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Com bioinsumos consolidados, América Latina enfrenta novo desafio

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Foto: Divulgação Senar-GO

A América Latina continua sendo palco de expansão no uso de bioinsumos. O vice-presidente de Desenvolvimento de Mercado da DunhamTrimmer para a região, Ignacio Moyano, credita esse aumento às pressões regulatórias, exigências de exportação e à busca de maior eficiência agronômica.

No entanto, para ele, a adoção das tecnologias não será mais o grande desafio para o setor em 2026, mas sim a capacidade das empresas de transformar crescimento em rentabilidade sustentável.

Segundo o especialista, o cenário permanece estruturalmente positivo, mas o ambiente mais competitivo, com margens sob pressão e modelos de negócio sendo colocados à prova.

“A América Latina reúne uma base agrícola muito ampla, um peso crescente em culturas de exportação e uma pressão regulatória e comercial que favorece soluções de menor impacto ambiental”, enfatiza.

No entanto, ele chama atenção para uma confusão recorrente no setor. “É fundamental separar dois planos que costumam ser confundidos: crescimento de mercado não equivale automaticamente à qualidade do negócio”, afirma. Para Moyano, o avanço do volume não garante, por si só, modelos econômicos sólidos.

Captura de valor

Moyano ressalta que a expectativa é a de que diversas categorias continuem crescendo, mas em um contexto mais desafiador. “Em 2026 veremos um ambiente muito mais competitivo, com maior pressão sobre preços e margens, especialmente em mercados e culturas onde a adoção já é elevada”, diz.

Nesse cenário, a discussão deixa de ser se há demanda — que, segundo ele, “existe e é real” — e passa a ser quem, de fato, consegue capturar valor. “O que começa a entrar em debate é quem captura valor dentro desse crescimento e quem apenas acompanha o volume sem construir um modelo rentável e defensável.”

Assim, para Moyano, o principal obstáculo do setor em 2026 está na rentabilidade das operações envolvendo bioinsumos. De acordo com a sua análise, em muitos mercados latino-americanos, a oferta cresce mais rapidamente do que a demanda economicamente saudável, o que acaba gerando uma saturação de soluções similares e deslocando a concorrência para o preço.

Empresas do setor podem se estrangular

O executivo da DunhamTrimmer acrescenta que todo esse contexto vem acompanhado de fragilidades internas nas empresas. Ele observa “estruturas comerciais superdimensionadas, pressão por volume, alongamento dos prazos de recebimento e uma gestão do capital de giro cada vez mais exigente”.

Com isso, o risco é que o crescimento sem foco comprometa os resultados. “Nesse contexto, crescer sem foco pode corroer o Ebitda de forma silenciosa, porém constante.”

Além disso, a diferenciação puramente técnica perde força. “O discurso técnico já não é suficiente”, afirma Moyano. Para ele, o mercado passa a valorizar mais a execução, o nível de serviço, o foco estratégico e o acesso efetivo ao produtor do que apenas a inovação do produto.

Visão positiva para os próximos anos

Apesar dos desafios, Moyano destaca fatores estruturais que sustentam uma visão positiva para os próximos anos. Segundo ele, a demanda segue firme, impulsionada por sistemas produtivos voltados à exportação, por exigências relacionadas a resíduos e pela necessidade de ganhos de eficiência em um cenário de custos crescentes.

Outro ponto relevante é o maior interesse estratégico de grandes empresas do agronegócio. “Os bioinsumos já não são vistos como um complemento marginal, mas como uma peça estrutural dos portfólios futuros”, afirma.

Além disso, o executivo lembra que ainda há oportunidades pouco exploradas na região. “Em diferentes países da América Latina existem nichos pouco profissionalizados, nos quais empresas com foco, serviço técnico sólido e boa execução podem construir posições defensáveis, mesmo em um ambiente de maior pressão competitiva”, avalia.

Na visão de Moyano, 2026 deve aprofundar a diferença entre empresas bem estruturadas e aquelas excessivamente dependentes de um bom produto. “Vai se aprofundar a brecha entre companhias com acesso real ao mercado, relações sólidas com o canal e capacidade de execução, e aquelas que dependem quase exclusivamente de ter um bom produto”, diz.

