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Ibrafe e USDBC alinham e cooperação internacional em prol dos feijões

Na última semana, acompanhei no interior do Paraná a visita do United States Dry Bean Council (USDBC), o conselho americano que há décadas promove o consumo de feijões nos Estados Unidos e no mundo. Vieram avaliar nossa safra de feijão-preto — um dos destaques das exportações brasileiras — e trouxeram algo ainda mais valioso: disposição para compartilhar conhecimento, ideias e experiências.
O USDBC é um exemplo global de estratégia bem-sucedida de promoção. Nos EUA, eles não apenas fortalecem as exportações, mas também estimulam o consumo interno com campanhas educativas, divulgação de receitas, informações nutricionais e parcerias locais, incluindo escolas. Trabalham lado a lado com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e governos estrangeiros para abrir mercados, organizar eventos e compartilhar conhecimento técnico. É uma política de longo prazo que valoriza o produto, gera renda para produtores e torna o Feijão um alimento presente na mesa das famílias americanas.
Esse contraste entre a abordagem americana e nossa realidade salta aos olhos. Historicamente, o agro brasileiro foi marcado pelo individualismo: cada produtor vendo o outro mais como concorrente do que como parceiro. Essa “velha escola” ainda predomina em muitos segmentos, dificultando avanços em inovação, acesso a mercados e até mesmo na adoção de práticas que poderiam beneficiar toda a cadeia produtiva.
A visita do USDBC mostrou outro caminho, mais moderno e colaborativo. Mesmo com o Brasil deixando de ser possível importador e passando a ser exportador de feijões, a entidade americana entende que há muito espaço para troca de ideias e franca colaboração.
No âmbito internacional há muito para colaborar. Se somarmos esforços em aumentar o consumo mundial ambos os países sairão ganhando.
Durante a visita, os americanos compartilharam experiências sobre campanhas educativas em escolas, que ajudam a formar o hábito do consumo de feijões desde a infância. Isso é especialmente relevante para o Brasil, que já tem um programa que teoricamente prevê o consumo de feijão e arroz nas escolas, mas carece de despertar o orgulho das crianças em consumir o feijão, criando paixão.
Por que não avançar mais? Integrar campanhas educativas, valorizar a produção local e fortalecer o vínculo entre campo e cidade pode gerar resultados sociais e econômicos relevantes. Ao aproximar produtores e consumidores, especialmente em políticas públicas de alimentação escolar, podemos criar um ciclo virtuoso que valoriza o feijão brasileiro, gera renda para agricultores familiares e melhora a segurança alimentar.
Em 2025, o Brasil esta colhendo uma safra recorde de feijão-preto e precisa ampliar suas exportações. Mas para transformar esse bom momento em estratégia de longo prazo, será necessário adotar ações coletivas para lidar com excedentes, volatilidade de preços e abertura de novos mercados. Cooperar é essencial para agregar valor, ganhar escala e conquistar novos consumidores.
Essa mudança de mentalidade exige investimento em educação. Não apenas técnica, mas também em habilidades consideradas secundárias por muito tempo: comunicação, confiança, trabalho em equipe. É preciso desmistificar o medo de compartilhar informações, mostrar as vantagens do cooperativismo e inspirar novas lideranças capazes de articular interesses coletivos.
A visita do USDBC ao Paraná foi mais do que um evento técnico ou comercial. Foi um marco simbólico dessa transição entre dois modelos. Mostrou, de forma prática, que abrir as portas para o diálogo e o intercâmbio de ideias pode acelerar a adoção de estratégias mais inovadoras no Brasil. Não se trata de copiar modelos, mas de aprender com quem já percorreu esse caminho para adaptá-lo à nossa realidade.
O futuro do agro brasileiro depende dessa capacidade de colaboração. Precisamos enxergar o potencial transformador da soma de esforços, seja para enfrentar a volatilidade dos preços, abrir novos mercados ou educar os consumidores sobre o valor nutricional e cultural do feijão. Só assim vamos consolidar nossa posição de liderança não apenas na produção, mas também na promoção do consumo e na inovação do mercado global de feijões.
