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20 de junho de 2026

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Casca de romã pode ajudar no tratamento de feridas na pele, aponta estudo da Unicamp

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Foto: Pixabay

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o extrato da casca de romã tem potencial para combater microrganismos responsáveis por infecções em feridas na pele. O estudo mostrou que a substância conseguiu inibir a ação de bactérias comuns, como a Staphylococcus aureus, e da Pseudomonas aeruginosa, conhecida pela alta resistência a tratamentos convencionais.

A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi coordenada pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno. O trabalho foi dividido em diferentes etapas, todas realizadas em laboratório.

Resíduos da indústria alimentar no foco da pesquisa

Na primeira fase do estudo, os pesquisadores testaram extratos obtidos de resíduos da indústria alimentícia contra microrganismos que costumam causar infecções cutâneas. Entre os materiais analisados estavam cascas de frutas como laranja, manga, maçã, uva, limão e romã, além de folhas, sementes e até borra de café.

Após os testes iniciais, a casca de romã se destacou como o material mais promissor. Segundo os pesquisadores, ela apresentou a maior capacidade de combater bactérias e também um alto teor de compostos antioxidantes, conhecidos por ajudar na proteção das células.

Extração mais eficiente e sustentável

Com o resultado, a equipe avançou para a etapa de aprimoramento do processo de extração. Para isso, foram utilizados métodos de simulação computacional que ajudaram a selecionar solventes considerados mais sustentáveis e menos agressivos ao meio ambiente, como misturas de acetona ou álcool isopropílico com água.

Esses solventes permitiram extrair com mais eficiência o ácido elágico, principal composto da casca de romã associado à ação antimicrobiana.

“Depois disso, produzimos novos extratos com esses solventes otimizados e testamos novamente em laboratório para confirmar se a eficácia contra as bactérias realmente havia aumentado”, explica a engenheira de alimentos Thais Carvalho Brito Oliveira, pós-doutoranda da Unicamp e responsável pela condução dos experimentos.

Aplicações futuras na saúde

Os resultados do estudo, publicados em revista científica internacional, indicam que o extrato da casca de romã pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos produtos voltados ao tratamento de feridas, como curativos com ação antimicrobiana.

Apesar do potencial, os pesquisadores destacam que o trabalho ainda está em fase de pesquisa laboratorial. Os próximos passos incluem testes em organismos vivos para avaliar a segurança e a eficácia do extrato antes de qualquer aplicação comercial.

A proposta é desenvolver uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso excessivo tem contribuído para o aumento da resistência bacteriana. Além disso, o estudo aponta uma possibilidade de dar destino mais sustentável e rentável aos resíduos da indústria alimentícia, transformando descartes em produtos de alto valor para a saúde humana.

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Tolerante ao frio, menos cafeína e específica para MG: Universidade lança 3 novas cultivares de café

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Foto: Fabio Partelli

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) acaba de ampliar sua contribuição para a
cafeicultura brasileira. A instituição conquistou o registro de mais três cultivares de café conilon no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa): Caxixe, Aimorés e Leve L80, todas da espécie Coffea canephora, conhecida comercialmente como conilon ou robusta.

Com os novos registros, a Ufes passa a somar dez cultivares inscritas no Registro Nacional
de Cultivares (RNC), tornando-se a única instituição de ensino do país a coordenar registros de cultivares de café.

As novas variedades são resultado de anos de pesquisa desenvolvidos pela Universidade, com foco em características que podem ampliar a competitividade da cafeicultura brasileira, como adaptação climática e redução do teor de cafeína.

À frente dos estudos está o professor Fábio Luiz Partelli, dos programas de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e em Genética e Melhoramento da Ufes, sediados no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus.

café
Foto: Fabio Partelli

Segundo o pesquisador, cada uma das cultivares apresenta um diferencial importante para o setor. “A Caxixe é tolerante ao frio, algo inédito para áreas de altitude no Espírito Santo. A Aimorés é a primeira cultivar de conilon desenvolvida especificamente para Minas Gerais. Já a Leve L80 é a primeira cultivar registrada com baixo teor de cafeína. São avanços que trazem benefícios diretos para os produtores e para o mercado”, destaca Partelli.

Cultivar adaptada ao frio

A mais recente conquista da Ufes é a cultivar Caxixe, registrada no último dia 8 de junho. O material foi desenvolvido a partir da seleção de cinco genótipos adaptados a baixas temperaturas.

