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Acrimat inicia novo triênio com foco na base e nos pecuaristas do interior

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) inicia um novo triênio sob a presidência do pecuarista Nando Conte, que assume o comando da entidade com o compromisso de aproximar ainda mais a Associação da base produtiva, especialmente dos pecuaristas do interior do estado. Produtor rural de Juara, no Vale do Arinos, ele passa a liderar uma instituição que representa o maior rebanho bovino do país.

O momento é considerado histórico para a Acrimat. É a primeira vez que um representante do Vale do Arinos assume a presidência da entidade e apenas a segunda vez que a condução fica sob responsabilidade de um dirigente que não reside na capital mato-grossense, Cuiabá. Para Nando Conte, o desafio é grande, mas acompanhado de responsabilidade e senso de continuidade.

À frente de uma entidade com mais de 50 anos de história, o novo presidente destaca que a gestão será pautada pelo diálogo e pela participação coletiva. “É com muita responsabilidade e comprometimento que a gente abraça o desafio de tocar uma entidade da envergadura que é a Acrimat, que tem a responsabilidade de falar pela pecuária do estado de Mato Grosso”, afirma ao Estúdio Rural.

A proposta da nova diretoria, frisa Nando Conte, é dar sequência ao legado construído pelas gestões anteriores, com um diferencial: ampliar a presença do interior nas decisões da entidade. “É de fato imbuído nesse espírito de fazer uma gestão de forma mais compartilhada, sempre de forma democrática, chamando as pessoas para estarem perto das decisões da Acrimat”.

nando conte acrimat foto canal rural mato grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Gestão compartilhada e força das regionais

Atualmente, a Acrimat conta com mais de 40 diretores distribuídos em 13 regionais. Segundo Nando Conte, essa estrutura reflete a diversidade da pecuária mato-grossense e exige uma atuação cada vez mais descentralizada. “A atividade pecuária é um leque muito grande de público. Você tem pequeno, médio, grandes pecuaristas, projetos de confinamento, de terminação. Todos estão sob o nosso guarda-chuva. A Acrimat não segrega”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

A interiorização da entidade, salienta ele, é uma demanda antiga da base. “Havia já esse chamamento de muito tempo, de que a Acrimat precisava ir para o interior. E é nesse espírito que a gente assume essa tão importante entidade”, diz. As dimensões de Mato Grosso, acrescenta, exigem uma atuação coesa e comprometida para garantir representatividade em todas as regiões.

Juara, pecuária e identidade regional

Natural do interior de São Paulo, Nando Conte chegou a Juara ainda criança e construiu sua trajetória pessoal e profissional ligada à história do município. Filho do pioneiro João Conte, ele destaca que a vocação pecuária da região moldou o desenvolvimento local. “Juara é uma cidade que tem vocação pecuária. A história da minha família se mistura com a história de Juara e do Vale do Arinos como um todo”, relata.

O município já chegou a liderar o ranking do maior rebanho bovino de Mato Grosso e segue tendo a pecuária como principal atividade econômica. Mesmo com a chegada da agricultura em áreas específicas, o setor permanece como base da economia local. “A pecuária ainda segue sendo hoje, em Juara, a principal atividade econômica do município”, afirma.

Esse vínculo com o interior, de acordo com o presidente, reforça o compromisso de manter a Acrimat próxima do produtor. “Tenho muito orgulho de morar em Juara, não pretendo sair de lá”, destaca.

Acrimat em Ação. Foto: Acrimat/Reprodução
Foto: Acrimat/Reprodução

Projetos, expansão e cenário do mercado

Entre as prioridades da nova gestão está a continuidade e o fortalecimento dos projetos já consolidados. O principal deles é o Acrimat em Ação, que chega à 14ª edição em 2026, com início em fevereiro, em Cáceres. Considerado o maior projeto itinerante de pecuária de corte do Brasil, a iniciativa vai percorrer 32 municípios até abril.

“O Acrimat em Ação é o projeto de maior relevância que a Acrimat realiza. É o compromisso de levar informação, ferramentas e ouvir as demandas do produtor no interior do estado”, ressalta Nando Conte. Além desse, a programação inclui o Acricorte e a construção de um novo projeto voltado a distritos mais distantes dos grandes centros.

A ampliação do quadro de associados também está no radar. Atualmente, a Acrimat reúne cerca de quatro mil associados. A meta da gestão é ousada. “Nossa meta é tentar dobrar esse número até o final da gestão, através desse contato mais próximo no interior e aliado à comunicação”.

Ao avaliar o cenário da pecuária, o presidente observa que 2025 foi marcado por recordes de exportação, mas sem reflexo direto na renda do produtor. “Infelizmente, esses números não chegaram no bolso do pecuarista. A gente vê isso com preocupação”, frisa. Para 2026, a expectativa é de recuperação, com abertura de novos mercados e redução da dependência de um único comprador. “Acreditamos bastante na recuperação do preço e esperamos uma recuperação da renda dentro do país”, conclui.

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Guerra no Irã expõe, mais uma vez, a dependência do Brasil de fertilizantes importados

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Foto: Daniel Popov/Canal Rural

O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes. Dados da Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda) apontam que até 90% dos adubos que o país consome vêm do exterior.

Essa dependência deixa o Brasil mais exposto a choques externos, como conflitos geopolíticos e restrições comerciais, que afetam diretamente a oferta global e elevam os custos de produção no campo.

Com a guerra no Oriente Médio, o cenário tende a se agravar, uma vez que o Irã é um importante fornecedor de ureia e amônia.

“Desde que o conflito começou, a ureia vendida nos portos do Brasil (modalidade CFR) já aumentou 36% no mercado brasileiro”, explica Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo ele, se trata de uma valorização significativa de preços para o nitrogenado.

Os iranianos também são importantes produtores de petróleo e controlam uma rota marítima de extrema relevância, que é o Estreito de Ormuz. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã causaram o fechamento da rota e, consequentemente, a elevação nos preços do petróleo.

O movimento influencia diretamente os preços de energia e, por tabela, os preços dos fertilizantes, porque a produção e o transporte desses insumos são muito dependentes de energia.

Comercialização travada e impactos no milho

O aumento no preço dos fertilizantes também afeta a comercialização.

“Os fornecedores não estão mantendo os preços, então o que tem acontecido é a reprecificação de acordo com o mercado”, relata Davi Alvim, CEO da Autem Trade Company. De acordo com ele, as compras ocorrem apenas quando não há outra opção.

Na avaliação do analista da StoneX, a alta dos nitrogenados causa maior preocupação para o milho, que é uma cultura intensiva em nitrogênio. “Se os preços permanecerem altos nos próximos meses, crescem as chances de que a safrinha do ano que vem tenha custos de produção mais altos”, alerta.

Ele também ressalta possíveis impactos na primeira safra de milho, mesmo que a área plantada seja menor se comparado à safrinha.

Restrição por parte da China também preocupa

A turbulência nesse mercado por causa de conflitos geopolíticos, entretanto, não é novidade. Em 2022, com o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, os preços dos fertilizantes também dispararam, aumentando os custos de produção da agricultura brasileira.

Diante das incertezas em relação ao mercado russo, principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil até então, a China passou a ocupar papel de destaque nas importações brasileiras. Contudo, o país asiático está restringindo as exportações sob a justificativa de proteger o mercado interno.

“Para alguns produtos, como o sulfato de amônio, a China domina praticamente 100% das nossas importações”, aponta Pernías. Contudo, o especialista ressalta que o movimento de restrição é comum em épocas de volatilidade.

Na mesma linha, Alvim afirma que o mercado já acompanhava essa restrição chinesa, que pode se estender até agosto. Na avaliação dele, esse fator também deve pressionar os preços para cima.

“Há quase uma impossibilidade de vinda de produto chinês no curto e médio prazo para o Brasil”, diz.

Segundo análise da Scot Consultoria, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a China foi responsável por 27,4% das compras de fertilizantes pelo Brasil em 2025. Em segundo lugar aparece a Rússia, com 25,4%.

No total, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de insumos no ano passado.

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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

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Foto: Reprodução

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes. 

Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.

O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM. 

Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.

“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.

No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.

“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.

Alíquota

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.

“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.

Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

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Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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