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9 de maio de 2026

Business

Feijão na encruzilhada: queda na demanda desafia o mercado

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Foto: Agraer/MS

O mercado brasileiro de feijão atravessa um momento raro e desconfortável. Não se trata apenas de preços altos, tampouco de oferta restrita. O que se vê hoje é algo mais profundo: um mercado que perdeu sua capacidade de funcionar. Há produto. Há preço. Mas não há negócio.

Essa desconexão revela uma mudança estrutural que muitos ainda insistem em tratar como conjuntural. O feijão chegou ao limite do seu modelo tradicional. E, como todo sistema que opera no limite, começa a dar sinais claros de ruptura.

O Teto do Consumo Interno

Durante décadas, o feijão foi tratado como um produto inquestionável na mesa do brasileiro. Um consumo quase automático, pouco sensível a preço. Essa premissa deixou de ser válida. O consumidor mudou e o mercado demorou para perceber. Quando o carioca ultrapassa a faixa de R$ 8,00 a R$ 10,00 por quilo, o giro trava. No feijão preto, o limite é ainda mais evidente.

Não se trata mais de resistência pontual, mas de um teto consolidado. O mercado encontrou seu limite de absorção, e passou a rejeitar preços acima dele. O impacto disso é silencioso, mas devastador. O consumidor não negocia. Ele simplesmente substitui. Migra para proteínas mais baratas, reduz consumo ou adia a compra. O varejo, com estoques elevados, responde com cautela. A indústria desacelera. E a origem, inevitavelmente, trava.

Hoje, o poder da cadeia não está mais no produtor, nem na indústria. Está na gôndola. E a gôndola está dizendo com clareza: não há espaço para repasse. Esse é o ponto de inflexão mais importante do mercado atual. O problema deixou de ser produzir e passou a ser vender. O feijão, antes um produto de demanda garantida, agora disputa espaço no orçamento do consumidor. Isso muda completamente a lógica da formação de preço.

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A ditadura da volatilidade

Com a demanda enfraquecida, a volatilidade deixa de ser efeito e passa a ser protagonista. O movimento recente escancara isso. Em fevereiro, um rali histórico, com altas superiores a 30%. Em março, uma paralisia quase total. Em poucos dias, o mercado saiu da euforia para a inércia. E o mais importante: sem uma transição racional. Esse comportamento não é exceção. É característica estrutural do feijão.

O setor opera praticamente sem instrumentos de gestão de risco. Não há cultura consolidada de hedge. O uso de derivativos é irrelevante. O seguro não cobre preço. E a formação de valor depende, quase exclusivamente, de negociações pontuais. Na prática, o produtor está exposto.

Ele segura quando o mercado sobe, esperando mais. Fica travado quando a liquidez some. E cede quando a pressão aparece. Não há estratégia. Há reação. E, neste ambiente, a volatilidade não é apenas financeira — é psicológica. O mercado deixou de responder apenas à oferta e demanda. Passou a reagir à percepção, ao medo e à expectativa. Sem instrumentos, sem previsibilidade e sem proteção, o preço deixa de ser uma variável de gestão e passa a ser um fator de risco.

A miopia do mercado

Se há um ponto que explica a fragilidade estrutural do feijão brasileiro, ele está na forma como o mercado ainda se organiza. O setor resiste em tratar o feijão como uma commodity estratégica. Continua operando de maneira fragmentada, dependente de negociações informais, com baixa padronização e pouca transparência. Os sinais são claros.

Os preços divulgados muitas vezes não refletem negócios reais. Os pregões perdem relevância. As negociações migram para fora do ambiente formal. E o mercado passa a operar sem uma referência confiável. Hoje, o preço virou uma indicação e não uma validação. Isso cria um ambiente perigoso. O produtor não sabe exatamente quanto vale seu produto. O comprador ganha poder de barganha.

