Business
Operação CNPJ na Cela desarticula esquema de fraude fiscal no setor de grãos em Mato Grosso

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT) deflagrou, na manhã desta terça-feira (3), a Operação CNPJ na Cela. A ação visa desarticular um grupo criminoso envolvido em um esquema de sonegação fiscal na comercialização de grãos. Ao todo, são cumpridas 50 ordens judiciais, incluindo nove mandados de busca e apreensão em Rondonópolis e Várzea Grande, além de 21 ordens de suspensão do exercício de atividades econômicas das empresas e do registro profissional de um contador.
As investigações da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) revelaram que a organização utilizava cadastros regulares para simular capacidade operacional inexistente. O grupo captava dados de pessoas humildes ou com vínculos com o sistema prisional para criar empresas “fantasmas”. Em um dos casos mais graves, as diligências constataram que uma dessas empresas possuía como sede oficial o endereço de uma penitenciária em Rondonópolis.
A operação é um desdobramento da “Inter Partes”, da Polícia Civil de Mato Grosso, e integra o programa estadual Tolerância Zero Contra Facções Criminosas. Além da fraude tributária, os investigadores identificaram indícios de participação de integrantes de organizações criminosas no esquema. O Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Mato Grosso foi o responsável por deferir os mandados, que incluem o afastamento de sigilo de dados telemáticos.
Segundo a Defaz, o papel do contador era fundamental para a “engenharia da fraude”, conferindo uma aparência de legalidade às transações que não possuíam lastro físico ou econômico. O Cira-MT, que coordena os trabalhos, reúne o Ministério Público, Polícia Civil, Sefaz, PGE e a Controladoria Geral do Estado.
Escárnio contra a fiscalização
O delegado João Paulo Firpo Fontes, responsável pelo inquérito, classifica o uso de um presídio como sede de empresa como um atestado de audácia dos criminosos. “A investigação descortinou o esquema, demonstrando que tal audácia não será tolerada pelo Estado”.
O delegado titular da Defaz, Walter de Melo Fonseca Júnior, reforça que o uso de “laranjas” dificultava a identificação dos verdadeiros líderes.“A participação ativa do contador na engenharia da fraude, com o objetivo de conferir aparência de legalidade, demonstra a astúcia dos investigados em ocultar as práticas ilícitas”.
Impacto na economia e arrecadação
A atuação conjunta é vista como essencial para manter o equilíbrio no setor de grãos, pilar da economia mato-grossense. O promotor de Justiça Washington Eduardo Borrére afirma que a integração das instituições protege a sociedade. “Tal integração fortalece o combate ao crime organizado e protege a sociedade mato-grossense“.
Para o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Luiz Gallo, o esquema feria a livre concorrência. “A utilização de empresas de fachada não apenas lesa o erário, mas fere a livre concorrência, prejudicando o produtor e o empresário que atuam dentro da legalidade. O cruzamento de dados e a atuação integrada do Cira permitem que identifiquemos essas simulações, garantindo o monitoramento e a fiscalização do setor de grãos, vital para nossa economia”.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Operação CNPJ na Cela desarticula esquema de fraude fiscal no setor de grãos em Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Custo elevado de produção pressiona algodão e área recua 8% em Mato Grosso

Os custos elevados de produção seguem pressionando a rentabilidade das lavouras de algodão em Mato Grosso. Motivo que impulsiona uma redução de 8,06% na área no atual ciclo em relação à safra 2024/25. Diante disso, as perspectivas apontam um decréscimo de 15,16% na produção de pluma.
As projeções constam em relatório divulgado na segunda-feira (2) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Segundo o levantamento, a previsão é semear 1,42 milhões de hectares nesta safra 2025/26 com a fibra. Como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso recentemente, até o dia 30 de janeiro 67,75% da extensão projetada já havia recebido as sementes.
A queda na área é observada “em todas as regiões”, pontua o Instituto. A mais acentuada é na região Nordeste de 84,3 mil hectares para 60,6 mil, retração de 28,04%. Já na região Norte 15,55%, devendo a área ficar em 21,4 mil hectares. Na região Centro-Sul do estado a previsão é de 10,81%.
