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Com diesel até 30% mais caro, colheita do milho pesa no bolso do produtor em Mato Grosso

O milho de segunda safra em Mato Grosso caminha para a reta final de desenvolvimento em algumas áreas sob um cenário de forte pressão econômica. O aumento expressivo no preço do diesel já impacta diretamente o bolso do agricultor, encarecendo operações fundamentais como a colheita e o transporte da produção, o que eleva consideravelmente os gastos operacionais no campo.
Essa pressão é agravada pela queda acentuada no valor do milho no mercado, o que achata a margem de lucro e limita o poder de investimento para o próximo ciclo. O setor já acende o sinal de alerta para a nova safra, que deve começar com custos de produção ainda mais elevados, especialmente devido à alta dos insumos e à desvalorização das commodities.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço do combustível no estado saltou de R$ 5,80 para a casa dos R$ 7,50 por litro. O avanço de quase 30% é reflexo direto das tensões internacionais, atingindo o setor produtivo em um momento em que a redução de gastos com máquinas é tecnicamente inviável.
Neste cenário, a necessidade de rodar as colheitadeiras para garantir a qualidade do grão obriga o produtor a absorver a alta na bomba, forçando um recálculo imediato da rentabilidade. A preocupação central é que essa combinação de custos recordes e preços de venda reduzidos comprometa a saúde financeira das propriedades no médio prazo.
Impacto direto nos custos de colheita
Para o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, o impacto será sentido com força agora, já que o estoque de combustível adquirido para o plantio está chegando ao fim. Ele ressalta que o planejamento feito anteriormente precisará de ajustes imediatos para comportar a nova realidade financeira do setor.

“A gente já tinha uma projeção do restante do diesel da soja e que entrou no plantio do milho. A conta vai mudar na colheita. A nossa colheita agora encareceu, não tem o que você economizar. A sua máquina vai gastar do mesmo jeito. Vai ter que colher o seu produto no campo”, explica Zen ao projeto Mais Milho.
A logística de escoamento também deve sofrer reajustes, já que o frete para levar o milho até as indústrias será maior a partir de agora. O representante acredita que o produtor tentará priorizar a entrega do que já foi vendido para garantir o fluxo de caixa, enquanto o excedente pode acabar retido na propriedade.
“O frete também agora vai encarecer, o que se esperava gastar para se trazer o milho nas indústrias, vai ser maior o preço agora. Então eu acredito que o produtor vai tentar entregar o que está vendido, o que não está vendido talvez armazenar em campo, silo bolsa ou alguma coisa parecida”, afirma o presidente do sindicato.
Estoque no fim e queda nos preços
No município de Vera, a família Strapasson exemplifica a cautela adotada nas propriedades. Com uma área de 1.440 hectares de milho, o agricultor Thiago Strapasson relata que o trabalho atual ainda utiliza reservas antigas de combustível compradas para as aplicações, mas a reposição para a fase de colheita trará um choque financeiro.
“Ainda estamos trabalhando com o estoque que tinha lá atrás, mas está na reta final. Agora vem a nova compra que é para entrar para colheita e aí já vem o tombo, o susto vem aí”, detalha o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso. Em uma safra deste porte, o consumo médio varia entre 40 mil e 45 mil litros de diesel.
Thiago projeta que o aumento sentido na bomba de combustível terá um reflexo pesado no fechamento das contas. “Vendo na bomba de combustível no posto, automaticamente, nós já podemos alimentar a ideia que vamos pagar de R$ 1,50, R$ 1,70 o litro a mais do que o ano passado”, lamenta o produtor mato-grossense.
O cenário de incerteza é agravado pela queda nos preços das commodities, o que reduz o poder de compra para o próximo ciclo. Dados do Imea indicam que o custo de produção da próxima safra de soja pode subir cerca de 15%, pressionado pelo avanço nos fertilizantes e pela desvalorização das culturas atuais.
“Ano passado nesse período era R$ 68 a saca de milho, esse ano estamos embarcando milho aqui a R$ 43, então isso é um choque grande. Esse milho é produto que nós temos para comprar a próxima safra. Onde você trabalhava com as duas safras no à vista, hoje não trabalha mais”, conclui Strapasson.

