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Sustentabilidade

Safra de cereais de inverno encerra ciclo com desafios para o trigo e oportunidades para aveia e cevada em Santa Catarina – MAIS SOJA

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Por: Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

A safra catarinense de cereais de inverno chega ao fim marcada por trajetórias distintas entre trigo, aveia e cevada. A combinação de preços pressionados no mercado internacional e menor atratividade econômica reduziu a área cultivada com trigo no Estado. Por outro lado, aveia e cevada se constituem em alternativas de inverno importantes para geração de renda, diversificação da produção e conservação de solo.

No caso da cevada, a rentabilidade foi favorecida pela adoção de contratos antecipados entre produtores, cooperativas e a indústria, o que garantiu preços e reduziu riscos de comercialização. A aveia, por sua vez, reforçou seu papel tanto como opção econômica quanto como cultura estratégica para o manejo do solo e a diversificação dos sistemas produtivos.

Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, João Rogério Alves, o trigo colhido no Estado tem sido considerado de ótima qualidade, no entanto, nem todas as notícias são boas. “O ponto negativo fica por conta da redução da área plantada nesta safra. Com isso, a produção total em Santa Catarina deve registrar uma diminuição de 11,5%, chegando a aproximadamente 382 mil toneladas”, explica.

“O cenário não é dos melhores, já que o mercado internacional mantém a commodity em baixa. A grande oferta global, aliada à expectativa de super safra em países vizinhos, como a Argentina, deve manter a pressão sobre os preços no mercado nacional nos próximos meses”, conclui Alves.

Embora a participação de Santa Catarina na produção nacional desses cereais seja pouco expressiva, trigo, aveia e cevada mantêm relevância sob os aspectos agronômico e socioeconômico. O mercado catarinense, no entanto, sofre influência direta dos estados vizinhos. Rio Grande do Sul e Paraná lideram a produção nacional e são determinantes na formação dos preços pagos aos produtores, condicionando o comportamento do mercado em território catarinense.

No vídeo abaixo, João Rogério Alves, da Epagri/Cepa, comenta os destaques das safras de cereais de inverno em Santa Catarina, entre produtividade, qualidade e área plantada. Ele também aponta desafios e oportunidades para trigo, aveia e cevada.

Trigo: preços em queda e menor área plantada

Os preços do trigo seguem em queda em Santa Catarina. Em novembro, o valor médio recebido pelos produtores recuou 2,37% na comparação mensal, com a saca de 60Kg cotada a R$62,20, acumulando desvalorização de 13,44% frente a novembro do ano passado. O movimento baixista acompanha o cenário internacional, marcado pelo aumento da oferta mundial e pelo avanço das exportações, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o que mantém pressão sobre as cotações no mercado interno.

Trigo catarinense teve qualidade elevada, mas produção em queda (Foto: Aires Mariga/Epagri)

No campo, a colheita já alcança cerca de 75% da área cultivada, com predominância de boas condições nas lavouras remanescentes. Para a safra 2025/26, a estimativa indica redução de 14,5% na área plantada, que deve somar 105,1 mil hectares. Apesar da projeção de aumento de 3,5% na produtividade média, a produção total de trigo em Santa Catarina deve recuar 11,55%, totalizando 382,3 mil toneladas.

Aveia e cevada reforçam papel estratégico na safra de inverno 

O desempenho da aveia e da cevada em novembro reforça o papel desses cereais de inverno como alternativas agronômicas e socioeconômicas viáveis em Santa Catarina, apesar da participação pouco expressiva do estado no mercado nacional. A formação de preços segue fortemente influenciada por Paraná e Rio Grande do Sul, principais produtores do país. No caso da aveia, os preços no mercado paranaense apresentaram queda anual de 3,70%, enquanto em Santa Catarina houve estabilidade na comparação anual.

Para a cevada, o cenário é mais favorável do ponto de vista econômico. A comercialização ocorre majoritariamente por meio de contratos antecipados com indústrias e cooperativas, voltados à produção de cevada cervejeira. Em 2025, grande parte desses contratos foi fechada em valores atrativos, e as boas produtividades obtidas devem resultar em margens positivas, mesmo com preços atuais inferiores aos de um ano atrás.

Em Santa Catarina, o Sistema de Monitoramento de Safras da Epagri/Cepa aponta que a área de aveia destinada à produção de grãos recuou 3,47% na safra 2025/26, totalizando cerca de 34,2 mil hectares. Ainda assim, o ganho de produtividade, impulsionado por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, resultou em crescimento de 5,84% na produção estadual, próxima de 52 mil toneladas. Já a cevada manteve área reduzida, com 440 hectares cultivados, mas a safra se destacou pela elevada qualidade industrial, reflexo do manejo técnico e do cultivo sob contratos, assegurando mercado e rentabilidade aos produtores catarinenses.

Boletim Agropecuário de Santa Catarina de dezembro/25 

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de dezembro de 2025:

Arroz: preços em queda e cenário desafiador para a safra 2025/26

O mercado de arroz em Santa Catarina segue pressionado por excesso de oferta, demanda industrial fraca e dificuldades nas exportações, o que levou os preços ao produtor a ficarem 52% abaixo dos níveis de 2024 e inferiores aos custos de produção. Mesmo com medidas de apoio anunciadas pela Conab, o volume é considerado insuficiente para reverter a conjuntura. As exportações catarinenses recuaram 56% no ano, e, para a safra 2025/26, projeta-se redução de área e produtividade, com produção estimada em 1,22 milhão de toneladas, em um ambiente de elevada incerteza para o setor.

Feijão: preços recuam com oferta elevada e safra em andamento

Os preços do feijão em Santa Catarina recuaram em novembro, com queda mensal de 2,32% para o feijão-carioca, cotado a R$ 156,32/sc, e de 2,43% para o feijão-preto, a R$ 120,63/sc, valor 52,3% inferior ao registrado no mesmo mês de 2024. A pressão baixista está associada à boa disponibilidade de produto, à proximidade da nova safra, à liquidação de estoques pelos produtores e, no caso do carioca, ao aumento da oferta proveniente do Sudoeste Paulista. No campo, 72% da área da primeira safra já havia sido semeada até o fim de novembro, com lavouras majoritariamente em boas condições. Para a safra 2025/26, estima-se redução de 5,5% na área plantada, para 33 mil hectares, produtividade estável em 2.068 kg/ha e produção de 68,2 mil toneladas, queda de 4,8% em relação à safra anterior.

Milho: preços reagem, mas oferta global limita avanços

O preço do milho em Santa Catarina apresentou leve recuperação entre setembro e novembro, com alta de 0,46% no último mês e indicativo de elevação no início de dezembro, sustentado pela retração dos vendedores e pela retomada da demanda para recomposição de estoques. Ainda assim, a safra recorde no Brasil e nos Estados Unidos mantém pressão sobre as cotações. Para 2025/26, projeta-se aumento de 0,82% na área cultivada, com redução estimada de 11,3% na produtividade e queda de 10,6% na produção. O plantio da safra de verão está concluído e, apesar das irregularidades climáticas no Oeste do estado, o desenvolvimento das lavouras segue, até o momento, dentro de uma perspectiva positiva.

Soja: preços reagem, mas oferta global pressiona o mercado

Em novembro, o preço médio da soja ao produtor em Santa Catarina registrou alta de 1,5%, alcançando R$ 125,86/sc, mantendo-se estável no início de dezembro, impulsionado pelo forte ritmo das exportações brasileiras no período. Ainda assim, a elevada produção na América Latina e o aumento da oferta global da oleaginosa mantêm pressão sobre as cotações no fim do ano. Para a safra 2025/26, a estimativa inicial aponta redução de 1,75% na área plantada no estado. O plantio da primeira safra está praticamente concluído, com lavouras em desenvolvimento vegetativo e condições, em geral, entre boas e ótimas, apesar do estresse hídrico pontual causado por altas temperaturas e períodos de estiagem no início de dezembro.

Banana: oferta elevada pressiona preços e diferencia cenário entre caturra e prata

Entre outubro e novembro de 2025, os preços da banana em Santa Catarina recuaram, puxados principalmente pela banana-caturra, que registrou desvalorização de 15,9% com aumento da oferta e perda de qualidade associada às altas temperaturas, apesar de ainda apresentar valorização frente a 2024. Para dezembro, a expectativa é de novas quedas, influenciadas pela menor demanda escolar e pela concorrência com frutas da estação. Na banana-prata, a desvalorização recente foi menor, e o mercado projeta recuperação de preços com a redução da oferta e menor competição no verão. Na média, as cotações caíram 13,6% entre outubro e novembro. Para a safra 2025/26, estima-se leve redução de 0,41% na produção total de banana, mesmo com aumento de área, com predomínio do Norte Catarinense, que concentra mais de 85% da produção estadual.

Alho: safra avança com boa qualidade e expectativa de aumento na produção

A colheita do alho em Santa Catarina avança com cerca de 60% dos canteiros já colhidos e qualidade considerada muito boa. Neste período, ainda não há registro de preço ao produtor, já que as vendas devem ocorrer a partir de janeiro de 2026, após a cura do produto. No atacado, a caixa de 10 quilos do alho nobre tipo 4 ou 5 foi comercializada a R$ 183,33, leve alta de 0,6% em relação ao mês anterior. As estimativas apontam aumento médio de produtividade para 11.251 kg/ha, o que, aliado à expansão de 13,8% da área cultivada, deve resultar em crescimento de 16,7% na produção, estimada em 8.438 toneladas. As importações permaneceram praticamente estáveis em novembro, com alta de 5,9%, totalizando 4,69 mil toneladas, principalmente provenientes da Argentina, China, Egito e Peru.

Cebola: preços firmes e safra com expectativa de alta na produção

A cebola catarinense iniciou a comercialização para outros estados a partir de novembro ao preço de R$ 20,00 a saca de 20 quilos, valor 8,45% superior ao registrado no mesmo período de 2024, enquanto no mercado atacadista estadual a cotação média foi de R$ 44,21. As perspectivas para a safra 2025/26 seguem positivas, com expectativa de produção de 598 mil toneladas e produtividade média de 30,8 t/ha, o que representa aumento de cerca de 7,5% em relação à safra anterior, mesmo após registros pontuais de granizo e haste floral. Até o início de dezembro, 11% da área já havia sido colhida. A colheita poderá se extender até meados de janeiro. No comércio exterior, novembro registrou importações de 327 toneladas da Argentina e da Espanha.

Bovinos: boi gordo reage com apoio das exportações e do consumo interno

O preço do boi gordo em Santa Catarina apresentou leve alta de 0,4% nas duas primeiras semanas de dezembro, em relação à média do mês anterior, acompanhando a valorização observada nos principais estados produtores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, já corrigido pelo IGP-DI, o avanço chega a 3,8%. O movimento é sustentado pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que reduz a oferta no mercado interno, e pelo aumento da demanda doméstica, impulsionado pelas festas de fim de ano e por indicadores econômicos favoráveis.

Suínos: retração pontual em novembro não compromete recorde do ano

As exportações de carne suína de Santa Catarina totalizaram 50,3 mil toneladas em novembro, queda de 26,4% em relação a outubro e de 19,4% na comparação anual, com receita de US$ 122,9 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, porém, o estado exportou 680,8 mil toneladas e faturou US$ 1,68 bilhão, com altas de 3,5% em volume e 9,2% em receita, o melhor desempenho da série histórica para o período. Santa Catarina respondeu por cerca de 51% das exportações brasileiras de carne suína, mantendo a expectativa de novo recorde anual em 2025, apesar da retração pontual observada em novembro.