As vencedoras tendem a ser aquelas capazes de integrar portfólio, serviço, foco por cultura ou região e disciplina financeira. “Essas empresas continuarão crescendo e, em muitos casos, se tornarão atrativas como plataformas regionais”, projeta. Já as que competem apenas por preço ou pela amplitude do portfólio devem enfrentar maior pressão comercial e financeira.

“Nesse contexto, a solidez do modelo de negócio pesa mais do que o tamanho da empresa”, resume.

Fusões e aquisições

O movimento de fusões e aquisições também deve ganhar tração em 2026, mas, diferentemente do que aconteceu em anos anteriores, deve ser de forma mais gradual.

Segundo Moyano, não se trata de uma onda de megatransações, mas de “múltiplos movimentos táticos”, como aquisições para acesso a mercado, compras defensivas e acordos de licenciamento que funcionam como etapa preliminar para M&A.

Um dos exemplos citados pelo executivo é a aquisição da AgBiTech pela Basf, operação que surpreendeu o mercado. “A transação vai muito além de somar um ativo tecnológico”, afirma. Para ele, a Basf incorporou uma plataforma biológica já validada, com capacidades industriais, propriedade intelectual, experiência regulatória e acesso comercial em mercados-chave.

“A transação reflete uma lógica estratégica clara: acelerar posicionamento e execução em biocontrole por meio da compra de capacidades integradas, em vez de construí-las do zero.”

Outro movimento relevante foi a aquisição da Pharmgrade pela HGS BioScience, apoiada por capital financeiro. Para Moyano, o recado é claro para a América Latina: “a consolidação avança em torno de plataformas integradas, que combinam portfólio amplo, capacidades industriais, P&D aplicada e, sobretudo, acesso efetivo ao mercado.”

De forma geral, ele avalia que os compradores serão empresas com musculatura financeira, distribuição e visão de longo prazo, enquanto muitos vendedores terão bons produtos, mas dificuldades para escalar suas operações em um ambiente cada vez mais competitivo.

Para 2026, a mensagem central do executivo é direta: o mercado de bioinsumos continuará crescendo, mas apenas as empresas capazes de transformar volume em rentabilidade consistente conseguirão se destacar e capturar valor no longo prazo.

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Boi gordo avança com oferta restrita e escalas curtas no Brasil

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Foto: Breno Lobato/Embrapa Cerrados

O mercado físico do boi gordo registrou negociações acima da referência média em diversas praças do país ao longo da semana. O movimento foi sustentado, principalmente, pela restrição na oferta de animais terminados, que segue como o principal fator de sustentação dos preços em março.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para alongar suas escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Esse cenário mantém a necessidade de compras mais agressivas por parte da indústria.

Apesar da firmeza nos preços, o mercado segue volátil. Entre os fatores de pressão estão o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que tornam o comportamento dos contratos futuros do boi gordo na B3 bastante instável.

Nas principais praças, os preços da arroba apresentaram movimentos mistos na semana:

  • São Paulo (SP): R$ 355,00, alta de 2,90% frente aos R$ 345,00 da semana anterior
  • Goiânia (GO): R$ 340,00, avanço de 3,03% ante R$ 330,00
  • Uberaba (MG): R$ 345,00, estável
  • Dourados (MS): R$ 340,00, queda de 1,45% frente aos R$ 345,00
  • Cuiabá (MT): R$ 340,00, estável
  • Vilhena (RO): R$ 310,00, sem alterações

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo da semana, sinalizando limitações para novos avanços. De acordo com Iglesias, esse comportamento reflete a maior competitividade de proteínas concorrentes.

O quarto do dianteiro seguiu cotado a R$ 20,50 por quilo, enquanto o traseiro bovino permaneceu em R$ 27,00 por quilo.

Exportações

No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas em março. Até o momento, o país já embarcou 115,678 mil toneladas, com receita de US$ 666,888 milhões. A média diária ficou em 11,567 mil toneladas, com faturamento médio de US$ 66,688 milhões.

Na comparação com março do ano passado, houve crescimento de 20,1% na receita média diária, avanço de 2,1% no volume e alta de 17,6% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.765,00.

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Banana ambrosia chega ao mercado após 20 anos de estudos trazendo alta resistência

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Foto: Incaper

A pesquisa agropecuária alcançou um resultado de destaque com o desenvolvimento da banana ambrosia, nova cultivar recomendada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para fortalecer a bananicultura no Espírito Santo. Resultado de mais de 20 anos de estudos, a variedade do tipo nanica foi desenvolvida para atender às demandas do setor produtivo e ampliar as alternativas disponíveis aos produtores rurais.

A cultivar surge como resposta a um desafio importante da atividade: a busca por uma variedade do subgrupo cavendish com resistência a doenças que afetam a produção em todo o país, como sigatoka-amarela e negra e mal do Panamá (raça 1). Com isso, a nova
variedade passa a representar uma alternativa tecnológica construída a partir da ciência pública e voltada diretamente às necessidades do campo.

Entre as características apontadas pelo Incaper estão plantas mais robustas, cachos com peso médio superior a 30 quilos, alta produtividade e frutos com qualidade destacada. Outro
diferencial é o potencial de aproveitamento na agroindústria, já que a cultivar apresenta características que ampliam suas possibilidades de uso além do consumo in natura.

Neste mês, cerca de 1.200 mudas da nova variedade já foram entregues a produtores rurais, incentivando a adoção inicial da cultivar em propriedades capixabas. A iniciativa reforça a integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo na difusão de novas tecnologias para a agricultura do Espírito Santo.

Além da recomendação da cultivar, o Incaper também apresentou a cartilha Ambrosia, uma
banana tipo nanica para o Espírito Santo
. A publicação reúne o histórico da pesquisa, a descrição da variedade e suas principais características, servindo como material de apoio para produtores, técnicos e demais profissionais ligados à cadeia da banana.

Com a nova cultivar, o Espírito Santo passa a contar com uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas e direcionada ao fortalecimento de uma atividade tradicional em municípios como Alfredo Chaves, onde a produção de banana tem peso importante na economia rural. A ambrosia se consolida, assim, como mais um resultado do trabalho científico voltado à competitividade e à sustentabilidade do agro capixaba.

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São Paulo abre inscrições para programa de apoio a produtores; saiba mais

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Foto: Divulgação/ADE SAMPA.

Estão abertas as inscrições para o Programa Semeando Negócios, iniciativa da Prefeitura de São Paulo voltada a produtores rurais da zona sul da capital. A ação contempla propriedades localizadas em Parelheiros, Marsilac, Grajaú e na Terra Indígena Tenondé Porã.

O programa oferece assessoria técnica e aporte financeiro de até R$ 30 mil para projetos ligados ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos.

Foco em geração de renda

A região atendida reúne mais de 600 propriedades rurais e integra o Polo de Ecoturismo de São Paulo. As atividades incluem produção de alimentos e experiências como visitação, degustação e práticas ligadas ao meio rural.

Segundo a organização, o objetivo é apoiar a estruturação de negócios e ampliar a renda das propriedades.

“Este programa de aceleração ajuda a enfrentar um dos principais desafios da agricultura em grandes cidades: tornar a atividade economicamente viável e garantir que as famílias continuem no campo”, afirma Carlos Alberto Santos, diretor de desenvolvimento local da ADE SAMPA, em comunicado.

Resultados da primeira edição

Na primeira edição, o programa apoiou 29 projetos. Entre eles, o Recanto Magini utilizou os recursos para aquisição de equipamentos. O Sítio do Léo ampliou a produção de doce de leite de cabra. Já o Meliponário Mondury investiu em consultoria e expansão da produção de mel.

Inscrições abertas

O programa é destinado a produtores familiares, cooperativas e associações. As inscrições para a edição de 2026 podem ser feitas até 25 de março pelo site oficial do projeto (clique aqui).

Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail semeandonegocios@adesampa.com.br ou pelo whatsapp: (11) 93484-5363.

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