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7 de junho de 2026

Sustentabilidade

Uso de capins como braquiária aumenta produtividade da soja e melhora saúde do solo – MAIS SOJA

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Uma análise em escala nacional confirmou o potencial das gramíneas tropicais de raízes profundas, como a braquiária, para impulsionar a produtividade da soja e promover a saúde do solo. O estudo, liderado pela Embrapa e publicado na Revista Agronomy, consolida evidências de diferentes pesquisas realizadas no Brasil e reforça o papel dessas plantas na intensificação sustentável da agricultura.

As informações foram obtidas a partir de uma meta-análise conduzida por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF), em parceria com a Embrapa Solos (RJ), o Instituto Federal Catarinense (IFC) e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). A meta-análise é um método científico que reúne e analisa resultados de diversos estudos sobre um mesmo tema, permitindo conclusões mais robustas.

“As gramíneas tropicais estão cada vez mais presentes nos sistemas agrícolas brasileiros. No entanto, ainda faltava uma avaliação em escala nacional sobre os impactos dessa prática na saúde do solo e na produtividade da soja. Realizamos esse trabalho para cobrir essa lacuna”, afirmou a pesquisadora da Embrapa Cerrados Ieda Mendes.

Segundo Mendes, a meta-análise publicada na revista Agronomy utilizou 55 trabalhos publicados até fevereiro de 2026 (confira critérios de inclusão no quadro abaixo), abrangendo ensaios de campo conduzidos em 33 localidades no Brasil. O objetivo foi avaliar os efeitos de gramíneas tropicais de raízes profundas, utilizadas como culturas antecessoras (plantas cultivadas antes da implantação da cultura principal anual), sobre indicadores biológicos da saúde do solo e a produtividade da soja.

Critérios de inclusão

As publicações foram identificadas por meio de redes de especialistas e busca por citações. Cada publicação foi avaliada para verificar se atendia aos seguintes critérios de inclusão:

  1. Comparação entre tratamentos com e sem o cultivo de gramíneas tropicais antes da soja (ou seja, gramíneas tropicais como cultura antecessora versus pousio ou sem cultura antecessora);
  2. Comparação entre monocultivo de grãos (controle) e cultivo de grãos em consórcio com gramíneas tropicais antes da soja (tratamento experimental);
  3. Estudo conduzido em condições de campo no Brasil;
  4. Disponibilidade de dados quantitativos extraíveis de texto, tabelas ou figuras;
  5. Publicação na forma de artigo em periódico científico, dissertação de mestrado, tese de doutorado, capítulo de livro, livro ou boletim técnico.
Resultados

Os resultados mostraram que as gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa (antes chamado Brachiaria, que originou o termo braquiária), promovem aumento de 15% na produtividade da soja, o que representa um incremento médio de 515 kg por hectare e uma receita adicional de US$ 198 por hectare. A análise de diferentes espécies forrageiras, sistemas de manejo, cultivares de soja e condições edafoclimáticas indicou efeitos positivos em todas as situações avaliadas.

No caso das braquiárias, considerando que são utilizados de 3 a 10 kg por hectare de sementes para o seu estabelecimento, com preço médio de três dólares por quilo, o custo para sua introdução nos agroecossistemas é relativamente baixo, variando entre US$ 9 e US$ 30 por hectare.

De acordo com a pesquisadora, os indicadores de saúde do solo nas áreas cultivadas com as braquiárias também apresentaram incrementos expressivos, com destaque para a atividade das enzimas arilsulfatase (+35%) e β-glicosidase (+31%), seguidas pela fosfatase ácida (+20%), e pelo carbono da biomassa microbiana (+24%) e carbono orgânico (+11%).

Efeito de gramíneas tropicais de raízes profundas como culturas antecessoras, na produtividade de grãos de soja e atributos do solo (atividade enzimática, biomassa microbiana e carbono orgânico total). Os valores representam as médias dos efeitos, e as barras horizontais indicam os intervalos de confiança de 95%, com o número de comparações apresentado entre parênteses. Os círculos pretos indicam a média do efeito para cada variável. A área em verde destaca a produtividade de grãos de soja como a principal variável de resposta agronômica

“De forma geral, as enzimas do solo responderam com maior intensidade ao uso de gramíneas tropicais, com aumentos médios de cerca de 31% — quase três vezes superiores aos observados para o carbono orgânico. Esse resultado reforça o potencial dessas enzimas como indicadores sensíveis das mudanças na saúde do solo. É importante destacar que durante a busca na literatura foram identificadas publicações sobre os efeitos das gramíneas tropicais nos atributos químicos e físicos do solo. No entanto, devido ao baixo número de comparações disponíveis, esses estudos não puderam ser incluídos na meta-análise”, explicou a pesquisadora.

