Connect with us
4 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Suscetibilidade da cigarrinha-do-milho a inseticidas – MAIS SOJA

Published

on


Considerada uma das principais se não a principal praga da atualidade na cultura do milho, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é o principal vetor da transmissão dos enfezamentos ao milho. Os enfezamentos são doenças causadas pela infecção da planta por microrganismos denominados molicutes, que são um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e um fitoplasma (Maize bushy stunt). Os dois tipos mais comuns são o enfezamento-pálido (causada por espiroplasma) e o enfezamento-vermelho (causada por fitoplasma) (Embrapa).

Figura 1. Planta de milho com sintomas do enfezamento pálido (A) e enfezamento vermelho (B).
Fonte: Cota et al. (2021)

Dente os principais danos em decorrência dos enfezamentos, tem-se a redução do potencial produtivo da cultura, que, dependendo da suscetibilidade do híbrido e período de transmissão dos enfezamentos, pode representar perdas de produtividade de até 100%, inviabilizando a lavoura (Cota et al., 2021). Tendo em vista o elevado impacto econômico causado pelos enfezamentos, o controle do vetor (cigarrinha-do-milho) é uma das principais e mais eficientes estratégias de manejo para reduzir as perdas de produtividade.

Para tanto, o sucesso do controle químico da cigarrinha-do-milho está condicionado ao posicionamento adequadamente de inseticidas quanto ao período de aplicação e eficiência de controle. Estrategicamente, o controle químico da cigarrinha-do-milho deve ocorrer de VE a V5, período considerado crítico a ocorrência da praga. Vale destacar que ainda não há nível de ação pré-estabelecido, uma vez que impacto da praga na cultura do milho e sua capacidade em transmitir os enfezamentos, está condicionada aos indivíduos infectados e não a densidade populacional da cigarrinha. Sendo assim, recomenda-se que o controle químico da cigarrinha seja realizado ao constatar a presença de praga durante o período crítico.

Suscetibilidade da cigarrinha a inseticidas 

Atualmente há 107 produtos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária para o controle da cigarrinha (Dalbulus maidis), contemplando os grupos químicos organofosforado, neonicotinóide, piretróide, metilcarbamato de oxima, tetronortriterpenóide, fenilpirazol, benzoiluréia, éter difenílico, carboxamida e sulfoxamidas, de forma associada ou isolada em formulações (Agrofit, 2025).

Tendo em vista a diversidade de produtos disponíveis para o controle da cigarrinha-do-milho, posicionar de forma eficaz esses defensivos no programa fitossanitário do milho pode ser desafiador. Proporcionando maior assertividade no posicionamento de inseticidas para o controle da cigarrinha-do-milho, Machado et al. (2024) conduziram um estudo em larga escala para monitorar a suscetibilidade da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) aos inseticidas mais utilizados no controle da cigarrinha.

A pesquisa avaliou a suscetibilidade de 11 populações desse inseto-praga, coletadas nas principais regiões produtoras de milho do Brasil nas safras 2021/22 e 2022/23, utilizando bioensaios de concentração–mortalidade e de concentração diagnóstica. No estudo, os autores analisaram a resposta da cigarrinha-do-milho a seis inseticidas: carbosulfan, metomil, acefato, bifentrina, acetamiprido e imidacloprido.

Conforme resultados observados por Machado et al. (2024) , a maioria das populações da cigarrinha apresentam alta suscetibilidade (menor sobrevivência) ao metomil, carbosulfan e acefato, exceto para uma população do estado da Bahia que apresentou suscetibilidade reduzida ao metomil. Por outro lado, todas as populações apresentaram suscetibilidade reduzida à bifentrina, acetamiprido e imidacloprido.

