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Mercado de soja no Brasil deve seguir travado nesta terça-feira

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Divulgação CNA

O mercado brasileiro de soja deve seguir travado nesta terça-feira (17), com os principais formadores de preços em direções opostas. O dólar comercial recua cerca de 0,5%, enquanto a Bolsa de Chicago (CBOT) tenta uma reação técnica após a forte queda da véspera, cenário que já afastou negócios e tende a manter o ritmo lento ao longo do dia.

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Na segunda-feira (16), o mercado doméstico iniciou a semana com forte desvalorização, refletindo as quedas tanto em Chicago quanto no câmbio. Segundo o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente travou as negociações no país.

“Foi um dia praticamente zerado de negócios relevantes, com apenas alguns lotes pontuais negociados durante a manhã, mas sem ímpeto comprador e muito menos vendedor”, avaliou.
A queda no mercado físico foi significativa, ampliando o spread entre os agentes. Apesar de uma leve alta nos prêmios, o movimento não foi suficiente para compensar as perdas.

No físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos caiu de R$ 126,00 para R$ 122,00. Em Santa Rosa (RS), recuou de R$ 127,00 para R$ 123,00. Em Cascavel (PR), os preços passaram de R$ 121,00 para R$ 116,00.

Em Rondonópolis (MT), a cotação caiu de R$ 108,00 para R$ 106,00, enquanto em Dourados (MS) recuou de R$ 112,00 para R$ 110,00. Já em Rio Verde (GO), a saca passou de R$ 111,00 para R$ 107,00.

Nos portos, em Paranaguá (PR), a cotação caiu de R$ 132,00 para R$ 127,00 por saca. No terminal de Rio Grande (RS), os preços recuaram de R$ 132,00 para R$ 128,00.

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Fertilizantes devem seguir em alta com guerra no Oriente Médio e incertezas globais, diz Itaú BBA

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O mercado global de fertilizantes vive um novo ciclo de forte volatilidade, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário tem impactado diretamente a produção e a logística de insumos como amônia e ureia, além de elevar custos de frete, energia e seguros.

A interrupção parcial das exportações de países do Golfo Pérsico, responsáveis por parcela relevante do comércio global, já provoca reflexos nos preços internacionais. O movimento ocorre em um momento sensível, próximo ao pico de demanda do Hemisfério Norte e com o avanço do calendário de compras no Brasil.

Ureia sobe 40% e pressiona custos no campo

No mercado brasileiro, a ureia registrou alta de 40% em apenas duas semanas, atingindo US$ 660 por tonelada (CFR). A valorização reflete a combinação de oferta mais restrita, encarecimento do petróleo e do gás natural e aumento da aversão ao risco no mercado internacional.

De acordo com o Itaú BBA, o cenário deve manter os preços sustentados no curto prazo, enquanto persistirem as incertezas sobre a duração do conflito e a normalização das rotas logísticas globais.

Fosfatados também sobem com pressão no fornecimento

Os fertilizantes fosfatados também entram no radar de preocupação. A região do Oriente Médio é estratégica para o fornecimento global de enxofre, insumo essencial na produção desses produtos.
No Brasil, os preços dos fosfatados subiram 7% nas últimas duas semanas, alcançando US$ 795 por tonelada (CFR). Mesmo com a demanda agrícola avançando de forma gradual, o cenário de oferta ajustada e custos elevados tende a manter os preços firmes.

Potássicos mostram maior estabilidade

Diferentemente dos nitrogenados e fosfatados, o mercado de potássicos apresenta maior estabilidade relativa. Ainda assim, o segmento não está imune às incertezas geopolíticas e ao aumento dos custos logísticos.

A oferta global segue mais equilibrada, com Rússia e Belarus mantendo volumes relevantes no mercado internacional, o que ajuda a conter oscilações mais bruscas nos preços.

O que esperar do mercado

Para o Itaú BBA, a tendência é de continuidade da volatilidade no curto prazo, com preços sustentados diante do cenário de incerteza global. A demanda deve avançar gradualmente, acompanhando o calendário agrícola do Hemisfério Norte e a reposição de estoques no Brasil.

No campo, o movimento acende um alerta para os custos de produção, especialmente em um momento estratégico de planejamento e aquisição de insumos para as próximas safras.

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Agro Mato Grosso

Chile aumenta compra de carne bovina em 52% e se torna 3º maior mercado de MT

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Soja: O mercado financeiro está vendo fantasmas onde não existem

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Foto: Arquivo/Agência Brasil

A forte queda da soja no início desta semana diz muito mais sobre o “humor” instável dos investidores do que sobre uma mudança real no apetite do mundo pelo grão. No mercado financeiro, a reação atual lembra muito uma criança em quarto escuro: começa a ver fantasma em tudo que é canto, assustando-se com sombras que, na luz do dia, não representam perigo nenhum.

As cotações na Bolsa de Chicago sentiram o golpe após os sinais de adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para abril. Como o gigante asiático é quem dita o ritmo do baile, qualquer ruído diplomático vira pressão imediata nos preços. Mas é preciso separar o que é pânico de tela do que é movimento real de porto.

O nó na fiscalização: Um “fantasma” criado em Brasília

Somado ao cenário global, o mercado interno enfrentou seu próprio gargalo. O Ministério da Agricultura (Mapa) apertou o rigor nas inspeções fitossanitárias para cumprir protocolos exigidos por Pequim, o que gerou um travamento logístico e fez grandes tradings suspenderem embarques temporariamente. A boa notícia é que o governo brasileiro, após a pressão do setor produtivo, já iniciou a flexibilização dessas normas para destravar as exportações. Ou seja: foi um ruído operacional interno, e não uma ruptura comercial com os chineses.

O veredito: o estômago do mundo não espera

No mundo das commodities, o preço costuma se mover primeiro pelo medo, mas a realidade sempre cobra a conta. Vamos ser racionais: absolutamente nada mudou na relação entre oferta e demanda global em apenas 24 horas para justificar um tombo desse tamanho. As pessoas não pararam de comer e as criações não pararam de consumir farelo de um dia para o outro.

Mesmo que o encontro diplomático entre as potências atrase, o cenário é matemático: a China continua precisando de volumes massivos de soja e terá que comprar de alguém. Se houver qualquer barreira ou demora com os americanos, a demanda simplesmente migra para o Brasil.

O que vimos foi pura especulação do capital nervoso tentando se antecipar a tragédias que não existem no mercado físico. Correção não é mudança de tendência. O mercado está apenas “limpando” os excessos antes de se dar conta de que, no fim do dia, a demanda continua firme e o grão continua sendo essencial.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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