Sustentabilidade
Canola de segunda safra pode reduzir as emissões da aviação em até 55% – MAIS SOJA

Uma avaliação do ciclo de vida do combustível sustentável de aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel) produzido a partir da canola de segunda safra no Brasil indica potencial de redução de até 55% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), dependendo do cenário de adoção, em comparação com o querosene fóssil Jet-A1. O estudo analisa todas as etapas do processo, desde o cultivo da matéria-prima até o uso final do combustível no avião, abordagem conhecida como Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que permite compreender os impactos ambientais ao longo de toda a cadeia produtiva.
De acordo com Priscila Sabaini, analista da Embrapa Meio Ambiente, a avaliação mostrou que, em um cenário otimista — considerado hipotético —, a redução das emissões poderia chegar a 55%. Ela destaca, no entanto, que esse percentual representa um potencial máximo, baseado em condições ideais de adoção ainda não viáveis na prática. Atualmente, há limitações técnicas e regulatórias que, por exemplo, restringem a substituição do combustível fóssil tradicional.
Um dos entraves é que, no caso do SAF do tipo HEFA (produzido a partir de óleos e gorduras), a mistura com o querosene de aviação convencional está limitada a cerca de 50%. Isso significa que, mesmo com ampla adoção, ainda não é possível substituir integralmente o combustível para jatos por alternativas sustentáveis.
Dessa forma, os percentuais apresentados devem ser interpretados, segundo Sabaini, como uma estimativa do potencial de mitigação de emissões, e não como um resultado imediato ou garantido. O avanço dependerá de fatores como evolução tecnológica, ampliação da produção de SAF e mudanças nas regulamentações do setor.
O trabalho de pesquisa é fruto de uma colaboração entre o Laboratório de Energia e Ambiente (LEA), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Mecânicas da Universidade de Brasília, a Embrapa Agroenergia (DF) e a Embrapa Meio Ambiente (SP), e contribui para o debate internacional sobre a descarbonização da aviação.
Cenários considerados
A análise foi conduzida considerando todas as emissões desde a produção da canola até a queima do combustível no avião. Foram utilizados dados reais de produtores brasileiros, representando condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra.
O estudo também inclui a modelagem da rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), tecnologia que transforma óleos vegetais em combustível de aviação por meio de processos de hidrotratamento. A produção de um megajoule (MJ, que equivale a um milhão de joules, unidade de medida de energia) de bioquerosene foi avaliada em três cenários: Jet-A1 fóssil; mistura 50% SAF/50% Jet-A1; e 100% SAF.
A análise dialoga com diretrizes internacionais como o Corsia, programa da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para a redução e compensação de emissões de CO2 provenientes dos voos internacionais. O trabalho também dialoga com políticas nacionais de descarbonização, incluindo a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e a Lei do Combustível do Futuro.
“O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais, e o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo. Nosso diferencial foi analisar a canola cultivada como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional”, afirma Giulia Lamas, colaboradora da Embrapa Meio Ambiente e doutoranda da Universidade de Brasília.
Agricultura ainda concentra emissões
Os resultados indicam que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões no ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo contribui com aproximadamente 34,2 g de CO₂ eq./MJ, impulsionado principalmente pela produção de fertilizantes e emissões de óxido nitroso (N₂O) do solo. A etapa de conversão industrial via HEFA contribui com cerca de 12,8 g de CO₂ eq./MJ quando se utiliza hidrogênio de origem fóssil.
“A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, representam o principal ponto crítico do sistema, tanto pelas emissões associadas quanto pelos impactos sobre água e ecossistemas”, alerta Alexandre Cardoso, pesquisador da Embrapa Agroenergia. O pesquisador destaca que os bioinsumos são uma excelente opção para diminuir as emissões na produção da canola.
Os impactos associados ao uso de fertilizantes foram classificados em categorias como eutrofização (excesso de nutrientes em ambientes aquáticos que pode causar proliferação de algas e redução do oxigênio na água) e toxicidade humana, indicando que a gestão eficiente de insumos é determinante para o desempenho ambiental do combustível.
“A análise evidencia que a sustentabilidade do SAF depende tanto de avanços industriais quanto de melhorias nas práticas agronômicas”, complementa o professor da UnB Edgar Amaral Silveira, orientador e coautor do estudo.
Hidrogênio verde é determinante
O estudo mostra que a origem do hidrogênio utilizado na produção do combustível é um fator decisivo para o desempenho ambiental.
Quando o hidrogênio de origem fóssil é substituído por hidrogênio produzido a partir de energia renovável, como solar e eólica, há uma redução expressiva (variando entre 86 e 94%) das emissões na etapa industrial. Em cenários mais avançados, com integração de hidrogênio de baixo carbono, as emissões totais do combustível podem ser significativamente menores em comparação com o querosene fóssil.
“A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação”, destaca Silveira.
Uso da terra e especificidades brasileiras
O estudo também indica redução no uso de recursos fósseis ao aferir um indicador conhecido como depleção fóssil, que representa a quantidade de recursos não renováveis utilizados ao longo do processo.
Como esperado em biocombustíveis agrícolas, há impactos associados ao uso da terra, concentrados principalmente na etapa de cultivo. No Brasil, entretanto, há uma característica relevante: a canola é cultivada majoritariamente como segunda safra, em rotação com a soja. Portanto, esse cultivo aproveita áreas já utilizadas e aumenta a eficiência do uso da terra.
“O Brasil tem uma vantagem comparativa relevante: aqui a canola não entra como cultura principal que ‘disputa’ área, mas como opção de segunda safra no inverno e na safrinha, em sistemas integrados de rotação. Isso melhora o desempenho de sustentabilidade da canola brasileira em relação a regiões onde é cultivada como safra única”, destaca Bruno Laviola, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia e pesquisador responsável pela tropicalização da canola.
O estudo também destaca que não foram consideradas as emissões associadas à mudança indireta do uso da terra (iLUC), uma limitação e oportunidade para pesquisas futuras.
Implicações para políticas climáticas e certificação
Os resultados evidenciam a importância de ferramentas regulatórias brasileiras para a expansão sustentável dos biocombustíveis.
Atualmente, a canola ainda não está contemplada na rota HEFA do RenovaCalc, ferramenta utilizada pelo RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs). A inclusão dessa matéria-prima poderá ampliar as opções de certificação e refletir melhor a diversidade agrícola nacional.
Além disso, o estudo contribui com dados que podem apoiar aprimoramentos metodológicos no RenovaCalc, especialmente quanto à intensidade de carbono do hidrogênio, emissões agrícolas e integração com energia renovável.
Sustentabilidade além do carbono
O estudo ressalta que a análise ambiental deve ir além das emissões de carbono, considerando também impactos sobre água, solo e ecossistemas.
“A redução das emissões climáticas deve vir acompanhada de melhorias no uso de fertilizantes e na mitigação de impactos sobre água e ecossistemas”, destaca Sabaini,“O Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia renovável, o que pode ampliar ainda mais os benefícios climáticos do SAF”, acrescenta Marilia Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
Estudo completo está disponível
O estudo completo, de Giulia Lamas, da Universidade de Brasília; Alexandre Cardoso, da Embrapa Agroenergia; Priscila Sabaini, da Embrapa Meio Ambiente; Sandra Luz, Maria dos Reis Borges, Tainara Costa e Thiago Gonzales, da Universidade de Brasília; Marilia Folegatti, da Embrapa Meio Ambiente; Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia; Thiago Rodrigues, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict); Patrick Rousset, do Cirad (França) e Edgar Silveira, da Universidade de Brasília, está disponível aqui.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Semeadura do arroz irrigado alcança 75,70% da área prevista no Rio Grande do Sul. – MAIS SOJA

