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7 de maio de 2026

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Alta de custos e perdas de até 30% na safra desafiam produtores de soja em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário para a produção de soja em Mato Grosso segue desafiador visto a alta do diesel, preços elevados de fertilizantes e perdas no campo que atingiram até 30% em algumas propriedades devido ao excesso de chuvas. Diante da forte queda de rentabilidade, os agricultores já começam a revisar o planejamento financeiro, reduzir investimentos e adotar medidas rigorosas de contenção de custos para o próximo ciclo.

Com a soja já colhida e armazenada nos silos, o produtor Thiago Strapasson acompanha o fechamento de mais um ciclo em sua propriedade de 1.440 hectares. O rendimento final ficou nove sacas por hectare abaixo da média de anos anteriores em função de problemas fitossanitários e do clima adverso. Agora, as atenções se voltam para o milho, cuja colheita se aproxima,mas ainda depende do comportamento do tempo.

“Contava certo de produzir uma safra semelhante ou melhor, e acaba produzindo menos é uma frustração grande”, afirma Strapasson. Já em Boa Esperança do Norte, o agricultor Arnaldo Alfredo Hartmann também registrou perdas severas, estimadas entre 25% e 30% por conta do excesso de umidade do meio da colheita em diante. “O investimento foi altíssimo para produzir umas 80 sacas, que a gente colhia nos outros anos nos mesmos talhões”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

Estratégias para conter os gastos

Com a margem de lucro apertada, a estratégia no campo passa a ser o controle rígido do consumo de combustível e a otimização dos insumos. O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, explica que o produtor rural precisará utilizar as reservas do solo e evitar práticas anuais como a calagem e a descompactação em áreas onde a intervenção não for estritamente necessária.

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soja colheita foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“O produtor vai procurar meios de se precaver e não gastar o diesel e não aumentar o seu custo que já está apertadíssimo. Vai ser o ano em que a gente vai usar essa reserva, fracionar o seu adubo”, diz Zen. Ele reforça que a meta é manter o custo fixado entre 10 e 11 sacas por hectare, recalculando a quantidade de defensivos químicos aplicados na terra para evitar o endividamento.

Cautela e demanda por crédito

O próximo ciclo deve registrar um aumento de cerca de 15% nos custos de produção, ao mesmo tempo em que os preços de venda da soja e do milho apresentam retração. De acordo com Diego Bertuol, diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), tanto os produtores quanto as revendas estão agindo com cautela antes de fechar novos negócios para as culturas que serão plantadas no final do ano.

“É um ano do produtor repensar, ver onde ele consegue tirar um pouco e passar por essa turbulência”, analisa Bertuol, pontuando que a entidade busca junto ao governo a renegociação de dívidas anteriores. Para o presidente do Sicredi Celeiro MT/RR, Laércio Pedro Lenz, o momento exige linhas de crédito com juros controlados e subsídios federais. “É o momento de o governo federal tentar salvar a agricultura que é a galinha dos ovos de ouro do Brasil”.


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Geopolítica e mercados dominam debates entre produtores no Sul de Mato Grosso

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Foto: Divulgação/Aprosoja MT

Produtores rurais da região Sul de Mato Grosso recebem, entre os dias 4 e 8 de maio, uma série de debates focados no impacto das relações internacionais sobre o campo. O 20º Circuito Aprosoja MT percorre sete municípios da localidade para discutir como a conjuntura global afeta diretamente os preços das commodities, o acesso a mercados e a logística de escoamento da safra.

O evento traz como ponto central a análise do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC. O especialista traça um diagnóstico das tensões externas e das oportunidades para o setor produtivo mato-grossense frente às mudanças de poder no tabuleiro mundial, conectando temas como logística e economia.

Além do panorama externo, a rodada de encontros serve como um espaço para a prestação de contas das ações e projetos desenvolvidos pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). O objetivo é manter o produtor atualizado sobre as frentes de defesa da categoria e os resultados técnicos obtidos na última safra.

Agenda nas cidades

A programação na região Sul começou por Alto Taquari e segue para cidades como Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde. A dinâmica de encontros regionais busca descentralizar a informação estratégica, permitindo que o conhecimento chegue diretamente à base produtiva do estado.

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Segundo a organização, a escolha do tema reflete a necessidade de entender o funcionamento do mercado para além das porteiras. “O palestrante abordará o tema ‘Geopolítica: como o mundo funciona?’, trazendo uma análise do cenário internacional e seus impactos diretos no agronegócio, especialmente em aspectos como mercados, preços e logística”.

Confira o cronograma da Região Sul:

04/05 – Alto Taquari – 18h30

05/05 – Alto Garças – 08h30

05/05 – Rondonópolis – 18h30

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06/05 – Jaciara – 18h30

07/05 – Primavera do Leste – 18h30

08/05 – Paranatinga – 08h30

08/05 – Campo Verde – 18h30


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Insegurança geopolítica ameaça custos de produção do milho no Brasil

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Foto: Assessoria Abramilho

O custo da próxima safra de milho e sorgo no Brasil está, hoje, condicionado a fatores que fogem do controle do produtor rural. A dependência de insumos importados e a instabilidade nas rotas comerciais internacionais tornaram a geopolítica um item obrigatório no planejamento agrícola. Esse gargalo logístico e diplomático será um dos eixos centrais do 4º Congresso Abramilho, marcado para 13 de maio, em Brasília.

Mesmo ocupando o posto de terceiro maior produtor mundial de milho, o Brasil ainda não resolveu sua vulnerabilidade básica: a importação de mais de 90% dos fertilizantes. O país também depende de mercados estrangeiros, especialmente da China, para o fornecimento de moléculas de defensivos e de parte do diesel que movimenta as máquinas no campo.

