Business
Apesar de rotas fechadas, setor de frango redireciona cargas e mantém abastecimento

O fechamento de rotas estratégicas no Oriente Médio, em meio à guerra na região, obrigou o setor brasileiro de proteína animal a redesenhar sua logística para manter o abastecimento, especialmente em relação à carne de frango.
A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, durante entrevista ao Mercado & Companhia nesta quarta-feira (8).
Segundo ele, cerca de 70 mil toneladas mensais de carne de frango que passavam pelo Estreito de Ormuz tiveram de ser redirecionadas. “A gente conseguiu colocar mais da metade disso através de alternativas”, afirmou. Os custos, contudo, tiveram que ser revistos.
Rotas alternativas e aumento de custos
Santin explicou que para contornar o bloqueio, empresas passaram a utilizar caminhos mais longos e complexos, com desembarque em países como Arábia Saudita e Omã, além de portos nos Emirados Árabes Unidos antes do estreito.
Também houve uso de rotas via Turquia, com acesso ao Iraque por transporte terrestre.
Além do transporte marítimo, a logística passou a incluir etapas adicionais por terra. Em alguns casos, a carga chega à Arábia Saudita e segue de caminhão para outros destinos da região, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait.
“Você descarrega em um país e depois precisa transportar por terra para outros mercados. Isso encarece muito a operação”, explicou.
O aumento dos custos é pressionado ainda pelo preço do combustível e pela chamada taxa de risco de guerra cobrada pelas companhias marítimas. “Tem o encarecimento do diesel dos navios, a taxa de guerra e toda essa logística alternativa. Foi muito custoso”, afirmou.
Apesar disso, Santin ressaltou que o foco do setor tem sido garantir o fornecimento. “O mais importante neste momento é manter o abastecimento. A população não pode enfrentar mais essa dificuldade em meio à guerra”, concluiu.
Divisão de custos e foco no abastecimento
De acordo com o presidente da ABPA, o impacto financeiro tem sido compartilhado com os importadores. Mesmo com contratos já firmados, compradores no Oriente Médio têm colaborado para absorver parte dos custos adicionais.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
“O custo está sendo dividido com os importadores”, afirmou. Segundo ele, o foco neste momento não é apenas preço, mas garantir o fornecimento. “Muita gente não está olhando custo, e sim em manter o abastecimento”, completou.
Ele destacou ainda que há uma preocupação em evitar desabastecimento e pressão inflacionária sobre alimentos durante o conflito. “A gente está fazendo todos os esforços para que essas pessoas não tenham mais uma dificuldade, que é a falta de alimento”, pontuou.
Estratégia para manter o fluxo
Apesar das dificuldades, o setor conseguiu reduzir parcialmente o impacto logístico causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Segundo Santin, a redução foi limitada graças a estratégias como redirecionamento de cargas e uso de armazenagem. “Conseguimos fazer com que a redução de fornecimento ficasse em torno de 18% a 22%”, disse.
Ele destacou ainda que empresas concorrentes passaram a atuar de forma colaborativa. “Há um processo de colaboração, com troca de informações entre as empresas para enfrentar esse período”, afirmou.
Incerteza segue no radar
Além disso, o setor trabalha com diferentes cenários diante da instabilidade no Oriente Médio. Santin afirmou que a estratégia é manter o uso das rotas alternativas e adaptar rapidamente a operação conforme a evolução da guerra.
“Vamos continuar exercendo essas possibilidades alternativas”, disse.
Segundo ele, mesmo em caso de prolongamento do conflito, o setor tem conseguido manter o fluxo de produção e exportação. “A gente consegue manter o setor girando, sem prejudicar o mercado interno”, concluiu.
O post Apesar de rotas fechadas, setor de frango redireciona cargas e mantém abastecimento apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Mel de Capanema conquista Indicação Geográfica e Paraná chega a 29 produtos certificados

O Paraná segue conquistando reconhecimentos com produtos e manufaturas tradicionais e especiais. O mel de Capanema é o mais novo produto paranaense a conquistar uma Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) nesta terça-feira (20). Com o registro, o instituto passa a contar com 183 IGs, um total de 29 estão no Paraná (líder nacional).