Figura 2. Sobrevivência de populações de campo de Dalbulus maidis coletadas no ano agrícola de 2022 a 2023 na concentração diagnóstica de diferentes inseticidas. A sobrevivência (média ± IC) seguida de asteriscos indica diferença significativa (P < 0,05) entre as populações de campo e o SUS (Suscetibilidade de referência) usando o teste de Kruskal-Wallis seguido do teste post hoc de Dunn.
Onde: BA-3 (São Desidério, BA); BA-4 (Luiz Eduardo Magalhães, BA); GO-2 (Rio Verde, GO): GO-3 (Santa Helena, GO); MG-2 (Araguari, MG); MS-1 (Chapadão do Sul, MS); MS-2 (Dourados, MS); PR-3 (Guarapuava, PR); SC-2 (Chapecó, SC); SP-3 (Charqueada, SP) e SUS (suscetibilidade de referência).
Adaptado: Machado et al. (2024)

Nesse contexto, e considerando os resultados obtidos por Machado et al. (2024), observa-se que a maioria das populações de cigarrinha-do-milho apresenta maior suscetibilidade a metomil, carbosulfan e acefato, o que reforça o potencial desses produtos como alternativas eficazes para o controle químico da praga. Contudo, para manter a eficácia desses inseticidas e retardar a evolução da resistência, é fundamental adotar estratégias de manejo integrado, especialmente a rotação de mecanismos de ação. Essa prática contribui para preservar a eficiência dos produtos e prolongar sua longevidade no controle da cigarrinha-do-milho.

Confira o estudo completo desenvolvido por Machado e colaboradores (2024) clicando aqui!

Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 17/11/2025.

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, Folhetos, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 17/11/2025.

EMBRAPA. ENFEZAMENTOS POR MOLICULITES E CIGARRINHA NO MILHO. Embrapa, perguntas e respostas. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/controle-da-cigarrinha-do-milho#:~:text=Os%20enfezamentos%20s%C3%A3o%20doen%C3%A7as%20do,fitoplasma%20(Maize%20bushy%20stunt). >, acesso em: 17/11/2025.

MACHADO, E. P. IS INSECTICIDE RESISTANCE A FACTOR CONTRIBUTINGTO THE INCREASING PROBLEMS WITH Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) IN BRAZIL? Society of Chemical Industry, 2024. Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8237?domain=author&token=EFNPXSEM4KUXHHESVXEG >, acesso em: 17/11/2025.

Continue Reading

Sustentabilidade

Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea

Published

on


Foto: Antonio Neto/Arquivo Embrapa

A valorização da soja em Mato Grosso voltou a pressionar a rentabilidade da indústria de processamento. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a margem bruta de esmagamento recuou 20,52% em julho na comparação com junho, refletindo principalmente o aumento do custo de aquisição da matéria-prima.

Depois de vários meses de preços mais baixos, a soja registrou em julho a maior cotação média do ano no estado. A saca foi negociada, em média, a R$ 116,74, avanço de R$ 10,12 por saca (9,49%) em relação a junho e de R$ 4,39 (3,91%) na comparação com julho de 2025.

  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Mesmo com a valorização dos coprodutos, o resultado não foi suficiente para compensar o aumento do preço do grão. No período, o farelo de soja acumulou alta de 4,46% e o óleo avançou 0,22%, enquanto a margem bruta de esmagamento fechou julho em média de R$ 435,43 por tonelada.

De acordo com o Imea, a entressafra e a menor disponibilidade de soja em Mato Grosso tendem a manter as cotações da oleaginosa em níveis elevados. Caso os preços do farelo e do óleo não acompanhem esse movimento, a margem das indústrias deverá seguir pressionada nos próximos meses.

Mercado acompanha safra dos Estados Unidos

No cenário internacional, o clima segue no radar dos agentes. Conforme o relatório, as lavouras norte-americanas classificadas como boas ou excelentes recuaram de 70,25% para 64,25% em relação ao mesmo período de 2025, em razão das altas temperaturas registradas no Corn Belt, que anteciparam a floração da soja.

Apesar da piora nas condições das lavouras, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) ainda aponta produção recorde de 131,6 milhões de toneladas na safra norte-americana. O Imea ressalta, porém, que agosto é um mês decisivo para o desenvolvimento das lavouras, o que mantém o clima no centro das atenções do mercado.

