Sustentabilidade
Atualizações climáticas para junho indicam variação de chuvas e temperaturas acima de média para o período – MAIS SOJA

Como resultado da concentração das chuvas nos extremos do país, maio foi marcado por precipitações expressivas nas regiões Norte e Sul do Brasil. Em contrapartida, a região Central registrou baixos volumes pluviométricos, comprometendo a disponibilidade hídrica do solo e impactando negativamente o desenvolvimento das culturas agrícolas. Entre os estados mais afetados pelo déficit hídrico destacam-se Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.
De acordo com o mais recente boletim de monitoramento das condições das lavouras da Conab, grande parte das áreas cultivadas com milho segunda safra, algodão e feijão nesses estados encontra-se em fases críticas de desenvolvimento (Figura 1). Nesse cenário, a ocorrência de chuvas nos próximos dias será fundamental para a reposição da umidade do solo e para a manutenção do potencial produtivo dessas culturas, especialmente nas áreas conduzidas em sistema de sequeiro, mais suscetíveis aos efeitos da deficiência hídrica.
Figura 1. Monitoramento semanal das condições das lavouras. 1 de Junho de 2026.
Em relação às previsões climáticas para junho, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) projeta um padrão irregular de distribuição das chuvas no Brasil. Na Região Norte, são esperados volumes acima da média em áreas do Pará, Amazonas e Amapá, enquanto partes de Roraima e do noroeste paraense tendem a registrar precipitações abaixo da média para o período. No Nordeste, os maiores acumulados são previstos para o norte do Maranhão e do Piauí, além de áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Já na Região Centro-Oeste, predominam volumes próximos à média histórica, com exceção de uma pequena faixa no sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde as chuvas podem ficar abaixo do normal. No Sudeste, a previsão indica precipitações inferiores à média no sul de Minas Gerais e em grande parte de São Paulo. Por sua vez, na Região Sul, os volumes de chuva tendem a ficar acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná e no nordeste de Santa Catarina são esperadas precipitações dentro da normalidade ou abaixo dela (INMET, 2026).
Figura 2. Previsão de anomalias da precipitações e de temperatura para Junho de 2026.

Em especial na Região Centro-Oeste, a confirmação das previsões climáticas para junho poderá intensificar as restrições hídricas já observadas em algumas áreas. A combinação entre baixos volumes de chuva previstos e temperaturas acima da média tende a aumentar a demanda evaporativa da atmosfera, reduzindo a disponibilidade de água no solo e elevando o risco de perdas no crescimento e na produtividade das culturas agrícolas, sobretudo em sistemas de sequeiro. Para o período, são previstas temperaturas entre 1,0°C e 1,5°C acima da média histórica, caracterizando um outono/inverno mais quente em comparação ao registrado no ano anterior.
Em relação ao ENOS (El Niño-Oscilação Sul), embora os modelos climáticos indiquem probabilidade crescente de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e aos seus impactos regionais (Figura 3). As projeções variam entre os diferentes modelos meteorológicos, o que reforça a necessidade de planejamento e adoção de estratégias de manejo que considerem distintos cenários climáticos. Nesse contexto, práticas que aumentem a resiliência das lavouras frente às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo das culturas.
Figura 3. Previsão do modelo ENOS a partir de maio de 2026.

Confira no vídeo abaixo as atualizações climáticas apresentadas pelo Prof. Fábio Marin no Boletim do Sistema Tempocampo/Esalq de junho de 2026.
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Referências:
CONAB. MONITORAMENTO SEMANAL DAS CONDIÇÕES DAS LAVOURAS. Companhia Nacional de Abastecimento, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/progresso-de-safra/acompanhamento-das-lavouras-25-05-a-31-05-26/monitoramento-das-condicoes-das-lavouras.pdf >, acesso em: 05/06/2026.
INMET. JUNHO: COMO SERÁ O CLIMA NO BRASIL? Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/noticias/junho-como-ser%C3%A1-o-clima-no-brasil-4 >, acesso em: 05/06/2026.
IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate School International Research Institute For Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 05/06/2026.

Sustentabilidade
Quais são as biotecnologias disponíveis na cultura da soja e como tem revolucionado a cultura. – MAIS SOJA

A partir de 1996, surgiu a primeira biotecnologia para a cultura da soja, inicialmente as biotecnologias erão desenvolvidas focadas no controle de plantas daninhas, por esse motivo, atualmente, existe uma grande quantidade de biotecnologias aprovadas no Brasil com essa característica. Posteriormente, outras biotecnologias foram desenvolvidas transferindo a planta outras qualidades para auxiliar os produtores no controle de insetos, doenças e mitigação ao déficit hídrico. Hoje, as principais tecnologias disponíveis no mercado são:
- Roundup Ready® (RR): Confere tolerância ao herbicida glifosato por meio da inserção do gene CP4-EPSPS, permitindo o controle eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas e largas.
- Intacta RR2 PRO® (IPRO): Combina tolerância ao glifosato com resistência a lagartas por meio da proteína Cry1Ac.
- Intacta 2 Xtend® (Xtend): Apresenta resistência a um número maior de lagartas por meio das proteínas Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2, além de tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba, ampliando as opções de manejo de plantas daninhas.
- Conkesta Enlist E3® (CE): Tolerância aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônio e 2,4-D sal colina, expressa as proteínas Cry1F e Cry1Ac.
- HB4®: Desenvolvida para aumentar a tolerância ao estresse hídrico (seca).
- Liberty Link® (LL): Confere tolerância ao herbicida glufosinato de amônio por meio do gene PAT.
- Cultivance® (CV): Proporciona tolerância aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, por meio do gene CSR1-2.
- STS (Sulfonylurea Tolerant Soybean): Confere maior tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias.
- BLOCK®: Tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA voltada ao aumento da tolerância à ferrugem-asiática da soja.
A figura 1 apresenta um resumo geral das principais biotecnologias genéticas da soja no Brasil e suas respectivas resistências ou tolerâncias.
De modo geral, é fundamental que produtores e técnicos compreendam a interação entre cultivar, ambiente e manejo, buscando informações confiáveis geradas por pesquisas, assistência técnica, empresas de sementes e experimentos em campo (on farm), avaliando na sua lavoura as principais cultivares de soja semeadas na região e os novos lançamentos, criando assim um banco de dados que servirá como base para uma escolha mais assertiva da cultivar ideal.
Referências bibliográficas.
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 202

Sustentabilidade
Crédito rural registra redução nas contratações ao final do Plano Safra 2025/26 – MAIS SOJA

O encerramento do Plano Safra 2025/26 confirma um cenário de maior restrição ao crédito rural em Mato Grosso do Sul. O ciclo foi concluído com R$ 14,64 bilhões contratados, volume 22,3% inferior ao registrado na safra anterior.
Segundo levantamento da Aprosoja/MS, foram contratados R$ 943,8 milhões em junho de 2026 no Estado, resultado 22,3% inferior ao registrado em maio do mesmo ano e 40,1% menor em comparação com junho de 2025.
O ambiente financeiro mais restritivo observado no encerramento da safra é resultado da redução das operações de custeio, investimento e, principalmente, comercialização, refletindo uma maior seletividade na concessão de crédito rural.
O Plano Safra 2026/27 iniciou seu ciclo em 1º de julho, com crescimento de 1,7% no volume total de recursos em relação ao ciclo anterior, totalizando R$ 622,4 bilhões. No entanto, esse aumento não supera a inflação acumulada no período, o que resulta em redução do volume de crédito em termos reais.
Assim, apesar da redução das taxas de juros nas principais linhas oficiais, a ampliação do acesso ao crédito dependerá da disponibilidade de recursos subsidiados, da capacidade de equalização pelo Governo Federal e da situação financeira dos produtores. Esses fatores continuarão sendo determinantes para o ritmo das contratações ao longo da safra 2026/27.
O boletim completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

Mato Grosso do Sul representa aproximadamente 9% da produção nacional de soja, consolidando-se como o 5º maior produtor do grão no Brasil. Em relação ao milho segunda safra, o Estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, sendo responsável por cerca de 8,1% da produção brasileira. Apesar da relevância da produção de soja e milho no cenário nacional, a infraestrutura logística ainda representa um dos principais desafios para o escoamento da produção agrícola em Mato Grosso do Sul. Conforme análise apresentada pela Aprosoja/MS, o custo do frete pode representar até 60% do valor do milho e até 25% do valor da soja.
Atualmente, o Estado escoa cerca de 80% da produção agrícola por rodovias, 2% por ferrovias e o restante por hidrovias. De acordo com estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS, essa concentração no modal rodoviário eleva os custos logísticos, aumenta a demanda sobre a malha viária e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense.
A análise também indica que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens estruturais em relação ao modal rodoviário. Entretanto, a competitividade desses modais depende de fatores como a infraestrutura disponível, o estágio de desenvolvimento da malha logística, o processo de devolução de concessões e o nível de concorrência entre os diferentes modais de transporte.
Com investimentos estimados em R$ 50 bilhões até 2035, estão previstas a duplicação e as melhorias da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju (MS) ao Paraná, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os projetos associados à Rota Bioceânica. Conforme estimativas apresentadas no estudo, essas iniciativas possuem potencial para reduzir em até 26% os custos de transporte.
Ainda conforme a análise apresentada no estudo, a execução desses projetos poderá contribuir para ampliar a eficiência do transporte de cargas, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul.
O estudo completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Carolina Toffanetto (estagiária de Comunicação Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
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