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24 de julho de 2026

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Pulverizador autônomo e colhedora de cana: lançamentos da Jacto na Agrishow reduzem perdas e ampliam produtividade

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Foto: Jacto

A automação e a mecanização avançada ganham espaço na Agrishow 2026. A Jacto apresenta na feira de tecnologia de Ribeirão Preto (SP) dois novos equipamentos que ampliam sua atuação no campo: o pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV, agora disponível para venda, e a colhedora Hover 500, que marca a entrada da empresa em colheita de cana.

Os lançamentos refletem o avanço de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade, redução de custos operacionais e maior eficiência nas operações agrícolas.

Pulverização autônoma e operação 24 horas

O Arbus 4000 JAV chega ao mercado após um período de validação em condições reais. Segundo a empresa, o equipamento acumulou mais de 16 mil horas de trabalho em quase 60 mil hectares antes de ser lançado comercialmente.

O modelo atua sem operador a bordo, com supervisão remota, o que reduz a exposição a riscos no campo.

Outro diferencial é o sistema de “comboio”, que permite que um único operador controle até quatro máquinas simultaneamente. Com isso, o ganho de produtividade pode chegar a 300% por operador.

A possibilidade de operação contínua, 24 horas por dia, também contribui para aumentar a eficiência. Nessa condição, o desempenho pode ser até 30% superior ao de pulverizadores convencionais.

Cada equipamento tem capacidade de aplicações em mais de 1.000 hectares por mês, dependendo do ajuste da operação.

pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV, da Jacto
O pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV pode ter operação contínua 24h por dia. Foto: Jacto

Aplicação inteligente com sensores e IA

O pulverizador conta com sensores a laser que escaneiam as plantas em tempo real. A tecnologia permite ajustar automaticamente a aplicação conforme o porte e a posição da vegetação.

Com apoio de inteligência artificial (IA), o sistema cria um modelo virtual da lavoura, estimando tamanho das copas e espaçamento entre plantas para otimizar a operação.

A telemetria embarcada coleta dados continuamente e envia as informações para o aplicativo Jacto Connect, permitindo o acompanhamento e a tomada de decisão em tempo real.

Além disso, o equipamento possui até seis ventiladores na torre de pulverização, o que possibilita aplicação variável e maior eficiência no uso de insumos.

Colheita em duas linhas de cana simultaneamente

A colhedora Hover 500 pode dobrar a produtividade por hora de trabalho. Foto: Jacto

Outra novidade é a Hover 500, colhedora de cana que marca a entrada da Jacto no segmento.

O principal diferencial do equipamento é a capacidade de colher duas linhas simultaneamente, mantendo a mesma velocidade de máquinas convencionais de uma linha.

Na prática, isso pode dobrar a produtividade por hora de trabalho.

Menos perdas e maior preservação do canavial

A Hover 500 foi projetada para acompanhar as irregularidades do solo, reduzindo danos à soqueira — fator importante para a longevidade do canavial.

A máquina possui bitola de 2,7 metros, dimensionada para trafegar nas entrelinhas dos plantios convencionais, coincidindo com os rastros de tratores e transbordos.

Esse padrão reduz o pisoteio e pode diminuir em até 60% a área compactada em comparação com colhedoras de uma linha.

Outro destaque é o sistema de limpeza por sopro, que reduz perdas por estilhaçamento e melhora a eficiência da colheita.

Eficiência operacional e menor consumo

A colhedora também traz ganhos no consumo de combustível, com acionamentos mecânicos mais eficientes e sistema de limpeza otimizado.

Com isso, a proposta é aumentar a eficiência operacional ao mesmo tempo em que reduz custos no campo.

Avanço da tecnologia no agro

Os lançamentos apresentados na Agrishow indicam um movimento de ampliação da automação e da mecanização inteligente no campo.

De um lado, o pulverizador autônomo reforça a tendência de operações com menor dependência de mão de obra direta. De outro, a entrada no segmento de colheita de cana amplia o portfólio da empresa em uma das principais cadeias produtivas do país.

A combinação de sensores, inteligência artificial e engenharia aplicada aponta para um cenário de operações mais precisas, conectadas e eficientes no agronegócio brasileiro.

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Chuva acima da média eleva risco no trigo gaúcho e interrompe operações na cana

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A Região Sul deve seguir com volumes acumulados de chuva superiores a 100 milímetros em partes do Rio Grande do Sul nos próximos dias, segundo relatório da empresa de sensoriamento remoto EarthDaily. De acordo com a avaliação, a combinação entre umidade elevada e temperaturas acima da média aumenta o risco de doenças no trigo. No Paraná e em Mato Grosso do Sul, a chuva também reduziu o ritmo ou interrompeu temporariamente operações de campo na cana-de-açúcar.

A EarthDaily informou que, nos últimos 10 dias, os acumulados de chuva superaram 160 milímetros em algumas localidades do Sul do País. No Rio Grande do Sul, a persistência das precipitações e das temperaturas acima da média mantém um ambiente mais favorável ao avanço de doenças nas lavouras de trigo.