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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USDA mantém estáveis as condições das safras de milho e soja nos EUA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, na segunda-feira (22), que as condições das safras de milho e soja no país permaneceram estáveis até o último domingo. Segundo o relatório semanal, 68% do milho e 66% da soja estavam em condição boa ou excelente, sem mudança em relação à semana anterior.
No milho, o USDA apontou que 68% da safra apresentava condição boa ou excelente, ante 70% um ano antes. A emergência atingiu 97% da área, em linha com o registrado na mesma época de 2025 e com a média dos cinco anos anteriores. A formação de espiga chegou a 5%, acima dos 4% de um ano antes e dos 3% da média de cinco anos.
Na soja, a semeadura foi concluída na última semana. De acordo com o USDA, 66% da safra estava em condição boa ou excelente, mesma parcela da semana anterior e também igual à observada há um ano. A emergência alcançou 93%, ante 89% em 2025 e 90% na média de cinco anos. O porcentual de lavouras em floração foi de 9%, acima dos 7% de um ano antes e dos 6% da média.
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No trigo de inverno, 26% da safra apresentava condição boa ou excelente, recuo de 1 ponto porcentual na semana e abaixo dos 49% registrados um ano antes. A colheita avançou para 40%, ante 18% no ano passado e 24% na média de cinco anos.
Para o trigo de primavera, o USDA indicou que 54% da safra estava em condição boa ou excelente, queda de 1 ponto porcentual ante a semana anterior e mesmo nível de um ano antes. O porcentual de lavouras em perfilhamento foi de 16%, contra 15% em 2025 e 16% na média de cinco anos.
No algodão, os produtores haviam semeado 92% da área prevista até o último domingo, ante 91% um ano antes e 94% na média quinquenal. A floração atingiu 27%, acima dos 25% observados tanto no ano passado quanto na média. Já a formação de maçãs estava em 5%, em linha com os dois comparativos. A parcela de lavouras em condição boa ou excelente subiu 3 pontos porcentuais na semana, para 53%, acima dos 47% de um ano antes.
O relatório semanal do USDA mostra estabilidade nas lavouras de milho e soja nos Estados Unidos, avanço no desenvolvimento das culturas de verão e continuidade da colheita do trigo de inverno, além de melhora nas condições do algodão.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Imea integra rede global e vai comparar custos de Mato Grosso com produtores dos EUA

Os custos de produção agrícola de Mato Grosso passaram a integrar uma base de dados internacional que permite a comparação direta de rentabilidade entre propriedades locais e concorrentes globais. Os primeiros indicadores enviados são do município de Querência e marcam a entrada do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) no Agri Benchmark, oficializada neste mês de junho.
A instituição mato-grossense é a segunda do Brasil a fazer parte da rede global, que centraliza análises econômicas e de sistemas de cultivo. Os números utilizados na plataforma internacional são apurados por meio do projeto de Custo de Produção Agropecuária (CPA), mantido em parceria com o Senar MT.
Para viabilizar o envio dos dados, as planilhas locais passaram por ajustes metodológicos recentes. A mudança foi necessária para alinhar o modelo de cálculo do estado aos critérios padrão adotados pelos demais países membros da rede.
Com a padronização, os analistas locais conseguem confrontar os gargalos e as vantagens competitivas da produção regional frente aos principais players do mercado exterior.
Comparação direta com o mercado americano
Segundo o coordenador de inteligência de mercado do Imea, Rodrigo da Silva, as metodologias já eram compatíveis, mas o alinhamento agora permite que o estado fale a mesma linguagem de instituições de diversos países. Ele pontua que isso viabiliza análises mais precisas sobre competitividade e rentabilidade.
Na prática, o intercâmbio de dados permite avaliar a diferença real de custos operacionais entre as regiões produtoras brasileiras e os principais competidores globais.
Silva exemplifica que o sistema possibilita balizar o cenário local diretamente com a realidade norte-americana. “Agora podemos comparar, por exemplo, a competitividade de um produtor de Querência com a de um produtor do Mississippi, nos Estados Unidos, utilizando exatamente os mesmos critérios de análise”, destacou.