O mel produzido no sudoeste do estado foi reconhecido na modalidade Denominação de Origem (DO), que garante qualidade e que características especiais do produto têm origem exclusivamente de fatores naturais e humanos específicos daquela região.
A apicultura na região de Capanema tem base na agricultura familiar e conta com mais de 50 anos de atividade. O pedido de reconhecimento foi apresentado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic). A distinção dessa produção é fruto da interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada no Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina.
Atualmente, os produtores vinculados à associação mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel por ano. Além de abastecer o mercado regional e a rede de serviços do entorno do Parque Nacional do Iguaçu, a produção é comercializada para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.
“A Indicação Geográfica tem tudo a ver com o turismo, porque ela representa o senso de pertencimento regional e traz visibilidade aos produtos típicos dos nossos municípios”, afirma o diretor-presidente do Viaje Paraná, Irapuan Cortes.
Turismo
Em Capanema, diferentes apiários produzem o mel como fonte de renda familiar e alguns já observam, inclusive, o turismo envolvendo a produção como mais uma possibilidade de sustento e divulgação do produto. Exemplo disso é que algumas visitas guiadas com turistas já têm sido feitas e organizadas pela associação.
“Durante as visitações proporcionamos acompanhamento técnico aos visitantes em apiários locais. As pessoas podem conhecer como é feito o processo de extração do mel, conhecer as colmeias, e o tratamento do produto”, explica o presidente da Associação de Apicultores de Capanema e Região, Cleiton Lagemann.
“É uma atividade que pode ajudar na renda de muitas famílias e produtores, então vale a pena investir no turismo. No nosso caso, estamos nos preparando para ampliar essa oferta turística, porque é um passeio diferente, que transmite conhecimento através de uma produção local”, conta a proprietária do Apiário Manchini, Salete Manchini.
Quantidade x qualidade
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná foi o segundo maior produtor do país em 2025, com 10,7 mil toneladas, alta de 7,1%. Em valor da produção, o estado ficou em primeiro, com R$ 217,7 milhões (alta de 17,1%), o equivalente a 17,9% do valor nacional.
Quando se trata de mel com qualidade, o Paraná é uma referência perante o Inpi. Agora, são 4 méis com Indicação Geográfica: o mel de Ortigueira foi certificado em 2015; o mel do Oeste do Paraná, que abrange 48 municípios, em 2017; o mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil, foi concedido a Santa Catarina em 2021 e inclui 12 municípios paranaenses; e, agora, o mel de Capanema.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apoia produtores de diversas atividades produtivas na obtenção da IG, um diferencial de qualidade que amplia oportunidades dos produtos no mercado nacional e internacional.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, explica que o reconhecimento da Denominação de Origem valida o padrão técnico e a identidade do Mel de Capanema.
“Para os pequenos produtores e para a agricultura familiar da região, esse registro fortalece a organização produtiva, protege a procedência no mercado e abre canais comerciais com compradores que exigem conformidade e diferenciação comprovadas”, diz.
Business
Brasil colhe maior safra de maçã da história e quase quadruplica exportações

O Brasil colheu, na safra 2025/26, a maior produção de maçã de sua história, alcançando aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, conforme balanço da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).
O volume é quase o dobro do registrado nas duas temporadas anteriores, que ficaram em torno de 850 mil toneladas, e supera o recorde anterior, de 1,3 milhão de toneladas, alcançado em 2017.
“A safra 2025/26 foi a maior da nossa história, com um volume expressivo de produção e frutos de excelente qualidade. Esse resultado demonstra o potencial da cadeia brasileira da maçã, que reúne tecnologia de ponta, elevado conhecimento técnico e capacidade de produzir frutos de alta qualidade”, afirma o diretor executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque.
Santa Catarina permanece na liderança em volume, com aproximadamente 830 mil toneladas e 52% da área cultivada. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com cerca de 710 mil toneladas, em cerca de 44% da área plantada no país, e o Paraná, com produção estimada em 50 mil toneladas e 3% da área. São Paulo e Minas Gerais respondem pelo restante.