Na zona canavieira do Paraná e de Mato Grosso do Sul, os acumulados superaram 20 milímetros nos últimos dias. Segundo o relatório, esse quadro reduziu o ritmo dos trabalhos ou levou à interrupção temporária das operações de campo.

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Para o trigo no Paraná, o cenário descrito pela empresa é diferente. Na maior parte do Estado, a precipitação acumulada ficou acima da média nos últimos 30 dias e também superou os volumes registrados nos últimos três anos. Esse comportamento, de acordo com a EarthDaily, garante boas condições hídricas para a cultura.

O quadro mostra um contraste dentro da própria Região Sul. Enquanto o excesso de umidade no Rio Grande do Sul amplia o risco fitossanitário para o trigo, no Paraná o regime de chuva sustenta a disponibilidade de água para a mesma cultura. Já nas áreas de cana do Paraná e de Mato Grosso do Sul, o efeito imediato ocorreu sobre a execução das atividades no campo.

O relatório da EarthDaily indica continuidade da chuva no Sul, com volumes acima de 100 milímetros em partes do Rio Grande do Sul, risco maior de doenças no trigo gaúcho, boas condições hídricas para o trigo paranaense e paralisações temporárias em operações de campo da cana no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Javalis se tornam ‘sócios indesejados’ e reviram lavouras de soja no ciclo 26/27; Famato explica como reduzir prejuízos

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Imagem gerada por IA

Além de fatores como o clima e os altos custos de produção, os sojicultores ganharam mais uma preocupação para a safra 2026/27: os javalis. Atraídos por alimento, água e abrigo nas matas vizinhas, esses animais deixam as áreas de vegetação para invadir as lavouras, onde reviram o solo, desenterram sementes e comprometem o desenvolvimento da cultura logo nos primeiros dias após o plantio.

Ao Soja Brasil, o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Famato e presidente do Sindicato Rural de Cláudia (MT), Zilto Donadello, explica que os prejuízos começam ainda na semeadura.

“Os javalis são destrutivos em todas as fases da cultura, inclusive no plantio. Eles possuem um faro capaz de detectar sementes e raízes a até 30 cm de profundidade. Esse comportamento de ‘fuçar’ o subsolo faz com que o animal desenterre sementes e raízes, destrua a estrutura física do solo e atinja diretamente as linhas de semeadura e os grãos”, explica.

Segundo ele, esse comportamento compromete gravemente a lavoura e pode levar à destruição sistemática das áreas produtivas, inclusive de nascentes de água. Os danos, porém, não se restringem ao período de plantio. Donadello afirma que os javalis continuam causando prejuízos durante todo o desenvolvimento da cultura.

“Os javalis são pragas exóticas com elevado potencial de causar danos ao meio ambiente e à produção. Por isso, continuam sendo um problema durante todo o desenvolvimento da planta, agindo como um ‘sócio indesejado’ que pode inviabilizar talhões inteiros. Eles costumam se deslocar em bandos, e o impacto de um único javali no território e no consumo é equivalente ao de quatro queixadas nativos”, diz.

Além de se alimentarem de plantas em diferentes fases de desenvolvimento, como soja e milho, o deslocamento desses grupos provoca danos por pisoteio e amassamento, agravando ainda mais as perdas de produtividade.

O problema já está espalhado por praticamente todo o país, mas é mais intenso nas regiões de maior produção agrícola, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. “O problema é mais crítico nas regiões de grande produção de alimentos. De acordo com o mapa de risco sanitário, as áreas de maior ocupação concentram-se do Sul para o Norte. Portanto, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país são hoje as mais preocupantes”, afirma.

Segundo Donadello, Mato Grosso é um dos estados que mais preocupam. Ele explica que há uma mobilização para garantir maior autonomia legislativa, permitindo que o produtor realize o controle da praga de forma menos burocrática, tratando o javali com o mesmo rigor legal aplicado a outras pragas agrícolas, como ratos e gafanhotos.

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Diferentes formas de perigo

Além dos prejuízos às lavouras, o coordenador alerta que o crescimento da população de javalis também representa riscos à pecuária, à fauna nativa e às exportações brasileiras. “O problema não se restringe ao impacto econômico, que é massivo. Vai além da perda direta de plantas e representa um risco para toda a sociedade”, afirma.

Segundo ele, com o aumento da população, os ataques de javalis a pessoas, animais domésticos e espécies da fauna nativa têm se tornado cada vez mais frequentes. Além disso, os animais podem atuar como vetores de doenças graves, como a Peste Suína Clássica, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa.

“Essas doenças podem fechar as fronteiras internacionais para a exportação da carne brasileira, gerando prejuízos de bilhões de dólares ao país”, destaca.

Então, como reduzir os impactos?

