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1 de maio de 2026

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Guerra no Oriente Médio faz preço da ureia subir e eleva custos de produção, aponta Imea

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Foto: Reprodução

A escalada das tensões no Oriente Médio já começa a produzir reflexos sobre o agronegócio brasileiro e pode impactar a formação dos custos da safra 2026/27 em Mato Grosso. Um estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que o agravamento do conflito na região e os gargalos logísticos no Estreito de Ormuz provocaram forte alta no preço futuro da ureia, fertilizante essencial para a produção agrícola.

Segundo o levantamento, a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes, elevou as incertezas sobre a oferta global desses produtos. O cenário também encareceu fretes e seguros marítimos e ampliou o risco de restrições no abastecimento.

O bloqueio do tráfego na região já deixou embarcações retidas nas costas de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, aumentando a pressão sobre o mercado internacional de fertilizantes.

Alta ocorre em momento sensível para o abastecimento

De acordo com o estudo, a crise ocorre em um período estratégico para o abastecimento brasileiro de insumos agrícolas.

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No caso dos fertilizantes nitrogenados, as importações começam a ganhar força a partir de março e costumam se concentrar no terceiro e no quarto trimestres. Já os fertilizantes fosfatados registram maior movimentação entre o segundo e o terceiro trimestres, também com aceleração a partir de março, quando começa a formação de estoques para atender às principais culturas.

Na prática, a alta internacional acontece justamente no momento em que o país intensifica a reposição desses insumos para a próxima safra.

Ureia já registra forte valorização

O efeito mais imediato foi observado no mercado da ureia. O contrato futuro do fertilizante para março de 2026 chegou a US$ 618 por tonelada no dia 5 de março, acumulando alta de 30,65% desde o início do conflito.

Em Mato Grosso, a preocupação imediata recai principalmente sobre o milho. Como a compra de insumos para a safra 2026/27 ainda está em estágio inicial, os produtores permanecem mais expostos às oscilações de preços.

Segundo o Imea, apenas 5,95% das negociações de fertilizantes para o milho haviam sido realizadas até o período analisado, o que amplia o risco de custos mais elevados nas próximas compras.

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Impacto no custo de produção

Em simulação para o cultivo de milho de alta tecnologia em Sinop (MT), o instituto estima que uma alta de 30% no preço dos fertilizantes nitrogenados elevaria em 4,68% o Custo Operacional Efetivo (COE).

Na prática, esse aumento equivale a 5,90 sacas de milho por hectare.

O estudo também indica que cada aumento de 10% no preço do nitrogênio eleva o COE em cerca de 1,97 saca por hectare.

Baixo volume de compras aumenta risco

Os dados do Imea indicam ainda que o cenário é sensível para o milho porque o volume de fertilizantes já negociado para a safra 2026/27 está abaixo da média histórica.

Em Mato Grosso, a comercialização de fertilizantes atingia apenas 5,95% no período analisado, percentual considerado baixo para esta fase do planejamento agrícola.

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Como as aquisições normalmente ganham ritmo entre o primeiro e o segundo trimestres, a disparada nos preços internacionais ocorre justamente no início da janela de compra, o que pode elevar os custos da próxima safra e até levar produtores a adiar negociações.

Dependência externa preocupa na soja

No caso da soja, o alerta está concentrado nos fertilizantes fosfatados.

Dados do estudo mostram que 40,01% das importações brasileiras desse insumo em 2025 vieram do Egito e de Israel.

Em Mato Grosso, a dependência é ainda maior: os dois países responderam por 58,91% das compras estaduais de fosfatados.

Esse cenário amplia a exposição dos produtores a choques de oferta, atrasos logísticos e aumento nos preços internacionais.

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Custos mais altos e maior volatilidade

Segundo o coordenador de Inteligência Agropecuária do Imea, Rodrigo Silva, o risco vai além da valorização pontual da ureia.

“O Estreito de Ormuz ocupa posição estratégica no escoamento de petróleo, gás natural e no transporte de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. Com navios retidos, seguros marítimos mais caros e risco de restrição de oferta, o agronegócio brasileiro pode enfrentar inflação no custo de produção e pressão sobre as margens”, afirma.

Na avaliação do instituto, a combinação entre dependência externa de insumos, gargalos logísticos e alta dos preços internacionais tende a comprometer a previsibilidade do planejamento agrícola e reduzir a rentabilidade das próximas safras.

Caso o cenário geopolítico atual se mantenha, Mato Grosso pode iniciar o ciclo 2026/27 com insumos mais caros, maior pressão sobre os custos e margens mais apertadas para o produtor rural.

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Mercado do boi gordo tem ritmo lento na véspera de feriado e indústrias recuam das compras

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Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com movimentação reduzida, típica da véspera de feriado, e com frigoríficos mais cautelosos na compra de animais. Muitas indústrias optaram por se afastar temporariamente das negociações, avaliando estratégias para o curtíssimo prazo diante de um cenário de oferta mais confortável em algumas regiões.

O alongamento das escalas de abate já é percebido em diversos estados, especialmente em Goiás e Minas Gerais, onde a qualidade das pastagens é mais limitada. Nessas regiões, a maior necessidade de venda por parte dos pecuaristas contribui para um fluxo maior de animais. Em contrapartida, no Mato Grosso e no Norte do país, onde as pastagens seguem mais vigorosas, a oferta é mais restrita e as escalas ainda são consideradas menos confortáveis para as indústrias.

Este cenário também segue atento ao cenário internacional, principalmente à evolução da demanda da China e ao avanço da cota de importação do país asiático. A expectativa é de exportações mais fracas no terceiro trimestre, período que coincide com maior disponibilidade de animais confinados no Brasil, o que pode pressionar ainda mais os preços.

Preços do boi gordo no Brasil

  • São Paulo (SP): R$ 354,33 (modalidade a prazo)
  • Goiás (GO): R$ 339,36
  • Minas Gerais (MG): R$ 355,86
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 349,43
  • Mato Grosso (MT): R$ 355,27

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados, refletindo um consumo mais fraco na segunda quinzena do mês. Há pouco espaço para reajustes no curto prazo, especialmente diante da perda de competitividade frente a proteínas mais baratas, como a carne de frango. O quarto dianteiro permanece em R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro em R$ 28,50 e a ponta de agulha em R$ 21,50.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial fechou a sessão em leve queda, cotado a R$ 4,9933 para venda e R$ 4,9813 para compra. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre R$ 4,9502 e R$ 4,9922, acumulando desvalorização de 0,54% na semana, fator que também influencia a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina.

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Acordo Mercosul–UE deve ampliar exportações brasileiras em US$ 1 bi no primeiro ano, estima ApexBrasil

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Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil. Foto: Aarão Prado/ApexBrasil

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passa a alterar o fluxo de comércio entre os blocos a partir desta semana. Com a medida, cerca de 5 mil produtos do Mercosul passam a acessar o mercado europeu com tarifa zero ou reduzida.

A estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é que o Brasil amplie suas exportações para a Europa em até US$ 1 bilhão no primeiro ano de vigência. O cálculo considera um grupo de 543 produtos com maior potencial de ganho imediato.

Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a redução de tarifas deve ter efeito direto sobre a competitividade dos produtos brasileiros. A partir da entrada em vigor, itens que antes pagavam impostos passam a acessar o mercado europeu em condições mais favoráveis.

Acesso a mercado estratégico

A União Europeia reúne um Produto Interno Bruto estimado em US$ 20 trilhões e é o segundo maior importador global. Os países do bloco compram cerca de US$ 7,4 trilhões por ano, sendo mais de US$ 3 trilhões provenientes de fora da região.

O mercado europeu é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul. O acordo também prevê uma abertura mais rápida para os países sul-americanos. Cerca de 54% das exportações do Mercosul passam a ter tarifa zero de forma imediata, enquanto aproximadamente 10% dos produtos europeus terão o mesmo benefício no acesso ao mercado do bloco.

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Entre os setores com maior potencial de crescimento estão aeronaves, motores e geradores elétricos, couro, uvas e mel. De acordo com a ApexBrasil, mesmo reduções tarifárias menores podem influenciar a concretização de negócios em mercados competitivos.

Promoção comercial

Para ampliar os resultados, a ApexBrasil prevê intensificar ações de promoção comercial. Entre as medidas estão a realização de rodadas de negócios no Brasil, com a participação de compradores europeus, e o reforço da presença de empresas brasileiras em feiras e eventos na Europa.

A estratégia também inclui ações voltadas à promoção da imagem dos produtos brasileiros e apoio à inserção de pequenos produtores, cooperativas e empresas da bioeconomia no mercado europeu.

Impactos ao longo do tempo

Os efeitos imediatos devem ser percebidos principalmente pelas empresas exportadoras. Já os impactos para consumidores tendem a ocorrer de forma gradual, conforme os fluxos comerciais se ajustam.

A expectativa é de que os ganhos se ampliem ao longo dos próximos anos, à medida que novas reduções tarifárias entrem em vigor e o acordo avance em sua implementação.

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Sicredi expande crédito rural e vê avanço de consórcios no agro

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Foto: Sicredi

O Sicredi apresentou, durante a Agrishow 2026, os resultados do Plano Safra 2025/2026 e detalhou a ampliação de seu portfólio de soluções financeiras voltadas ao agronegócio.

Nos primeiros nove meses do ciclo atual, a instituição liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural no país. O valor representa crescimento de 16,5% em relação ao mesmo período da safra anterior.

O crédito tradicional segue como base para custeio e investimento. Ao mesmo tempo, o Sicredi ampliou a oferta de instrumentos financeiros complementares. Entre eles estão operações com Cédula de Produto Rural (CPR), linhas em moeda estrangeira, derivativos e consórcios.

Essas modalidades permitem ao produtor diversificar o acesso a recursos e adotar estratégias de proteção diante das oscilações de preços e do câmbio. A instituição também aponta mudança no perfil do produtor, que busca alternativas alinhadas ao fluxo de receita, principalmente em casos de exportação.

Consórcios avançam no agro

O consórcio tem ganhado espaço como alternativa de financiamento. A carteira total da administradora do Sicredi supera R$ 61,8 bilhões, posicionando a instituição entre as maiores do segmento no país.

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No agro, a modalidade registrou mais de R$ 3 bilhões em novas vendas no último ano, com crescimento de 23% em relação ao período anterior. O modelo é utilizado para aquisição de máquinas, implementos e serviços, com foco no planejamento de médio e longo prazo.

Presença nacional

O Sicredi reúne mais de 10 milhões de associados e conta com mais de 3 mil agências no Brasil. A instituição está presente em mais de 200 cidades como única opção financeira.

No estado de São Paulo, são mais de 450 agências. A atuação combina atendimento digital e presencial, com foco no relacionamento com o produtor rural.

Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Gilson Farias, a participação na Agrishow amplia o contato com o produtor e contribui para a oferta de soluções financeiras alinhadas às demandas do setor.

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