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Brasil é líder mundial em integração-lavoura-pecuária-floresta, diz Embrapa

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O Brasil é líder mundial na adoção do sistema Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), destaca o pesquisador da Embrapa Roberto Giolo no bate-papo com o repórter João Nogueira no estúdio do Canal Rural na COP30, em Belém.

“São sistemas que integram mais de uma atividade na mesma área e/ou em sequência, ou seja, a lavoura seguida de pastagem, ordem que vai se alterando com o tempo. Além desses dois componentes, temos o florestal, que entra normalmente na fase de pastagem e dá sequência à rotação de atividades”, resume o especialista.

Segundo ele, o uso desse sistema é favorecido pelo clima e solo brasileiros, além da vocação do produtor e do apoio fornecido pela Embrapa e outras instituições de pesquisa nacionais.

“A ideia é que cada um desses componentes se beneficie em termos de produtividade e também na redução de impactos ambientais.”

De acordo com o pesquisador, ainda que todos os biomas estejam aptos a comportar atividades de integração lavoura-pecuária-floresta, Cerrado, Mata Atlântica, transição amazônica e os campos do Sul são locais onde há mais pesquisa e experiências do tipo.

“O Pantanal é um pouco mais complexo, principalmente na área alagada, talvez no Pantanal mais alto seja possíve, e na Caatinga, são locais onde temos um pouco menos de estudos [para a adoção de ILPF]”, contextualiza Giolo.

Em termos de área, o pesquisador salienta que, conforme a Rede ILPF, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os estados onde há mais áreas integradas, já em termos de proporção de área agricultável, é o Rio Grande do Sul tem a maior proporção de área de ILPF. “Minas Gerais também tem bastante, mas os dois estados do Centro-Oeste e o do Sul são os que estão mais à frente dos diferentes tipos de integração”, finaliza.

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Imea: Colheita da soja e plantio do milho avançam mais que o ano passado em MT

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Foto: Canal Rural

A colheita de soja em Mato Grosso alcançou 24,97% da área na safra 2025/26 até 30 de janeiro, avanço semanal de 11,09 pontos porcentuais e ritmo superior ao observado no mesmo período do ciclo anterior. Os dados constam do boletim semanal divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Na comparação anual, o porcentual colhido supera em 12,77 pontos porcentuais o registrado em 31 de janeiro de 2025, quando a safra 2024/25 somava 12,20%.

Entre as regiões do estado, o avanço é mais expressivo no Oeste, com 36,70% da área colhida, seguido por Médio-Norte (35,41%), Noroeste (30,08%) e Norte (28,54%). No Centro-Sul, os trabalhos atingem 22,23%, enquanto o Nordeste registra 14,01% e o Sudeste soma 11,46%.

Semeadura do milho também avança

No milho de segunda safra, a semeadura atingiu 15,59% da área estimada em Mato Grosso até 30 de janeiro, avanço semanal de 7,83 pontos porcentuais. No mesmo período da safra 2024/25, o plantio somava 6,26%, diferença de 9,33 pontos porcentuais, segundo o Imea.

As regiões Médio-Norte e Noroeste lideram o avanço do plantio do cereal, com 21,08% e 17,89% da área semeada, respectivamente. No Oeste, o índice chega a 17,04%, enquanto no Norte alcança 15,06%. No Centro-Sul, a semeadura soma 14,29%, no Nordeste atinge 10,55% e no Sudeste registra 7,32%.

Cenário para o plantio de algodão

No algodão, a semeadura atingiu 67,75% da área prevista em Mato Grosso até 30 de janeiro, avanço semanal de 19,95 pontos porcentuais. No mesmo período da safra 2024/25, o índice era de 53,48%, diferença de 14,27 pontos porcentuais entre os ciclos.

Os maiores porcentuais de área semeada de algodão são observados no Sudeste, com 73,15%, seguido por Oeste (68,98%), Médio-Norte (66,27%) e Noroeste (64,20%). No Centro-Sul, a semeadura soma 61,25%, enquanto o Nordeste registra 59,79%.

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Tratamento de sementes exige precisão para preservar qualidade

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O tratamento de sementes ocupa posição central na agricultura moderna. A tecnologia protege sementes de alto valor genético contra pragas e patógenos no início do ciclo. Também garante estabelecimento inicial mais uniforme das lavouras. Revisão científica analisou como essas tecnologias afetam a qualidade física, funcional e fisiológica das sementes. O trabalho reúne resultados recentes e indica limites técnicos que definem quando o tratamento protege ou compromete o desempenho do lote.

A revisão mostra que o tratamento químico não atua apenas no controle fitossanitário. O processo interfere diretamente na integridade das sementes. A aplicação envolve impactos mecânicos, contato com moléculas biologicamente ativas e aumento do teor de umidade superficial. Esses fatores alteram atributos físicos, como massa e resistência do tegumento. Também afetam processos metabólicos ligados à germinação e ao vigor.

Qualidade funcional

Os autores destacam que a avaliação tradicional da qualidade de sementes considera dois pilares. O primeiro inclui pureza, tamanho, peso e aparência. O segundo envolve germinação e vigor. O estudo introduz um terceiro conceito. A qualidade funcional. Esse atributo mede o desempenho operacional da semente tratada durante manuseio, transporte e semeadura. Inclui precisão de dose, uniformidade de recobrimento, fluidez e ausência de pó.

Segundo a revisão, a qualidade funcional define se a semente tratada entrega no campo o efeito esperado do tratamento. Doses abaixo do recomendado reduzem a eficácia do ingrediente ativo. Doses acima elevam o risco de fitotoxicidade. Em sistemas industriais, a precisão de dose supera 95%. Em tratamentos realizados na fazenda, a variabilidade aumenta. A calibração do equipamento e a habilidade do operador passam a determinar o resultado final.

Tratamento industrial

O texto aponta que o tratamento industrial apresenta vantagens consistentes. Sistemas fechados reduzem a exposição do operador. Atomizadores garantem cobertura mais uniforme. A abrasão diminui. O desprendimento de pó cai para níveis inferiores a 4 gramas por quilo de semente quando polímeros entram na formulação. Esses fatores preservam tanto a qualidade funcional quanto a fisiológica.

Já o tratamento realizado na propriedade mantém espaço por questões econômicas e logísticas. Permite flexibilidade de receitas e aplicação em pequenos volumes. No entanto, o risco técnico aumenta. Equipamentos adaptados causam danos mecânicos. A dosagem varia. Em alguns casos, o processo remove parte do tratamento industrial já aplicado. A revisão associa esses fatores à maior variabilidade de desempenho no campo.

Aspecto fisiológico

No aspecto fisiológico, o trabalho reforça um ponto central. O tratamento não melhora o vigor intrínseco da semente. Esse atributo se define durante a produção. O tratamento apenas preserva o potencial quando executado corretamente. Quando mal conduzido, acelera a deterioração. A principal causa envolve fitotoxicidade induzida por ingredientes ativos, especialmente inseticidas sistêmicos.

Os autores descrevem três níveis de dano fisiológico. No primeiro, a semente germina, mas com redução de vigor. No segundo, a germinação cai e surgem plântulas anormais. No terceiro, ocorre morte da semente. O avanço entre esses níveis depende do tempo de armazenamento, do volume de calda, do número de componentes da formulação e do genótipo.

A revisão mostra que receitas com mais de cinco componentes aumentam o risco de dano fisiológico. Volumes elevados de calda intensificam o problema, sobretudo quando a formulação apresenta baixa viscosidade. Soluções mais aquosas aceleram a embebição. Em sementes secas, esse processo causa desorganização de membranas e perda de solutos. O resultado surge como redução de vigor e germinação durante o armazenamento.

Teor de água da semente

O teor de água da semente no momento do tratamento aparece como fator decisivo. Teores muito baixos elevam a suscetibilidade a danos mecânicos imediatos. Teores elevados reduzem o impacto inicial, mas favorecem deterioração latente durante o armazenamento. A literatura indica faixas ótimas próximas de 11% para soja em sistemas industriais.

O trabalho também destaca a importância dos polímeros. Esses componentes aumentam a adesão dos ingredientes ativos. Reduzem a lixiviação. Diminuem a geração de pó. Em soja, o uso de polímero evita perdas de até 20% do ingrediente ativo por lavagem. Em arroz, a retenção de inseticidas mais que dobra em condições de chuva simulada.

Por fim, os autores apontam lacunas de conhecimento. Faltam dados integrados sobre interação entre qualidade inicial do lote, composição da calda e tempo de armazenamento. A revisão indica a necessidade de formulações mais seguras e tecnologias de aplicação mais precisas. O objetivo permanece claro. Proteger sementes e plântulas sem comprometer a qualidade fisiológica que sustenta o rendimento das lavouras.

O trabalho foi desenvolvido por Venicius Urbano Viela Reis, Everson Reis Carvalho e Imtiyaz Khanday.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.plantsci.2026.113013

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Agro Mato Grosso

Propriedades do Soja Legal mostram que é possível conciliar campo e natureza em Mato Grosso

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Programa auxilia produtores a identificar pontos fortes e adequações em suas propriedades

Mato Grosso é reconhecido nacionalmente como um dos maiores produtores de alimentos do país. Ao mesmo tempo, o estado mantém grande parte de seu território preservado. Esse equilíbrio entre produção e conservação ambiental é resultado do compromisso de produtores rurais, adotando práticas sustentáveis em suas propriedades, como os participantes do programa Soja Legal, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

De acordo com o vice-presidente da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Sustentabilidade, Luiz Pedro Bier, o Brasil se destaca mundialmente por conseguir produzir em larga escala sem abrir mão da preservação ambiental.

“O Brasil, diferente de todos os outros grandes produtores agrícolas do mundo, consegue preservar o meio ambiente e produzir uma grande quantidade de alimentos com alta eficiência. E o melhor exemplo disso é o Mato Grosso, onde nós temos a agricultura mais profissional do Brasil. Em torno de 25% de toda a floresta nativa do território brasileiro pertence a produtores rurais”, destaca.

Segundo Bier, o cumprimento do Código Florestal é apenas o ponto de partida. No dia a dia, os produtores adotam atitudes que ampliam esse compromisso com a sustentabilidade.

“Hoje, mais do que nunca, o produtor faz diversas atitudes que são sustentáveis e trazem eficiência ecológica e agronômica. Uma delas é o uso de bioinsumos. O Brasil é disparado o maior consumidor de biológicos, tanto para fungicidas quanto para inseticidas no campo. São atitudes que fazem bem ao meio ambiente e não prejudicam a produtividade”, afirma.

Ele também ressalta investimentos em biodigestores e o aumento da produtividade em áreas menores como práticas que reduzem a necessidade de novas conversões de áreas. “Produzir mais em menor área também é sustentabilidade. Quanto mais se produz em uma área, menor é a pressão sob a vegetação nativa para alimentar a população mundial”, completa.

Na prática, os resultados desse compromisso podem ser vistos em propriedades como a Fazenda Estrela, em Querência. O produtor rural Osmar Inácio Frizzo conta que todas as ações adotadas seguem os princípios do programa Soja Legal.

“Todas as práticas que a gente faz é pensando justamente na sustentabilidade e preservação ambiental. Desde a devolução correta das embalagens, adequação no local certo para não poluir, contenção de óleo na lavagem de máquinas, tudo isso contribui para a preservação”, explica.

Além da preservação, Osmar ressalta que a organização e o planejamento impactam diretamente na produtividade. “Tudo que você fizer melhor é pensando na produção. Criar procedimentos, organizar e planejar contribui para produzir melhor. São técnicas simples, mas que dão resultado depois de anos utilizando”, avalia.

Outro exemplo vem do Vale do Guaporé, na Fazenda Rio Sabão, do produtor Paulo Adriano Gai Cervo. Ele destaca que sua propriedade está localizada no bioma amazônico, onde a legislação exige a preservação de 80% da área.

“Nós temos orgulho de dizer que na nossa propriedade nem os 20% estão abertos. Temos mais de 80% preservados como área de reserva legal e APP. Respeitamos a lei e fazemos isso com responsabilidade”, afirma.

Além disso, Paulo Adriano explica que a fazenda não utiliza fogo em nenhuma atividade agrícola e mantém aceiros conservados para prevenir incêndios. A propriedade conta com equipe treinada e equipamentos adequados para combate a focos de fogo.

A fazenda também preserva mananciais importantes, como os córregos Pacovinha e Sabão, além de um trecho de 17km do Rio Guaporé. “Temos projetos de recuperação das margens desses córregos para aumentar ainda mais as áreas de preservação permanente”, acrescenta.

No campo da produção sustentável, Paulo Adriano destaca o investimento em treinamento da equipe, uso correto de EPIs, destinação adequada de embalagens, segregação de resíduos e manejo consciente do solo. “Fazemos 100% de plantio direto sobre palhada, integração lavoura-pecuária, agricultura de precisão, taxa variável de insumos, tudo para usar apenas o que é necessário”, explica.

Entre os projetos futuros estão a implantação de uma biofábrica, biodigestores para geração de gás e produção de fertilizante orgânico. “Nosso objetivo é reduzir a dependência externa e produzir parte do fertilizante que usamos. Tudo isso melhora a produtividade, o resultado financeiro e a qualidade de vida das famílias que vivem aqui”, afirma.

As ações desenvolvidas nas propriedades participantes do Soja Legal mostram que é possível produzir com responsabilidade, respeitando o meio ambiente e contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso. Um exemplo de que o campo pode, sim, ser aliado da preservação.

Luiz Pedro Bier enfatiza ainda o papel da Aprosoja MT no apoio aos produtores com incentivo a uma produção cada vez mais sustentável. “A Aprosoja atua em várias frentes. Uma delas é a legislativa, apoiando leis que trazem segurança jurídica ao produtor. Também temos a Central de Informações do Cadastro Ambiental Rural, que auxilia na regularização ambiental. E a estrela da companhia é o Soja Legal, onde capacitamos o produtor na legislação trabalhista, segurança do trabalho e fazemos análises ambientais para identificar pontos de melhoria. A sustentabilidade é um tripé: social, econômico e ambiental”, finaliza.

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