Para reduzir os prejuízos, a Famato orienta que o manejo seja realizado dentro das normas do Ibama e recomenda ações integradas entre propriedades vizinhas. Pelas regras estabelecidas nas Instruções Normativas Ibama nº 03/2013 e nº 12/2019, produtores e controladores parceiros devem estar cadastrados no Cadastro Técnico Federal, possuir autorização emitida pelo Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf) e contar com a permissão formal do proprietário da área cadastrada no CAR.

O órgão ambiental também proíbe o transporte de animais vivos e a comercialização da carne, devido ao risco de zoonoses e à ausência de inspeção sanitária. Além disso, exige o envio periódico de relatórios de manejo.

“Pelas recomendações de campo difundidas pela Famato e respaldadas pelo Manual de Boas Práticas do Ibama e da Embrapa, além da caça, as estratégias que apresentam os melhores resultados combinam a captura coletiva em armadilhas de grande porte para a eliminação dos bandos”, pontua.

Segundo Donadello, a Famato também orienta o enterro sanitário das carcaças e a atuação conjunta entre propriedades vizinhas para evitar que os javalis apenas migrem de uma fazenda para outra.

A entidade também defende mudanças na legislação para tornar o controle mais eficiente. “A estratégia nacional precisa ser modernizada para conferir segurança jurídica, agilidade e eficiência operacional ao produtor e aos controladores legalizados. Somente com regras claras, processos acessíveis e mecanismos descentralizados será possível proteger a biossegurança e a biodiversidade brasileira de forma organizada e mais efetiva”, conclui.

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Calendário eleitoral exige estratégia do agro no Congresso

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Foto: Freepik

As janelas de votação de agosto e setembro vão concentrar decisões sobre seguro rural, endividamento, orçamento e segurança jurídica antes que a disputa eleitoral domine Brasília.

O calendário eleitoral entra em sua fase decisiva em agosto, com o prazo para registro das candidaturas e o início oficial das campanhas. A movimentação não afeta apenas partidos e candidatos. Ela também muda o ritmo do Congresso e reduz o tempo disponível para negociações e votações relevantes.

Com parlamentares divididos entre Brasília e suas bases eleitorais, a atividade presencial deverá se concentrar em poucas semanas. O Senado prevê esforços concentrados entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, em calendário alinhado à Câmara.

Nesse período, as pautas prioritárias terão de disputar espaço com dezenas de vetos presidenciais pendentes. O Legislativo não ficará paralisado, mas propostas sem acordo político, apoio das lideranças ou condições de votação terão poucas chances de avançar.

Para a bancada do agro, o primeiro desafio será definir prioridades. A força numérica e a capacidade de articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) continuam relevantes, mas um segundo semestre eleitoral exige escolhas. Uma agenda extensa, sem uma ordem clara de urgência, pode diluir apoios e dificultar resultados concretos.

O seguro rural está entre os temas que reúnem urgência econômica e possibilidade de convergência. A proposta que reformula o sistema e cria instrumentos para eventos climáticos de grande impacto está em fase avançada de tramitação no Senado. A expectativa é de que o tema retorne à pauta após o recesso parlamentar.

A aprovação de uma nova legislação, porém, representa apenas uma parte da solução. O funcionamento do seguro depende de recursos orçamentários previsíveis, estabilidade nas regras e produtos adequados às diferenças entre culturas e regiões. Sem essa estrutura, o país continuará recorrendo a renegociações emergenciais sempre que secas, enchentes ou quedas de preços comprometerem a capacidade de pagamento dos produtores.

O endividamento rural será outra frente de atenção. De um lado, produtores afetados por perdas de safra e eventos climáticos pressionam por condições viáveis de pagamento e recuperação do acesso ao crédito, exigindo a aprovação do PL 5122/2023. De outro, o governo buscará controlar o impacto fiscal e delimitar o alcance dos benefícios, o que ocasionou a apresentação da Medida Provisória 1376/2026, como uma alternativa ao PL.

Esta derivou de articulação com a FPA e contou com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, o que poderá favorecer a sua deliberação. As medidas visam à criação de linhas de crédito para liquidação ou amortização de operações rurais e precisarão ser aprovadas pelo Congresso para manter sua validade. O resultado dependerá da construção de critérios capazes de atender situações críticas sem criar uma solução genérica para realidades distintas.

Há ainda propostas relacionadas à segurança jurídica no campo, incluindo mudanças nos critérios de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). A discussão envolve transparência na definição do Valor da Terra Nua (VTN) e redução de distorções na avaliação dos imóveis. Mesmo com avanço nas comissões, a matéria terá de disputar espaço nas semanas de presença efetiva dos parlamentares em Brasília.

Nesse ambiente, a bancada do agro precisará combinar atuação legislativa, articulação institucional e comunicação política. A campanha eleitoral tende a ampliar discursos de confronto e reduzir o espaço para explicações técnicas. A questão agora é quais temas serão tratados como prioridade e quais ficarão para a próxima legislatura.

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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