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6 de junho de 2026

Sustentabilidade

Tarifas americanas ameaçam US$ 334 milhões em exportações gaúchas – MAIS SOJA

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Uma proposta de sobretaxa de 25% sobre importações americanas, amparada na Seção 301 do Trade Act de 1974, coloca o agronegócio brasileiro, especialmente o gaúcho, diante de um dos maiores riscos comerciais dos últimos anos. A análise foi produzida pela Assessoria Econômica da Farsul e divulgada nesta terça-feira (2/6).

Segundo o levantamento, 43,7% das exportações brasileiras totais aos Estados Unidos estariam dentro do escopo da proposta, o equivalente a US$ 16,5 bilhões em vendas anuais. No Rio Grande do Sul, a exposição é bem maior, onde 81,1% das exportações totais ao mercado americano (US$ 1,34 bilhão) estariam sujeitas à sobretaxa. O impacto tarifário potencial sobre o estado seria de US$ 334 milhões.

“O Rio Grande do Sul apresenta vulnerabilidade desproporcionalmente maior”, constata o relatório. A explicação está na composição da pauta exportadora gaúcha, concentrada em madeira, fumo e produtos florestais , exatamente os setores que ficaram de fora das listas de exclusão elaboradas pelo escritório comercial americano (USTR).

No setor agropecuário, o contraste entre o Brasil e o Rio Grande do Sul é ainda mais acentuado. Enquanto 36,8% do agronegócio brasileiro exportado aos EUA estaria dentro da proposta (US$ 4,19 bilhões), no RS esse percentual chega a 74,9% (US$ 575 milhões). O impacto tarifário potencial sobre o agro gaúcho seria de US$ 144 milhões.

Os produtos mais vulneráveis do estado são o fumo não manufaturado tipo Virgínia (US$ 122 milhões exportados, com possível sobretaxa de US$ 30 milhões), madeira serrada de Pinus (US$ 81 milhões), calçados de couro (US$ 62 milhões) e fumo tipo Burley (US$ 49 milhões). Juntos, apenas os dois tipos de fumo representam 31,4% de todo o agronegócio gaúcho dentro da proposta.

No Brasil, os mais afetados seriam o sebo bovino (US$ 416 milhões), produtos florestais como obras de marcenaria e madeira compensada, e o complexo sucroalcooleiro (US$ 401 milhões).

Essa assimetria tem raiz estrutural. Produtos como carne bovina fresca, suco de laranja concentrado, café em grão e fertilizantes já constam nas listas de exclusão da proposta americana, o que protege parcelas relevantes do agronegócio nacional. O RS, no entanto, não exporta esses itens em volume expressivo para os EUA. Sua pauta é dominada por fumo e madeira, produtos que não receberam o mesmo tratamento nas negociações.

Isso significa que, enquanto o Brasil tem 56,3% de suas exportações totais protegidas pelas exclusões, o RS tem apenas 18,9% nessa condição.

Risco real

O relatório da Farsul é cuidadoso ao contextualizar os números. Os US$ 334 milhões de impacto tarifário potencial sobre o RS não representam automaticamente uma perda financeira equivalente. A sobretaxa pode se materializar de formas distintas: redução de margem dos exportadores, queda no volume embarcado, perda de market share para concorrentes ou repasse parcial de preço ao importador americano.

Porém, o documento é claro quanto ao cenário: “A negociação sobre inclusões e exclusões será crítica para mitigar impactos econômicos.”

A investigação americana não se limita a barreiras tarifárias tradicionais. Washington aponta práticas consideradas desleais por parte do Brasil em temas como o sistema de pagamentos instantâneos PIX, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas de combate ao desmatamento. A abrangência da investigação abre caminho para medidas setoriais que vão além de uma tarifa uniforme.

Para o Rio Grande do Sul, estado que em 2025 exportou US$ 1,65 bilhão para os Estados Unidos, o desfecho das negociações entre Brasília e Washington terá consequências concretas e urgentes.

Confira Nota técnica na íntegra.

Fonte: Farsul



 

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Sustentabilidade

Emater/RS: Com 97% da área colhida, milho no RS apresenta grãos úmidos e preço em alta – MAIS SOJA

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A colheita de milho avançou lentamente e alcançou 97% da área cultivada. As lavouras remanescentes correspondem principalmente a pequenas propriedades em cultivos implantados em sucessão a milho ou feijão, nos períodos mais tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

As áreas estão predominantemente em maturação, favorecidas pelas condições de tempo estável, observadas no período. As temperaturas mais baixas e a redução da radiação solar têm prolongado o ciclo final da cultura, retardando a perda de umidade dos grãos e a conclusão da colheita em algumas regiões.

