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Feijão na encruzilhada: queda na demanda desafia o mercado

O mercado brasileiro de feijão atravessa um momento raro e desconfortável. Não se trata apenas de preços altos, tampouco de oferta restrita. O que se vê hoje é algo mais profundo: um mercado que perdeu sua capacidade de funcionar. Há produto. Há preço. Mas não há negócio.
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Essa desconexão revela uma mudança estrutural que muitos ainda insistem em tratar como conjuntural. O feijão chegou ao limite do seu modelo tradicional. E, como todo sistema que opera no limite, começa a dar sinais claros de ruptura.
O Teto do Consumo Interno
Durante décadas, o feijão foi tratado como um produto inquestionável na mesa do brasileiro. Um consumo quase automático, pouco sensível a preço. Essa premissa deixou de ser válida. O consumidor mudou e o mercado demorou para perceber. Quando o carioca ultrapassa a faixa de R$ 8,00 a R$ 10,00 por quilo, o giro trava. No feijão preto, o limite é ainda mais evidente.
Não se trata mais de resistência pontual, mas de um teto consolidado. O mercado encontrou seu limite de absorção, e passou a rejeitar preços acima dele. O impacto disso é silencioso, mas devastador. O consumidor não negocia. Ele simplesmente substitui. Migra para proteínas mais baratas, reduz consumo ou adia a compra. O varejo, com estoques elevados, responde com cautela. A indústria desacelera. E a origem, inevitavelmente, trava.
Hoje, o poder da cadeia não está mais no produtor, nem na indústria. Está na gôndola. E a gôndola está dizendo com clareza: não há espaço para repasse. Esse é o ponto de inflexão mais importante do mercado atual. O problema deixou de ser produzir e passou a ser vender. O feijão, antes um produto de demanda garantida, agora disputa espaço no orçamento do consumidor. Isso muda completamente a lógica da formação de preço.
A ditadura da volatilidade
Com a demanda enfraquecida, a volatilidade deixa de ser efeito e passa a ser protagonista. O movimento recente escancara isso. Em fevereiro, um rali histórico, com altas superiores a 30%. Em março, uma paralisia quase total. Em poucos dias, o mercado saiu da euforia para a inércia. E o mais importante: sem uma transição racional. Esse comportamento não é exceção. É característica estrutural do feijão.
O setor opera praticamente sem instrumentos de gestão de risco. Não há cultura consolidada de hedge. O uso de derivativos é irrelevante. O seguro não cobre preço. E a formação de valor depende, quase exclusivamente, de negociações pontuais. Na prática, o produtor está exposto.
Ele segura quando o mercado sobe, esperando mais. Fica travado quando a liquidez some. E cede quando a pressão aparece. Não há estratégia. Há reação. E, neste ambiente, a volatilidade não é apenas financeira — é psicológica. O mercado deixou de responder apenas à oferta e demanda. Passou a reagir à percepção, ao medo e à expectativa. Sem instrumentos, sem previsibilidade e sem proteção, o preço deixa de ser uma variável de gestão e passa a ser um fator de risco.
A miopia do mercado
Se há um ponto que explica a fragilidade estrutural do feijão brasileiro, ele está na forma como o mercado ainda se organiza. O setor resiste em tratar o feijão como uma commodity estratégica. Continua operando de maneira fragmentada, dependente de negociações informais, com baixa padronização e pouca transparência. Os sinais são claros.
Os preços divulgados muitas vezes não refletem negócios reais. Os pregões perdem relevância. As negociações migram para fora do ambiente formal. E o mercado passa a operar sem uma referência confiável. Hoje, o preço virou uma indicação e não uma validação. Isso cria um ambiente perigoso. O produtor não sabe exatamente quanto vale seu produto. O comprador ganha poder de barganha.
E o mercado perde sua capacidade de organizar expectativas. Nesse cenário, surge a distorção mais emblemática do momento: o produto de pior qualidade passa a ditar o preço do melhor. A lógica se inverte. O mercado deixa de premiar qualidade e passa a precificar pelo excesso. O resultado é uma fragmentação extrema, onde o feijão comercial gira e o extra trava. Essa miopia custa caro. Impede a evolução do setor e mantém o feijão preso a um modelo ultrapassado, incapaz de lidar com a complexidade atual. A válvula de escape: exportação como estratégia
Enquanto o mercado interno perde tração, uma alternativa começa a ganhar forma, não como solução imediata, mas como caminho inevitável: a exportação.