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E o mercado perde sua capacidade de organizar expectativas. Nesse cenário, surge a distorção mais emblemática do momento: o produto de pior qualidade passa a ditar o preço do melhor. A lógica se inverte. O mercado deixa de premiar qualidade e passa a precificar pelo excesso. O resultado é uma fragmentação extrema, onde o feijão comercial gira e o extra trava. Essa miopia custa caro. Impede a evolução do setor e mantém o feijão preso a um modelo ultrapassado, incapaz de lidar com a complexidade atual. A válvula de escape: exportação como estratégia

Enquanto o mercado interno perde tração, uma alternativa começa a ganhar forma, não como solução imediata, mas como caminho inevitável: a exportação.

O avanço do feijão mungo preto é um caso emblemático. O Brasil ocupou um espaço estratégico no mercado global, impulsionado por fatores geopolíticos e climáticos. Tornou-se fornecedor relevante para a Ásia, especialmente para a Índia, e passou a operar em um modelo completamente diferente do mercado doméstico. Aqui está a diferença central: previsibilidade.

O mungo não depende do mercado spot. Ele opera com contratos. O escoamento é planejado antes do plantio. O preço não é definido no improviso, mas estruturado em função da demanda global. Isso muda o jogo.

O produtor deixa de ser refém da liquidez local e passa a atuar dentro de uma lógica de fluxo. Reduz risco, melhora planejamento e ganha estabilidade. Esse modelo não precisa — e não deve — se limitar ao mungo. Há espaço claro para expansão em outras variedades, como o caupi e o rajado. O Brasil tem escala, clima e capacidade produtiva para isso. O que falta é organização.

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Hoje, a exportação brasileira é forte em volume, mas frágil em estrutura. Concentrada em poucos estados, poucos produtos e, principalmente, poucos compradores. A dependência da Índia é um risco evidente. Transformar a exportação em estratégia exige coordenação. Exige inteligência comercial, padronização, abertura de mercados e segurança jurídica. Mais do que vender para fora, é preciso saber para quem, como e com qual consistência.

O mercado de feijão não está em crise. Está em transição. E a diferença é fundamental. Crises passam. Transições exigem mudança.

O modelo atual, baseado em consumo doméstico, pouca transparência, negociação spot e ausência de gestão de risco ,está esgotado. Ele não responde mais às novas condições de mercado.

O que se desenha à frente é um setor que precisará evoluir rapidamente.

Produtores terão que deixar de ser apenas produtores e se tornar gestores de risco. Cooperativas precisarão assumir papel mais ativo na estruturação comercial. Corretores terão que qualificar informação, não apenas intermediar. E o poder público precisará agir para destravar acordos e facilitar o acesso a mercados externos. A alternativa é clara: ou o setor se profissionaliza, ou continuará refém de ciclos cada vez mais curtos, mais intensos e mais imprevisíveis.

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O feijão brasileiro chegou a uma encruzilhada. E, desta vez, não é o clima que define o próximo passo. É decisão estratégica.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Dia das Mães: após nascimento da filha, empresária encontrou no campo um novo propósito

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Foto: reprodução/Mercado&Cia

No campo, a maternidade também transforma trajetórias. No Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, a história da produtora rural e empresária Miriam Santiago Krindges reúne coragem, mudança de vida e valorização das origens em uma propriedade que une vinho, cultura e turismo.

Advogada de formação, Miriam Santiago deixou a carreira na cidade para se dedicar à vida no campo ao lado do marido, Irani, descendente de alemães. A decisão ganhou ainda mais força após o nascimento da filha, Dandara, que motivou a produtora a buscar uma rotina mais próxima da família e da criação da criança.

Hoje, a pequena propriedade localizada em Poço das Antas, no Vale do Taquari, produz uvas e outras frutas utilizadas na fabricação artesanal de bebidas. O espaço também se tornou referência em experiências ligadas ao vinho e ao afroturismo, promovendo atividades culturais como rodas de samba e eventos gastronômicos.

Segundo Miriam Santiago, o empreendedorismo surgiu de forma gradual, a partir da necessidade de agregar valor à produção da família. Para isso, ela buscou qualificação em cursos voltados ao turismo e ao desenvolvimento do negócio.

“Eu precisei me qualificar. Entrei num programa para acelerar o turismo e comecei a fazer cursos. Conforme fomos empreendendo, eu fui sentindo a necessidade do mercado. Já fazíamos vinho de forma artesanal e eu criei uma experiência ligada ao vinho para agregar valor ao que produzíamos”, conta Miriam Santiago.

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Amor de mãe e filha

Paulista, Miriam Santiago construiu a família no Rio Grande do Sul ao lado do marido, Irani, descendente de alemães. Desse amor nasceu Dandara, filha do casal e principal inspiração para a mudança de vida da empreendedora.

“Eu acredito que a maternidade tem um poder muito transformador na vida da mulher. E depois que a minha filha nasceu, eu queria estar próxima a ela, acompanhar o crescimento dela”, conta Miriam Santiago.

Segundo ela, foi a maternidade que levou Miriam Santiago a trocar a carreira na cidade pela rotina no campo. “Trabalhando na propriedade junto com o meu marido, eu entendia que eu estaria mais próxima da minha filha e poderia acompanhar o crescimento dela”, destaca.

A troca entre mãe e filha que também envolve o campo. Esse amor é ensinado no dia a dia, nas brincadeiras e no contato com a terra.

Referência

Hoje, além da produção de uvas e outras frutas utilizadas na fabricação das bebidas, a família também se tornou referência em iniciativas voltadas ao afroturismo, com visitas na propriedade e atividades culturais como a pisa e rodas de samba.

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A empresária, que já levou o projeto da vinícola para fora do país, diz que o maior aprendizado está justamente em construir exemplos para o futuro da filha, mostrando que dedicação, identidade cultural e afeto também fazem parte da vida no campo.

“Eu acho que passar esses valores de trabalho, de honestidade, de fazer as coisas corretamente e de que é importante a gente manter as nossas raízes, as nossas origens. A nossa dedicação é um exemplo para os nossos filhos de como a gente sempre faz tudo pensando no que é melhor para eles e no futuro deles”, completa Miriam Santiago.

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Pesquisa inédita avalia adaptação do lúpulo às condições da região serrana do Espírito Santo

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Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) está desenvolvendo um projeto inédito de pesquisa com cultivo de lúpulo, uma das principais matérias-primas das cervejas, no Espírito Santo.

Implantado na Fazenda Experimental Mendes da Fonseca, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins, o estudo busca avaliar o desempenho agronômico, fitoquímico e fitossanitário de variedades da planta cultivadas em condições de altitude na região serrana capixaba.

Coordenado pela pesquisadora do Incaper Alessandra de Lima Machado, o projeto teve início em outubro de 2025 e representa o primeiro experimento científico conduzido pela instituição com a cultura no estado.

Estão sendo avaliadas, inicialmente, as variedades Cascade, Comet e Chinook, conhecidas pelo uso frequente na produção de cervejas artesanais devido às características de aroma e amargor.

“O principal objetivo do projeto é identificar variedades de lúpulo mais adaptadas às condições de clima e solo do Espírito Santo, além de gerar informações técnicas sobre manejo, produtividade, fitossanidade e qualidade química”, explica.

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O lúpulo é uma planta perene estratégica para a cadeia produtiva da cerveja. Suas flores femininas, chamadas cones, concentram glândulas de lupulina, estruturas ricas em compostos bioativos, como alfa e beta-ácidos e óleos essenciais, responsáveis pelo aroma, sabor, amargor e estabilidade da bebida.

Cenário nacional

Apesar de o Brasil ocupar posição de destaque na produção mundial de cerveja, praticamente todo o lúpulo utilizado pela indústria nacional ainda é importado. Esse cenário tem impulsionado pesquisas voltadas à adaptação da cultura às condições brasileiras, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical.

“O cultivo de lúpulo no Brasil ainda é relativamente recente e existem muitos desafios relacionados ao manejo da cultura em condições tropicais, principalmente em relação ao fotoperíodo e à suplementação luminosa. Por isso, é importante desenvolver pesquisas adaptadas à realidade de cada região”, destaca a pesquisadora.

Segundo Alessandra de Lima Machado, o crescimento do mercado de cervejas artesanais e o interesse de produtores rurais motivaram o desenvolvimento do estudo no Espírito Santo.

“O estado tem um setor cervejeiro bastante dinâmico e é o terceiro em número de cervejarias artesanais por habitante do país. Isso cria uma demanda importante por matérias-primas e abre oportunidades para diversificação da produção agrícola”, afirma.

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Alternativa

Além do potencial de abastecimento da cadeia cervejeira, o lúpulo também se apresenta como alternativa promissora para a agricultura familiar e para iniciativas ligadas ao agroturismo.

“É uma cultura de alto valor agregado, que pode ser cultivada em pequenas áreas e que, em condições adequadas, pode apresentar mais de uma safra por ano. Isso permite otimizar o uso da propriedade e criar novas possibilidades de geração de renda no meio rural”, observa Alessandra.

O cultivo do lúpulo também chama atenção pela estrutura característica da lavoura. Por ser uma planta trepadeira, a cultura necessita de sistemas de condução com treliças ou caramanchões que podem atingir entre cinco e sete metros de altura, formando corredores verdes semelhantes a vinhedos verticais, um aspecto que também favorece experiências ligadas ao turismo rural.

Experimento

No experimento conduzido pelo Incaper, é utilizado o sistema de condução em “V”, que favorece a entrada de luz solar e a circulação de ar entre as plantas, contribuindo para maior produtividade e redução da incidência de doenças. A estrutura também organiza o crescimento da cultura e facilita o manejo e a colheita dos cones.

As pesquisas avaliam tanto o desenvolvimento das plantas em campo quanto a qualidade química dos cones produzidos. Entre os aspectos estudados estão produtividade, manejo nutricional, fitossanidade, poda, adaptação das variedades e composição química relacionada à produção cervejeira.

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As análises laboratoriais são realizadas em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Venda Nova do Imigrante. O projeto também conta com apoio da Biohope, da Brazuca Lúpulos e de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

“A ideia é gerar conhecimento técnico que possa reduzir riscos para os produtores interessados na cultura e contribuir para a construção de uma cadeia produtiva do lúpulo no Espírito Santo”, destaca a pesquisadora.

Expectativa

A expectativa é que os resultados obtidos futuramente contribuam para fortalecer a produção rural, estimular o turismo de experiência ligado às cervejarias artesanais e impulsionar o desenvolvimento de produtos com identidade regional.

“Existe um potencial muito interessante para integrar produção agrícola, cerveja artesanal e agroturismo. No futuro, isso pode até contribuir para o desenvolvimento de cervejas associadas ao terroir capixaba”, pontua Alessandra de Lima Machado.

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Explosão de moscas-das-frutas ameaça pomares no Distrito Federal

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Foto: Embrapa

O Distrito Federal vive um paradoxo fitossanitário que pode frear uma das mais promissoras e atuais fronteiras da fruticultura brasileira. Se, por um lado, a vigilância rigorosa confirma que o DF é uma “área livre” de temidas pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola, por outro, os pomares locais enfrentam uma explosão populacional de espécies nativas e a chegada de uma nova invasora agressiva, a Drosophila suzukii.

O cenário é crítico para culturas sensíveis e de alto valor agregado, como o mirtilo, que corre o risco de se tornar economicamente inviável na região antes mesmo de consolidar sua recente expansão no Cerrado brasileiro.

O alerta é resultado de um projeto de pesquisa e de monitoramento iniciado em 2023 pelos pesquisadores Elisângela Fidelis e Marcelo Lopes, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria estratégica com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri).

Os dados levantados por Fidelis e Lopes revelam que a infestação atual é seis vezes superior ao limite tolerável para o mercado comercial, criando uma barreira invisível para a exportação e prejuízos para o produtor.

Medição do perigo

A ciência utiliza uma métrica rigorosa para medir o perigo nos pomares: o índice Mosca/Armadilha/Dia (MAD). Trata-se de um indicativo técnico que determina o momento exato em que o produtor precisa intervir. Para que uma produção seja considerada segura, lucrativa e de alta qualidade, o índice deve permanecer abaixo de 0,5 moscas capturadas por dia em cada armadilha.

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Entretanto, o levantamento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em cultivos de goiaba do Distrito Federal encontrou números alarmantes chegando a 2,5 e 3,0 moscas capturadas por dia em cada armadilha. “A diversidade de espécies não aumentou drasticamente desde a década de 1990, mas a quantidade de indivíduos cresceu muito”, afirma Marcelo Lopes.

Esse excedente populacional gera um ciclo vicioso de destruição. As fêmeas depositam os ovos dentro dos frutos, as larvas crescem consumindo a polpa e provocam a queda prematura da produção.

“Se o produtor deixa a fruta no chão, ele está mantendo um berçário para a praga. O fruto cai, a larva sai dele, entra no solo para virar pupa e depois emerge como uma nova mosca pronta para atacar o restante da plantação”, detalha Lopes.

Barreiras internacionais e a “área livre”

Além do prejuízo direto na colheita, a superpopulação de moscas é o principal entrave à produção local chegar a mercados fora do DF, inclusive para produtores de maior porte que pretendem chegar a compradores de fora do Brasil.

Isso porque países da União Europeia, Estados Unidos, China e Japão impõem restrições severas à importação de frutas oriundas de áreas com alta infestação. O temor desses países é que os frutos levem larvas “escondidas” que, ao chegarem ao destino, possam infestar seus próprios territórios.

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Apesar desse desafio interno, a pesquisadora Elisângela Fidelis aponta um dado que é um positivo e estratégico para o país: o Distrito Federal permanece livre de pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) e a mosca-oriental (Bactrocera dorsalis).

Atualmente, a mosca-da-carambola está restrita a estados do Norte, como Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, sob um rígido programa de erradicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“O trânsito de pessoas e mercadorias em áreas urbanas é o maior risco para a introdução dessas pragas no Distrito Federal”, alerta Elisângela. Ela explica que o transporte informal de frutas em bagagens de viajantes é a principal via de dispersão. Uma única fruta infestada trazida de uma viagem pode destruir o status sanitário de toda uma região produtora em poucos dias.

Potencial da praga

A grande novidade negativa para a fruticultura do Cerrado é a detecção da Drosophila suzukii. Diferente das moscas-das-frutas comuns, que geralmente atacam frutos já feridos, podres ou caídos, esta espécie possui uma característica devastadora: ela consegue perfurar a casca de frutas intactas e de pele fina enquanto elas ainda estão no pé.

“Diferente das outras moscas que conhecemos, a suzukii consegue perfurar a casca de frutos perfeitamente sadios”, explica o pesquisador Marcelo Lopes. Segundo ele, a entrada dessa espécie exige uma mudança drástica de postura.

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Os pesquisadores contam que o mirtilo e o morango são apostas de diversificação para o pequeno e médio produtor do Distrito Federal e entorno. Eles enfatizam que, sem um controle rigoroso, o valor comercial dessas frutas pode ser reduzido a zero, já que a presença de uma única larva inviabiliza a venda para grandes redes e mercados externos.

Monitoramento

Para manter o monitoramento em dia e garantir a detecção precoce de qualquer invasora, os pesquisadores instalaram armadilhas em pontos estratégicos de circulação, como as Centrais de Abastecimento (Ceasa), feiras permanentes e propriedades rurais.

Estas armadilhas contêm substâncias que atraem os machos das espécies para uma base colante, permitindo que os cientistas identifiquem rapidamente o que está circulando no ambiente.

Vigilância constante

Elisangela Fidelis e Marcelo Lopes são enfáticos: a consolidação dos dados levantados no projeto de monitoramento das moscas-das-frutas é como um alerta às autoridades, produtores e à própria sociedade. Segundo os pesquisadores, é possível reduzir os índices de infestação para que o polo de fruticultura do Distrito Federal não seja apenas produtivo, mas também competitivo em nível global.

Com a aplicação correta das técnicas de manejo e a vigilância constante, o Distrito Federal tem o potencial de superar a crise das moscas-das-frutas e se tornar uma referência na produção de frutas finas para o Brasil e para o mundo.

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