A dinâmica de preços no interior do Brasil passou a responder quase instantaneamente a conflitos e tensões em regiões distantes. Quando rotas de suprimentos são afetadas ou o preço do petróleo oscila devido a crises diplomáticas, o reflexo chega rapidamente à nota fiscal do agricultor, encarecendo o frete e os químicos essenciais para a lavoura.

Risco e estratégia

“A escolha desse tema foi feita porque vivemos um momento de geopolítica complexa. A instabilidade internacional afeta do preço do diesel à disponibilidade de defensivos agrícolas e fertilizantes”, pondera o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Glauber Silveira. Segundo ele, o setor busca caminhos para mitigar esses danos e entender o impacto de tratados, como o acordo entre Mercosul e União Europeia.

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O debate técnico em Brasília contará com nomes do Ministério das Relações Exteriores e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre outros. A intenção é formular propostas que possam ser levadas ao Governo Federal para reduzir a exposição do agronegócio às crises externas.

“Nossa perspectiva é trazer luz ao tema. O que nós, produtores, podemos ou devemos fazer a curto, médio e longo prazos? Existem soluções que podemos buscar junto ao Governo, ou então iniciativas setoriais que podem nos ajudar?”, questiona Silveira. O evento ocorre das 8h às 14h, com mediação do jornalista Mauro Zafalon.


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Com diesel até 30% mais caro, colheita do milho pesa no bolso do produtor em Mato Grosso

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O milho de segunda safra em Mato Grosso caminha para a reta final de desenvolvimento em algumas áreas sob um cenário de forte pressão econômica. O aumento expressivo no preço do diesel já impacta diretamente o bolso do agricultor, encarecendo operações fundamentais como a colheita e o transporte da produção, o que eleva consideravelmente os gastos operacionais no campo.

Essa pressão é agravada pela queda acentuada no valor do milho no mercado, o que achata a margem de lucro e limita o poder de investimento para o próximo ciclo. O setor já acende o sinal de alerta para a nova safra, que deve começar com custos de produção ainda mais elevados, especialmente devido à alta dos insumos e à desvalorização das commodities.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço do combustível no estado saltou de R$ 5,80 para a casa dos R$ 7,50 por litro. O avanço de quase 30% é reflexo direto das tensões internacionais, atingindo o setor produtivo em um momento em que a redução de gastos com máquinas é tecnicamente inviável.

Neste cenário, a necessidade de rodar as colheitadeiras para garantir a qualidade do grão obriga o produtor a absorver a alta na bomba, forçando um recálculo imediato da rentabilidade. A preocupação central é que essa combinação de custos recordes e preços de venda reduzidos comprometa a saúde financeira das propriedades no médio prazo.

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Impacto direto nos custos de colheita

Para o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, o impacto será sentido com força agora, já que o estoque de combustível adquirido para o plantio está chegando ao fim. Ele ressalta que o planejamento feito anteriormente precisará de ajustes imediatos para comportar a nova realidade financeira do setor.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

“A gente já tinha uma projeção do restante do diesel da soja e que entrou no plantio do milho. A conta vai mudar na colheita. A nossa colheita agora encareceu, não tem o que você economizar. A sua máquina vai gastar do mesmo jeito. Vai ter que colher o seu produto no campo”, explica Zen ao projeto Mais Milho.

A logística de escoamento também deve sofrer reajustes, já que o frete para levar o milho até as indústrias será maior a partir de agora. O representante acredita que o produtor tentará priorizar a entrega do que já foi vendido para garantir o fluxo de caixa, enquanto o excedente pode acabar retido na propriedade.

“O frete também agora vai encarecer, o que se esperava gastar para se trazer o milho nas indústrias, vai ser maior o preço agora. Então eu acredito que o produtor vai tentar entregar o que está vendido, o que não está vendido talvez armazenar em campo, silo bolsa ou alguma coisa parecida”, afirma o presidente do sindicato.

Estoque no fim e queda nos preços

No município de Vera, a família Strapasson exemplifica a cautela adotada nas propriedades. Com uma área de 1.440 hectares de milho, o agricultor Thiago Strapasson relata que o trabalho atual ainda utiliza reservas antigas de combustível compradas para as aplicações, mas a reposição para a fase de colheita trará um choque financeiro.

“Ainda estamos trabalhando com o estoque que tinha lá atrás, mas está na reta final. Agora vem a nova compra que é para entrar para colheita e aí já vem o tombo, o susto vem aí”, detalha o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso. Em uma safra deste porte, o consumo médio varia entre 40 mil e 45 mil litros de diesel.

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Thiago projeta que o aumento sentido na bomba de combustível terá um reflexo pesado no fechamento das contas. “Vendo na bomba de combustível no posto, automaticamente, nós já podemos alimentar a ideia que vamos pagar de R$ 1,50, R$ 1,70 o litro a mais do que o ano passado”, lamenta o produtor mato-grossense.

O cenário de incerteza é agravado pela queda nos preços das commodities, o que reduz o poder de compra para o próximo ciclo. Dados do Imea indicam que o custo de produção da próxima safra de soja pode subir cerca de 15%, pressionado pelo avanço nos fertilizantes e pela desvalorização das culturas atuais.

“Ano passado nesse período era R$ 68 a saca de milho, esse ano estamos embarcando milho aqui a R$ 43, então isso é um choque grande. Esse milho é produto que nós temos para comprar a próxima safra. Onde você trabalhava com as duas safras no à vista, hoje não trabalha mais”, conclui Strapasson.

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