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7 de junho de 2026

Business

Agro brasileiro será referência na ‘segunda onda’ da IA, diz especialista

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Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro está à frente da chamada “segunda onda” da inteligência artificial. Essa é a opinião do gerente regional da ELO Digital Office Espanha, Rodny Coronel. Segundo, a ferramenta já tem ganhado contornos mais concretos e imediatos no país.

“O agronegócio brasileiro não está mais testando IA. Está começando a incorporá-la nos processos-chave, e isso muda completamente o jogo competitivo”, afirma.

De acordo com estudo da empresa de software, cerca de 40% das empresas brasileiras já adotam ferramentas de inteligência artificial, o que coloca o Brasil em linha com os mercados mais avançados da Europa. Nesta esfera, os impactos já são mensuráveis: 95% relatam aumento de receita e 96% ganhos de produtividade.

No agro, esses números se traduzem em eficiência operacional, maior controle de processos e capacidade ampliada de resposta às exigências de mercado, em especial em cadeias altamente reguladas, como soja e carne e na exportação dessas e de outras commodities.

Coronel ressalta que a digitalização de contratos agrícolas, a automação de pedidos de compra, a rastreabilidade documental e o uso de análise preditiva já fazem parte da rotina de grandes players e começam a se expandir para médias empresas. “O Brasil demonstra, na prática, como a IA pode sair do discurso e gerar resultado financeiro direto no agro”, destaca.

O que foi a ‘primeira onda’?

O especialista afirma que a primeira fase da transformação digital no agro brasileiro foi marcada pela digitalização de processos. Agora, com a IA, o setor evolui para um novo patamar: a inteligência operacional.

Aplicações como análise de linguagem natural e automação de fluxos de trabalho já impactam áreas críticas, incluindo compliance, gestão de fornecedores, certificações internacionais e controle de qualidade, considerados pontos sensíveis para empresas exportadoras.

Coronel afirma que no contexto brasileiro, onde a cadeia agroindustrial é extensa e fragmentada, a IA resolve um problema estrutural: a dispersão de informações.

“Do contrato com o produtor ao embarque no porto, há uma enorme quantidade de dados desconectados. A IA permite integrar, interpretar e ativar essas informações em escala”, detalha.

‘A segunda onda’

Agora, o onceito de “segunda onda” marca uma mudança estratégica. Se antes a IA era aplicada de forma pontual, como em ferramentas isoladas, agora o foco é a automação de ponta a ponta dos processos de negócio.

No agronegócio brasileiro, isso significa integrar a IA em toda a cadeia documental e operacional: desde o recebimento de insumos até a comercialização e exportação, passando por certificações, faturamento, logística e conformidade regulatória.

“A vantagem competitiva não está em automatizar tarefas, mas em orquestrar processos completos com IA”, resume o gerente regional da ELO Digital Office Espanha.

Para ele, esse ponto é decisivo, visto que embora a maioria das empresas já utilize IA em alguma função, poucas conseguem capturar valor financeiro relevante. As que conseguem são justamente aquelas que redesenham seus fluxos operacionais de forma integrada.

Gestão documental inteligente

Nesse cenário, a gestão documental deixa de ser uma função administrativa e passa a ocupar posição estratégica no agro brasileiro. Coronel destaca que algumas plataformas já permitem automatizar a captura de documentos, extrair dados com IA, gerenciar fluxos de trabalho dinâmicos e acessar informações por meio de linguagem natural.

“O ganho é direto: processos que levavam dias passam a ser concluídos em horas, com total rastreabilidade”, conta.

Para o agronegócio, isso impacta diretamente operações como a gestão de contratos com produtores, cooperativas e tradings, o controle de certificações e exigências internacionais, a integração com sistemas ERP e CRM, a otimização de compras e vendas e a redução de erros operacionais e riscos regulatórios.

“Em um setor de margens pressionadas e alta complexidade operacional, esses ganhos são decisivos”, defende o especialista.

Pressão regulatória

Coronel visualiza que o ambiente regulatório global, especialmente para exportações, impõe desafios adicionais ao agro brasileiro. Rastreabilidade, compliance ambiental e segurança de dados são cada vez mais exigidos por mercados internacionais.

Nesse contexto, ele enxerga a IA não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas um instrumento de conformidade e gestão de risco. “A tecnologia permite atender às exigências regulatórias sem comprometer a velocidade e a escala das operações”, afirma.