Das 55 publicações avaliadas, nenhuma corresponde ao período entre 2000 e 2010. Dezoito estudos foram publicados entre 2011 e 2020, enquanto 37 foram publicados entre 2021 e 2025. Esse aumento expressivo ao longo do tempo reflete o crescente interesse pelo uso de gramíneas de raízes profundas na agricultura brasileira.

Outro dado relevante é que, de um total de 173 comparações avaliadas, 154 apresentaram ganhos de produtividade, variando de 30 a 2.200 kg por hectare. Apenas 19 comparações (11%) indicaram reduções, com perdas entre 11 e 672 kg por hectare. Na maioria dos casos, essas reduções não foram estatisticamente significativas e estavam associadas a falhas de manejo no estabelecimento das gramíneas.

Segundo a pesquisadora, os resultados confirmam os efeitos benéficos das gramíneas tropicais de raízes profundas e destacam sua contribuição para a intensificação sustentável dos sistemas agrícolas tropicais, especialmente pela capacidade de melhorar a saúde do solo. “Isso, por sua vez, resulta no aumento da produtividade da soja na maioria das condições agronômicas e ambientais”, afirmou.

Ilustração esquemática que sintetiza os principais efeitos positivos do cultivo de gramíneas tropicais de raízes profundas sobre os indicadores biológicos da saúde do solo e a produtividade da soja em condições de campo no Brasil

Implicações para a intensificação sustentável

De acordo com a pesquisadora, essa meta-análise forneceu evidências robustas de que gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente espécies do gênero Urochloa, devem ser reconhecidas não apenas como plantas de cobertura, mas como poderosos insumos biológicos em sistemas agrícolas regenerativos e conservacionistas.

“Sua capacidade de fornecer múltiplos serviços ecossistêmicos — como a promoção da atividade microbiana, a melhoria da agregação do solo e da ciclagem de nutrientes, o aumento dos estoques de carbono orgânico e a maior infiltração de água — posiciona essas gramíneas na vanguarda das soluções baseadas na natureza para a intensificação sustentável”, afirma.

Nesse contexto, essas gramíneas funcionam como bioinsumos vivos, capazes de regenerar simultaneamente a saúde do solo e aumentar a produtividade das culturas. Segundo Ieda Mendes, essa abordagem amplia o conceito de bioinsumos: passa a incluir não apenas produtos formulados, mas também organismos vivos como as plantas, que interagem com os agroecossistemas para promover resiliência, eficiência e sustentabilidade.

“A adoção em larga escala dessas gramíneas como culturas antecessoras em sistemas de produção de soja representa, portanto, não apenas uma solução tecnológica, mas um investimento estratégico no solo como um ativo vivo, que reforça o papel central da funcionalidade biológica na promoção da sustentabilidade, da produtividade e da resiliência dos agroecossistemas”.

Fonte: Embrapa


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FONTE

Autor:Juliana Caldas (MTb 4861/DF) Embrapa Cerrados

Site: Embrapa

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Sustentabilidade

Emater/RS: Com 97% da área colhida, milho no RS apresenta grãos úmidos e preço em alta – MAIS SOJA

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A colheita de milho avançou lentamente e alcançou 97% da área cultivada. As lavouras remanescentes correspondem principalmente a pequenas propriedades em cultivos implantados em sucessão a milho ou feijão, nos períodos mais tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

As áreas estão predominantemente em maturação, favorecidas pelas condições de tempo estável, observadas no período. As temperaturas mais baixas e a redução da radiação solar têm prolongado o ciclo final da cultura, retardando a perda de umidade dos grãos e a conclusão da colheita em algumas regiões.

