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8 de agosto de 2026

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‘Mudança global exige reposicionamento estratégico do agro’, diz Tereza Cristina

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Foto: Renato Medeiros

Em um cenário de forte integração global, o agronegócio brasileiro amplia sua participação no abastecimento mundial de alimentos. Ao mesmo tempo, as transformações na ordem geopolítica elevam o nível de exigência sobre o setor, que passa a demandar ajustes estratégicos tanto no campo econômico quanto diplomático.

Diante desse contexto, São Paulo sediou, nesta segunda-feira (23), o evento “A geopolítica do agronegócio”. O encontro reuniu lideranças do setor, juristas, parlamentares e empresários para discutir os reflexos do cenário internacional sobre a produção e o comércio agrícola.

Na abertura, a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) destacou que o mundo passa por uma reconfiguração dos referenciais políticos e econômicos, com perda de centralidade de polos tradicionais do Ocidente.

Segundo ela, esse movimento reposiciona o agronegócio no cenário global. “O agro assume uma nova centralidade. Energia e alimento deixam de ser apenas mercadorias e passam a ser fundamentos de poder”, afirmou.

A discussão ocorre em um momento sensível no mundo, com a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã em curso. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o preço do petróleo disparou e trouxe incertezas quanto ao desdobramento e os impactos energéticos em nível global.

Agro no centro da disputa

Nesse ambiente mais incerto e competitivo, o agronegócio passa a ocupar posição estratégica. De acordo com a senadora, a mudança de cenário reposiciona alimentos e energia no sistema internacional.

“Quando as estruturas que organizavam o mundo entram em transformação, elementos como energia e alimento deixam de ser apenas mercadorias e passam a ser fundamentos de poder”, disse.

A avaliação, segundo ela, exige uma nova leitura do cenário global. Como resposta, propôs um conjunto de dez diretrizes interconectadas para orientar a atuação do setor na chamada nova geopolítica do agro.

“Não se trata de um exercício teórico, mas de vetores práticos para navegar um ambiente mais complexo, mais disputado e mais exigente”, afirmou.

Multilateralismo em xeque

Entre os pontos destacados está a crise do multilateralismo. Segundo Tereza Cristina, o sistema construído no pós-guerra perdeu efetividade, com destaque para a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na prática, afirmou, países passaram a buscar alternativas fora desse modelo, ampliando acordos regionais e setoriais. O resultado é um ambiente mais fragmentado, com regras sobrepostas e, muitas vezes, contraditórias.

Comércio mais político

A senadora também destacou a mudança na natureza do protecionismo. Embora não seja um fenômeno novo, ela avalia que passou a assumir caráter político e estratégico.

“Tarifas, subsídios e barreiras sanitárias deixam de ser apenas instrumentos técnicos e passam a integrar estratégias de política externa”, disse.

Ela citou como exemplo a crescente utilização de exigências ambientais como mecanismo de reorganização de mercados, especialmente em grandes economias. Nesse cenário, o desafio é manter padrões elevados sem transformar regras em barreiras disfarçadas ao comércio.

Segurança alimentar e insumos

Outro ponto central é a revalorização da segurança alimentar como prioridade de Estado. A pandemia e a guerra na Ucrânia, segundo a parlamentar, evidenciaram a vulnerabilidade de cadeias globais concentradas.

“A interdependência pode rapidamente se transformar em ruptura em momentos de crise”, afirmou.

No caso brasileiro, a dependência de insumos estratégicos, como fertilizantes, amplia essa exposição. O país importa a maior parte desses produtos, muitos deles provenientes de regiões sujeitas a tensões geopolíticas.

“Quando um elo dessa cadeia é tensionado, os efeitos se propagam rapidamente”, disse.

Diante disso, defendeu a diversificação de fornecedores, o fortalecimento da produção doméstica e maior atenção à segurança das cadeias de suprimento.

Disputa entre potências

A senadora também destacou a rivalidade entre Estados Unidos e China como eixo estruturante da geopolítica atual. Segundo ela, a disputa vai além do comércio e envolve tecnologia, influência política e segurança estratégica.

No agro, esse movimento se reflete na estratégia chinesa de diversificar fornecedores, o que abre espaço para o Brasil, mas também exige cautela.

“O desafio não é apenas aproveitar oportunidades, mas fazê-lo sem comprometer relações e sem criar dependências excessivas”, afirmou.

Papel do Brasil

Para Tereza Cristina, o Brasil ocupa uma posição singular nesse cenário, com capacidade de ampliar a produção de forma sustentável.

No entanto, destacou que o país precisa avançar na sua inserção internacional. “Não basta produzir mais. É preciso participar da definição das regras do jogo”, disse.

A avaliação é de que, em um ambiente mais fragmentado, previsibilidade, articulação e estratégia de longo prazo serão determinantes para manter e ampliar mercados.

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Verticalização ganha força e transforma a indústria de Mato Grosso

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Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso está deixando de apenas produzir matéria-prima para ampliar o processamento dentro do próprio estado. A industrialização cresceu cerca de 40% nos últimos anos e elevou o número de indústrias para 16 mil, enquanto os empregos diretos no setor já ultrapassam 200 mil.

A indústria representa atualmente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso e responde por quase metade da arrecadação de ICMS. O avanço ganhou velocidade principalmente nos últimos cinco anos, quando o número de empresas passou de pouco mais de 11 mil para o patamar atual.

A expectativa é de que o setor cresça entre 5% e 6% em 2026. A expansão ocorre em diferentes regiões e começa a modificar também a dinâmica das cadeias produtivas, com municípios buscando matéria-prima fora de seus limites para manter as indústrias abastecidas.

“A agricultura cresceu muito, se desenvolveu muito e agora vem a industrialização”, afirma o presidente do Sistema Fiemt, Sílvio Rangel, em entrevista ao Estúdio Rural. Para ele, a agregação de valor e a verticalização passam a ser parte importante da próxima etapa de desenvolvimento do estado.

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Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Agroindústria amplia processamento

Os biocombustíveis estão entre os segmentos que mais avançaram nesse processo. Em nove anos, a produção de etanol passou de 1,6 bilhão para uma previsão de 8,4 bilhões de litros. A arrecadação de ICMS do setor também aumentou, de R$ 300 milhões para mais de R$ 4 bilhões.

O crescimento das usinas trouxe novos produtos para dentro da cadeia, como óleo de milho e DDG, utilizado na alimentação animal. O efeito se estendeu à pecuária, com maior utilização de ração e expansão dos confinamentos.

“Isso fez também um movimento em outras cadeias produtivas, como, por exemplo, a criação de bois”, diz Rangel. A alimentação mais especializada, conforme ele, contribuiu para reduzir a idade de abate e aumentar o peso e a qualidade da carne.

O mesmo movimento pode ser observado em Lucas do Rio Verde, onde a indústria já demanda mais grãos do que o município produz. “Agrega valor hoje mais do que produz no seu espaço ali do município”, explica. A cidade, pontua, busca matéria-prima em outros municípios para manter o processamento local.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Novas cadeias entram no radar

A expansão também abre espaço para segmentos que ainda podem avançar na industrialização. É o caso do algodão, cuja produção mato-grossense representa mais de 70% da nacional. O estado já ampliou a fiação e a expectativa é atrair investimentos para etapas seguintes, como tecelagem e tinturaria.

“Eu acho que a gente vai ter um momento em que essa fiação vai crescer bastante e vai oportunizar para trazermos os outros elos da cadeia têxtil”, projeta Rangel. A ampliação dos elos da cadeia pode fazer com que uma parcela maior do valor gerado pelo algodão permaneça no estado.

A mineração também aparece entre as atividades com potencial de crescimento, com iniciativas voltadas à estruturação do setor. Na produção de proteínas, a perspectiva é ampliar ainda mais as cadeias de suínos, aves e peixes, além de atrair indústrias interessadas em produtos de maior valor agregado.

A expansão, no entanto, ainda é desigual. O eixo da BR-163 concentra uma parcela importante da atividade industrial, assim como a região de Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis. O Oeste de Mato Grosso é apontado como uma das áreas que ainda precisam avançar.

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Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Logística pesa na competitividade

Quanto maior a produção industrial, maior também é a necessidade de encontrar mercados fora do estado. No caso do etanol, a previsão é produzir 8,4 bilhões de litros neste ano, mas apenas 1,1 bilhão deve ser consumido em Mato Grosso. Os outros 7,3 bilhões precisam ser transportados para outros mercados.

“Então nós temos um desafio aí para levar biocombustíveis”, afirma Rangel. Entre as alternativas está a implantação de um etanolduto para conectar Mato Grosso aos grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro. “Nós precisamos sonhar com um etanolduto. Nós já estamos fazendo um projeto, tem alguns trabalhos nesse sentido”.

A expansão ferroviária, a duplicação da BR-163 e a Ferrogrão também são consideradas estratégicas para reduzir o custo de transporte. A ligação com o Arco Norte pode ampliar ainda o acesso aos mercados internacionais, principalmente na Ásia e na Europa.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Energia e mão de obra são gargalos

A infraestrutura de energia é outro ponto que pode limitar novos investimentos. Embora Mato Grosso tenha capacidade de geração, algumas regiões ainda contam com redes monofásicas, que não atendem adequadamente empreendimentos industriais de maior porte.

O programa Mato Grosso Trifásico busca ampliar essa estrutura, mas Rangel defende investimentos mais rápidos. “Nós temos uma das energias mais caras do país”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso, ao destacar a necessidade de encontrar mecanismos de financiamento que não aumentem ainda mais a tarifa.