Na última semana, o indicador do Imea mostrou a soja em Mato Grosso cotada, em média, a R$ 122,88 por saca, alta de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. No mesmo período, os contratos da soja negociados em Chicago recuaram 3,51%, influenciados pela queda nas cotações do petróleo Brent.

O post Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Sustentabilidade

TRIGO/CEPEA: Preço médio atinge maior patamar desde agosto de 2025 no PR – MAIS SOJA

Published

on


As cotações do trigo no Paraná voltaram aos patamares observados em agosto de 2025, em termos reais, refletindo a restrição da oferta disponível no mercado spot.

De acordo com pesquisadores do Cepea, diante da necessidade de recompor estoques, compradores elevaram gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais.

Segundo o Cepea, além da restrição de oferta, a última semana de julho foi marcada pelos primeiros reflexos do fenômeno El Niño, com elevado volume de chuvas e ventos intensos, deixando triticultores em alerta no Sul do Brasil. Esse cenário contribuiu para a elevação dos preços, principalmente no mercado de balcão paranaense, ressalta o Centro de Pesquisas.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

Continue Reading

Sustentabilidade

Nanofertilizante produzido com caroço de açaí estimula crescimento de milho e sorgo – MAIS SOJA

Published

on


Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.

O caroço do açaí (foto abaixo) é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.

Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.

O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.

Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.

O pesquisador Cláudio Carvalho (foto abaixo), da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais. Eles também participam dos processos de transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos, que podem estimular a atividade de enzimas,  como aquelas envolvidas nos estresses oxidativos.

Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente. “Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.

De resíduo a riqueza

“Apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades”, diz o pesquisador.

Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante. “Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.

Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro. “Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.

“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine (foto abaixo), coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho. Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.

Avanço científico 

Os resultados foram publicados no artigo Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance na revista internacional Dyes and Pigments. “Mostramos que um resíduo que normalmente seria descartado pode ser convertido em um material inteligente, capaz de interagir com sistemas biológicos e produzir efeitos mensuráveis no crescimento vegetal”, conta o professor.

Ele explica que, até chegar ao produtor rural, ainda é preciso vencer alguns desafios. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao passar da escala de laboratório para a escala industrial. “Em laboratório, trabalhamos com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Em uma fábrica, é necessário garantir que cada lote apresente as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas”, esclarece. Outro desafio é a otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa.


Por que estudar pontos quânticos de carbono?

Os carbon quantum dots, ou pontos quânticos de carbono, são nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores do que um fio de cabelo humano. Apesar do tamanho reduzido, possuem propriedades muito especiais, principalmente a capacidade de absorver e emitir luz.

Eles foram descobertos por acaso no início dos anos 2000, durante estudos envolvendo nanotubos de carbono. Desde então, despertaram enorme interesse científico porque são relativamente fáceis de produzir, apresentam baixa toxicidade e podem ser obtidos a partir de materiais naturais e resíduos orgânicos.

Hoje, os carbon quantum dots são estudados para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água e agricultura. Na agricultura, eles podem atuar como estimuladores do crescimento vegetal, aumentar a eficiência do aproveitamento da luz pelas plantas e auxiliar no transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

No trabalho realizado pela Embrapa e a UFC, o pó da semente do açaí, rico em carbono e minerais, foi colocado em um ambiente “hostil” dentro de reatores de alta pressão, submetido a altas temperaturas por várias horas — um processo chamado de síntese hidrotermal. Sob essas condições, as moléculas orgânicas da semente se quebram e se reorganizam nos carbon quantum dots e outras substâncias com atividade biológica nas plantas, como precursores de hormônios vegetais, entre outras.


Fonte: Embrapa


undefined


FONTE

Autor:Verônica Freire (MTB 01225JP) Embrapa Agroindústria Tropical

Site: Embrapa

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT