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18 de agosto de 2026

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EUA entram no conflito e disparada de custos pode ‘engolir’ lucros de soja

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O mercado de soja iniciou a semana em clima de expectativa, diante dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Segundo a plataforma Grão Direto, o ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã provocou resposta imediata: o país anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural liquefeito do mundo. A medida elevou a volatilidade do petróleo e trouxe novos desafios para o agronegócio.

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No Brasil, o produtor rural pode sentir os impactos já nos próximos dias, principalmente nos preços dos fertilizantes nitrogenados, amplamente utilizados na produção agrícola. O Irã é um dos principais exportadores desse insumo, com cerca de 5 milhões de toneladas exportadas por ano. Com a escalada da tensão geopolítica, o risco logístico aumenta e o mercado projeta alta nos custos de produção.

A análise ressalta que “a preocupação maior está nos fertilizantes nitrogenados, que já vinham em trajetória de recuperação desde maio”. A possibilidade de novos reajustes eleva o alerta no setor, especialmente em um momento de planejamento da próxima safra.

No campo econômico, o Copom elevou a taxa Selic para 15% na última quarta-feira (18). Em um cenário isolado, isso favoreceria o real frente ao dólar, atraindo capital estrangeiro. No entanto, as incertezas globais, intensificadas pelo conflito no Oriente Médio, têm levado investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro americano, pressionando o dólar para cima.

Mesmo assim, na semana passada, o câmbio encerrou em R$ 5,52, com queda de 0,36%, nas mínimas dos últimos 10 meses. Já em Chicago, o contrato de soja para julho de 2025 recuou 0,09%, a US$ 10,67 por bushel. O contrato de março de 2026 teve leve alta, fechando a US$ 10,85 por bushel.

No Brasil, os preços físicos seguiram em queda, com recuos registrados em grande parte das regiões. A colheita avança com tempo firme, especialmente no centro-norte, e o clima segue positivo também nos Estados Unidos, apesar de chuvas pontuais.

Para os próximos dias, o viés é de alta no mercado internacional, puxado por Chicago. Mas a recomendação da análise é clara: “o produtor deve observar com cautela, pois o avanço nos custos pode anular qualquer possível ganho de preço”.

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Primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos é registrado para soja

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Foto: Carina Gomes/Embrapa

O registro comercial do primeiro fungicida 100% à base de metabólitos desenvolvido no país acaba de ser anunciado pela Bioma.

A categoria desse tipo de defensivo baseada estritamente no tipo de molécula isolada era dominada por soluções estrangeiras, mesmo com o país tendo avançado no desenvolvimento de produtos microbiológicos formulados com fungos e bactérias vivos.

A tecnologia nacional, batizada de Metabolic Protection, foi registrada para o manejo da antracnose, causada por Colletotrichum truncatum, e da mancha-alvo, provocada por Corynespora cassiicola, duas das principais doenças da soja.

O novo produto é resultado de cinco anos de pesquisas conduzidas dentro da Cogny, maior ecossistema de bioinsumos do mundo. Já a concepção científica e tecnológica foi liderada pela Orygen, empresa de Pesquisa & Desenvolvimento do grupo.

A Bioma, por sua vez, conduziu a estratégia de desenvolvimento, registro e disponibilização da solução ao mercado, prevista para começar em breve, sem data oficial anunciada até o momento.

Mercado bilionário

Os fungicidas movimentaram cerca de US$ 6,5 bilhões no Brasil em 2025, representando 32% dos US$ 20,2 bilhões registrados pelo mercado de defensivos agrícolas, conforme levantamento da Kynetec Brasil divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

A categoria respondeu ainda por 466 mil toneladas, ou 26% do volume total de 1,79 milhão de toneladas de produtos aplicados nas lavouras brasileiras.

Entre os biológicos, os biofungicidas foram a categoria com maior expansão em valor em 2025. O faturamento avançou 41% e atingiu R$ 1,4 bilhão, enquanto a área tratada alcançou 26 milhões de hectares, crescimento de 37% sobre o ano anterior, de acordo com o CropData, plataforma da CropLife Brasil.

Para o diretor de Pesquisa da Orygen, Artur Soares, o registro da nova tecnologia demonstra a capacidade da ciência brasileira de desenvolver tecnologias inéditas e transformá-las em soluções de alto impacto para o produtor rural.

Ele salienta que a inovação chega ao campo em um ambiente internacional pressionado por conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e incertezas nas cadeias de abastecimento. Entre janeiro e maio de 2026, as importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões, segundo o CropData, volume que reforça a exposição da agricultura nacional ao mercado externo.

Formulado com blend de 40 metabólitos

O novo fungicida utiliza uma metodologia proprietária capaz de estimular a expressão de genes específicos dos microrganismos responsáveis pela produção dos compostos de interesse agronômico. Com isso, o processo resulta em um blend formado por cerca de 40 metabólitos.

Segundo a Bioma, mais de 20 deles apresentam ação direta contra os fungos, enquanto outros 17 induzem os mecanismos naturais de defesa da planta.

“A combinação de diferentes moléculas e mecanismos de ação responde a um dos principais desafios do manejo fitossanitário da soja, que é a perda gradual de eficácia de parte dos fungicidas químicos em razão da resistência desenvolvida pelos patógenos após aplicações sucessivas de produtos com mecanismos semelhantes”, diz Soares.

Segundo o pesquisador, antracnose e mancha-alvo estão entre as doenças foliares mais relevantes da cultura e podem provocar perdas de produtividade de até 40% em cultivares suscetíveis e sob condições favoráveis à disseminação dos fungos.

A pesquisa mostrou que a incorporação de moléculas de origem biológica aos programas convencionais amplia a diversidade de mecanismos utilizados contra os patógenos e contribui para reduzir a pressão de seleção sobre eles.

Ao longo dos cinco anos de pesquisa, o biofungicida foi avaliado em mais de 50 regiões produtoras do Brasil, sob diferentes condições climáticas, sistemas de manejo e níveis de pressão das doenças.

Soares pontua que os testes analisaram tanto a eficiência no controle dos patógenos quanto a integração da tecnologia aos programas já utilizados pelos agricultores.

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Milho: oferta elevada limita preços, mas demanda e exportações dão suporte

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

A oferta elevada de milho continua pressionando as cotações no mercado brasileiro, com a entrada da segunda safra aumentando a disponibilidade do cereal. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica e o mercado externo ajudam a limitar perdas. O cenário é apontado pela Grão Direto, por meio da plataforma de Inteligência de Mercado Grainsights.

Segundo a análise, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa para a produção total de milho para 143 milhões de toneladas, sendo cerca de 111 milhões de toneladas da segunda safra. Com maior disponibilidade e estoques elevados, compradores têm menos necessidade de disputar lotes, mantendo pressão sobre os preços em importantes regiões produtoras.

Demanda interna limita pressão

Apesar da oferta confortável, o consumo doméstico segue absorvendo volumes relevantes. A Conab elevou a estimativa de demanda interna para 95 milhões de toneladas, com destaque para as indústrias de proteína animal e o setor de etanol de milho.

Na avaliação da Grão Direto, esse consumo ajuda a equilibrar parte da pressão provocada pela entrada da safrinha e explica as diferenças de comportamento entre as regiões. Mesmo com bastante milho disponível, as cotações não recuam na mesma intensidade em todas as praças.

Nos portos, a valorização do dólar trouxe alguma melhora às referências de exportação durante a semana. O escoamento externo é importante para retirar parte do excedente da segunda safra, mas ainda não foi suficiente para provocar uma recuperação generalizada dos preços.

Com isso, logística e distância dos portos continuam sendo fatores importantes para a formação das cotações no mercado físico.

Milho sobe em Chicago e na B3

De acordo com a Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 4,56%.

No Brasil, o contrato de mesma referência na B3 também avançou e fechou a semana a R$ 70,20 por saca, com valorização de 2,01%.

No mercado físico, a região Norte de Mato Grosso terminou a semana com referência de R$ 44,54 por saca.

Colheita da safrinha entra no radar

Para os próximos dias, o ritmo da colheita da segunda safra será um dos principais pontos de atenção. Segundo a análise da Grão Direto, menos de 80% da área havia sido colhida no país, abaixo da média histórica de 85%.

No Paraná e na Região Sul, o excesso de chuvas e a elevada umidade têm atrasado os trabalhos. Também há relatos de ocorrência de milho ardido e aplicação de descontos por qualidade, o que reduz a disponibilidade de lotes de padrão superior no mercado físico.

Esse cenário pode contribuir para sustentar os preços em algumas regiões, mesmo diante da oferta elevada projetada para a safra brasileira.

Estoques globais dão suporte ao mercado

No exterior, a revisão dos estoques globais promovida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também trouxe suporte às cotações. A estimativa indica recuo de 8% em relação à safra passada.

Diante disso, o mercado deve acompanhar nos próximos dias o fluxo de embarques nos portos brasileiros, que começa a ganhar força em agosto, além da evolução do clima no Corn Belt, principal região produtora de milho dos Estados Unidos.

Demanda segue como fator de sustentação

A demanda das indústrias de proteína animal e do setor de etanol de milho permanece aquecida e ajuda a sustentar as cotações regionais.

Para o produtor, a recomendação da Grão Direto é acompanhar também os custos de logística rodoviária e armazenagem. Momentos de estabilidade e de alta no mercado futuro podem abrir oportunidades para garantir margens e reduzir a exposição às oscilações de preços.

