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9 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Pesquisa da Unemat desenvolve tecnologia contra Lagarta-do-Cartucho nas lavouras de MT

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Estudo da Unemat busca transformar extrato de árvore nativa em inseticida sustentável contra praga que pode causar perdas de até 70% nas lavouras de milho

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Alta Floresta (a 789 km de Cuiabá), aposta no potencial de uma árvore nativa da flora brasileira, a conhecida como pente-de-macaco ou escova-de-macaco (Apeiba tibourbou), para criar um inseticida natural capaz de combater a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma das principais pragas da agricultura nacional. A tecnologia utiliza o encapsulamento do extrato da planta para aumentar a eficiência do produto e reduzir impactos ambientais.

“A iniciativa é uma tecnologia sustentável que aumenta a eficiência de inseticidas botânicos por meio de encapsulamento, reduzindo perdas por insetos-praga e minimizando impactos ambientais”, explicou a coordenadora do projeto, professora Juliana Garlet, doutora em Engenharia Florestal e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos da Unemat (PPGBioAgro).

 

Inimigo de lavouras, pastagem e plantios florestais

A lagarta do gênero Spodoptera é uma velha conhecida dos agricultores brasileiros. Altamente polífaga, ela consegue se alimentar de uma vasta gama de plantas. Para se ter uma ideia, são mais de 350 espécies hospedeiras registradas no país, inclusive gramíneas e plantios florestais.

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Ela causa desfolha severa e destrói o ponto de crescimento de cultivos como milho, soja, algodão e arroz. No milho, onde sua voracidade é ainda maior, o ataque direto ao “cartucho” da planta pode provocar perdas de até 70% na produção se nenhuma medida for tomada.

Atualmente, a produção agrícola depende do controle químico intensivo e até de lavouras transgênicas. No entanto, o uso excessivo desses métodos acelerou a seleção de populações de lagartas super-resistentes. “Tornou-se urgente a busca por novos compostos ecológicos”, justifica a coordenadora do projeto.

Reprodução

pesquisadores, unemat, lagarta

A equipe envolvida na pesquisa inclui docentes, estudantes de graduação e pós-graduação. Da esq. para a direita: Amanda Yukari Sasaya (PPPGbioagro), Felipe Dela Justina (Engenharia Florestal) Rayanne Pedrosa dos Santos (Agronomia), Cauane Caroline Cervini Pelizzar (Engenharia Florestal), a professora e pesquisadora Juliana Garlet, Larissa Pereira Oliveira Fuzinatto (PPPGbioagro), Lais Jhullian Borges da Fonseca (Agronomia) e Leticia David Peres (Biologia).

A força da árvore nativa

A grande aliada dos cientistas da Unemat é a Apeiba tibourbou. Essa árvore nativa, que chega a medir entre 10 e 15 metros de altura e desenvolve frutos espinhosos, possui metabólitos secundários como taninos e terpenoides em suas folhas.

Pesquisas anteriores do grupo já haviam comprovado que o extrato bruto dessas folhas funciona como um potente inseticida natural.

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Contudo, a ciência enfrentava um obstáculo prático: os inseticidas botânicos são fotoinstáveis. Ou seja, estragam rapidamente quando expostos ao sol, ao calor e ao oxigênio do campo, perdendo o efeito residual em pouquíssimo tempo.

A virada tecnológica: o encapsulamento

Para blindar o princípio ativo da planta, a pesquisa coordenada no Laboratório de Silvicultura da Unemat aposta na tecnologia de encapsulamento. Trata-se de “embalar” as moléculas do extrato vegetal dentro de estruturas protetoras feitas de materiais solúveis de baixo custo.

“O encapsulamento cumpre três funções vitais: protege o composto contra a degradação solar, facilita o transporte e o manejo pelo agricultor, e permite que o princípio ativo seja liberado de forma controlada na lavoura, diminuindo a quantidade de aplicações”, detalha a professora Juliana Garlet.

Reprodução

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Infográfico gerado a partir de dados fornecidos pela pesquisadora

Da Universidade para o mercado

O projeto segue um cronograma rigoroso. Os testes biológicos (bioensaios) em laboratório irão continuar, juntamente com o processo de criação dos insetos. A meta é gerar formulações que alcancem uma mortalidade igual ou superior a 80% das lagartas em até 72 horas, competindo de igual para igual com a eficiência dos produtos comerciais sintéticos, mas sem agredir o ecossistema.

Reprodução

infográfico 2, pesquisa, lagarta, unemat

Infográfico gerado a partir de dados fornecidos pela pesquisadora

“Estudos como este demandam tempo, recursos financeiros e humanos. O investimento em pesquisa é essencial para o desenvolvimento de estudos que estejam alinhados as demandas atuais do setor produtivo. Os resultados são fruto de dissertações, trabalhos de conclusão de curso e projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes dos cursos do câmpus de Alta Floresta”, explicou a pesquisadora.

Ao final, a expectativa é entregar um novo produto ao mercado. Mas antes de ser comercializado, ainda precisam ser realizados testes em casa de vegetação (que é um tipo de estrutura coberta e abrigada artificialmente com materiais transparentes) e em campo, para análises do potencial inseticida em condições reais de ataque do inseto-praga. Posteriormente, a equipe vai buscar parcerias para melhorar ainda mais a eficiência possibilitando, por exemplo, o nanoencapsulamento que representará um avanço significativo nesta tecnologia.

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Agro Mato Grosso

MT supera Argentina em produtividade de milho, aponta o Imea

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Mesmo com área de plantio menor, o Estado alcançou produtividade recorde de 130,11 sacas por hectare

Se a disputa entre Brasil e Argentina costuma parar no campo de futebol, no milho o Estado de Mato Grosso resolveu jogar outro campeonato. Com uma área de plantio menor que a dos argentinos, o Estado alcançou produtividade superior e já produz quase o mesmo volume de cereal que o país vizinho inteiro.

Levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, na safra 2025/26, o Estado alcançou produtividade recorde de 130,11 sacas por hectare, acima das 127,01 sacas por hectare projetadas para a Argentina. Mesmo tendo uma área plantada 13% inferior, Mato Grosso chegou a 58,04 milhões de toneladas, volume equivalente a 90,7% da produção argentina, estimada em 64 milhões de toneladas.

Ainda segundo o instituto, enquanto as lavouras mato-grossenses cultivaram 7,43 milhões de hectares na temporada, os argentinos semearam aproximadamente 8,40 milhões de hectares. Ou seja, mesmo com 970 mil hectares a menos, o Estado conseguiu superar o rendimento médio projetado para o país vizinho.

Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o resultado evidencia o ganho de eficiência alcançado pela produção mato-grossense ao longo dos últimos anos. A combinação entre tecnologia, manejo, investimento e adaptação das lavouras às condições do Estado contribuiu para elevar o potencial produtivo do cereal.

“A produção de milho em nosso Estado vem passando por uma transformação importante. A cultura deixou de ser vista apenas como uma segunda opção depois da soja e passou a ocupar um papel estratégico dentro do sistema produtivo”, avalia.

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Segunda safra impulsiona o avanço

O avanço do milho em Mato Grosso está diretamente ligado à consolidação da segunda safra. Plantado, em grande parte, após a colheita da soja, o cereal passou a integrar de forma cada vez mais intensa o planejamento das propriedades, permitindo maior aproveitamento da área durante todo o ano.

De acordo com o Imea, esse processo veio acompanhado da adoção de tecnologias, como sementes de maior potencial produtivo, biotecnologia, manejo mais eficiente da fertilidade do solo, adubação e estratégias para posicionar a lavoura dentro da melhor janela possível.

Para o analista Gabriel, o resultado dessa produção estadual não está relacionado a um único fator, mas à evolução de todo o sistema de produção.

“O produtor mato-grossense vem aprimorando continuamente o manejo e buscando extrair mais produtividade da área disponível. Quando olhamos para esses números, fica evidente que eficiência produtiva é um dos grandes diferenciais do Estado”, explica.

Na safra 2025/26, as condições climáticas em Mato Grosso também tiveram papel importante. O prolongamento das chuvas nas principais regiões produtoras contribuiu para o desenvolvimento das lavouras e para o enchimento dos grãos, favorecendo a produtividade.

Aumento na produção

Dados do Imea mostram uma consolidação de 130,11 sacas por hectare nesta temporada, uma alta de 2,23% em relação às 127,27 sacas por hectare registradas na safra 2024/25. A área também avançou, passando de 7,26 milhões para 7,43 milhões de hectares. Com isso, a produção cresceu 4,69%, de 55,43 milhões para 58,04 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde.

