Connect with us
4 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Análise mensal do mercado do milho – MAIS SOJA

Published

on


Mesmo diante de uma oferta brasileira recorde de milho em 2025, os preços do cereal registraram recuperação em boa parte do ano, operando acima dos patamares de 2024. Considerando-se o agregado das três safras 2024/25, a produção brasileira atingiu 141 milhões de toneladas, volume 22% superior ao da safra anterior, impulsionado sobretudo pelo expressivo avanço da segunda safra, reflexo do aumento da produtividade nos principais estados produtores.

No cenário internacional, a oferta mundial de milho manteve-se praticamente estável entre as safras 2023/24 e 2024/25. As reduções de produção observadas em países como Rússia, Estados Unidos e Ucrânia foram compensadas por aumentos em outros, especialmente no Brasil, na China e na Índia.

No início de 2025, embora as previsões já indicassem uma produção nacional maior, o mercado doméstico foi fortemente influenciado pelo estoque de passagem historicamente reduzido, estimado em apenas 1,8 milhão de toneladas em janeiro/25. A esse fator somaram-se a demanda interna aquecida, os valores elevados pedidos pelos vendedores e as dificuldades logísticas, uma vez que, naquele período, a prioridade era o escoamento da soja. Esse conjunto de fatores sustentou e elevou os preços do milho no primeiro trimestre do ano.

Entre janeiro e março, a média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) foi de R$ 81,35 por saca de 60 kg, avanço de 13% em relação ao último trimestre de 2024 e expressiva alta de 28% em relação ao mesmo período de 2024.

Nos meses seguintes, as cotações passaram a recuar, pressionadas pela maior disponibilidade do cereal diante do avanço da colheita da safra de verão, que, segundo a Conab, totalizou 24,93 milhões de toneladas, aumento de 9% em relação a 2024. Além disso, o bom desenvolvimento da segunda safra, favorecido por condições climáticas adequadas, reforçou as expectativas de uma colheita volumosa na temporada 2024/25, intensificando a pressão sobre os preços domésticos.

Ainda assim, esse cenário não foi suficiente para provocar quedas mais intensas no primeiro semestre. A média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa no período de janeiro a junho de 2025 foi de R$ 78,20 por saca, 28% superior ao do mesmo período de 2024, em termos nominais.

No início do segundo semestre, os preços seguiram em queda, influenciados pela retração da demanda, já que muitos consumidores aguardavam novas desvalorizações do cereal, fundamentados no avanço da colheita da segunda safra e nas estimativas indicando produção recorde no País. Outro fator relevante foi o desempenho das exportações: de fevereiro a julho de 2025, o Brasil embarcou 5,3 milhões de toneladas de milho, abaixo das 7 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2024. Com exportações mais lentas e a colheita da segunda safra em andamento, vendedores passaram a demonstrar maior flexibilidade nas negociações.

A segunda safra respondeu por 113,27 milhões de toneladas, forte aumento de 26% em relação à temporada anterior, enquanto a terceira safra cresceu 15% e atingiu 2,8 milhões de toneladas em 2024/25. Somando-se a produção ao estoque inicial de 1,8 milhão de toneladas e às importações de 1,7 milhão de toneladas, a disponibilidade total da safra 2024/25 foi estimada em 144,67 milhões de toneladas. O consumo interno ficou em 90,56 milhões de toneladas, gerando um excedente de 54,11 milhões de toneladas, segundo dados da Conab.

A Conab projeta que, entre fevereiro/25 e janeiro/26, o Brasil exporte cerca de 40 milhões de toneladas de milho. Caso esse volume se confirme, juntamente com o consumo interno estimado, os estoques finais devem atingir 14 milhões de toneladas em janeiro/26, bem acima das 1,8 milhão de toneladas da temporada anterior.

Com estoques elevados e exportações enfraquecidas, especialmente entre julho e setembro, período de maior intensidade da colheita da segunda safra, os preços domésticos voltaram a ceder. Ainda assim, permaneceram superiores aos registrados no ano anterior, em termos nominais. A média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa nesses três meses foi de R$ 64,09/sc, cerca de 7% acima do mesmo período de 2024. Na reta final do ano, a partir de outubro, produtores passaram a restringir a oferta no mercado spot, movimento que voltou a sustentar os preços domésticos até meados de dezembro, com agentes relatando dificuldades na recomposição de estoques. Com isso, a média em 2025 do Indicador ESALQ/BM&FBovespa registrou alta de 13% até o dia 30 de dezembro.

No cenário internacional, a produção mundial de milho na safra 2024/25 foi estimada pelo USDA em 1,23 bilhão de toneladas, estável em relação à safra anterior. Houve cortes de produção nos Estados Unidos (-3%), na Ucrânia (-17%) e na Rússia (-15%), enquanto o Brasil (+14%), a Índia (+12%) e a China (+2%) registraram aumentos. O consumo global foi estimado em 1,25 bilhão de toneladas, avanço de 2%, o que levou a uma redução de 7,5% nos estoques finais, projetados em 291,65 milhões de toneladas, com a relação estoque/consumo recuando para 23,3%. As transações internacionais foram estimadas em 191,24 milhões de toneladas, queda de 3% em relação à safra anterior. Nesse contexto, os preços internacionais do milho registraram alta ao longo da maior parte de 2025. O primeiro vencimento negociado na Bolsa de Chicago (CME Group) teve média anual de US$ 4,38/bushel (US$ 172/t), elevação de 3% em relação a 2024.