Leite: captação cresce, mas preços e rentabilidade seguem pressionados

Santa Catarina registrou forte crescimento na captação de leite no terceiro trimestre de 2025, alcançando 951 milhões de litros, alta de 15% em relação ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual. No comércio exterior, as exportações de lácteos cresceram na base anual, enquanto as importações recuaram, reduzindo o déficit da balança comercial. No mercado interno, porém, os preços ao produtor seguiram em queda, com valores de referência próximos a R$ 2,05/litro, e os derivados também apresentaram recuo no atacado. Apesar da redução dos custos de produção, a rentabilidade tem apresentado queda, especialmente nos sistemas menos tecnificados, que registraram forte deterioração do resultado operacional em 2025.

Assista a apresentação completa do Boletim Agropecuário de Santa Catarina edição de dezembro de 2025 no vídeo abaixo:

Fonte: Epagri



 

FONTE

Autor:Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

Site: EPAGRI

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Chicago fecha em baixa no milho seguindo queda do petróleo e dólar forte – MAIS SOJA

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A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com os preços mais baixos. O mercado foi pressionado pela forte queda do petróleo em Nova York, associada à redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. A valorização do dólar frente a outras moedas complementou o quadro negativo.

Além disso, as chuvas recentes no oeste da Argentina melhoraram a umidade do solo, embora a Bolsa de Buenos Aires destaque que novas precipitações ainda serão necessárias nas próximas semanas para evitar perdas de rendimento. O quadro de demanda aquecida pelo produto dos Estados Unidos limitou uma maior queda.

As inspeções de exportação norte-americana de milho chegaram a 1.136.352 toneladas na semana encerrada no dia 29 de janeiro, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Na semana anterior, haviam atingido 1.547.064 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado foi de 1.260.984 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1o de setembro de 2025, as inspeções somam 32.611.083 toneladas, contra 21.761.284 toneladas no acumulado do ano-safra anterior.

Os contratos de milho com entrega em março fecharam a US$ 4,25 3/4, com baixa de 2,50 centavos, ou 0,58%, em relação ao fechamento anterior. A posição maio fechou a sessão a US$ 4,33 1/2 por bushel, recuo de 2,25 centavos ou 0,51% em relação ao fechamento anterior.

Autor/Fonte: Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Safras News)

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O milho no Brasil: produção, usos e relevância cultural – MAIS SOJA

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Omilho é um dos grãos mais estratégicos para a segurança alimentar global, destacando-se por
sua adaptabilidade ao cultivo em diferentes escalas — desde pequenas áreas familiares até grandes lavouras tecnificadas. No Brasil, mais de 1 milhão de produtores estão envolvidos com essa cultura, distribuídos por praticamente todos os municípios do país. A produção varia de sistemas de subsistência, com baixo uso de insumos, até operações de alta tecnologia voltadas à exportação.

Exportação

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, com uma produção estimada em 128
milhões de toneladas em 2025, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Um exemplo que evidencia essa relevância é o estado de Mato Grosso, que deverá colher cerca de 50 milhões de toneladas, volume equivalente a toda a produção da Argentina. No cenário internacional, o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores exportadores do grão, com cerca de 34 milhões de toneladas embarcadas.

Ao contrário da soja, cuja exportação se concentra fortemente na China, o milho brasileiro possui um perfil de e exportação diversificado. Entre os principais destinos estão Egito (África), Irã (Oriente Médio), Japão (Ásia) e Espanha (Europa), o que demonstra sua competitividade e versatilidade no mercado global.

Internamente, o milho apresenta uma ampla gama de usos, abrangendo consumo humano, alimentação animal e aplicações industriais. Aproximadamente 60% do milho consumido no Brasil é destinado à produção de ração animal, com destaque para o setor avícola, que utiliza cerca de 32% desse volume, e o setor de suínos, responsável por 15%. Um segmento em crescimento constante é o de alimentação pet, que já responde por cerca de 1,7% do consumo interno. O dado é relevante, considerando que o Brasil possui a segunda maior população de animais de estimação do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Etanol de milho

Outro setor que vem se destacando é o da produção de etanol a partir do milho. Em 2013, a
produção nacional era de apenas 30 mil metros cúbicos. Dez anos depois, esse volume ultrapassou 8 milhões de metros cúbicos, e a expectativa é de que dobre até 2030. Atualmente, existem 25 usinas de etanol de milho em operação no Brasil, distribuídas nos estados de Mato Grosso (11), Goiás (7), Mato Grosso do Sul (3), Alagoas (1), Maranhão (1), Paraná (1) e São Paulo (1). Um aspecto importante dessa cadeia é a produção de subprodutos, como o DDG (Distillers Dried Grains), um farelo proteico utilizado na alimentação animal.

DDG

Atualmente, o Brasil produz cerca de 5 milhões de toneladas de DDG, das quais aproximadamente 3 milhões são originadas no Mato Grosso. Embora a maior parte seja consumida internamente, a assinatura de um acordo em maio de 2025 permitiu a exportação de DDG para a China, abrindo novas oportunidades de mercado e reforçando a sustentabilidade econômica do setor de biocombustíveis.

A indústria também se beneficia da versatilidade do milho. Estima-se que mais de 500 produtos industriais utilizem o grão como matéria-prima. Entre os exemplos estão o ácido lático, o ácido cítrico e o sorbitol, amplamente utilizados nas indústrias farmacêutica e cosmética. O amido de milho é empregado na fabricação de papel, tecidos e alimentos, enquanto o ácido polilático (PLA), extraído do milho, é usado na produção de plásticos biodegradáveis. Além disso, compostos derivados do milho integram a formulação de pneus, contribuindo para aumentar o atrito com o solo.

Consumo

Apesar dessa diversidade de aplicações, o consumo direto de milho pela população brasileira ainda é relativamente baixo, representando apenas 3% do consumo interno total. O consumo per capita no Brasil é de cerca de 12 kg por habitante ao ano, enquanto na China o índice chega a 30 kg, nos Estados Unidos a 28 kg, na União Europeia a 42 kg, e no México a 63 kg por habitante ao ano.

Isso indica um amplo espaço para crescimento no consumo humano direto do cereal, especialmente considerando seus benefícios nutricionais. O milho é fonte de fibras, ajuda na regulação do intestino, contribui para o controle da glicemia e do colesterol, é energético e fortalece o sistema imunológico.

Valor cultural do grão

Além dos aspectos produtivos e industriais, o milho tem profundo valor cultural para a sociedade
brasileira. Cultivado nas Américas muito antes da chegada dos europeus, seu ancestral, o teosinto, foi domesticado há cerca de 9 mil anos no atual território do México. A planta espalhou-se pela América Central, chegou ao norte da América do Sul há cerca de 6 mil anos, e foi levada à Europa, África e Ásia após o início da colonização.

No Brasil, o milho tem papel central nas festas juninas, sendo a base de pratos típicos como pamonha, canjica, curau, bolo, pipoca, milho cozido e cuscuz, além de estar associado a danças, trajes e músicas tradicionais. A
festa, além de celebrar a colheita, reforça laços comunitários e preserva tradições que atravessam gerações.

O milho também está fortemente ligado à herança africana no Brasil. Durante o período colonial, era base da alimentação nas senzalas. A sabedoria culinária africana transformou o milho em alimento nutritivo e símbolo de resistência, por meio de pratos como mingaus, pamonhas, bolos e cuscuz, muitos dos quais permanecem vivos na culinária popular brasileira. Essa herança reforça o valor simbólico e histórico do milho como alimento de identidade nacional.

Agricultura familiar

Por fim, destaca-se o papel da agricultura familiar na produção de milho. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), aproximadamente 70% dos produtores de milho no Brasil pertencem à agricultura familiar, cultivando uma área total de cerca de 3,2 milhões de hectares.

A produção nesses estabelecimentos é geralmente voltada ao autoconsumo, à alimentação animal e à comercialização local, especialmente na forma de milho verde. O milho, nesses contextos, é elemento essencial para a segurança alimentar e para a manutenção do sistema produtivo rural, sustentando criações de galinhas, suínos e bovinos, além de gerar renda nas pequenas feiras regionais.

Outra diferença observada entre as produções de larga escala e da agricultura familiar é a adoção da biotecnologia. Ainda que não haja nenhuma restrição para sua utilização na agricultura familiar, ainda há uma prevalência no uso de sementes crioulas. As tecnologias modernas aplicadas à genética do milho, como os eventos transgênicos, contribuem significativamente para o aumento da produtividade, a redução do uso de defensivos químicos e a maior resistência a pragas, doenças e estresses climáticos, como seca e calor.

Isso se traduz em maior eficiência no uso de recursos naturais e maior estabilidade na produção, especialmente em áreas de grande escala. Diante desse panorama, o milho se consolida como um produto estratégico não apenas pelo seu peso econômico, mas também por seu valor cultural, nutricional, social e ambiental, com papel
decisivo no fortalecimento da agricultura familiar e na construção da soberania alimentar no Brasil.

Artigo escrito pelo Diretor Técnico, Daniel Rosa.

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StoneX revisa para cima produção brasileira de grãos 25/26

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Foto: RR Rufino/ Embrapa

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima suas estimativas para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja. Segundo relatório divulgado nesta semana, a consultoria agora projeta a colheita da oleaginosa em 181,6 milhões de toneladas, avanço de 4 milhões de toneladas em relação à estimativa anterior.

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O crescimento da produção decorre de ajustes tanto na área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare. De acordo com a StoneX, o cenário segue favorável, mesmo com algumas regiões apresentando maior variabilidade ao longo do ciclo.

“Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, destaca a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.

Milho também tem revisão positiva

Para o milho de primeira safra, a consultoria também elevou suas projeções. A produção do ciclo 2025/26 pode alcançar 26,6 milhões de toneladas, alta de 2,3% frente à estimativa anterior e pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do volume registrado na safra 2024/25.

A revisão foi motivada, principalmente, por ajustes positivos de produtividade em estados do Nordeste e no Paraná. No Sul do país, a expectativa é de rendimento médio elevado, podendo atingir 11,5 toneladas por hectare na safra paranaense. Já no milho verão, os estados do Norte e Nordeste seguem com ciclo mais tardio, mantendo o clima como ponto de atenção.

No caso do milho segunda safra, a revisão foi mais moderada. A produção estimada passou de 105,8 milhões para 106,3 milhões de toneladas. Houve aumento de área no Tocantins e no Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução, reflexo da cautela dos produtores em relação ao período ideal de plantio.

Oferta, demanda e estoques

No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalteradas as estimativas de consumo de soja para o ciclo 2025/26. Ainda assim, com o avanço da colheita, a expectativa é de que as compras chinesas da oleaginosa brasileira ganhem relevância nos próximos meses.

“O maior importador mundial cumpriu os termos iniciais do acordo com os Estados Unidos, mesmo com a soja norte-americana menos competitiva. A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explica Ana Luiza.

Com isso, o aumento da produção de soja deve resultar em estoques finais mais elevados, já que não houve crescimento correspondente da demanda.

Em relação ao milho, as projeções de consumo também permaneceram inalteradas, mas o impacto do aumento da produção foi compensado pela redução dos estoques iniciais, reflexo do forte ritmo de exportações no ciclo anterior.

“Com o encerramento do ano-safra 2024/25 no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem somar cerca de 42 milhões de toneladas, com dados oficiais previstos para divulgação no início de fevereiro”, conclui a especialista.

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