinzena de setembro permitiu colocar parte da lavoura no campo. Com a redução das chuvas, porém, foi preciso diminuir o ritmo da semeadura. “Vamos semeando conforme o clima nos permite. A semeadura depende dele”, diz Vanderlei.
O produtor explica que a estratégia é aproveitar as condições favoráveis sem avançar além do que a umidade disponível permite. A pausa nas chuvas exige cautela para evitar que a lavoura seja implantada em condições inadequadas.
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Vanderlei aponta que o plantio segue de maneira gradual, acompanhando o comportamento do clima e a umidade do solo.
A expectativa é continuar a semeadura conforme novas janelas de chuva apareçam. A estratégia, comenta o produtor, é avançar no campo no ritmo permitido pelas condições climáticas.
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Agro Mato Grosso
Pecuária de Mato Grosso lidera exportações de carne bovina em 2026

Mato Grosso embarcou 564,1 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto, respondendo por 25,6% das exportações brasileiras no período.
Agro Mato Grosso
Saiba como Mato Grosso superou a Argentina em produtividade e virou potência global

Se a rivalidade entre Brasil e Argentina costuma pegar fogo dentro dos campos de futebol, no agronegócio o estado de Mato Grosso decidiu jogar em outro patamar. Com uma área de plantio menor que a dos hermanos, o coração produtivo do Brasil alcançou produtividade superior à argentina e já produz quase o mesmo volume de cereal que o país vizinho inteiro.
Os dados levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, na temporada 2025/26, Mato Grosso cravou uma produtividade recorde de 130,11 sacas por hectare, superando as 127,01 sacas por hectare projetadas para a Argentina.
O mais impressionante é a matemática da eficiência: mesmo tendo uma área plantada 13% menor — foram 7,43 milhões de hectares cultivados em solo mato-grossense contra 8,40 milhões na Argentina —, o estado colheu 58,04 milhões de toneladas, o equivalente a impressionantes 90,7% de toda a safra argentina (estimada em 64 milhões de toneladas). Na prática, Mato Grosso produziu quase o mesmo volume usando 970 mil hectares a menos.
De segunda opção a protagonista estratégico
Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o feito histórico é o retrato de uma transformação profunda no modelo de produção agrícola do estado. O cereal, que por muito tempo ocupou o papel secundário de “tapa-buraco” após a colheita da soja, virou a chave e hoje assume um peso estratégico monumental dentro das fazendas.
“A produção de milho em nosso estado vem passando por uma transformação importante. A cultura deixou de ser vista apenas como uma segunda opção e passou a ocupar um papel estratégico dentro do sistema produtivo”, avalia Brandão.
Essa revolução é fruto de um pacote tecnológico de ponta que inclui o uso de sementes de alto rendimento, biotecnologia avançada, manejo refinado da fertilidade do solo, adubação de precisão e um planejamento cirúrgico para encaixar o cereal na janela climática mais favorável. A ajuda de um regime de chuvas prolongado na temporada 2025/26 também coroou o esforço, favorecendo o enchimento perfeito dos grãos.
Enquanto Mato Grosso encerrava sua colheita com eficiência máxima, os produtores argentinos ainda enfrentavam dificuldades de excesso de umidade no campo na reta final do processo, evidenciando o abismo técnico e logístico que separa os dois modelos.
E o que vem por aí? Desafios para a safra 2026/27
Apesar da euforia com os números recordes da temporada recém-concluída, o horizonte para o próximo ciclo (2026/27) pede os pés no chão.
A primeira estimativa do Imea aponta para uma leve alta na área cultivada, que deve saltar para 7,48 milhões de hectares (+0,59%). No entanto, a produtividade prevista é mais conservadora: 119,64 sacas por hectare (uma retração de 8,05% em relação ao recorde anterior), o que deve resultar em uma colheita estimada em 53,68 milhões de toneladas.
O grande vilão no radar dos analistas é o clima, especialmente a possível intensificação do fenômeno El Niño. Um eventual atraso na largada da soja — impulsionado por chuvas irregulares neste início de plantio — espreme perigosamente a janela de plantio da safrinha de milho. Com uma área expressiva de 7,5 milhões de hectares dependendo do timing perfeito, qualquer oscilação climática e o encerramento antecipado das chuvas exigirão estratégia e resiliência redobradas do produtor mato-grossense para manter o estado no topo da eficiência mundial.
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El Niño preocupa produtores de café e pode comprometer floradas da safra 2027/28

O possível impacto do El Niño sobre a safra 2027/28 de café já preocupa os produtores brasileiros. Embora as chuvas registradas em setembro estejam favorecendo o desenvolvimento das floradas, a perspectiva de temperaturas elevadas e períodos de seca nos próximos meses gera apreensão quanto ao potencial produtivo da próxima temporada.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as precipitações deste mês confirmam as expectativas positivas observadas no início de setembro na maior parte das regiões produtoras acompanhadas. Entretanto, pesquisadores ressaltam que o cenário varia conforme a localidade e que os efeitos do fenômeno climático ainda representam uma incerteza.
A principal preocupação dos cafeicultores é com o pegamento das flores, etapa fundamental para a formação dos frutos. Caso o El Niño provoque temperaturas excessivas e períodos prolongados de tempo seco nas regiões produtoras, o desenvolvimento das lavouras poderá ser prejudicado.
Safra 2027/28 gera expectativa de recuperação da qualidade
Além das preocupações climáticas, o mercado acompanha a possibilidade de recuperação da qualidade do café na próxima temporada.
De acordo com o Cepea, a safra 2026/27 foi encerrada com produção elevada, mas também com um volume significativo de cafés de qualidade inferior. Por isso, os agentes do setor esperam uma maior oferta de grãos de melhor padrão na safra 2027/28.
Apesar do cenário inicialmente favorável, o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para a evolução das floradas. Produtores seguem atentos à possibilidade de que o calor e a irregularidade das chuvas associados ao El Niño comprometam as expectativas para a nova temporada.
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