O avanço do feijão mungo preto é um caso emblemático. O Brasil ocupou um espaço estratégico no mercado global, impulsionado por fatores geopolíticos e climáticos. Tornou-se fornecedor relevante para a Ásia, especialmente para a Índia, e passou a operar em um modelo completamente diferente do mercado doméstico. Aqui está a diferença central: previsibilidade.
O mungo não depende do mercado spot. Ele opera com contratos. O escoamento é planejado antes do plantio. O preço não é definido no improviso, mas estruturado em função da demanda global. Isso muda o jogo.
O produtor deixa de ser refém da liquidez local e passa a atuar dentro de uma lógica de fluxo. Reduz risco, melhora planejamento e ganha estabilidade. Esse modelo não precisa — e não deve — se limitar ao mungo. Há espaço claro para expansão em outras variedades, como o caupi e o rajado. O Brasil tem escala, clima e capacidade produtiva para isso. O que falta é organização.
Hoje, a exportação brasileira é forte em volume, mas frágil em estrutura. Concentrada em poucos estados, poucos produtos e, principalmente, poucos compradores. A dependência da Índia é um risco evidente. Transformar a exportação em estratégia exige coordenação. Exige inteligência comercial, padronização, abertura de mercados e segurança jurídica. Mais do que vender para fora, é preciso saber para quem, como e com qual consistência.
O mercado de feijão não está em crise. Está em transição. E a diferença é fundamental. Crises passam. Transições exigem mudança.
O modelo atual, baseado em consumo doméstico, pouca transparência, negociação spot e ausência de gestão de risco ,está esgotado. Ele não responde mais às novas condições de mercado.
O que se desenha à frente é um setor que precisará evoluir rapidamente.
Produtores terão que deixar de ser apenas produtores e se tornar gestores de risco. Cooperativas precisarão assumir papel mais ativo na estruturação comercial. Corretores terão que qualificar informação, não apenas intermediar. E o poder público precisará agir para destravar acordos e facilitar o acesso a mercados externos. A alternativa é clara: ou o setor se profissionaliza, ou continuará refém de ciclos cada vez mais curtos, mais intensos e mais imprevisíveis.
O feijão brasileiro chegou a uma encruzilhada. E, desta vez, não é o clima que define o próximo passo. É decisão estratégica.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão
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Colheita do milho de inverno 2025/26 avança para 11% da área no Brasil

A colheita do milho de inverno 2025/26 no Brasil atingia 11% da área semeada até o último sábado, de acordo com o Boletim de Progresso de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (23). O avanço foi de 4,3 pontos porcentuais sobre a semana anterior. Em relação ao mesmo período da safra passada, há leve adianto de 0,7 ponto porcentual, mas o ritmo segue abaixo da média de cinco anos, de 15%.
Entre os Estados produtores, Mato Grosso lidera os trabalhos, com 20,7% da área colhida. Na sequência aparecem Tocantins, com 15%, Piauí, com 12%, e Maranhão, com 10%. No Paraná, outro importante produtor do cereal de inverno, a colheita alcançava 1% da área.
No milho verão 2025/26, a colheita chegava a 93,7% da área plantada até o último sábado, avanço de 3,3 pontos porcentuais na semana. O índice representa leve atraso de 0,8 ponto porcentual ante igual período da safra 2024/25, mas permanece acima da média dos últimos cinco anos, de 92,3%. Entre os Estados que ainda não concluíram os trabalhos estão Rio Grande do Sul, com 99% da área colhida, Bahia, com 92%, Piauí, com 80%, e Maranhão, com 63%.
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A colheita do algodão 2025/26 alcançava 2,8% da área, alta semanal de 1,1 ponto porcentual. O resultado mostra atraso de 1,2 ponto porcentual ante igual momento da safra passada e leve adianto frente à média de cinco anos, de 2,5%. A Bahia lidera os trabalhos, com 10%, seguida por Minas Gerais, com 5%. Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás registravam 3% cada, enquanto Mato Grosso havia colhido 0,5%.
No trigo 2026, a colheita começou e atingia 0,7% da área até sábado. O porcentual está abaixo dos 1,9% do mesmo período da safra passada e próximo da média quinquenal de 0,6%. Goiás é o único Estado com colheita iniciada, com 5% da área. Já a semeadura do cereal avançou para 74,3% da área, alta de 14,8 pontos porcentuais na semana, acima dos 56,6% do mesmo período do ciclo passado e da média de cinco anos, de 64,2%. Entre os principais produtores, o Rio Grande do Sul havia semeado 63% da área e o Paraná, 84%.
Os dados da Conab mostram avanço semanal nas operações de campo das principais culturas de segunda safra e de inverno, com ritmos distintos entre Estados e comparação mista em relação à safra passada e à média histórica.