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Na Argentina, embora as chuvas também tenham contribuído para o potencial produtivo das lavouras, o excesso de umidade passou a dificultar o avanço da colheita. Até 3 de setembro, segundo os dados utilizados na comparação, 92,5% da área apta havia sido colhida, enquanto Mato Grosso já havia encerrado a colheita.

Para Gabriel Brandão, a comparação mostra como o crescimento da produção mato-grossense mudou a dimensão do Estado dentro do mercado de milho.

“Mato Grosso já tem uma produção que, em termos de volume, se aproxima da de grandes países produtores. Isso mostra a dimensão que o milho alcançou dentro da agricultura estadual e também reforça a importância de acompanhar não apenas a expansão da área, mas os ganhos de produtividade”, afirma.

Como será a próxima safra?

Apesar do recorde alcançado em 2025/26, o cenário para a próxima temporada indica mais cautela. Na primeira estimativa do Imea para a safra 2026/27, a área de milho deve crescer moderadamente, para 7,48 milhões de hectares, alta de 0,59%.

Por outro lado, a produtividade está projetada inicialmente em 119,64 sacas por hectare, uma redução de 8,05% em relação ao recorde da temporada atual. Com isso, a produção estimada é de 53,68 milhões de toneladas (queda de 7,50%).

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Entre os fatores de atenção está a possibilidade de influência do fenômeno El Niño, que pode atrasar o plantio da soja e, consequentemente, reduzir a janela disponível para a semeadura do milho segunda safra. Segundo o Imea, o encerramento antecipado das chuvas e temperaturas elevadas também podem aumentar o risco de estresse hídrico.

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Agro Mato Grosso

Coragem e perseverança marcam trajetória da família Anese em Mato Grosso

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Irmãos Luis Paulo e Tiago Anese deram continuidade à história iniciada pelos pais e hoje trabalham para deixar o mesmo legado aos filhos

A família Anese começou a jornada em Mato Grosso com coragem e perseverança. Em mais um episódio do quadro “Legado que Construímos”, o delegado do núcleo de Querência da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Luis Paulo Anese, contou a história de como a família iniciou na agricultura.

Os patriarcas da família Anese se mudaram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso em busca de uma oportunidade para seguir o legado da família na agricultura. Luis Paulo explicou que os pais, inicialmente, foram para Sorriso, mas, após ouvirem sobre novas oportunidades de terras boas e baratas em Querência, venderam o que haviam conquistado em Sorriso e se arriscaram em uma nova propriedade na Região Leste de Mato Grosso.

“Meu pai nasceu lá em Jaguari, na região do Rio Grande do Sul, minha mãe também. Na década de 1980, ele e meu tio, que mora em Sorriso hoje, pegaram um fusca e subiram para conhecer Mato Grosso. Vieram para Sorriso e gostaram. Em 1988, eles compraram e, no ano de 1999, meu pai ficou sabendo que aqui em Querência tinha terra boa e barata para comprar. O pai veio em 1999, veio conhecer aqui e gostou muito. Querência é muito plana, uma região muito boa, terra boa também. Acabou vendendo a parte dele em Sorriso e comprou aqui”, contou.

Após adquirirem a propriedade em Querência, a família voltou para o Rio Grande do Sul, mas Luis e o irmão mais velho Tiago Anese retornaram para tocar a propriedade. Entre 2008 e 2009, o trabalho na agricultura voltou pelas mãos dos filhos. Luis se formou em Agronomia e Tiago em Técnico em Agropecuária. Com essa formação, os dois resolveram continuar o trabalho iniciado pelos pais.

O irmão mais velho, Tiago, contou que foi a coragem e a perseverança dos pais que ele e o irmão herdaram. Para retomar as atividades em Querência, os irmãos precisaram enfrentar desafios e seguir os ensinamentos recebidos dentro de casa.

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“O que veio da nossa família, do nosso pai, da nossa mãe  é a coragem e a luta que fizeram com que acontecesse, que fizeram com que a gente estivesse hoje em um lugar abençoado. Então, eu acho que isso foi muito importante. Tudo o que o pai passou para nós, a coragem de continuar com esse legado e enfrentar tudo o que foi enfrentado”, disse Tiago Anese.

Com toda a trajetória e inspiração da família, Luis Anese contou que aprendeu desde cedo o valor de ser trabalhador. Segundo ele, os ensinamentos recebidos dos pais também serão transmitidos aos filhos, para que conheçam a própria história e saibam de onde vieram.

“Meu pai sempre falava: ‘sejam honestos, sejam honrados, trabalhem pela família, cultivem bem e plantem bem que sempre vão vir resultados’. O produtor é nada mais, nada menos que um cientista do solo. A gente cultiva e ajuda a cuidar do solo para proteger a natureza. Desde pequeno, desde o Rio Grande do Sul, a gente cultiva, a gente plantava soja, trigo, milho junto com a família. Então, hoje é um segmento, a gente não pensou em ter outra profissão a vontade é sempre de plantar e de colher, é aquela alegria. Mesmo em tempos difíceis, a gente segue firme, porque é um legado que a gente vem seguindo há vários anos e vai passar isso para os filhos, com certeza”, afirmou.

A história da família Anese mostra que o legado construído no campo vai além da produção. Ele também está nos ensinamentos transmitidos entre gerações, na coragem para recomeçar e na escolha de continuar uma trajetória iniciada pelos pais. Em Querência, Luis e Tiago seguem escrevendo essa história, agora com o compromisso de levar os mesmos valores aos filhos.

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Tecnologia é aposta da BASF para elevar a produtividade agrícola MT

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Fungicida com molécula inédita e biotecnologia contra nematoides estão entre as novidades apresentadas pela empresa

O agronegócio brasileiro chegou a um ponto de inflexão. Diante da instabilidade climática, da crescente complexidade dos sistemas produtivos e da necessidade de manter competitividade e rentabilidade no campo, há um consenso crescente entre pesquisadores, consultores agronômicos e lideranças do setor de que o próximo salto de crescimento do agro não virá da abertura de novas fronteiras agrícolas, mas da adoção de tecnologias capazes de ampliar a produtividade dentro do hectare já cultivado.

Essa discussão esteve no centro dos debates do Top Ciência 2026, movimento promovido pela BASF Soluções para Agricultura, que reuniu pesquisadores, consultores e especialistas, entre eles André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult; Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial; e Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital. Ao longo do encontro, os participantes discutiram os principais desafios e oportunidades da próxima década do agronegócio brasileiro.

Entre os pontos que mais apareceram nas discussões, esteve a percepção de que os próximos ganhos de competitividade dependerão menos da expansão territorial e cada vez mais da integração entre ciência, tecnologia e conhecimento agronômico para ampliar a produtividade dentro dos sistemas produtivos.

Nesse cenário, a indústria tem acelerado o desenvolvimento de inovações voltadas aos desafios do campo. Segundo Graciela Mognol, diretora de Marketing da BASF Soluções para Agricultura, o desafio é transformar avanços tecnológicos em resultados concretos para o agricultor.

“O agro brasileiro continuará crescendo, mas o futuro exige que a inovação aplicada se traduza rapidamente em resultados reais e sustentáveis na lavoura. O agricultor e o consultor que estão no campo nos pedem soluções que não apenas protejam o cultivo, mas que mudem o patamar produtivo dentro do espaço que eles já possuem”, afirma a executiva.

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A busca por esse novo ciclo de produtividade também orienta a estratégia de inovação da companhia. Com foco nos desafios apontados por agricultores, consultores e pesquisadores, a empresa vem direcionando investimentos para tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos sistemas produtivos e contribuir para a sustentabilidade do negócio agrícola.

Entre as novidades estão o fungicida com a nova molécula Pavecto e a biotecnologia NRS (Nematode Resistant System) para soja resistente a nematoides. Com previsão de lançamento até o fim de 2027 e final desta década, respectivamente, as duas iniciativas são exemplos práticos de como a ciência está se adequando às exigências imediatas do campo.

O novo ingrediente Pavecto, por exemplo, responde a um alerta antigo dos fitopatologistas sobre a resistência dos fungos que causam doenças nas plantas. Ao introduzir um grupo químico inédito no mercado, as tetrazolinonas, a molécula oferece uma nova alternativa para garantir eficiência de controle no manejo de culturas como soja e algodão, além de milho.

Em outra frente de inovação, voltada para sementes de soja, a tecnologia NRS poderá gerar uma revolução no campo capaz de reverter prejuízos anuais de R$ 35 bilhões de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia. A biotecnologia ajudará no controle de nematoides, que são uma praga de solo invisível a olho nu e que é considerada um dos maiores problemas da agricultura do país. Esta ferramenta inédita no mundo contribuirá diretamente na redução da população deste tipo de verme, beneficiando inclusive as culturas seguintes na mesma área.

“A agricultura está cada vez mais complexa, o que exige soluções capazes de responder a diferentes desafios do sistema produtivo. Pavecto e NRS representam esse avanço da ciência ao apoiar o agricultor em diferentes frentes, desde a proteção das lavouras até o manejo de desafios que impactam a produtividade”, reforça Rafael Vicentini, diretor de Marketing de Sistemas de Cultivo Soja da BASF.

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As duas tecnologias refletem um movimento mais amplo observado durante os debates do Top Ciência: a busca por soluções capazes de atuar não apenas sobre problemas isolados, mas sobre a produtividade e a resiliência dos sistemas produtivos como um todo.

Ciência e inovação para uma agricultura mais produtiva

A discussão sobre produtividade também passa pela capacidade de transformar conhecimento em soluções aplicáveis ao campo. Entre os principais pontos abordados por pesquisadores, consultores e especialistas durante o Top Ciência, está a necessidade de aproximar cada vez mais a ciência dos sistemas produtivos, combinando diferentes tecnologias para enfrentar desafios cada vez mais complexos da agricultura brasileira.

Nesse contexto, o pesquisador da Embrapa Gustavo Spadotti destacou a importância de uma ciência adaptada às condições tropicais para a evolução da agricultura nacional e reforçou que ainda existe espaço para avanços significativos de produtividade sem a necessidade de expansão proporcional da área cultivada.

“O Brasil possui espaço para elevar a produtividade e, simultaneamente, utilizar de maneira mais eficiente as áreas já abertas. O próximo avanço dependerá da disseminação de conhecimento e tecnologias capazes de reduzir as diferenças de desempenho entre os sistemas produtivos”, afirmou.

Visão sistêmica: o conhecimento humano em primeiro lugar

A necessidade de reduzir essas diferenças de desempenho passa por uma compreensão mais ampla dos sistemas produtivos. Para os especialistas reunidos no Top Ciência, os desafios atuais da agricultura já não podem ser tratados de forma isolada. Questões relacionadas à produtividade, doenças, pragas, sustentabilidade, manejo e rentabilidade exigem uma visão cada vez mais integrada dos sistemas produtivos.

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Para a BASF, esse cenário reforça a importância de combinar diferentes frentes de inovação, conectando proteção de cultivos, biotecnologia, agricultura digital e conhecimento agronômico para apoiar decisões mais eficientes e contribuir para a longevidade do negócio agrícola. Essa visão também orienta os investimentos globais da empresa, que somam cerca de € 1 bilhão ao ano em pesquisa e desenvolvimento.

Parte dessa estratégia passa justamente pela aproximação entre a pesquisa, a indústria e os profissionais que atuam diretamente no campo. Essa conexão entre o conhecimento científico e a realidade brasileira ganha escala quando ideias acadêmicas viram soluções práticas. Um exemplo disso ocorreu no Top Ciência, quando a companhia premiou dez projetos de especialistas que já estão transformando desafios operacionais em ganhos de eficiência e rentabilidade nas fazendas brasileiras.

Afinal, ao longo das últimas décadas, o avanço da agricultura tropical no Brasil foi impulsionado justamente pela ciência. Diante dos novos desafios do campo, esse conhecimento precisa continuar evoluindo e sendo traduzido em soluções que considerem as variáveis do sistema produtivo, garantindo a longevidade do negócio agrícola.

“A trajetória da agricultura brasileira mostra que os avanços do setor foram construídos a partir da conexão entre ciência, inovação e aplicação prática. O papel do Top Ciência é justamente fortalecer essa ponte, aproximando pesquisa, consultoria, indústria e agricultores para transformar conhecimento em produtividade, competitividade e valor para o campo”, conclui Eduardo Santos, Gerente Sênior de Desenvolvimento Técnico da BASF Soluções para Agricultura.

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