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16 de setembro de 2026

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Calendário eleitoral exige estratégia do agro no Congresso

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Foto: Freepik

As janelas de votação de agosto e setembro vão concentrar decisões sobre seguro rural, endividamento, orçamento e segurança jurídica antes que a disputa eleitoral domine Brasília.

O calendário eleitoral entra em sua fase decisiva em agosto, com o prazo para registro das candidaturas e o início oficial das campanhas. A movimentação não afeta apenas partidos e candidatos. Ela também muda o ritmo do Congresso e reduz o tempo disponível para negociações e votações relevantes.

Com parlamentares divididos entre Brasília e suas bases eleitorais, a atividade presencial deverá se concentrar em poucas semanas. O Senado prevê esforços concentrados entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, em calendário alinhado à Câmara.

Nesse período, as pautas prioritárias terão de disputar espaço com dezenas de vetos presidenciais pendentes. O Legislativo não ficará paralisado, mas propostas sem acordo político, apoio das lideranças ou condições de votação terão poucas chances de avançar.

Para a bancada do agro, o primeiro desafio será definir prioridades. A força numérica e a capacidade de articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) continuam relevantes, mas um segundo semestre eleitoral exige escolhas. Uma agenda extensa, sem uma ordem clara de urgência, pode diluir apoios e dificultar resultados concretos.

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O seguro rural está entre os temas que reúnem urgência econômica e possibilidade de convergência. A proposta que reformula o sistema e cria instrumentos para eventos climáticos de grande impacto está em fase avançada de tramitação no Senado. A expectativa é de que o tema retorne à pauta após o recesso parlamentar.

A aprovação de uma nova legislação, porém, representa apenas uma parte da solução. O funcionamento do seguro depende de recursos orçamentários previsíveis, estabilidade nas regras e produtos adequados às diferenças entre culturas e regiões. Sem essa estrutura, o país continuará recorrendo a renegociações emergenciais sempre que secas, enchentes ou quedas de preços comprometerem a capacidade de pagamento dos produtores.

O endividamento rural será outra frente de atenção. De um lado, produtores afetados por perdas de safra e eventos climáticos pressionam por condições viáveis de pagamento e recuperação do acesso ao crédito, exigindo a aprovação do PL 5122/2023. De outro, o governo buscará controlar o impacto fiscal e delimitar o alcance dos benefícios, o que ocasionou a apresentação da Medida Provisória 1376/2026, como uma alternativa ao PL.

Esta derivou de articulação com a FPA e contou com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, o que poderá favorecer a sua deliberação. As medidas visam à criação de linhas de crédito para liquidação ou amortização de operações rurais e precisarão ser aprovadas pelo Congresso para manter sua validade. O resultado dependerá da construção de critérios capazes de atender situações críticas sem criar uma solução genérica para realidades distintas.

Há ainda propostas relacionadas à segurança jurídica no campo, incluindo mudanças nos critérios de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). A discussão envolve transparência na definição do Valor da Terra Nua (VTN) e redução de distorções na avaliação dos imóveis. Mesmo com avanço nas comissões, a matéria terá de disputar espaço nas semanas de presença efetiva dos parlamentares em Brasília.

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Nesse ambiente, a bancada do agro precisará combinar atuação legislativa, articulação institucional e comunicação política. A campanha eleitoral tende a ampliar discursos de confronto e reduzir o espaço para explicações técnicas. A questão agora é quais temas serão tratados como prioridade e quais ficarão para a próxima legislatura.

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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