Fonte: Estadão Conteúdo
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IBGE detalha seleção para vagas ligadas ao 12º Censo Agropecuário Florestal Aquícola

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou nesta terça-feira (23), às 10h, uma transmissão ao vivo no IBGE Digital para esclarecer dúvidas sobre dois processos seletivos simplificados que somam 9.652 vagas temporárias. Parte das contratações será destinada ao 12º Censo Agropecuário Florestal Aquícola (CAFA), operação voltada às áreas rurais em todo o país.
Durante a live, o presidente Marcio Pochmann afirmou que a entrada de novos recenseadores é importante para a continuidade das operações estatísticas. A diretora-executiva Flávia Vinhaes destacou pontos ligados à remuneração, com previsão de parcela mínima e componente variável vinculado à produtividade.
O coordenador de Recursos Humanos, Bruno Malheiros, informou que há vagas concentradas nas capitais, mas também em outros municípios, e que a distribuição deve ser consultada nos editais. Segundo ele, os cargos de analista censitário estão disponíveis apenas nas capitais e não há vagas para recenseadores neste edital, já que essa seleção será feita em processo futuro. A expectativa do instituto é superar 250 mil inscritos.
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No Edital 01/2026, são 8.238 vagas para cinco cargos de agente censitário: Agente Censitário Administrativo (ACA), Agente Censitário de Informática (ACI), Agente Censitário Regional (ACR), Agente Operacional Regional (AOR) e Agente Censitário Supervisor (ACS). As inscrições vão até 1º de julho no site do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC). A seleção terá prova objetiva com Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico-Quantitativo e conhecimentos específicos.
Já o Edital 02/2026 oferece 1.414 vagas, sendo 1.020 para analista censitário e 394 para agente censitário de qualidade (ACQ). As inscrições seguem até 15 de julho no site do Instituto Avalia, e a prova objetiva está marcada para 30 de agosto. As convocações estão previstas para dezembro, com contratações a partir de janeiro.
O coordenador-geral de operações censitárias, Fernando Damasco, afirmou que o 12º CAFA buscará levantar informações sobre a estrutura agrária, a organização do setor e o perfil dos trabalhadores rurais. A coleta será feita por visitas a estabelecimentos agropecuários, com expectativa de alcançar cerca de 5 milhões de unidades. Segundo ele, o instituto também implantará 948 postos censitários temporários para apoiar as equipes em campo.
Segundo o IBGE, as 8.238 vagas do Edital 01/2026 e as 394 vagas de agente censitário de qualidade do Edital 02/2026 serão destinadas ao 12º CAFA, que orienta a organização das equipes, dos postos temporários e da cobertura territorial da operação censitária rural.
Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br
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SLC Agrícola decidirá em 30 dias sobre preferência em terras da Radar

A SLC Agrícola decidirá dentro do prazo contratual se vai exercer o direito de preferência sobre áreas do portfólio da Radar vendidas pela Cosan. A informação foi confirmada nesta terça-feira (23) pelo CEO da companhia, Aurélio Pavinato, durante o World Agri-Tech South America, em São Paulo. Segundo o executivo, o prazo para a decisão é de 30 dias a partir da notificação recebida pela empresa.
Na semana passada, a SLC Agrícola informou ao mercado que recebeu notificação sobre a venda de propriedades do Grupo Radar nas quais possui contrato de arrendamento vigente para exploração agrícola em aproximadamente 17,6 mil hectares. Em comunicado, a companhia afirmou que avalia as condições comerciais da oferta.
Ao comentar o tema, Pavinato disse que a empresa vai se manifestar dentro do período previsto em contrato. “Nós vamos decidir dentro do prazo. É tudo o que eu posso falar”, afirmou. Questionado novamente sobre o assunto, reforçou que a deliberação ocorrerá dentro dos 30 dias contados a partir da notificação.
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A manifestação ocorre após a Cosan anunciar a venda de parte das propriedades agrícolas da Radar por R$ 1,85 bilhão. Os imóveis estão localizados em Mato Grosso, somam 41.214 hectares e são destinados ao cultivo de soja, milho e algodão.
A SLC mantém arrendamento em parte dessas áreas, o que sustenta o direito de preferência mencionado pela companhia. Neste momento, a empresa concentra a análise nas condições comerciais da operação.
A decisão da SLC Agrícola sobre o exercício do direito de preferência será tomada dentro do prazo contratual de 30 dias, após avaliação da oferta relacionada às áreas do portfólio da Radar em Mato Grosso.
Fonte: Estadão Conteúdo
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