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Fertilizante mineral com aditivo biológico melhora altura, enxofre e fósforo de cultivos

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Foto: Paloma Barros Dias

O efeito no solo da aplicação de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico foi avaliado por pesquisadores do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Esalq/USP.

Os experimentos mostraram que o tratamento melhora o desenvolvimento das plantas, especialmente em solo sob rotação de culturas, com incrementos na altura, na biomassa e nos teores de fósforo e enxofre, favorecendo também atributos biológicos do solo, como a atividade microbiana.

Desenvolvido pela bióloga Paloma Barros Dias, com orientação do professor Fernando Dini Andreote, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, o estudo considera a necessidade de desenvolver estratégias agrícolas mais sustentáveis frente aos desafios globais relacionados à produção de alimentos e à conservação ambiental.

“Embora os fertilizantes minerais sejam fundamentais para a produtividade agrícola, seu uso intensivo pode impactar negativamente a biodiversidade microbiana e comprometer funções ecológicas essenciais do solo, como decomposição de matéria orgânica, supressão de patógenos e fixação biológica de nitrogênio”, afirma a pesquisadora.

Milho em casa de vegetação

Procurando preencher as lacunas sobre como esses produtos influenciam as comunidades microbianas e a funcionalidade ecológica do solo em diferentes condições de manejo e níveis de biodiversidade, o estudo desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Solo da Esalq foi dividido em dois experimentos principais conduzidos com a cultura do milho por 45 dias em casa de vegetação.

No primeiro experimento, foram utilizados solos com diferentes históricos de manejo: mata nativa, pastagem, rotação de culturas e manejo convencional para avaliar como comunidades microbianas distintas respondem à aplicação do fertilizante mineral convencional e do fertilizante associado ao aditivo biológico.

No segundo experimento, foram selecionados dois solos contrastantes do experimento 1 (convencional e mata nativa) onde foi aplicada a metodologia de “diluição para extinção”, técnica que reduz gradualmente a biodiversidade microbiana do solo.

“Essa abordagem permitiu investigar como diferentes níveis de diversidade influenciam a funcionalidade do solo e a resposta das plantas aos tratamentos”, diz a bióloga.

Segundo ela, as análises incluíram avaliações agronômicas, químicas, microbiológicas e moleculares, com destaque para o sequenciamento das comunidades bacterianas e fúngicas do solo (16S rRNA e ITS), além de análises ecológicas, Random Forest e redes microbianas para compreender as interações entre os microrganismos.

Melhor desenvolvimento das plantas

Os resultados mostraram que o histórico de uso e manejo do solo influenciou fortemente os atributos químicos e biológicos do solo, a estrutura das comunidades microbianas e a resposta das plantas aos fertilizantes.

“Solos mais conservados, como mata nativa e rotação de culturas, apresentaram maior diversidade microbiana, maior atividade biológica e respostas mais positivas aos tratamentos em comparação aos solos de pastagem e manejo convencional”, apontou Paloma.

Além disso, a aplicação do fertilizante mineral, associado ao aditivo biológico, promoveu melhorias no desenvolvimento das plantas, especialmente em solo sob rotação de culturas, com incrementos de até 14,5% na biomassa da parte aérea, 7,15% na altura das plantas e aumentos nos teores de fósforo e enxofre.

“Os tratamentos também favoreceram atributos biológicos do solo, como atividade enzimática, atividade microbiana e maior conectividade das redes ecológicas”, ressalta a bióloga.

Para ela, o trabalho destaca a importância da biodiversidade microbiana como componente central da qualidade e sustentabilidade dos solos agrícolas. “Os resultados reforçam que a eficiência de tecnologias biológicas não depende apenas do produto aplicado, mas também do contexto ecológico do solo, incluindo seu histórico de manejo e a conservação da microbiota nativa.”

Segundo Paloma, a pesquisa também evidencia a relevância de integrar práticas conservacionistas, como rotação de culturas, manutenção da matéria orgânica e redução de distúrbios no solo, ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura sustentável.

A bióloga reforça que os resultados podem auxiliar empresas do setor de fertilizantes e tecnologias biológicas no desenvolvimento de produtos mais eficientes e alinhados às demandas atuais por sustentabilidade e produtividade.

“Além disso, a pesquisa contribui para discussões relacionadas à regulamentação e validação de tecnologias biológicas aplicadas à agricultura, especialmente no contexto de produtos classificados como aditivos biológicos”, finaliza.

A pesquisa é descrita na dissertação de mestrado Efeitos de aditivo biológico em fertilizante mineral e sua relação com a biodiversidade do solo e está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP neste link.

Reportagem publicada no Jornal da USP. Texto: Caio Albuquerque

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