A semeadura do arroz irrigado para a Safra 2026/27 avança no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento atualizado em 5 de novembro, 652.207,5 hectares já foram semeados, o equivalente a 75,70% da intenção de semeadura prevista para o ciclo, de 861.778,96 hectares.
Entre as regiões produtoras, a Zona Sul soma 98,7% da área prevista semeada. Na sequência, a Fronteira Oeste registra 92,54% da área prevista.
Nas demais regiões, a Campanha contabiliza 65,51% da intenção regional, enquanto a Planície Costeira Externa registra 64,10%. A Planície Costeira Interna soma 63,02% da área prevista, e a Região Central registra 45,58% da intenção regional.
O acompanhamento da evolução da semeadura é realizado por meio de levantamentos periódicos das equipes regionais, com consolidação dos dados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As informações permitem monitorar o andamento das operações de campo nas principais regiões produtoras do Estado ao longo da safra.
Fonte: IRGA

Sustentabilidade
Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.
Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.
O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.
No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.
A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.
Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.
Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.
As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.
Fonte: Agência Safras
Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.
As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.
O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.
“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.
Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca
Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.
A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.
De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.
A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.
Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.
O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.
Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático
Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.
A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.
“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.
Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.
O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.
Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo
O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.
Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.
Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.
Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.
O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.
Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.
A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.
Drones ampliam eficiência do controle biológico
O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.
O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.
Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.
Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.
O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.
Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.
Tecnologias voltadas também à agricultura familiar
A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.
Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.
O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.
A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
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