De modo geral, as lavouras tardias apresentam desempenho produtivo satisfatório, embora a elevada umidade dos grãos colhidos exija secagem para a manutenção da qualidade durante o armazenamento. Em áreas ainda em enchimento de grãos, os impactos das geadas foram limitados e localizados, sem comprometer significativamente o potencial produtivo estadual.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita avançou, na Região da Campanha, em função da liberação de máquinas após o encerramento da safra de soja. Em Aceguá, foram colhidos 20% dos 1.000 hectares cultivados, e a produtividade deverá ficar cerca de 30% abaixo da estimativa inicial de 4.800 kg/ha. Em Hulha Negra, 10% dos 1.600
hectares foram colhidos. Em Candiota, a colheita alcançou 50% dos 900 hectares cultivados.

Em Dom Pedrito, onde predominam lavouras de maior investimento tecnológico e áreas irrigadas, restam em fase de maturação 2% dos 2.500 hectares, com previsão de conclusão da colheita nos próximos dias.

Na de Ijuí, a colheita de milho está tecnicamente encerrada, e restam apenas áreas pontuais para a finalização dos trabalhos. O rendimento médio obtido nas áreas colhidas é de 9.240 kg/ha.

Na de Santa Rosa, a colheita atinge 98%, e 2% estão em maturação. As lavouras que completaram recentemente a formação de grãos apresentaram boa evolução. Contudo, as temperaturas mais baixas associadas à frequente formação de nevoeiros nas primeiras horas do dia têm favorecido o avanço de doenças foliares nas áreas mais tardias.

Na de Soledade, as lavouras semeadas nos períodos intermediário e tardio do ZARC apresentam desenvolvimento satisfatório. Ainda há 5% das áreas em enchimento de grãos, 5% em maturação fisiológica e 2% em maturação de colheita; 88% foram colhidos. A redução da radiação solar e das temperaturas tem prolongado a fase de maturação. A qualidade dos grãos colhidos está boa, mas há elevada umidade, demandando secagem antes do armazenamento.

Comercialização (saca de 60 quilos)

Conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar, o preço do milho aumentou 0,87%, de R$ 58,76 para R$ 59,27, em média, no Estado.

Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Quais os principais desafios para a soja brasileira? Congresso reúne lideranças e debate o futuro do setor

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Soybean pods on soybean plantation, on farmer open palm hand background, close up.

O futuro da produção de soja no Brasil, os desafios econômicos enfrentados pelos produtores e as perspectivas para as próximas safras estiveram no centro dos debates da 2ª edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja, evento realizado em Brasília.

Entre os principais temas abordados estiveram o endividamento rural, a renegociação de dívidas, o seguro agrícola, os custos de produção, a comercialização da safra e as condições de acesso ao crédito. As discussões ocorreram em um momento de preocupação crescente com a rentabilidade do produtor e o cenário econômico para a próxima temporada.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, destacou a necessidade de união entre as entidades do setor diante do atual contexto econômico e regulatório. “Quando a gente olha todo esse cenário interno do Brasil, vemos um problema muito grande, onde as leis brasileiras hoje trabalham praticamente para inviabilizar a produção”, afirmou.

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A geopolítica também ganhou espaço nos debates. Especialistas avaliaram como as mudanças nas relações comerciais internacionais, as disputas entre grandes potências e as incertezas políticas podem influenciar a tomada de decisão dentro das propriedades rurais e impactar a competitividade da soja brasileira no mercado global.

Outro tema que mobilizou os participantes foi o Plano Safra 2026/27. Representantes do setor defenderam condições mais favoráveis para o financiamento da produção, especialmente diante do atual cenário de juros elevados e do aumento dos custos operacionais.

A eficiência produtiva e o uso de tecnologia foram apontados como fatores essenciais para sustentar a competitividade da agricultura brasileira. ”A nossa eficiência dentro da lavoura tem mostrado a capacidade do produtor brasileiro de proteger sua produção. Com tecnologia, inovação e novas técnicas de manejo, conseguimos defender a produtividade mesmo diante de cenários desafiadores”, afirmou Mauro Osaki, pesquisador da Esalq-USP.

Além das palestras e painéis, o congresso marcou o lançamento de uma cartilha sobre pragas quarentenárias, consideradas uma das principais ameaças fitossanitárias à agricultura nacional. A iniciativa busca orientar produtores sobre medidas preventivas e ferramentas de monitoramento para evitar a entrada e disseminação dessas pragas nas lavouras brasileiras.

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Sustentabilidade

Atualizações climáticas para junho indicam variação de chuvas e temperaturas acima de média para o período – MAIS SOJA

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Como resultado da concentração das chuvas nos extremos do país, maio foi marcado por precipitações expressivas nas regiões Norte e Sul do Brasil. Em contrapartida, a região Central registrou baixos volumes pluviométricos, comprometendo a disponibilidade hídrica do solo e impactando negativamente o desenvolvimento das culturas agrícolas. Entre os estados mais afetados pelo déficit hídrico destacam-se Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

De acordo com o mais recente boletim de monitoramento das condições das lavouras da Conab, grande parte das áreas cultivadas com milho segunda safra, algodão e feijão nesses estados encontra-se em fases críticas de desenvolvimento (Figura 1). Nesse cenário, a ocorrência de chuvas nos próximos dias será fundamental para a reposição da umidade do solo e para a manutenção do potencial produtivo dessas culturas, especialmente nas áreas conduzidas em sistema de sequeiro, mais suscetíveis aos efeitos da deficiência hídrica.

Figura 1. Monitoramento semanal das condições das lavouras. 1 de Junho de 2026.
Fonte: Conab (2026)

Em relação às previsões climáticas para junho, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) projeta um padrão irregular de distribuição das chuvas no Brasil. Na Região Norte, são esperados volumes acima da média em áreas do Pará, Amazonas e Amapá, enquanto partes de Roraima e do noroeste paraense tendem a registrar precipitações abaixo da média para o período. No Nordeste, os maiores acumulados são previstos para o norte do Maranhão e do Piauí, além de áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Já na Região Centro-Oeste, predominam volumes próximos à média histórica, com exceção de uma pequena faixa no sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde as chuvas podem ficar abaixo do normal. No Sudeste, a previsão indica precipitações inferiores à média no sul de Minas Gerais e em grande parte de São Paulo. Por sua vez, na Região Sul, os volumes de chuva tendem a ficar acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná e no nordeste de Santa Catarina são esperadas precipitações dentro da normalidade ou abaixo dela (INMET, 2026).

Figura 2. Previsão de anomalias da precipitações e de temperatura para Junho de 2026.
Fonte: INMET (2026)

Em especial na Região Centro-Oeste, a confirmação das previsões climáticas para junho poderá intensificar as restrições hídricas já observadas em algumas áreas. A combinação entre baixos volumes de chuva previstos e temperaturas acima da média tende a aumentar a demanda evaporativa da atmosfera, reduzindo a disponibilidade de água no solo e elevando o risco de perdas no crescimento e na produtividade das culturas agrícolas, sobretudo em sistemas de sequeiro. Para o período, são previstas temperaturas entre 1,0°C e 1,5°C acima da média histórica, caracterizando um outono/inverno mais quente em comparação ao registrado no ano anterior.

Em relação ao ENOS (El Niño-Oscilação Sul), embora os modelos climáticos indiquem probabilidade crescente de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e aos seus impactos regionais (Figura 3). As projeções variam entre os diferentes modelos meteorológicos, o que reforça a necessidade de planejamento e adoção de estratégias de manejo que considerem distintos cenários climáticos. Nesse contexto, práticas que aumentem a resiliência das lavouras frente às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo das culturas.

Figura 3. Previsão do modelo ENOS a partir de maio de 2026.
Fonte: IRI (2026)

Confira no vídeo abaixo as atualizações climáticas apresentadas pelo Prof. Fábio Marin no Boletim do Sistema Tempocampo/Esalq de junho de 2026.


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Referências:

CONAB. MONITORAMENTO SEMANAL DAS CONDIÇÕES DAS LAVOURAS. Companhia Nacional de Abastecimento, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/progresso-de-safra/acompanhamento-das-lavouras-25-05-a-31-05-26/monitoramento-das-condicoes-das-lavouras.pdf >, acesso em: 05/06/2026.

INMET. JUNHO: COMO SERÁ O CLIMA NO BRASIL? Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/noticias/junho-como-ser%C3%A1-o-clima-no-brasil-4 >, acesso em: 05/06/2026.

IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate School International Research Institute For Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 05/06/2026.

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