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15 de outubro de 2026

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El Niño aumenta cautela de produtores de algodão para safra 2026/27

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A possibilidade de um El Niño com impactos sobre o regime de chuvas coloca o clima entre os principais pontos de atenção para a safra 2026/27. Em Mato Grosso, onde o algodão é cultivado majoritariamente em segunda safra, o comportamento das precipitações durante o plantio da soja pode definir o espaço disponível para a fibra.

O cenário exige decisões antecipadas. A soja abre o calendário e, depois dela, entram culturas como milho e algodão. Qualquer atraso na primeira etapa pode reduzir a janela das lavouras seguintes, aumentando a exposição a períodos de menor umidade justamente em uma fase em que a fibra e o cereal precisam de condições adequadas para completar o ciclo.

Para o produtor rural, a preocupação não está apenas na ocorrência de um período seco, mas também no momento em que ele pode aparecer. Com custos de produção elevados e margens mais apertadas, estabelecer uma lavoura sem segurança sobre a umidade disponível representa um risco maior.

Em Lucas do Rio Verde, o produtor Tiago Cinpak conta que o plantio da soja começou primeiro na área irrigada da propriedade, aproveitando as chuvas registradas nos dias 7 e 8 de setembro. A decisão considera justamente a necessidade de trabalhar com a umidade disponível e evitar perdas no estabelecimento da cultura.

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“Quando se tem um fenômeno que altera isso, a cautela é maior”, afirma Cinpak. Segundo ele, o produtor tende a esperar uma condição de umidade mais favorável para iniciar o plantio, principalmente porque uma falha na germinação representa um impacto significativo em um cenário de custos elevados.

Algodão depende da janela da soja

Para o algodão, a margem de decisão é mais estreita. Cinpak calcula que a soja precisaria ser plantada até aproximadamente 10 de outubro para que a implantação do algodão em janeiro de 2027 ocorra dentro de uma janela considerada adequada.

O milho apresenta um pouco mais de folga, com possibilidade de plantio até aproximadamente 20 de fevereiro em anos considerados normais. Mesmo assim, a permanência das chuvas é fundamental para que a cultura consiga completar o ciclo.

No algodão, porém, existe uma disposição maior para assumir riscos. O produtor explica que o cotonicultor pode optar por colocar a semente no solo mesmo diante de uma condição menos segura, buscando aproveitar uma janela que permita alcançar uma produção mais favorável.

“Apesar de ser segunda safra, é a principal safra do cotonicultor”, destaca Cinpak ao Canal Rural Mato Grosso. Para ele, a importância da cultura na formação de renda faz com que o produtor tenha de equilibrar o risco climático com a necessidade de manter o algodão no planejamento da propriedade.

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A preocupação com a janela também está relacionada ao comportamento esperado do clima nos meses seguintes. As previsões mencionadas por especialistas em meteorologia indicam possibilidade de veranicos, mas esperar pela confirmação desse cenário não é uma alternativa para quem precisa organizar o calendário agrícola.

A estratégia passa, então, pelo acompanhamento das condições de umidade e pela escolha do momento de implantação de cada cultura. “De maneira geral o produtor está sempre olhando para o céu. Isso já é inerente da atividade. O produtor não tem muito como se proteger disso”, pontua Cinpak.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Genética entra como ferramenta de manejo

A instabilidade climática também muda a atenção sobre as características dos materiais utilizados no campo. Com uma janela potencialmente mais apertada, variedades de ciclo mais curto podem ajudar a antecipar a colheita e reduzir o período de exposição da lavoura às condições adversas.

É justamente nesse ponto que a genética aparece como uma das ferramentas disponíveis ao produtor. Jeferson Andrade, diretor comercial da Polato Sementes, explica que materiais adaptados e mais rústicos podem contribuir para reduzir parte do risco provocado pelas oscilações climáticas.

“Trazer produtos com genética mais adaptadas, materiais de ciclo mais curto, para você conseguir trazer sua janela de colheita mais cedo, são ferramentas muito importantes hoje no manejo do produtor, para mitigar um pouco de risco”, afirma Andrade. Ele também cita materiais com maior rusticidade, capazes de suportar períodos de estresse por mais tempo.

A escolha, portanto, precisa considerar não apenas o potencial produtivo, mas também o ambiente em que a lavoura será conduzida. Quanto menor a janela disponível, maior tende a ser a importância de selecionar materiais compatíveis com o período de plantio e com as condições esperadas para o fim do ciclo.

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No melhoramento genético, uma das frentes apresentadas pelo setor da tecnologia, conforme Alexandre Santaella, gerente de marketing de algodão da BASF, envolve materiais com maior capacidade de enraizamento e resistência a nematoides. A proposta é conferir maior rusticidade às plantas e ampliar a capacidade de buscar água em profundidade.

Outra frente está justamente na redução do ciclo. Segundo Santaella, materiais que anteriormente chegavam a cerca de 200 dias já deram lugar a variedades com aproximadamente 160 dias, mantendo características de produtividade e qualidade de fibra.

Clima também muda pressão de pragas

A preocupação com o El Niño não termina na implantação das lavouras, alertam os especialistas. As condições de temperatura e umidade ao longo do ciclo também podem interferir na pressão de pragas, acrescentando outro ponto de atenção ao manejo do algodão.

Santaella chama atenção especialmente para as chamadas pragas sugadoras. Em períodos de temperaturas médias mais elevadas, o ciclo desses insetos pode ser reduzido, aumentando a velocidade de desenvolvimento e a intensidade dos ataques.

Entre os problemas citados está a mosca-branca, cuja pressão, frisa ele, tem aumentado tanto na soja quanto no algodão. “É um ponto de atenção”, resume Alexandre Santaella, gerente de marketing de algodão da BASF, ao citar a necessidade de planejamento para o controle da praga.

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A indústria também trabalha no desenvolvimento de novas moléculas e soluções de manejo para acompanhar esse cenário. A busca inclui produtos capazes de contribuir para a rotação de ativos, reduzir doses por hectare e ampliar a eficiência do controle de pragas.

A lógica é combinar diferentes ferramentas, em vez de depender de uma única estratégia. Para o produtor, isso significa considerar clima, material genético e manejo como partes de uma mesma decisão, principalmente em uma safra marcada por maior incerteza.

algodão colheita lavoura foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia para atravessar a instabilidade

A expectativa de mudanças no regime de chuvas também é acompanhada pelas empresas que atuam no desenvolvimento de tecnologias para o campo. O objetivo é antecipar soluções que possam ser utilizadas diante de diferentes condições climáticas, desde períodos de seca até situações de excesso de chuva.

Gustavo Piccoli, presidente da Associação dos Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), avaliou que a preocupação com o clima é compartilhada por toda a cadeia, mas observou que a chegada das chuvas e o início do plantio da soja em Mato Grosso trazem algum alívio para o setor.

Cerca de 80% do algodão brasileiro é produzido em segunda safra, depois da soja. Para a próxima temporada, Piccoli projeta aumento de 8% a 10% na área cultivada e afirma que a expectativa é produzir o mesmo volume ou mais do que na safra atual.

“Temos a preocupação do El Niño, mas sabemos que com toda a tecnologia que usamos, a gente vai se sair bem de mais desse problema”, afirma Piccoli. A avaliação considera também a existência de demanda internacional para absorver a produção projetada.

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Fernando Prudente, diretor de Negócios do Algodão da Bayer, lembra que ainda existem dúvidas sobre a intensidade do El Niño esperado para a safra. Ao mesmo tempo, ele destaca que a agricultura atual conta com ferramentas diferentes das disponíveis em ciclos anteriores.

“Hoje nós temos um grande benefício. A agricultura evoluiu bastante. A agricultura, o agricultor hoje ele tem um solo muito mais bem parado do que tinha há 10 anos, 15 anos atrás”, pontua Prudente. Na avaliação dele, a melhoria das condições do solo e o avanço das práticas agrícolas podem ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual estiagem.

Planejamento ganha peso na safra

Diante da possibilidade de períodos de instabilidade, a recomendação apresentada por especialistas, entidades e pelas empresas é trabalhar com as ferramentas disponíveis desde o planejamento da lavoura. Isso inclui definir materiais de acordo com a janela, preparar o manejo de pragas e considerar as condições do solo.

Para Prudente, reduzir o investimento em tecnologia justamente em um ano de maior risco pode deixar a planta ainda mais exposta. “Use a tecnologia que tem disponível”, recomenda.

A orientação considera que uma planta bem nutrida e protegida apresenta melhores condições para enfrentar períodos de falta ou excesso de chuva. A tecnologia, nesse caso, não elimina o risco climático, mas busca ampliar a capacidade de resposta da lavoura.

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No campo, porém, a primeira decisão continua ligada ao comportamento das chuvas. Para o produtor, não é possível esperar até que todas as previsões estejam confirmadas: a soja precisa ser plantada, e dela depende a janela das culturas de segunda safra.

É nesse equilíbrio entre o momento de plantar, a escolha dos materiais e a preparação do manejo que produtores e empresas concentram as estratégias para a safra 2026/27. O clima continua fora do controle de quem produz, mas as decisões tomadas antes da instalação do algodão podem definir quanto desse risco será incorporado ao ciclo.


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Milho e sorgo: pesquisa busca mais produtividade e resistência ao clima

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O Brasil tem potencial para ampliar a produtividade do milho e fortalecer o cultivo do sorgo com o apoio de tecnologias voltadas à resistência climática, ao aproveitamento da água e à melhoria das condições do solo. Os desafios relacionados ao calor e à irregularidade das chuvas, porém, seguem limitando o desempenho das lavouras.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Vinícius Pereira Guimarães, avalia que o país dispõe de genética e tecnologias capazes de elevar os patamares produtivos. Nos últimos levantamentos, entretanto, milho e sorgo registraram pequenas reduções de produtividade por área, associadas principalmente aos desafios climáticos.

“Temos condições, temos tecnologia disponível para isso”, afirma o pesquisador ao programa Direto ao Ponto, ao destacar que o avanço da produção depende também da capacidade de enfrentar as adversidades climáticas.

Segundo o especialista, o Brasil pode alcançar resultados próximos aos registrados nos Estados Unidos, especialmente nas regiões com capacidade de irrigação. Nas áreas de sequeiro, a dependência das chuvas aumenta a exposição das lavouras aos períodos de estiagem.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Genética e manejo do solo são estratégias para enfrentar a seca

A pesquisa trabalha no desenvolvimento de materiais genéticos mais tolerantes ao calor e ao estresse hídrico. Entre as ferramentas utilizadas estão a edição gênica e outras tecnologias de melhoramento, que buscam ampliar a resiliência das plantas diante de condições adversas.

Outra frente envolve o uso de bioinsumos para melhorar a capacidade das culturas de suportar períodos de calor e baixa disponibilidade de água. A combinação dessas soluções pode contribuir para aumentar a eficiência do uso da umidade presente no solo.

O manejo da terra também é determinante para expressar o potencial produtivo das lavouras. A manutenção da matéria orgânica, o desenvolvimento das raízes e a formação de palhada ajudam a conservar a água e melhorar as condições para o crescimento das plantas.

“O solo é a maior infraestrutura”, ressalta Guimarães ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Para ele, a qualidade do solo deve ser tratada como base da produção agrícola, com práticas que favoreçam a permanência da água e o aproveitamento do potencial genético das culturas. “Quando a gente começa a pensar em produção agrícola, o produtor precisa ter o solo como a sua base, como seu alicerce”.

Sorgo amplia espaço diante dos desafios climáticos

O sorgo também ganha relevância como alternativa para regiões em que as condições de plantio do milho se tornam mais desafiadoras. A cultura apresenta maior tolerância à disponibilidade limitada de água e pode atender diferentes mercados, como alimentação animal, silagem, pastejo, alimentação humana e produção de etanol.

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De acordo com Guimarães, a área cultivada com sorgo cresceu 32,9% na safra anterior, enquanto a produção aumentou 20% em relação ao ciclo precedente. O avanço reflete, conforme ele, uma mudança na percepção dos produtores sobre o potencial econômico da cultura.

“Hoje o sorgo tem mercado. O sorgo é demandante, ele tem mais tolerante a condições hídricas”, pontua o pesquisador, ao apontar que a cultura pode apresentar desempenho favorável em situações nas quais o milho enfrenta maiores limitações.

O planejamento da semeadura continua sendo essencial para aproveitar essa oportunidade. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é uma das ferramentas que auxiliam os produtores na definição das janelas de plantio mais adequadas às condições de cada região, salienta.

El Niño exige atenção ao planejamento das lavouras

As preocupações em torno dos possíveis efeitos do El Niño na temporada 2026/27 são acompanhadas pela Embrapa em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que juntos elaboraram um documento com 164 medidas para orientar os produtores no gerenciamento dos riscos climáticos.

As recomendações consideram que os impactos não serão iguais em todas as regiões. Segundo Guimarães, Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba podem enfrentar condições mais desafiadoras de calor e seca, enquanto o Sul do país está sujeito a episódios de excesso de chuva e tempestades.

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Nesse cenário, o acompanhamento das previsões meteorológicas, o uso do Zarc e o planejamento da janela de plantio ganham importância para reduzir a exposição das lavouras às condições adversas.

A nota técnica com as orientações está disponível no site da Embrapa. Para o pesquisador, a adoção das ferramentas de manejo e o monitoramento das condições climáticas serão fundamentais para que os produtores tomem decisões mais assertivas ao longo das próximas safras.

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Café tem segundo maior início de safra da história nas exportações

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As exportações brasileiras de café atingiram o segundo maior volume para o primeiro trimestre de uma safra desde 1990, início da série histórica do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os embarques totais, incluindo café verde, torrado e solúvel, somaram 11,2 milhões de sacas de 60 kg entre julho e setembro, alta de 15,5% frente ao mesmo período de 2025/26.

O desempenho trimestral foi impulsionado principalmente pela espécie robusta, com os embarques somando 2,6 milhões de sacas de julho a setembro, expressivo avanço de 66,6% sobre a temporada anterior.

O Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) avalia que o que sustentou as vendas foi a grande disponibilidade do grão e a demanda aquecida, cenário que já vinha melhorando desde que os Estados Unidos retiraram as tarifas extras sobre o café solúvel, em junho.

Para o arábica, o ritmo também segue positivo. No trimestre, os embarques somaram 7,6 milhões de sacas, alta de 4,2% frente a 2025/26. Em setembro, porém, as exportações somaram 2,8 milhões de sacas, retrações de 6,5% em relação a agosto e de 7,1% frente a setembro do ano passado.

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Apesar disso, o Cepea alerta para as dificuldades da safra atual: produtores mais capitalizados limitam as vendas para quando precisam de caixa, enquanto os problemas de qualidade relatados por colaboradores do Centro de Estudos reduzem a oferta de lotes dentro do padrão exigido pelos importadores.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Falhas na energia travam irrigação e expansão do agro em Gaúcha do Norte

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A qualidade do fornecimento de energia elétrica se tornou um dos principais entraves à expansão do agronegócio em Gaúcha do Norte, em Mato Grosso. As oscilações na rede comprometem o funcionamento de pivôs de irrigação e secadores de grãos, elevam os custos de produção e dificultam novos investimentos em armazenagem, em um município com potencial para ampliar significativamente a área agrícola.

A energia que abastece Gaúcha do Norte vem de Paranatinga, e a estrutura existente já não atende plenamente à demanda do setor produtivo. A deficiência afeta propriedades rurais de diferentes tamanhos e obriga parte dos produtores a recorrer à geração própria para manter as operações.

O problema ocorre em um cenário de expansão das lavouras de soja, algodão e milho. Atualmente, o município planta cerca de 250 mil hectares, mas a área pode ultrapassar 400 mil hectares, conforme estimativa apresentada pela prefeitura. Para aproveitar esse potencial, o setor produtivo aponta a necessidade de reforçar a infraestrutura elétrica.

O impacto também chega à armazenagem. Segundo representantes do setor rural, o custo de secar grãos com motores a diesel já levou ao fechamento de um armazém, reduzindo a capacidade de atendimento à produção local.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oscilações elevam custos e prejudicam a irrigação

Nas propriedades rurais, as falhas no fornecimento provocam interrupções frequentes e podem danificar equipamentos. O produtor Adalberto Grando relata que as oscilações de tensão afetam os sistemas de irrigação e os secadores, exigindo manutenção e substituição de componentes ao longo da safra.

“A parte irrigada é difícil você passar um ciclo de irrigação sem ter uma troca de um relê, de um disjuntor. Oscila, a tensão oscila muito”, afirma ao Patrulheiro Agro.

Segundo Grando, as falhas também comprometem o funcionamento dos secadores durante a operação e podem interromper a irrigação sem que o problema seja percebido imediatamente. Mesmo com uma usina solar instalada para atender parte da demanda, o produtor gasta entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês com energia destinada à irrigação.

O produtor afirma também que a infraestrutura necessária para levar energia até a propriedade exigiu investimentos próprios, mas a qualidade do fornecimento continua sendo um problema. Ele ressalta que a equipe local da concessionária atende às solicitações, mas aponta a subestação como um dos pontos que precisam ser melhorados.

A situação também limita o aproveitamento dos equipamentos instalados. Para evitar danos provocados pelas oscilações, Grando relata que, em determinados períodos, os painéis dos pivôs são retirados e guardados, o que acrescenta dificuldades à operação.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Falta de energia limita armazenagem e novas safras

A deficiência na rede elétrica também afeta a capacidade de recebimento e secagem da produção. De acordo com Valdomiro Schulz, presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, o custo de operar equipamentos com motores a diesel inviabilizou a atividade de um armazém no município.