De acordo com o executivo, a mensagem para o setor é clara: o Brasil já entrou na fase de implementação real da IA. E isso tende a se intensificar ao longo de 2026.

Isso porque com um agronegócio altamente competitivo, orientado à exportação e pressionado por eficiência, a adoção estratégica da IA deixa de ser opcional. “O Brasil tem uma vantagem: escala, complexidade e pressão competitiva. Isso acelera a adoção de tecnologias que realmente geram valor”, afirma.

Para o especialista, a “segunda onda” da IA representa mais do que uma evolução tecnológica. Trata-se de uma mudança estrutural no modelo de operação do agronegócio.

O campo brasileiro já é referência global em produtividade. Agora, o diferencial passa a ser outro: a inteligência na gestão de dados. Nesse novo cenário, quem dominar a informação dominará o mercado.

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Estudo analisa seguro rural em 7 países e traz dicas de modelos ao Brasil

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Um novo estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, analisa os sistemas de seguro rurais em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

Os resultados mostram que embora todos reconheçam a importância da ferramenta para mitigar as perdas climáticas e estabilizar as rendas agrícolas, existem diferenças substanciais nos modelos operacionais de cada nação analisada.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o programa federal combina operação privada, forte subsídio ao prêmio, custeio administrativo e suporte público ao resseguro. O resultado é uma cobertura próxima de 90% da área das principais culturas.

Já na Espanha, o sistema se apoia em parceria público-privada. Para o OCSR, essa governança compartilhada demonstra que a previsibilidade institucional e a coordenação entre Estado, seguradoras e produtores são tão importantes quanto o volume do subsídio financeiro.

A Índia, por sua vez, foca na inclusão com intensa intervenção estatal, assumindo a maior parte do prêmio. O programa atinge fortemente pequenos agricultores, embora enfrente alta complexidade operacional. Em contrapartida, o Observatório aponta que modelos com menor apoio mostram fortes fragilidades sistêmicas.

No México, a retirada dos subsídios reduziu a área segurada de mais de 50% para cerca de 16%, colapsando o sistema.

A Argentina conta com um mercado privado focado em granizo, o que resulta em baixa penetração de seguros multirrisco e severa dependência de ações emergenciais pelo governo pós-desastre.

Veja o resumo de todos os países analisados na tabela abaixo:

seguro rural nos países

De acordo com os autores do estudo e pesquisadores do OCSR do FGV Agro, Renato Buranello e Anna Cortelin, o seguro rural tende a se fortalecer quando integrado como política pública estruturada.

“O seguro rural é um instrumento estratégico viável e valioso, desde que apoiado e bem desenhado. Os países que hoje colhem os benefícios da ampla cobertura securitária no campo, investiram nisso ao longo de décadas, aprendendo com os seus erros e aprimorando seus modelos”, declaram.

Segundo eles, para o Brasil fica a recomendação de que é preciso desenvolver um marco institucional claro; garantir apoio orçamentário compatível, envolver seguradoras privadas e agricultores na solução; começar cobrindo os riscos catastróficos-chave e públicos prioritários (pequenos agricultores) e expandir gradualmente.

“O seguro rural não evita desastres, mas mitiga seus impactos, permitindo que a agricultura seja mais resiliente e sustentável diante dos atuais desafios climáticos e do mercado”, concluem.

Lição ao Brasil

O estudo considera que a principal lição global é que o Brasil não deve opor Estado e mercado, mas coordenar suas funções.

“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o instrumento adequado para induzir a transferência de risco às seguradoras e resseguradoras, enquanto o Proagro cumpre uma função pública vital vinculada ao crédito, especialmente para pequenos produtores. O desafio é alinhar esses instrumentos para evitar sobreposições e alta pressão fiscal”, dizem os autores.

O estudo considera que, para funcionar, o PSR precisa urgentemente de previsibilidade orçamentária, já que sem um calendário financeiro estável de liberação de recursos, a instabilidade encarece a operação e impede a consolidação do mercado.

“O Proagro, por sua vez, deve ser uma camada pública bem focalizada, sustentada por bases técnicas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).”

Além disso, o estudo considera ser indispensável a estruturação de uma camada catastrófica, a exemplo do uso do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. “Sem isso, o sistema continuará oscilando entre falta de subvenção em anos normais e um forte impacto aos cofres públicos durante grandes desastres climáticos.”

O estudo completo pode ser acessado aqui.