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Business
Soja: veja como ficaram as cotações no fechamento de hoje

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com pouco reporte de negócios, mantendo o ritmo observado nos últimos dias. De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, as cotações oscilaram entre estáveis e mais altas no mercado físico, sustentadas pela demanda local em algumas regiões.
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Silveira destaca que o basis favoreceu a alta das cotações em algumas praças, como Minas Gerais, movimento também observado em outras regiões.
Em Chicago, a sessão foi marcada por oscilações contidas, enquanto o dólar recuou e os prêmios permaneceram firmes, praticamente nos mesmos níveis registrados ao longo da semana.
“Sem muitas novidades, com o relatório da próxima semana pela frente, ninguém quis fazer grandes movimentos”, resume o analista.
Preço da saca de soja hoje
- Passo Fundo (RS): caiu de R$ 139 para R$ 138
- Santa Rosa (RS): passou de R$ 140 para R$ 139
- Cascavel (PR): permaneceu em R$ 134,00
- Rondonópolis (MT): subiu de R$ 127 para R$ 129
- Dourados (MS): caiu de R$ 129 para R$ 128
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 127 para R$ 129
- Porto de Paranaguá (PR): permaneceu em R$ 145
- Porto de Rio Grande (RS): seguiu em R$ 145
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta sexta-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), ampliando as perdas semanais – a posição novembro teve queda semanal de 0,95%. Em dia volátil, a previsão de clima favorável para o cinturão produtor dos Estados Unidos acabou preponderando e pressionou as cotações.
As perdas foram limitadas pela recuperação do petróleo e pela boa demanda chinesa pela soja americana, o que colocou os contratos boa parte do dia no território positivo.
Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 238.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.
As importações de soja em grão pela China no mês de julho somaram 11,48 milhões de toneladas, 1,6% inferior ao mesmo mês de 2025. No acumulado de 2026, as importações chinesas somaram 60,51 milhões de toneladas, ante 61,05 milhões em igual momento de 2025, o que representa um aumento de 0,7%.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 1,50 centavo de dólar, ou 0,12%, a US$ 11,76 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 11,91 1/4 por bushel, com retração de 1,50 centavo de dólar ou 0,12%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 3,20 ou 1,01% a US$ 313,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,88 centavos de dólar, com ganho de 0,51 centavo ou 0,75%.
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Chuvas dificultam manejo, mas trigo avança bem no Rio Grande do Sul

As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul apresentam bom desenvolvimento, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Na semana, as chuvas mantiveram o solo úmido e dificultaram o tráfego de máquinas, as adubações nitrogenadas em cobertura e as aplicações fitossanitárias nas áreas cultivadas.
De acordo com a Emater, nas lavouras mais desenvolvidas, o aumento da radiação solar no fim do período favoreceu a retomada do crescimento e o avanço para as fases reprodutivas iniciais, que já representam 3% da área. As áreas implantadas mais tardiamente, que somam 97%, seguem em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento.
O quadro indica evolução da cultura em diferentes estágios no Estado, com predominância de lavouras ainda em fase vegetativa. Nas áreas em estágio mais avançado, a melhora das condições de radiação contribuiu para o desenvolvimento das plantas após o período de maior umidade no solo.
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Na região de Santa Rosa, 6% das lavouras de trigo ingressaram na fase de floração. Em Santo Antônio das Missões, um episódio de granizo provocou o acamamento das plantas. Ainda assim, a Emater registra expectativa de recuperação da maior parte do potencial produtivo.
O cenário da semana no Rio Grande do Sul combina bom desenvolvimento das lavouras de trigo com limitações operacionais provocadas pelas chuvas, enquanto parte das áreas mais avançadas já inicia fases reprodutivas e de floração.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
Recorde na safra de milho e cana reduz valor do biocombustível no varejo de MT

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