A falta de trabalhadores também acompanha o ritmo de crescimento. A estimativa é de que Mato Grosso precise de mais de 260 mil pessoas para o mercado de trabalho nos próximos dez anos. Programas de qualificação são desenvolvidos com o governo estadual e prefeituras, além de ações para formação técnica de estudantes do ensino médio.

“Temos um trabalho muito forte para ser feito. É um estado que cada vez cresce mais rápido e precisamos acelerar isso também”, destaca Rangel. Para ele, a qualificação precisa avançar junto com a indústria para evitar que a falta de trabalhadores limite novos investimentos.

A indústria também precisa acompanhar a evolução tecnológica, com investimentos em inovação, inteligência artificial e robótica. Para o presidente do Sistema Fiemt, a modernização deve estar associada à capacitação dos funcionários, como forma de reduzir custos e elevar a produtividade.

Esse processo de transformação coloca a verticalização no centro da próxima fase de crescimento de Mato Grosso. Com mais matéria-prima sendo processada dentro do estado, o desafio passa a ser garantir infraestrutura, trabalhadores e tecnologia suficientes para sustentar a expansão.

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Soja: veja como ficaram as cotações no fechamento de hoje

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Foto: Pixabay/montagem

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com pouco reporte de negócios, mantendo o ritmo observado nos últimos dias. De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, as cotações oscilaram entre estáveis e mais altas no mercado físico, sustentadas pela demanda local em algumas regiões.

Silveira destaca que o basis favoreceu a alta das cotações em algumas praças, como Minas Gerais, movimento também observado em outras regiões.

Em Chicago, a sessão foi marcada por oscilações contidas, enquanto o dólar recuou e os prêmios permaneceram firmes, praticamente nos mesmos níveis registrados ao longo da semana.

“Sem muitas novidades, com o relatório da próxima semana pela frente, ninguém quis fazer grandes movimentos”, resume o analista.

Preço da saca de soja hoje

  • Passo Fundo (RS): caiu de R$ 139 para R$ 138
  • Santa Rosa (RS): passou de R$ 140 para R$ 139
  • Cascavel (PR): permaneceu em R$ 134,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 127 para R$ 129
  • Dourados (MS): caiu de R$ 129 para R$ 128
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 127 para R$ 129
  • Porto de Paranaguá (PR): permaneceu em R$ 145
  • Porto de Rio Grande (RS): seguiu em R$ 145

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta sexta-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), ampliando as perdas semanais – a posição novembro teve queda semanal de 0,95%. Em dia volátil, a previsão de clima favorável para o cinturão produtor dos Estados Unidos acabou preponderando e pressionou as cotações.

As perdas foram limitadas pela recuperação do petróleo e pela boa demanda chinesa pela soja americana, o que colocou os contratos boa parte do dia no território positivo.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 238.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.

As importações de soja em grão pela China no mês de julho somaram 11,48 milhões de toneladas, 1,6% inferior ao mesmo mês de 2025. No acumulado de 2026, as importações chinesas somaram 60,51 milhões de toneladas, ante 61,05 milhões em igual momento de 2025, o que representa um aumento de 0,7%.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 1,50 centavo de dólar, ou 0,12%, a US$ 11,76 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 11,91 1/4 por bushel, com retração de 1,50 centavo de dólar ou 0,12%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 3,20 ou 1,01% a US$ 313,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,88 centavos de dólar, com ganho de 0,51 centavo ou 0,75%.

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Chuvas dificultam manejo, mas trigo avança bem no Rio Grande do Sul

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As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul apresentam bom desenvolvimento, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Na semana, as chuvas mantiveram o solo úmido e dificultaram o tráfego de máquinas, as adubações nitrogenadas em cobertura e as aplicações fitossanitárias nas áreas cultivadas.

De acordo com a Emater, nas lavouras mais desenvolvidas, o aumento da radiação solar no fim do período favoreceu a retomada do crescimento e o avanço para as fases reprodutivas iniciais, que já representam 3% da área. As áreas implantadas mais tardiamente, que somam 97%, seguem em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento.

O quadro indica evolução da cultura em diferentes estágios no Estado, com predominância de lavouras ainda em fase vegetativa. Nas áreas em estágio mais avançado, a melhora das condições de radiação contribuiu para o desenvolvimento das plantas após o período de maior umidade no solo.

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Na região de Santa Rosa, 6% das lavouras de trigo ingressaram na fase de floração. Em Santo Antônio das Missões, um episódio de granizo provocou o acamamento das plantas. Ainda assim, a Emater registra expectativa de recuperação da maior parte do potencial produtivo.

O cenário da semana no Rio Grande do Sul combina bom desenvolvimento das lavouras de trigo com limitações operacionais provocadas pelas chuvas, enquanto parte das áreas mais avançadas já inicia fases reprodutivas e de floração.

Fonte: Estadão Conteúdo

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