Exportações quase quadruplicam
As exportações brasileiras de maçã alcançaram 48,6 mil toneladas em 2026, ante 13 mil toneladas em 2025. As vendas externas somaram US$ 49,6 milhões. De acordo com a ABPM, o Rio Grande do Sul embarcou 38,7 mil toneladas, seguido por Santa Catarina, com 9,6 mil toneladas, e pelo Paraná, com 56 toneladas.
Em 2026, a maçã brasileira chegou a mais de 25 países. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também figuraram entre os principais mercados compradores.
Ainda que o volume embarcado tenha sido expressivo, a ABPM projetava exportações de 100 mil toneladas neste ciclo. De acordo com a entidade, o volume efetivamente embarcado ficou abaixo da expectativa em razão de obstáculos comerciais e logísticos associados ao conflito no Oriente Médio.
“Tínhamos um potencial para alcançar um volume muito maior de exportação, mas o conflito no Oriente Médio limitou as vendas para aquela região, provocou uma sobreoferta em outros mercados e dificultou a logística para praticamente todos os destinos”, contextualiza Albuquerque.
Maior oferta torna a maçã mais acessível
A supersafra ampliou a disponibilidade da fruta no mercado nacional e contribuiu para a redução dos preços ao consumidor. De acordo com o diretor executivo da ABPM, o cenário reforça a importância da produção nacional para o abastecimento interno, garantindo aos brasileiros maior acesso à fruta.
Ao mesmo tempo, diante do atual panorama de elevada capacidade produtiva, a ampliação das exportações torna-se ainda mais necessária. Nesse contexto, a entidade considera que a abertura de novos mercados estratégicos, como México e Malásia, é fundamental para ampliar as oportunidades comerciais, diversificar os destinos da maçã brasileira e contribuir para o equilíbrio do mercado nacional.
Perspectivas para a próxima safra
Para o ciclo 2026/27, a ABPM ressalta que as condições observadas até agora são positivas, mas o resultado dependerá da evolução das próximas etapas do ciclo produtivo.
“O inverno foi de ótima qualidade e a florada foi abundante, o que trouxe uma perspectiva positiva para a próxima safra. Ainda temos etapas importantes pela frente até o início da colheita das variedades Gala e Fuji, previsto para o começo de 2027. Estamos confiantes na perspectiva de uma safra equilibrada em volume e de excelente qualidade”, afirma Albuquerque.
Business
os desafios do novo ciclo do agro brasileiro

O agronegócio brasileiro enfrenta um ciclo de margens mais apertadas após os resultados excepcionais registrados entre 2020 e 2022. A combinação de juros elevados, crédito restrito, custos de produção e endividamento mantém a pressão sobre os produtores, embora a recente melhora nos preços da soja e do milho indique uma possível recuperação. Para Anderson Galvão, fundador e CEO da Céleres Consultoria, o pior momento pode ter passado, mas a rentabilidade dependerá de decisões estratégicas nas próximas safras.
A fase de margens elevadas criou expectativas que não correspondem ao comportamento histórico da atividade, segundo o consultor. A partir de 2023, o setor voltou a enfrentar condições mais próximas das habituais, com ganhos menores e necessidade constante de buscar eficiência. “Estamos num fundo de um poço que está longo. Três, quatro anos”, avalia.
Nesse cenário, a variação cambial está entre os principais fatores de atenção. Uma valorização do real pode reduzir as receitas em moeda nacional obtidas com as exportações, enquanto os custos dos insumos nem sempre recuam na mesma proporção. Galvão alerta que fertilizantes, combustíveis e despesas com pessoal têm dinâmicas distintas e que a redução dos custos pode demorar a chegar ao produtor.
“Depois que você aumentou o custo, tirar, voltar para trás é muito difícil”, lembra o consultor em entrevista ao programa Direto ao Ponto, ao citar um ensinamento de seu antigo professor de macroeconomia. Por isso, a recomendação é acompanhar as oportunidades de comercialização e avaliar estratégias para proteger as margens das safras de 2026 e 2027.