“Até um armazém já fechou por falta de energia porque o custo para fazer a secagem de grãos a motor a diesel se torna muito alto”, conta Schulz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Atualmente, o município conta com apenas duas empresas de armazenagem, de acordo com o representante do sindicato. A instalação de novas unidades é considerada importante para ampliar a capacidade de recebimento e permitir que os produtores organizem melhor o calendário agrícola.

Com mais armazéns disponíveis, seria possível acelerar o plantio da soja e antecipar a colheita, favorecendo a janela para a semeadura do milho de segunda safra, destaca o setor produtivo. A limitação da infraestrutura, portanto, interfere não apenas na operação das propriedades, mas também no planejamento de toda a produção.

A prefeitura também aponta dificuldades no atendimento às fazendas. Segundo Davi Ismael Widmann, gerente do Índice de Participação dos Municípios (IPM), um levantamento realizado em conjunto com uma empresa identificou que, entre 35 propriedades analisadas, apenas uma tinha atendimento integral às necessidades de energia, conforme os dados apresentados.

Widmann comenta ainda que propriedades rurais chegam a consumir 700 litros de óleo diesel por dia no pico da colheita para gerar a própria energia. O cenário, segundo ele, prejudica diferentes atividades agrícolas, incluindo a produção de algodão e milho, além da soja. “O nosso município está muito carente. E não é só soja, produção de algodão também. Já somos o terceiro maior produtor da região e um dos maiores produtores de milho segunda safra da região também”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Irrigação pode ampliar produtividade

A expansão da irrigação é outra frente diretamente condicionada à melhoria do fornecimento elétrico. A propriedade de Adalberto Grando possui outorga de água para irrigar 1.260 hectares, dos quais 520 hectares já contam com o sistema instalado. Outros 740 hectares poderão ser incorporados à estrutura.

O potencial de ampliação é significativo porque a irrigação permite maior controle sobre o fornecimento de água às lavouras e pode favorecer a realização de mais de um ciclo produtivo ao longo do ano. No entanto, a instabilidade da energia impede o pleno aproveitamento da estrutura.

“Como que eu vou ter uma despesa dessas, um investimento desses e se não me entregam o mínimo de qualidade?”, questiona Grando, ao apontar a diferença entre os custos assumidos pelo produtor e o serviço recebido.

Para o prefeito Ari do Prado, a capacidade de ampliar a produção está diretamente relacionada à melhoria da infraestrutura elétrica. Ele afirma que a meta é viabilizar condições para aumentar a produtividade e atrair novas atividades econômicas para o município.

“Onde tem um pivô você sabe que consegue fazer três safras dentro do ano, e hoje a gente não está conseguindo fazer isso, porque a energia é muito fraca”, declara.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Município pede reforço da rede elétrica

Além de atender à demanda atual do campo, a ampliação da infraestrutura é considerada necessária para sustentar o crescimento econômico de Gaúcha do Norte. O aumento da produção pode impulsionar a arrecadação municipal, gerar empregos e favorecer a instalação de empresas ligadas ao agronegócio.

O prefeito defende que a rede elétrica seja reforçada para acompanhar o avanço das atividades produtivas. Entre as demandas apresentadas está a chegada de uma linha de 138 kV ao município, apontada como importante para ampliar a capacidade de atendimento.

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A expansão da rede também é vista como condição para atrair indústrias e novos empreendimentos de armazenagem e processamento. Sem energia suficiente e de qualidade, parte do potencial agrícola pode continuar limitada pelos custos operacionais e pela dificuldade de ampliar a infraestrutura das propriedades.

“Gaúcha do Norte como município é pequeno, 10 mil habitantes, mas grande na extensão. Está plantando 250 mil hectares, porém pode passar de 400 mil hectares. Temos um bom relacionamento aqui com a Energisa. A perfeição é difícil, mas tenho certeza, Gaúcha já melhorou bastante a energia”, diz o prefeito.

Embora representantes locais reconheçam avanços no fornecimento e mantenham diálogo com a concessionária, o setor produtivo considera que a estrutura atual precisa acompanhar o ritmo de crescimento do município. A expectativa é que os investimentos permitam ampliar as áreas irrigadas, melhorar a logística da produção e criar condições para o desenvolvimento de novas atividades econômicas.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com a Energisa e a empresa informou que recentemente operou em contingência na região em função de chuvas e ventos fortes. A companhia informou ser necessário avaliar cada caso individualmente. O que não foi possível até o fechamento desta edição.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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