Os estudos foram realizados em Alto Caxixe, comunidade localizada em Venda Nova do Imigrante, na região serrana do Espírito Santo, a cerca de 1.100 metros de altitude. A pesquisa contou com parceria do Grupo Khas e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

Primeira cultivar de café para Minas Gerais

A cultivar Aimorés recebeu registro em 21 de maio e foi desenvolvida para atender às condições da região leste de Minas Gerais.

O material reúne seis genótipos adaptados às características climáticas e produtivas da região. Os experimentos foram conduzidos no município de Aimorés, em parceria com produtores locais, a Emater-MG e com apoio da Fapes.

Conilon com menos cafeína

Entre os novos registros, a Leve L80 chama atenção por uma característica pouco comum no café conilon: o baixo teor de cafeína.

A cultivar apresenta 1,33 grama de cafeína a cada 100 gramas de café, índice cerca de 30% inferior à média observada em outros materiais da espécie.

De acordo com Partelli, essa característica abre espaço para um novo nicho de mercado. “É um café conilon com teor de cafeína apenas um pouco acima do café arábica. Existe um potencial comercial importante para consumidores que buscam uma bebida com menor concentração de cafeína”, explica.

O desenvolvimento da Leve L80 contou com parceria da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) e apoio da Fapes.

Pesquisa que gera inovação

Além do impacto direto no campo, os estudos também fortalecem a formação de novos profissionais e pesquisadores. Segundo Partelli, os projetos resultam em publicações científicas de relevância nacional e internacional, além de contribuírem para a formação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado.

Os trabalhos de melhoramento genético continuam avançando. A expectativa da equipe é solicitar ainda em 2026 o registro de mais duas novas cultivares, incluindo materiais híbridos e plantas de porte alto adaptadas às condições do Espírito Santo e da Bahia.

Os resultados dessas pesquisas deverão ser apresentados durante o 15º Simpósio do Produtor de Conilon, promovido pela Ufes em São Mateus, no dia 26 de novembro. Com as novas cultivares registradas, a Universidade reforça o protagonismo do Espírito Santo no desenvolvimento de tecnologias para a cafeicultura e amplia as possibilidades para produtores que buscam mais produtividade, adaptação climática e diferenciação de mercado.

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Robôs de ordenha ganham espaço na pecuária leiteira e motivam capacitação no Paraná

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Foto: Kéke Barcelos/Embrapa Pecuária Sul

O avanço da automação na pecuária leiteira tem levado produtores a buscar cada vez mais informações sobre a adoção de robôs de ordenha. Para atender essa demanda, o Sistema Faep ( Federação da Agricultura do Estado do Paraná) capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha em tecnologias de ordenha robotizada, durante treinamento realizado em maio nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná.

A capacitação foi realizada em parceria com as empresas Lely e DeLaval, fabricantes de equipamentos para a pecuária leiteira, e teve como objetivo preparar os instrutores para orientar produtores interessados em conhecer o funcionamento, os custos e os benefícios dos sistemas automatizados.

Segundo o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a iniciativa surgiu a partir das dúvidas apresentadas pelos próprios produtores durante os cursos oferecidos pela entidade.

“Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma.

Capacitação uniu teoria e prática

Durante o treinamento, os participantes visitaram os centros de distribuição da Lely e da DeLaval, onde conheceram os equipamentos, o funcionamento dos robôs de ordenha, os sistemas de monitoramento e gestão de dados, além das diferenças entre as tecnologias disponíveis no mercado.

Os instrutores também visitaram três propriedades rurais com diferentes escalas de produção e modelos de automação. A proposta foi demonstrar que a robotização pode ser adaptada tanto a pequenas quanto a médias e grandes fazendas, conforme a necessidade e a capacidade de investimento de cada produtor.

Como funciona a ordenha robotizada

Nos sistemas automatizados, a própria vaca se dirige voluntariamente ao robô, atraída pela oferta de ração concentrada. O equipamento realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha, executa os procedimentos sanitários e libera o animal para retornar à alimentação ou ao descanso.

Todo o processo é monitorado digitalmente, permitindo acompanhar informações sobre produção de leite, comportamento e saúde do rebanho em tempo real.

Segundo a técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, Marta Liliane de Vasconcelos, a tecnologia não elimina a necessidade de mão de obra, mas transforma a forma de trabalho na propriedade.

“O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.

Tecnologia ganha espaço nas fazendas

Para o instrutor Ricardo Biscaro, da regional de Pato Branco, a capacitação ocorreu em um momento de crescimento do interesse dos pecuaristas por tecnologias voltadas à produção de leite.