Eficiência ganha peso na rentabilidade
A pressão financeira também pode levar produtores a reduzir investimentos em tecnologia, especialmente na compra de fertilizantes e defensivos. Para Galvão, porém, cortar esses recursos sem avaliar os impactos agronômicos pode comprometer o potencial produtivo das lavouras.
“Existe uma tentação muito grande de reduzir gastos cortando tecnologia. Só que isso é um verdadeiro tiro no pé, porque você corta a tecnologia, você corta potencial produtivo”, afirma.
O milho aparece como uma das principais oportunidades para ampliar a rentabilidade, especialmente em regiões que cultivam duas safras por ano. A evolução do manejo, da genética e das tecnologias disponíveis transformou a cultura, que antes tinha papel secundário em muitas propriedades, em uma fonte relevante de receita.
Na avaliação do CEO da Céleres, a diferença entre lavouras de alta e baixa produtividade não está necessariamente na quantidade de insumos utilizados, mas na gestão das operações. “A diferença de 150 para 250 é gestão. É uma equipe bem treinada, é o plantio na data certa, é o plantio na velocidade certa, é o ajuste fino da operação”, explica ao programa do Canal Rural Mato Grosso, ao comparar áreas que produzem 150 e 250 sacas de milho por hectare.
O sorgo também começa a ganhar espaço nesse sistema produtivo, impulsionado pela mudança na dinâmica de mercado e pela adoção de práticas de manejo mais adequadas. De acordo com Galvão, levantamentos preliminares do primeiro ano do projeto Grupo Tático para Aumento da Produtividade (GETAP) da cultura, desenvolvido pela consultoria, já identificaram áreas de sequeiro com potencial de 130 a 150 sacas por hectare.
Etanol de cereais e mercado internacional
Além das mudanças nas lavouras, a expansão do etanol de cereais deve abrir novas oportunidades para o agronegócio brasileiro nos próximos anos, pontua o especialista. A produção pode utilizar milho, sorgo e trigo, ampliando a demanda por grãos e gerando coprodutos destinados a outras cadeias, como a pecuária de corte e a leiteira.
Galvão avalia que esse movimento deve continuar nos próximos cinco a dez anos, com possibilidades de aplicação dos biocombustíveis em outros segmentos industriais, incluindo o transporte aéreo e marítimo.
O avanço, porém, ocorre em um ambiente internacional mais incerto. Como o Brasil não consome internamente todo o volume que produz de commodities agrícolas, as exportações são fundamentais para o escoamento da produção. Conflitos, mudanças nas relações políticas e dificuldades no transporte marítimo podem afetar o acesso aos principais mercados compradores, especialmente na Ásia.
Para o consultor, o país precisa considerar a geopolítica nas decisões do setor, desde a importação de insumos até a venda de produtos agrícolas. Nesse contexto, ele vê espaço para o Brasil ampliar sua relevância internacional por meio do abastecimento de alimentos. “Nós não somos uma potência militar. Nós não somos uma potência econômica, mas nós somos uma potência agroalimentar”, conclui.
+Confira mais entrevistas do programa Direto ao Ponto
+Confira outras entrevistas do Programa Direto ao Ponto em nossa playlist no YouTube
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
Sustentabilidade24 horas agoFerrugem-asiática em soja voluntária acende alerta para lavouras próximas – MAIS SOJA
Sustentabilidade7 horas agoTrigo fecha em forte baixa em Chicago com pressão dos grãos vizinhos e clima favorável nos EUA – MAIS SOJA
Featured19 horas agoPivetta anuncia enxugamento da máquina pública para economizar R$ 1 bilhão por ano
Business20 horas agoENAPecan será realizado em novembro após safra de recuperação da noz-pecã no RS
Featured22 horas agoPolícia Civil prende em Rondonópolis mulher condenada a quase 18 anos por roubo, tráfico e receptação
Featured20 horas agoGovernador sinaliza permanência de secretários na equipe a partir de 2027
Sustentabilidade5 horas agoAbiove atualiza projeções da soja para 2026 e divulga estimativas para o próximo ano
Featured4 horas agoFim de semana em Cuiabá terá dança, gastronomia, arte e novidades no cinema

















