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Abelhas sentem emoções? Estudo científico indica que sim

Um estudo da Southern Medical University, em Guangzhou, na China, revelou que a chamada “contaminação afetiva positiva”, um dos componentes da empatia, não é exclusiva dos seres humanos ou de outros animais vertebrados, o fenômeno também foi identificado no comportamento das abelhas.
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O estudo “Positive affective contagion in bumble bees” (“Contágio afetivo positivo em abelhas mamangavas”) publicado em outubro de 2025 na revista Science mostra que o bom humor pode ser transmitido entre abelhas até mesmo sem contato físico, usando apenas a visão.
“Nossos resultados sugerem que a contaminação afetiva pode ser um mecanismo evolutivamente disseminado, presente tanto em vertebrados sociais quanto em insetos sociais”, afirmam os autores do trabalho.
Experimento
Os cientistas realizaram experimentos utilizando um paradigma de viés cognitivo, que demonstraram a “contaminação afetiva positiva”, ou seja, a transmissão de emoções como otimismo entre as abelhas.
Durante o experimento, um grupo de abelhas foi treinado em flores coloridas com diferentes reforços, como doses de açúcar. Com o estímulo, o comportamento delas mudou, passando a realizar atividades de forma mais rápida, mais confiante e mais dispostas a pousar em diferentes tipos de flores, além daquelas que estavam acostumadas.
As demais abelhas, que não receberam doses de açúcar, foram contagiadas pelo estado emocional positivo das primeiras e passaram a apresentar as mesmas mudanças no comportamento após interagirem com as abelhas em estado afetivo positivo.
Observações e experimentos adicionais demonstraram, ainda, que o afeto pode ser transmitido entre abelhas sem contato físico, ou seja, apenas pela visão. Quando as abelhas interagiram na escuridão total, não houve contágio afetivo.
Senciência: capacidade de sentir
Em 2022, o pesquisador Lars Chittka, professor de Ecologia Sensorial e Comportamental da mesma universidade, lançou o livro “The Mind of a Bee”, no qual apresenta as capacidades sensoriais e cognitivas das abelhas.
Na obra, o autor afirma que as abelhas, além de se caracterizarem como seres inteligentes, também apresentam senciência (capacidade de um ser sentir e ter experiências subjetivas), ou seja, de perceber conscientemente o que acontece e de ser emocionalmente impactado pelos acontecimentos.
A novidade que o estudo mais recente apresenta é que em apenas 30 segundos de interação entre as abelhas, o estado emocional delas pode mudar e ser transmitido de uma a outra. E tais estados emocionais, positivos ou negativos, interferem no comportamento das abelhas, que podem passar a executar tarefas com mais ou menos agilidade e confiança.
Essenciais na agricultura
Diante dessas descobertas, torna-se evidente que as condições às quais as abelhas são expostas no ambiente agrícola têm impacto direto não apenas em sua sobrevivência, mas também em seu bem-estar emocional e em seu desempenho como polinizadoras.
Assim, a adoção de boas práticas agrícolas deixa de ser apenas uma estratégia produtiva ou ambiental. Cuidar do ambiente das abelhas significa respeitar sua senciência e garantir serviços ecossistêmicos essenciais para a agricultura e para a biodiversidade como um todo.
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Novo Desenrola Rural deve ampliar e facilitar renegociação de dívidas, diz ministra

O Governo Federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa do programa Desenrola Rural. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a iniciativa chega com condições ampliadas para atender mais produtores.
“O Desenrola Rural é retomado em condições ainda mais facilitadas, com maior abrangência”, afirmou a ministra. Ela destacou ainda a inclusão de novos públicos: “No caso dos assentados da Reforma Agrária, incluímos a possibilidade de renegociação de dívidas do Procera”.
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A medida será formalizada por decreto previsto para publicação ainda nesta semana e amplia o prazo de adesão até 20 de dezembro de 2026.
A nova fase do Desenrola Rural amplia as condições de renegociação de dívidas. O programa oferece descontos, prazos mais longos e novas possibilidades de liquidação dos débitos.
Os parcelamentos podem chegar a até dez anos, conforme o valor e o tipo da dívida.
Outro ponto é a retomada do crédito rural. Agricultores com contratos firmados até 31 de dezembro de 2015, com risco integral da União, poderão acessar novas operações pelo Pronaf, mesmo inadimplentes, desde que não estejam inscritos na Dívida Ativa da União.
Quem pode aderir ao programa?
Podem aderir ao programa agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, povos e comunidades tradicionais e cooperativas da agricultura familiar.
É necessário ter dívidas em atraso há mais de um ano.
As formas de renegociação variam conforme o tipo de débito:
- Dívidas na Dívida Ativa da União devem ser negociadas pelo site Regularize;
- Débitos do Pronaf ou com bancos devem ser tratados diretamente com as instituições financeiras;
- Créditos de instalação podem ser quitados junto ao Incra, com condições específicas.
Mais de R$ 23 bilhões já foram renegociados
Criado em 2025, o Desenrola Rural já beneficiou mais de 500 mil agricultores familiares. Segundo o governo, mais de R$ 23 bilhões em dívidas foram renegociados.
Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, a nova etapa amplia o alcance da política. “Estamos ampliando as condições para que mais agricultores regularizem sua situação, voltem a acessar crédito e sigam produzindo”, afirmou.
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Novo método com uso de luz promete revolucionar análise de solos e reduzir custos no agro

Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, resultou em patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A tecnologia utiliza espectroscopia de reflectância, técnica baseada na interação da luz com o solo, combinada a ciclos de umedecimento e secagem, permitindo diagnósticos mais rápidos e com menor custo.
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O método foi desenvolvido no âmbito de pesquisa liderada pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, com orientação do professor Raul Shiso Toma e participação do pesquisador Luiz Eduardo Vicente.
A inovação está na forma de preparação das amostras. Diferentemente dos métodos tradicionais, que utilizam solo seco e peneirado, a nova abordagem simula condições naturais ao submeter o material a ciclos de umedecimento e secagem antes da análise espectral.
Esse procedimento permite gerar dados mais representativos sobre a composição físico-química do solo, especialmente em relação a componentes como argilas e substâncias amorfas, associados ao caráter coeso.
Além disso, o uso da luz como principal insumo dispensa parte das análises químicas convencionais, que costumam ser mais lentas, caras e geradoras de resíduos laboratoriais.
Aplicação pode avançar do laboratório para o campo

Inicialmente voltado à pesquisa científica, o método tem potencial para ser aplicado em condições de campo e em estufas, permitindo análises mais rápidas e acessíveis para experimentos agrícolas.
A tecnologia também pode contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas ao manejo de solos, como condicionadores, biochars e hidrogéis, que ajudam a reduzir a resistência do solo e melhorar seu desempenho produtivo.
Solos coesos limitam produtividade agrícola
O caráter coeso do solo é definido pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e está associado a camadas endurecidas abaixo da superfície. Essas condições dificultam o crescimento das raízes, reduzem a infiltração de água e limitam a circulação de oxigênio.
Esse tipo de solo é comum em diversas regiões do país, com maior concentração nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro e que possui relevância para a produção agrícola e logística.
Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, a análise e o manejo adequado desses solos são fundamentais para melhorar a produtividade e garantir sistemas agrícolas mais sustentáveis.
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Após forte alta, preço da ureia começa a cair, mostra levantamento

Após dois meses de forte valorização, os preços da ureia começaram a recuar no mercado internacional, movimento que já se reflete no Brasil. Segundo relatório da StoneX, as cotações acumulam a segunda semana consecutiva de queda, com negócios fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada.
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A retração ocorre após os preços atingirem patamares considerados elevados para a demanda, que passou a exercer maior influência na formação das cotações.
Demanda mais fraca muda dinâmica do mercado
De acordo com a StoneX, o mercado global entra em uma fase de ajuste, com o enfraquecimento do consumo ganhando protagonismo, mesmo diante de limitações na oferta.
O movimento de queda não é isolado. Recuos também foram registrados em mercados relevantes como Estados Unidos, China, Oriente Médio e Egito, indicando uma tendência mais ampla de perda de força nos preços.
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o cenário atual marca uma mudança no vetor de formação das cotações.
“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior, pressionando os preços após um período de alta intensa”, afirma.
Apesar do recuo recente, a expectativa é de que novas quedas ocorram de forma limitada no curto prazo.
Isso porque persistem gargalos logísticos no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia, o que restringe a oferta internacional.
Mercado mais cauteloso
Nesse ambiente, os preços tendem a se manter relativamente sustentados, mesmo com a demanda enfraquecida.
A avaliação da StoneX aponta que fatores como o período de menor consumo em países-chave, relações de troca menos atrativas ao produtor e a postura mais cautelosa dos compradores têm reduzido o ritmo de novas negociações.
Com isso, o mercado entra em uma fase de ajuste, com menor liquidez e maior seletividade nas compras.
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