Acesso a dados de concorrentes estrangeiros
A contrapartida da adesão é a abertura do banco de dados dos demais países membros para os analistas do estado. No último encontro do grupo, em Budapeste, na Hungria, foram compartilhados relatórios de custos de produção de grãos, mercado de etanol e novos métodos de cultivo adotados no exterior.
Criado em 2006, o Agri Benchmark funciona como uma plataforma de comparação internacional de desempenho e custos. O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, avalia que o ingresso leva dados regionais para um ambiente global de discussão. Para ele, o processo “demonstra a credibilidade dos nossos levantamentos e reforça o protagonismo do estado no cenário agrícola internacional”.
O cruzamento de dados deve ser utilizado para identificar oscilações de margens de lucro e concorrência no exterior antes que elas impactem o mercado local.
Gauer conclui que o acesso a informações de diversas regiões produtoras do mundo “amplia nossa capacidade de análise, permite identificar tendências e fortalece ainda mais a qualidade dos estudos que entregamos”.
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Brasil concentra 78% das agtechs da América Latina, aponta levantamento inédito da Embrapa

O Brasil abriga quase oito em cada dez startups voltadas ao agronegócio da América Latina e do Caribe. É o que revela a primeira edição do Radar Agtech América Latina e Caribe (LAC), levantamento coordenado pela Embrapa que identificou 2.656 agtechs em 23 países da região. Desse total, 2.075 estão no Brasil, o equivalente a 78% das empresas mapeadas.
O estudo será lançado nesta terça-feira (23), durante o World Agri-Tech South America Summit, em São Paulo, e estará disponível gratuitamente em português, espanhol e inglês.
Realizado em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Homo Ludens e SP Ventures, o levantamento amplia a metodologia utilizada pelo Radar Agtech Brasil e, pela primeira vez, analisa o ecossistema de inovação agropecuária em toda a América Latina e o Caribe.
Além da liderança brasileira, o levantamento mostra que Argentina (158 agtechs), México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74) aparecem na sequência entre os países com maior número de startups do setor.
Segundo o analista da Embrapa Agricultura Digital e um dos autores do estudo, Aurélio Favarin, os resultados mostram que o ecossistema regional está em processo de consolidação.
“Os dados demonstram que a América Latina e o Caribe estão passando por um processo consistente de amadurecimento do ecossistema de inovação agropecuária”, afirma.
Apesar disso, o estudo aponta que dez dos 33 países da América Latina e do Caribe não registraram nenhuma agtech. De acordo com os pesquisadores, fatores como pequena extensão territorial, baixa população, reduzida atividade agropecuária e limitações na obtenção de dados ajudam a explicar esse cenário.
Soluções digitais dominam o setor
Pela primeira vez, o Radar também identificou as cadeias produtivas atendidas pelas startups da região.
A maioria das empresas atua em múltiplos segmentos do agro. Entre as cadeias específicas, os cultivos agrícolas concentram o maior número de startups, com 751 empresas, seguidos pela pecuária de corte (136), horticultura e fruticultura (88) e silvicultura (84).
O estudo mostra ainda que as soluções digitais são o principal foco das agtechs latino-americanas.
Ao todo, 1.404 startups oferecem tecnologias como softwares de gestão, sensores, drones, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao agronegócio. Em seguida aparecem as soluções físico-químicas (403) e biológicas (374).
Tecnologias estão concentradas “dentro da porteira”
Outra conclusão do levantamento é que a maior parte das startups desenvolve soluções voltadas para o ambiente produtivo, ou seja, “dentro da porteira”.
As tecnologias são direcionadas principalmente para aumentar a eficiência operacional, melhorar a gestão das propriedades rurais, apoiar o monitoramento das lavouras e rebanhos e auxiliar a tomada de decisão dos produtores.
Para o coordenador de Digitalização Agroalimentar do IICA, Federico Bert, o levantamento servirá como referência para fortalecer o ecossistema de inovação em toda a região.
Segundo ele, conhecer o estágio de desenvolvimento das agtechs é fundamental para estimular investimentos, criar conexões entre os países e acelerar a adoção de novas tecnologias no agronegócio latino-americano.
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