Produção de algodão recua em mais de 15%
Em relação à produtividade, conforme o Imea, foi mantida a metodologia de média ponderada das safras anteriores, ficando em 290,88 arrobas por hectare, 7,69% inferior ao observado na safra 2024/25.
Com isso, considerando a menor projeção de área de cultivo, a produção de algodão em caroço foi estimada em 6,21 milhões de toneladas, queda de 15,13% no comparativo com a safra passada, quando 7,32 milhões de toneladas foram colhidas.
Já a produção de pluma ficou prevista na nova revisão em 2,56 milhões de toneladas, volume 15,16% abaixo das 3,01 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Custo elevado de produção pressiona algodão e área recua 8% em Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Imea eleva projeção de soja para 50,5 mi/t em Mato Grosso

A produção de soja deve alcançar 50,517 milhões de toneladas nesta safra 2025/26 em Mato Grosso. É o que aponta a nova perspectiva para a temporada do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Segundo o levantamento, o aumento de 7,06% em relação ao estimado em dezembro decorre da produtividade, cujas projeções foram elevadas para 64,73 sacas por hectare de média.
A nova estimativa de safra 2025/26 foi divulgada nesta segunda-feira (2) e aponta manutenção na área de 13,008 milhões de hectares, extensão 1,67% superior ao registrado no ciclo passado.
Os ajustes observados no relatório se referem a produtividade e produção. De acordo com o Imea, a produtividade foi elevada 7,06% no comparativo com dezembro, impulsionada pelas condições climáticas que favoreceram o desenvolvimento das lavouras nos últimos dias. Apesar de positivo o incremento, ao se comparar com o ciclo 2024/25 há uma queda de 2,36%.
“Para as próximas semanas, o cenário permanece majoritariamente favorável, com expectativa de bom ritmo de colheita. As previsões meteorológicas atuais não indicam volumes expressivos de chuva, reduzindo o risco de perdas operacionais e de impacto relevante na produtividade”, frisa o Imea.
O Instituto reforça ainda que eventuais revisões “negativas” podem ocorrer ao longo dos trabalhos de colheita da soja “caso haja uma mudança significativa no padrão climático, especialmente relacionada à ocorrência de chuvas persistentes durante o período de colheita”.
Apesar do ajuste para cima na produção, motivado pela produtividade, este ainda não foi “suficiente” para ultrapassar o volume consolidado da safra 2024/25 de 50,893 milhões de toneladas.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Imea eleva projeção de soja para 50,5 mi/t em Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Embrapa usa satélites para mapear banana e pupunha e fortalecer a agricultura familiar

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que o uso de imagens de satélite pode se tornar uma ferramenta estratégica para o planejamento territorial e o fortalecimento da agricultura familiar em regiões tropicais com alta diversidade produtiva.
A pesquisa, realizada no município de Jacupiranga (SP), no Vale do Ribeira, alcançou mais de 93% de precisão na identificação de áreas agrícolas e de vegetação nativa. O trabalho utilizou imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia (ESA), combinadas com técnicas de inteligência artificial.
Os resultados indicam que o sensoriamento remoto pode oferecer ampla cobertura territorial, menor custo e alta confiabilidade, inclusive em ambientes tropicais marcados por relevo acidentado, alta umidade e presença constante de nuvens.
Agricultura digital como aliada das políticas públicas
Segundo os pesquisadores, a geração de informações detalhadas sobre o uso do solo agrícola pode apoiar políticas públicas, ampliar a assistência técnica e fortalecer programas de desenvolvimento sustentável voltados a pequenos e médios produtores rurais.
O estudo integrou o projeto Semear Digital, desenvolvido no Distrito Agrotecnológico (DAT) de Jacupiranga, e teve seus resultados publicados na revista científica internacional Agriculture.
“Justamente por reunir uma grande diversidade produtiva e socioambiental, o Vale do Ribeira é um território estratégico para o aperfeiçoamento de métodos de mapeamento capazes de lidar com essa complexidade”, explica Victória Beatriz Soares, mestranda em Geografia pela Unicamp e uma das autoras do trabalho.