Fonte: Cepea



 

FONTE

Autor:AGROMENSAIS DEZEMBRO/2025

Site: CEPEA

Continue Reading

Sustentabilidade

Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea

Published

on


Foto: Antonio Neto/Arquivo Embrapa

A valorização da soja em Mato Grosso voltou a pressionar a rentabilidade da indústria de processamento. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a margem bruta de esmagamento recuou 20,52% em julho na comparação com junho, refletindo principalmente o aumento do custo de aquisição da matéria-prima.

Depois de vários meses de preços mais baixos, a soja registrou em julho a maior cotação média do ano no estado. A saca foi negociada, em média, a R$ 116,74, avanço de R$ 10,12 por saca (9,49%) em relação a junho e de R$ 4,39 (3,91%) na comparação com julho de 2025.

  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Mesmo com a valorização dos coprodutos, o resultado não foi suficiente para compensar o aumento do preço do grão. No período, o farelo de soja acumulou alta de 4,46% e o óleo avançou 0,22%, enquanto a margem bruta de esmagamento fechou julho em média de R$ 435,43 por tonelada.

De acordo com o Imea, a entressafra e a menor disponibilidade de soja em Mato Grosso tendem a manter as cotações da oleaginosa em níveis elevados. Caso os preços do farelo e do óleo não acompanhem esse movimento, a margem das indústrias deverá seguir pressionada nos próximos meses.

Mercado acompanha safra dos Estados Unidos

No cenário internacional, o clima segue no radar dos agentes. Conforme o relatório, as lavouras norte-americanas classificadas como boas ou excelentes recuaram de 70,25% para 64,25% em relação ao mesmo período de 2025, em razão das altas temperaturas registradas no Corn Belt, que anteciparam a floração da soja.

Apesar da piora nas condições das lavouras, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) ainda aponta produção recorde de 131,6 milhões de toneladas na safra norte-americana. O Imea ressalta, porém, que agosto é um mês decisivo para o desenvolvimento das lavouras, o que mantém o clima no centro das atenções do mercado.

Na última semana, o indicador do Imea mostrou a soja em Mato Grosso cotada, em média, a R$ 122,88 por saca, alta de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. No mesmo período, os contratos da soja negociados em Chicago recuaram 3,51%, influenciados pela queda nas cotações do petróleo Brent.

O post Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Sustentabilidade

TRIGO/CEPEA: Preço médio atinge maior patamar desde agosto de 2025 no PR – MAIS SOJA

Published

on


As cotações do trigo no Paraná voltaram aos patamares observados em agosto de 2025, em termos reais, refletindo a restrição da oferta disponível no mercado spot.

De acordo com pesquisadores do Cepea, diante da necessidade de recompor estoques, compradores elevaram gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais.

Segundo o Cepea, além da restrição de oferta, a última semana de julho foi marcada pelos primeiros reflexos do fenômeno El Niño, com elevado volume de chuvas e ventos intensos, deixando triticultores em alerta no Sul do Brasil. Esse cenário contribuiu para a elevação dos preços, principalmente no mercado de balcão paranaense, ressalta o Centro de Pesquisas.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

Continue Reading

Sustentabilidade

Nanofertilizante produzido com caroço de açaí estimula crescimento de milho e sorgo – MAIS SOJA

Published

on


Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.

O caroço do açaí (foto abaixo) é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.

Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.

O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.

Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.

O pesquisador Cláudio Carvalho (foto abaixo), da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais. Eles também participam dos processos de transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos, que podem estimular a atividade de enzimas,  como aquelas envolvidas nos estresses oxidativos.

Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente. “Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.

De resíduo a riqueza

“Apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades”, diz o pesquisador.

Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante. “Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.

Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro. “Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.

“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine (foto abaixo), coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho. Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.

Avanço científico 

Os resultados foram publicados no artigo Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance na revista internacional Dyes and Pigments. “Mostramos que um resíduo que normalmente seria descartado pode ser convertido em um material inteligente, capaz de interagir com sistemas biológicos e produzir efeitos mensuráveis no crescimento vegetal”, conta o professor.

Ele explica que, até chegar ao produtor rural, ainda é preciso vencer alguns desafios. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao passar da escala de laboratório para a escala industrial. “Em laboratório, trabalhamos com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Em uma fábrica, é necessário garantir que cada lote apresente as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas”, esclarece. Outro desafio é a otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa.


Por que estudar pontos quânticos de carbono?

Os carbon quantum dots, ou pontos quânticos de carbono, são nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores do que um fio de cabelo humano. Apesar do tamanho reduzido, possuem propriedades muito especiais, principalmente a capacidade de absorver e emitir luz.

Eles foram descobertos por acaso no início dos anos 2000, durante estudos envolvendo nanotubos de carbono. Desde então, despertaram enorme interesse científico porque são relativamente fáceis de produzir, apresentam baixa toxicidade e podem ser obtidos a partir de materiais naturais e resíduos orgânicos.

Hoje, os carbon quantum dots são estudados para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água e agricultura. Na agricultura, eles podem atuar como estimuladores do crescimento vegetal, aumentar a eficiência do aproveitamento da luz pelas plantas e auxiliar no transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

No trabalho realizado pela Embrapa e a UFC, o pó da semente do açaí, rico em carbono e minerais, foi colocado em um ambiente “hostil” dentro de reatores de alta pressão, submetido a altas temperaturas por várias horas — um processo chamado de síntese hidrotermal. Sob essas condições, as moléculas orgânicas da semente se quebram e se reorganizam nos carbon quantum dots e outras substâncias com atividade biológica nas plantas, como precursores de hormônios vegetais, entre outras.


Fonte: Embrapa


undefined


FONTE

Autor:Verônica Freire (MTB 01225JP) Embrapa Agroindústria Tropical

Site: Embrapa

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT