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28 de setembro de 2026

Business

‘No aperto, você não serve para o banco’

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O Rio Grande do Sul tradicionalmente divide com o Paraná o posto de segundo maior produtor de soja do país. Contudo, após estiagens severas e alagamentos de lavouras pela chuva, o estado convive com quebras de safras sucessivas.

Agora, a depender do clima, a temporada 2025/26 finalmente mostra sinais de que não terá percalços, mas o acesso ao crédito e a renegociação de dívidas ainda emperra a vida do produtor, levando muitos a desistirem de áreas arrendadas.

Conforme o calendário oficial, o plantio da oleaginosa está liberado desde o dia 1 de outubro, mas até este momento são muitos os casos de agricultores que não têm insumos para sequer iniciar os trabalhos.

Produtores sem rumo

O sojicultor Armindo Crestani, de Cachoeira do Sul, região central gaúcha, conta que não consegue acessar novas linhas de crédito e que pretende diminuir a área.

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“A gente planta só soja, vai diminuir a área porque não temos condição de plantar toda a área. Vamos entregar campo e vamos plantar do jeito que dá. Está difícil de conseguir insumos. Perdemos o crédito, o CPF negativado por causa de certas negociações em banco que não quiseram fazer”, relata.

O produtor Fábio Santos, de São Vicente do Sul, também na região central do Rio Grande do Sul, igualmente reclama do tratamento dado pelos bancos aos agricultores. “Produtor é bom para o banco quando ele está comprando consórcio, seguro e título de capitalização. […] no momento que em ele se ‘aperta’ e precisa de um tratamento diferenciado, não serve mais para o banco.”

Os produtores contam que os arrendamentos são outro problema, já que sem conseguir pagar o dono da terra, muitas áreas foram deixadas para trás pelos produtores que, consequentemente, têm dificuldade de fornecer garantias às instituições financeiras para conseguir novos custeios.

Exemplo disso é o produtor Dimitrius José, de Tapes, município do litoral gaúcho. “Eu particularmente já renegociei a renegociação, não tenho tenho acesso mais a crédito no banco e nem mais garantia para dar. A solução que eu tomei foi a de entregar algumas áreas, diminuir a minha área, mas, mesmo assim, sigo na dificuldade de acessar crédito”.

Ele conta que ainda está sem fertilizantes, sementes e defensivos no galpão. “Daqui para a frente é todo dia levantar de manhã e correr atrás para ver se alguém te consegue um crédito.”

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Socorro que ainda não chegou

A última medida anunciada pelo governo, a MP 1314, que liberou R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas ainda não está acessível aos produtores. Além disso, 93 municípios haviam ficado de fora da lista porque não declararam situação de emergência à época, critério fundamental para estar elegível ao socorro oferecido.

Mesmo assim, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resolveu incluir 56 cidades impactadas pelas enchentes do ano passado.

O produtor Marcelino Michelotti, de Alegrete, na região da Campanha Gaúcha, conta que conseguiu renegociar suas dívidas por três anos, mas agora também encontra dificuldade em conseguir crédito para a safra 2025/26 tanto nos bancos quanto nas empresas privadas.

“Pretendo manter a área plantada, não tenho essa condição de diminuir porque tenho contas a pagar e não sei de que forma vou fazer. Até o momento não temos adubo, não temos nada”, relata.

O produtor Jeferson Scheibler, de Bagé, sul gaúcho, fronteira com o Uruguai, destaca que está na atividade há 30 anos e considera estar insustentável produzir no estado. “As calamidades, a gente não tem culpa de terem acontecido uma atrás da outra. Então, acho que o governo federal, como as instituições financeiras, poderiam ser um pouco mais flexíveis ou mais solidárias com o produtor nesse momento.”

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Plantio da soja 2026/27 avança para 3,4% no Brasil, diz AgRural

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A semeadura da safra brasileira de soja 2026/27 atingiu 3,4% da área estimada até a quinta-feira (24), segundo levantamento da AgRural. Uma semana antes, o índice era de 1,2%. No mesmo período do ano passado, o plantio estava em 3,2%. O avanço ocorre em meio a excesso de chuva em alguns pontos e irregularidade na distribuição das precipitações em parte das áreas produtoras.

De acordo com a AgRural, o Paraná segue na liderança do plantio da oleaginosa no país. Mato Grosso aparece na sequência, ainda a certa distância, com os trabalhos sem ganhar ritmo por causa da distribuição irregular das chuvas.

Além dos dois estados, há plantio em áreas pontuais de Rondônia, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Os dados indicam avanço semanal da semeadura, mas com comportamento distinto entre as regiões já em atividade.

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No milho verão 2026/27, o plantio da primeira safra alcançou 34% da área estimada para o Centro-Sul do Brasil até a quinta-feira (24). Na semana anterior, o índice era de 27%. Um ano antes, o porcentual estava em 32%.

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Segundo a AgRural, a atividade do milho verão continua concentrada nos três estados do Sul. A empresa atribui esse quadro ao calendário mais tardio nos demais estados do Centro-Sul.

Os números mostram, no caso da soja, um ritmo ligeiramente acima do registrado no mesmo período da temporada passada. No milho verão, o porcentual também supera o de um ano atrás, com o avanço da semeadura concentrado nas regiões em que o calendário já permite maior intensidade dos trabalhos de campo.

Até a quinta-feira (24), a AgRural apontou plantio de 3,4% da soja 2026/27 no Brasil e de 34% do milho verão no Centro-Sul, com o Paraná à frente na oleaginosa e os estados do Sul concentrando a semeadura da primeira safra de milho.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Preço do milho pode ficar sob pressão nas próximas semanas; entenda o motivo

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Os preços do milho podem enfrentar pressão nas próximas semanas diante da possibilidade de aumento da oferta no mercado brasileiro. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), produtores podem elevar as vendas à medida que os trabalhos de campo avançam no Brasil e nos Estados Unidos.

Nos últimos dias, porém, as cotações registraram apenas pequenos ajustes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. Compradores e vendedores seguem cautelosos nas negociações.

Do lado da oferta, produtores limitam a disponibilidade de milho no mercado spot. Após o excesso de chuvas registrado nas regiões Sul e Sudeste, agricultores voltaram a avançar com a semeadura, mas continuam atentos às condições climáticas para os próximos meses e aos possíveis impactos do El Niño.

Compradores têm estoques para o curto prazo

A demanda também permanece pontual. Segundo pesquisadores do Cepea, consumidores relatam possuir estoques suficientes para atender às necessidades de curto prazo, reduzindo a necessidade de novas aquisições.

Ao mesmo tempo, agentes compradores avaliam que o cenário pode mudar nas próximas semanas.

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A maior disponibilidade atual do cereal, o ritmo lento das exportações e o avanço dos trabalhos de campo no Brasil e nos Estados Unidos podem aumentar a necessidade de venda por parte dos produtores.

Caso esse movimento se confirme, um volume maior de milho pode chegar ao mercado para negociação, aumentando a pressão sobre as cotações.

El Niño mantém produtores cautelosos

Apesar da possibilidade de crescimento da oferta, o clima permanece como fator de atenção para os agricultores.

As preocupações estão concentradas nos possíveis efeitos do El Niño sobre as lavouras nos próximos meses. Esse cenário contribui para que produtores adotem cautela e restrinjam, por enquanto, a oferta de milho para negócios no mercado spot.

Assim, o mercado segue marcado por forças opostas: de um lado, produtores retraídos diante das incertezas climáticas; de outro, compradores abastecidos e a perspectiva de maior disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

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a primeira decisão da safra pode definir o lucro do algodão

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A busca por produtividade no algodão começa antes da semeadura e passa por uma decisão que pode influenciar o resultado de toda a safra: a escolha da semente. Em Mato Grosso, onde o produtor enfrenta custos elevados, oscilações de mercado e condições climáticas que podem dificultar o estabelecimento da lavoura, a qualidade do material é um dos fatores considerados na estratégia de produção.

O investimento ganha relevância porque o desempenho da cultura não depende apenas da tecnologia genética utilizada. O vigor, a germinação, a sanidade e a uniformidade das sementes também interferem na formação inicial das plantas e nas condições para condução do manejo.

No Grupo Itaquerê, que cultivou cerca de 7 mil hectares de algodão nesta temporada 2025/26, em Primavera do Leste, a escolha do material faz parte das decisões voltadas à eficiência da produção. O vice-presidente da empresa e produtor rural, Édio Brunetta, relaciona a qualidade da semente ao potencial de rendimento da lavoura.

Em um ano que considera desafiador pelos custos, Édio destaca a necessidade de buscar eficiência e produtividade. Para ele, o investimento em sementes de qualidade contribui para alcançar bons resultados, já que o material representa a base do desenvolvimento da lavoura. “Com uma semente de alta qualidade, você com certeza vai chegar lá na frente e vai ter uma produtividade elevada, um grande rendimento de fibra e uma qualidade dessa fibra muito boa”, pontua.

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O produtor defende que não se deve economizar na escolha da semente, especialmente diante da necessidade de obter maior rendimento e qualidade da fibra. “Não há motivo para economizar na semente, que é a base, o esteio da alta produtividade”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima e solo ampliam a importância do vigor

A fase inicial do algodoeiro é marcada pela necessidade de estabelecer um sistema radicular capaz de sustentar o desenvolvimento da planta. Em Mato Grosso, esse processo ocorre em condições que podem incluir alta pluviosidade e períodos com menor disponibilidade de luz.

Adalberto Cardoso da Silva Filho, do Desenvolvimento de Mercado da BASF, explica que o vigor e a sanidade da semente são características importantes para enfrentar os desafios do ambiente de produção. Nos primeiros 30 dias, a planta utiliza grande parte da energia disponível para desenvolver as raízes.

“Uma semente com vigor, bem sadia vai conseguir superar todos esses desafios”, frisa Adalberto. Segundo ele, o sistema radicular desenvolvido nessa fase pode contribuir para que a planta tenha condições de enfrentar períodos posteriores de menor disponibilidade de água.

Esse desenvolvimento também depende das características do solo onde a semente será implantada. A compactação e a drenagem estão entre os aspectos que precisam ser considerados no estabelecimento da lavoura. “Então é importante também que o solo tenha características que não esteja compactado, tenha uma capacidade de drenagem”, explica Adalberto.

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Essas condições favorecem o desenvolvimento inicial e podem contribuir para uma emergência mais uniforme. A regularidade da emergência tem reflexos sobre a condução das operações agrícolas, o aproveitamento dos insumos e o planejamento do manejo.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Testes avaliam a qualidade antes da chegada ao campo

A avaliação de um lote inclui procedimentos relacionados à germinação, ao vigor, à pureza física e à sanidade. Na produção de sementes FiberMax, conforme a multinacional, o controle também contempla análises internas destinadas a verificar diferentes características do material.

Os procedimentos incluem testes de germinação em baixa temperatura, utilizados na avaliação do vigor, e de emergência em canteiro. Leonir Flach, coordenador de Qualidade de Sementes, explica que essas avaliações fazem parte do processo de certificação. “São esses testes que vão permitir que a certificação da semente seja emitida”.

O processo também envolve a verificação da integridade genética, utilizada para avaliar a pureza da tecnologia presente no lote. Além desses procedimentos, são realizadas análises sanitárias.

O conjunto de avaliações busca verificar se o material apresenta as características necessárias para ser comercializado e utilizado no campo. O controle, porém, não se restringe ao laboratório.

Durante a produção são realizados monitoramento do campo, coleta de dados e acompanhamento das condições que podem afetar o lote até sua entrega ao produtor. José Ribeiro dos Santos, gerente de Produção de Sementes da BASF, destaca a importância da rastreabilidade em todas as etapas.

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“Isso envolve todo o monitoramento, toda a rastreabilidade, do começo até a entrega da semente ao nosso cliente”, detalha José. O trabalho, frisa, é acompanhado por um agrônomo, que monitora as condições da produção e os dados coletados durante o processo.

Entre os aspectos observados estão a ocorrência de doenças e de plantas daninhas que possam representar contaminantes e a integridade da biotecnologia. O objetivo é acompanhar as condições do material e verificar os critérios de qualidade ao longo do processo.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Qualidade busca reduzir riscos no início da safra

A qualidade da semente também é relacionada à necessidade de reduzir incertezas no início do ciclo. Em um cenário de possível influência do fenômeno El Niño, a atenção ao material utilizado ganha espaço entre os fatores que podem contribuir para o estabelecimento da lavoura.

Leonir Flach considera que sementes de alto vigor podem oferecer melhores condições para enfrentar variações ambientais durante a semeadura e a fase de pré e pós-emergência. “Utilizar sementes de qualidade, principalmente no efeito em que se aproxima um possível efeito El Niño, vai ser a chave realmente para você ter maior segurança, maior previsibilidade”, afirma.

O especialista cita situações de excesso de chuva, aumento de temperatura e queda de temperatura como condições que podem desafiar o desenvolvimento inicial. Para ele, o vigor do material é um fator importante para enfrentar essas variações.

“Eu posso ter tanto um excesso de chuva, quanto também aumento de temperatura ou queda de temperatura”, explica Leonir. A resposta da planta, contudo, não depende exclusivamente da qualidade da semente, mas da interação entre o material, o solo e o ambiente de produção.

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O cenário de possível influência do El Niño acrescenta uma variável ao planejamento da próxima safra. Conforme Leonir, o vigor das sementes pode contribuir para o estabelecimento da lavoura diante de diferentes condições de temperatura e umidade, mas o desempenho também está relacionado às condições encontradas no campo.


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