De modo geral, as lavouras tardias apresentam desempenho produtivo satisfatório, embora a elevada umidade dos grãos colhidos exija secagem para a manutenção da qualidade durante o armazenamento. Em áreas ainda em enchimento de grãos, os impactos das geadas foram limitados e localizados, sem comprometer significativamente o potencial produtivo estadual.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita avançou, na Região da Campanha, em função da liberação de máquinas após o encerramento da safra de soja. Em Aceguá, foram colhidos 20% dos 1.000 hectares cultivados, e a produtividade deverá ficar cerca de 30% abaixo da estimativa inicial de 4.800 kg/ha. Em Hulha Negra, 10% dos 1.600
hectares foram colhidos. Em Candiota, a colheita alcançou 50% dos 900 hectares cultivados.

Em Dom Pedrito, onde predominam lavouras de maior investimento tecnológico e áreas irrigadas, restam em fase de maturação 2% dos 2.500 hectares, com previsão de conclusão da colheita nos próximos dias.

Na de Ijuí, a colheita de milho está tecnicamente encerrada, e restam apenas áreas pontuais para a finalização dos trabalhos. O rendimento médio obtido nas áreas colhidas é de 9.240 kg/ha.

Na de Santa Rosa, a colheita atinge 98%, e 2% estão em maturação. As lavouras que completaram recentemente a formação de grãos apresentaram boa evolução. Contudo, as temperaturas mais baixas associadas à frequente formação de nevoeiros nas primeiras horas do dia têm favorecido o avanço de doenças foliares nas áreas mais tardias.

Na de Soledade, as lavouras semeadas nos períodos intermediário e tardio do ZARC apresentam desenvolvimento satisfatório. Ainda há 5% das áreas em enchimento de grãos, 5% em maturação fisiológica e 2% em maturação de colheita; 88% foram colhidos. A redução da radiação solar e das temperaturas tem prolongado a fase de maturação. A qualidade dos grãos colhidos está boa, mas há elevada umidade, demandando secagem antes do armazenamento.

Comercialização (saca de 60 quilos)

Conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar, o preço do milho aumentou 0,87%, de R$ 58,76 para R$ 59,27, em média, no Estado.

Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Quais os principais desafios para a soja brasileira? Congresso reúne lideranças e debate o futuro do setor

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Soybean pods on soybean plantation, on farmer open palm hand background, close up.

O futuro da produção de soja no Brasil, os desafios econômicos enfrentados pelos produtores e as perspectivas para as próximas safras estiveram no centro dos debates da 2ª edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja, evento realizado em Brasília.

Entre os principais temas abordados estiveram o endividamento rural, a renegociação de dívidas, o seguro agrícola, os custos de produção, a comercialização da safra e as condições de acesso ao crédito. As discussões ocorreram em um momento de preocupação crescente com a rentabilidade do produtor e o cenário econômico para a próxima temporada.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, destacou a necessidade de união entre as entidades do setor diante do atual contexto econômico e regulatório. “Quando a gente olha todo esse cenário interno do Brasil, vemos um problema muito grande, onde as leis brasileiras hoje trabalham praticamente para inviabilizar a produção”, afirmou.

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A geopolítica também ganhou espaço nos debates. Especialistas avaliaram como as mudanças nas relações comerciais internacionais, as disputas entre grandes potências e as incertezas políticas podem influenciar a tomada de decisão dentro das propriedades rurais e impactar a competitividade da soja brasileira no mercado global.

Outro tema que mobilizou os participantes foi o Plano Safra 2026/27. Representantes do setor defenderam condições mais favoráveis para o financiamento da produção, especialmente diante do atual cenário de juros elevados e do aumento dos custos operacionais.

A eficiência produtiva e o uso de tecnologia foram apontados como fatores essenciais para sustentar a competitividade da agricultura brasileira. ”A nossa eficiência dentro da lavoura tem mostrado a capacidade do produtor brasileiro de proteger sua produção. Com tecnologia, inovação e novas técnicas de manejo, conseguimos defender a produtividade mesmo diante de cenários desafiadores”, afirmou Mauro Osaki, pesquisador da Esalq-USP.

Além das palestras e painéis, o congresso marcou o lançamento de uma cartilha sobre pragas quarentenárias, consideradas uma das principais ameaças fitossanitárias à agricultura nacional. A iniciativa busca orientar produtores sobre medidas preventivas e ferramentas de monitoramento para evitar a entrada e disseminação dessas pragas nas lavouras brasileiras.

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Sustentabilidade

Atualizações climáticas para junho indicam variação de chuvas e temperaturas acima de média para o período – MAIS SOJA

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Como resultado da concentração das chuvas nos extremos do país, maio foi marcado por precipitações expressivas nas regiões Norte e Sul do Brasil. Em contrapartida, a região Central registrou baixos volumes pluviométricos, comprometendo a disponibilidade hídrica do solo e impactando negativamente o desenvolvimento das culturas agrícolas. Entre os estados mais afetados pelo déficit hídrico destacam-se Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

De acordo com o mais recente boletim de monitoramento das condições das lavouras da Conab, grande parte das áreas cultivadas com milho segunda safra, algodão e feijão nesses estados encontra-se em fases críticas de desenvolvimento (Figura 1). Nesse cenário, a ocorrência de chuvas nos próximos dias será fundamental para a reposição da umidade do solo e para a manutenção do potencial produtivo dessas culturas, especialmente nas áreas conduzidas em sistema de sequeiro, mais suscetíveis aos efeitos da deficiência hídrica.

Figura 1. Monitoramento semanal das condições das lavouras. 1 de Junho de 2026.
Fonte: Conab (2026)

Em relação às previsões climáticas para junho, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) projeta um padrão irregular de distribuição das chuvas no Brasil. Na Região Norte, são esperados volumes acima da média em áreas do Pará, Amazonas e Amapá, enquanto partes de Roraima e do noroeste paraense tendem a registrar precipitações abaixo da média para o período. No Nordeste, os maiores acumulados são previstos para o norte do Maranhão e do Piauí, além de áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Já na Região Centro-Oeste, predominam volumes próximos à média histórica, com exceção de uma pequena faixa no sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde as chuvas podem ficar abaixo do normal. No Sudeste, a previsão indica precipitações inferiores à média no sul de Minas Gerais e em grande parte de São Paulo. Por sua vez, na Região Sul, os volumes de chuva tendem a ficar acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná e no nordeste de Santa Catarina são esperadas precipitações dentro da normalidade ou abaixo dela (INMET, 2026).

Figura 2. Previsão de anomalias da precipitações e de temperatura para Junho de 2026.
Fonte: INMET (2026)

Em especial na Região Centro-Oeste, a confirmação das previsões climáticas para junho poderá intensificar as restrições hídricas já observadas em algumas áreas. A combinação entre baixos volumes de chuva previstos e temperaturas acima da média tende a aumentar a demanda evaporativa da atmosfera, reduzindo a disponibilidade de água no solo e elevando o risco de perdas no crescimento e na produtividade das culturas agrícolas, sobretudo em sistemas de sequeiro. Para o período, são previstas temperaturas entre 1,0°C e 1,5°C acima da média histórica, caracterizando um outono/inverno mais quente em comparação ao registrado no ano anterior.

Em relação ao ENOS (El Niño-Oscilação Sul), embora os modelos climáticos indiquem probabilidade crescente de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e aos seus impactos regionais (Figura 3). As projeções variam entre os diferentes modelos meteorológicos, o que reforça a necessidade de planejamento e adoção de estratégias de manejo que considerem distintos cenários climáticos. Nesse contexto, práticas que aumentem a resiliência das lavouras frente às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo das culturas.

Figura 3. Previsão do modelo ENOS a partir de maio de 2026.
Fonte: IRI (2026)

Confira no vídeo abaixo as atualizações climáticas apresentadas pelo Prof. Fábio Marin no Boletim do Sistema Tempocampo/Esalq de junho de 2026.


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Referências:

CONAB. MONITORAMENTO SEMANAL DAS CONDIÇÕES DAS LAVOURAS. Companhia Nacional de Abastecimento, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/progresso-de-safra/acompanhamento-das-lavouras-25-05-a-31-05-26/monitoramento-das-condicoes-das-lavouras.pdf >, acesso em: 05/06/2026.

INMET. JUNHO: COMO SERÁ O CLIMA NO BRASIL? Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://portal.inmet.gov.br/noticias/junho-como-ser%C3%A1-o-clima-no-brasil-4 >, acesso em: 05/06/2026.

IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate School International Research Institute For Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 05/06/2026.

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