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Mato Grosso impõe teto de 3,5 milhões de toneladas para incentivo à soja a granel em 2026

O Governo de Mato Grosso estabeleceu as regras e o limite global para o incentivo fiscal à soja a granel em 2026. Por meio da Portaria nº 005/2026, a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) fixou em 3,5 milhões de toneladas o teto para operações interestaduais beneficiadas pelo Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic). A medida regulamenta a extensão do benefício a produtos in natura, autorizada pelo Decreto nº 1.794/2025.
O volume estabelecido pela Sefaz foi definido com base no levantamento técnico do histórico de comercialização do grão produzido no Estado nos últimos 12 meses. Para usufruir do incentivo, as empresas devem cumprir requisitos rigorosos, que incluem o credenciamento específico e a aprovação em vistoria técnica in loco realizada pela Sefaz. É obrigatório comprovar que a soja é de origem mato-grossense e que o contribuinte possui unidade armazenadora e beneficiadora instalada no território estadual.
A norma também deixa clara a preocupação com o mercado interno, determinando que a concessão do incentivo não pode resultar em desabastecimento das indústrias locais. A prioridade da política estadual segue sendo a agregação de valor à produção dentro do Estado, preservando o equilíbrio da cadeia produtiva e garantindo o suprimento das plantas industriais instaladas na região, evitando que o estímulo à exportação do grão in natura prejudique o processamento local.
Rigor no credenciamento e limites por empresa
Embora o teto global para todo o estado esteja fixado em 3,5 milhões de toneladas, o controle será individualizado. Cabe ao Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso definir o limite de fruição para cada empresa credenciada. Essas cotas serão estabelecidas por meio de resolução e poderão ser ajustadas ao longo do ano, levando em conta a sazonalidade e o comportamento da safra para garantir que o teto global não seja rompido.
A estrutura logística também será fiscalizada. A portaria admite a utilização de unidades armazenadoras em regime de condomínio, desde que as estruturas estejam devidamente regularizadas. O objetivo é permitir que produtores e empresas menores também acessem o Prodeic, desde que comprovem a infraestrutura necessária para a operação dentro das exigências fiscais e técnicas do Estado.
Prazos e controle do ICMS
Os Termos de Credenciamento terão validade até o dia 31 de dezembro de 2026, com os efeitos fiscais passando a vigorar sempre no primeiro dia do mês subsequente ao registro aprovado no sistema da Sefaz.
O rigor se estende à carga tributária em caso de descumprimento das metas. Caso o contribuinte ultrapasse o limite individual que lhe foi alocado pelo Conselho, o contribuinte deverá recolher integralmente o ICMS incidente sobre o volume excedente.
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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes.
Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.
O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM.
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Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.
“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.
No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.
“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.
Alíquota
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.
“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.
Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.
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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.
A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.
Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.
Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.
Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.
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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.
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De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.
No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.
O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.
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