Região combina agricultura familiar e conservação ambiental
O Vale do Ribeira tem a agricultura familiar como base produtiva, convivendo com extensas áreas preservadas da Mata Atlântica. Pequenos lotes agrícolas são destinados principalmente ao cultivo de banana e pupunha, em um mosaico produtivo que desafia métodos tradicionais de mapeamento.
De acordo com os autores, sistemas agrícolas diversificados, como os encontrados na região, são mais resilientes às mudanças climáticas, além de contribuírem para a segurança alimentar, a geração de renda e a manutenção de serviços ambientais, como a conservação do solo e da biodiversidade.
Pupunha ganha protagonismo no mapeamento agrícola
Um dos diferenciais do estudo foi a inclusão da pupunha como categoria independente no mapeamento digital, algo ainda pouco comum em levantamentos realizados em regiões tropicais.
O palmito de pupunha é um dos principais produtos florestais não madeireiros do Brasil e tem se consolidado como uma alternativa sustentável às espécies nativas de palmeiras. O mapeamento específico dessa cultura permite acompanhar sua expansão e apoiar políticas públicas voltadas a cadeias produtivas mais sustentáveis.
Índices espectrais ampliam precisão em ambientes tropicais
Para diferenciar os usos da terra, os pesquisadores testaram diferentes índices espectrais, que analisam o comportamento da luz refletida pela vegetação. O destaque foi o NDWI, índice relacionado à presença de água nas folhas, que se mostrou mais eficiente do que o tradicional NDVI em ambientes úmidos como o Vale do Ribeira.
Segundo o estudo, a combinação de informações sobre vigor vegetativo, umidade e solo tornou o método mais robusto para mapear paisagens agrícolas heterogêneas, incluindo a diferenciação entre banana e pupunha.
Agricultura digital avança no campo brasileiro
A experiência em Jacupiranga reforça o avanço da agricultura digital no Brasil. Levantamentos da Embrapa indicam que mais de 84% dos produtores rurais já utilizam algum tipo de tecnologia digital no campo, e 95% demonstram interesse em ampliar esse uso.
Embora essas tecnologias estejam mais difundidas em áreas de produção em larga escala, o estudo demonstra que ferramentas digitais também podem trazer benefícios concretos à agricultura familiar, democratizando o acesso à informação e à gestão territorial.
“A adoção de tecnologias digitais na agricultura amplia a eficiência produtiva e fortalece ações de sustentabilidade, tornando o campo mais inclusivo”, afirma Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.
Sustentabilidade como eixo central
Para os pesquisadores, a agricultura digital deve ser vista não apenas como instrumento de produtividade, mas como uma estratégia de sustentabilidade e inclusão. Em regiões como o Vale do Ribeira, o monitoramento digital pode apoiar a conservação ambiental e, ao mesmo tempo, valorizar práticas produtivas tradicionais.
“O monitoramento digital permite a detecção precoce de problemas fitossanitários em áreas extensas e de difícil acesso, auxiliando a tomada de decisão do poder público”, destaca Kátia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
Mais do que mapas e números, o estudo mostra como a integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas pode fortalecer a agricultura familiar e promover um desenvolvimento rural mais equilibrado entre produção e conservação ambiental.
O post Embrapa usa satélites para mapear banana e pupunha e fortalecer a agricultura familiar apareceu primeiro em Canal Rural.
Business23 horas agoAvião de pequeno porte cai em lavoura de soja no DF; piloto se feriu
Agro Mato Grosso22 horas agoSoja em Lucas do Rio Verde: Preço cai abaixo de R$ 100 com avanço da colheita em MT
Sustentabilidade23 horas agoMercado brasileiro de milho deve iniciar semana com negociações travadas – MAIS SOJA
Featured24 horas agoColheita de soja avança no Brasil e chega a 10%, aponta AgRural
Business24 horas agoCotação do milho atinge nível mais baixo desde outubro de 2025
Business16 horas agoBrasil já registra 144 casos de ferrugem asiática na safra 25/26
Business20 horas agoImea: Colheita da soja e plantio do milho avançam mais que o ano passado em MT
Sustentabilidade20 horas agoFundos elevam aposta na alta da soja na CBOT até 27 de janeiro
