Segundo ele, a experiência permitiu compreender, na prática, o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento técnico necessário para orientar os produtores.

Biscaro destaca ainda que, além dos ganhos de eficiência e gestão, a robotização pode melhorar a qualidade de vida nas propriedades, ao tornar a rotina mais flexível para produtores e trabalhadores.

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Lavouras de café danificadas pelo granizo? Confira orientações para a recuperação

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Foto: Pixabay

As chuvas acompanhadas de granizo registradas nas últimas semanas em algumas regiões de Minas Gerais acenderam o alerta entre os produtores de café. Em várias propriedades, as pedras de gelo provocaram desfolhamento, quebra de ramos, danos aos frutos e comprometimento de áreas inteiras de produção, justamente em um momento importante para a recuperação das plantas após a colheita.

Embora o granizo seja um fenômeno de difícil previsão em escala local, algumas regiões mineiras apresentam maior frequência de ocorrência. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizando Gemiacki, os registros costumam se concentrar principalmente no sul de Minas Gerais e na Zona da Mata, áreas que possuem relevo mais acidentado e favorecem a formação de tempestades severas.

“Estamos vivendo uma condição atípica para esta época do ano, que normalmente já seria marcada pelo período seco. Pelo menos até os próximos dias ainda existe possibilidade de chuvas com rajadas de vento e eventual queda de granizo em alguns municípios, especialmente do Sul de Minas e da Zona da Mata”, explica.

Ações iniciais

Diante dos prejuízos provocados por esse tipo de chuva, a principal recomendação aos cafeicultores é agir com cautela antes de iniciar qualquer intervenção na lavoura. Orientações técnicas divulgadas pelo Conselho Nacional do Café (CNC) destacam que o primeiro passo é uma avaliação criteriosa dos danos para definir as medidas mais adequadas de recuperação.

Nos casos de danos leves, quando há apenas perda parcial de folhas e pequenos ferimentos nos ramos, a recomendação é manter os tratos culturais normais, reforçando a nutrição e o monitoramento fitossanitário da lavoura. Já em áreas mais atingidas, onde ocorreu quebra significativa de ramos produtivos ou comprometimento da estrutura das plantas, pode ser necessária a realização de podas seletivas para estimular a recuperação da planta.

Outro ponto de atenção é o aumento do risco de doenças. Os ferimentos provocados pelo granizo podem facilitar a entrada de fungos e bactérias, exigindo acompanhamento técnico constante e, quando necessário, adoção de medidas de controle para evitar perdas adicionais.

El Niño vai causar impactos? 

Os eventos recentes reforçam a necessidade de planejamento diante de um cenário climático cada vez mais instável. Com a chegada do fenômeno El Niño em maior intensidade no segundo semestre de 2026, pode ocorrer alteração  no regime de chuvas em diversas regiões produtoras do país.

Em Minas Gerais, no caso do café, períodos prolongados de calor e déficit hídrico podem comprometer etapas fundamentais do ciclo produtivo, como a floração e o enchimento dos grãos, afetando tanto a produtividade quanto a qualidade da bebida.

Para reduzir os riscos, a orientação da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa) é que os produtores aproveitem o momento para revisar o planejamento da próxima safra. Entre as medidas recomendadas estão a adoção de práticas de conservação da umidade do solo, como cobertura vegetal e plantio direto, uso de cultivares mais tolerantes ao déficit hídrico e planejamento da irrigação, quando houver disponibilidade de água e infraestrutura.

Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Feliciano Nogueira, o trabalho de orientação técnica torna-se ainda mais importante diante da maior frequência de eventos climáticos extremos. “Diante da expectativa relativa ao El Niño , nosso trabalho junto aos agricultores e pecuaristas mineiros é orientá-los e assisti-los tecnicamente sobre estratégias que possam reduzir os efeitos do fenômeno climático em suas atividades”.

Feliciano destaca ainda que iniciativas voltadas à produção sustentável e ao uso eficiente da água já disponíveis no estado podem contribuir para aumentar a resiliência das propriedades rurais. Entre elas estão programas de irrigação sustentável, revitalização de bacias hidrográficas, certificação de boas práticas e ferramentas de planejamento territorial que auxiliam os produtores na tomada de decisões diante das adversidades climáticas.

“Em um cenário de crescente variabilidade climática, a prevenção e o planejamento passam a ser tão importantes quanto as ações adotadas após a ocorrência dos danos”, finaliza.

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