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Produção de eucalipto salta quase 15% em São Paulo e VPA chega perto de R$ 3 bilhões

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Foto: Divulgação IEA-Apta

Principal espécie da silvicultura de São Paulo, o eucalipto ocupa mais de 77% de toda a área de florestas plantadas do estado, com área superior a 1 milhão de hectares cultivados.

Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) divulgados na última quarta-feira (3) mostram que a cultura vive um momento de expansão em solo paulista: aumento de 14,6%% na produção em 2025 (23,9 milhões de metros cúbicos), com Valor da Produção Agropecuária (VPA) fechado em R$ 2,9 bilhões.

O cultivo da espécie abastece diferentes segmentos da economia, sendo destinado à fabricação de papel e celulose, à geração de energia por biomassa e carvão vegetal e ao fornecimento de matéria-prima para a construção civil e a indústria moveleira, além da utilização na produção de óleos essenciais.

As regiões que mais se destacam no cultivo do eucalipto em São Paulo são o sudoeste paulista, o centro-oeste e o Vale do Paranapanema, áreas que apresentam condições edafoclimáticas favoráveis e relativa disponibilidade de terras, em cidades como Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba, Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e Paranapanema, importantes pólos da silvicultura no estado.

Balança comercial do agro

O produtos florestais ocupam a terceira maior participação nas exportações de São Paulo. O grupo é superado apenas pelo complexo sucroalcooleiro e pelo setor de carnes. Em abril de 2026, este setor alcançou US$ 1,14 bilhão em valor exportado, representando 13,6% do total dos embarques, com a celulose respondendo por 66,3% e o papel por 27,9% desta participação.

A presidente da Câmara Setorial de Produtos Florestais de São Paulo, Fernanda Abilio, ressalta que a indústria florestal paulista possui uma base produtiva consolidada, sustentável e altamente tecnificada, e majoritariamente de eucalipto.

“O crescimento observado no VPA e na produção reflete não apenas a competitividade do setor, mas também sua capacidade de agregar valor, gerar empregos, movimentar exportações e fornecer matéria-prima renovável para diferentes cadeias industriais.”

De acordo com Fernanda, além da produção e exportação, o eucalipto também tem sido aliado no desenvolvimento do agro paulista, principalmente na relação da espécie com o sistema Integração Pecuária, Lavoura e Floresta (ILPF).

Esses sistemas funcionam integrando o plantio de árvores de eucalipto com culturas agrícolas, criação de gado, agricultura regenerativa, como a recuperação de áreas biodegradadas, e o bem-estar animal, no qual o eucalipto aparece como aliado do conforto térmico animal, reduzindo impactos do calor e favorecendo melhores condições fisiológicas e produtivas dos rebanhos Nelore.

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‘Discriminação e profundo desrespeito’: Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros

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Foto: Pixabay

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota pública de repúdio neste sábado (6) sobre a decisão da União Europeia (UE) de impedir, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes, mel e suprodutos de origem animal do Brasil.

Para a entidade, os europeus agem com “profundo desrespeito”, tendo em vista os 25 anos de negociações entre o bloco e o Mercosul após todos os tramites terem sido alinhados entre as partes.

O texto, assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que a UE decidiu mudar as regras do jogo de forma casuística. “Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, acusa.

Segundo ele, a Federação computa a medida como absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória.

Além disso, Meirelles considera que o pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários que o Brasil.

“Convenientemente, [eles] não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade”, destaca a nota assinada.

Sanidade brasileira incontestável

O presidente da Faesp ressalta que quando o assunto é sanidade, o cenário é incontestável: “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de ‘vaca louca’”.

Meirelles enfatiza que a excelência, o status sanitário e o rigor científico da produção agropecuária brasileira são indiscutíveis e reconhecidos mundialmente.

“Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas. O setor produtivo precisa urgentemente de segurança jurídica e respeito às regras e políticas claras de defesa comercial”, destaca Meirelles.

“Vizinhos devem se unir ao Brasil”

A nota da Faesp ainda ressalta que as grandes negociações globais hoje ocorrem estritamente entre blocos econômicos e, sendo assim, torna-se vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem ao Brasil para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.

“Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, diz.

Por fim, a Faesp argumenta que o produtor rural brasileiro faz a sua parte com excelência e responsabilidade de dentro da porteira. “Cabe agora à nossa diplomacia e aos nossos aliados regionais impor o respeito e a soberania que a nossa agropecuária conquistou no cenário internacional, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial”, finaliza.

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