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27 de outubro de 2026

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Chuvas dificultam moagem da cana e elevam preços do etanol e do açúcar

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Os preços do açúcar cristal e dos etanóis seguem em alta no mercado paulista neste fim de outubro, em um cenário marcado pelas chuvas acima da média, que dificultam a moagem da cana-de-açúcar e afetam a disponibilidade e a qualidade da matéria-prima.

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Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta mais restrita e a demanda aquecida sustentam as cotações dos biocombustíveis, enquanto o açúcar registra a 14ª alta semanal consecutiva.

De acordo com pesquisadores do Cepea, o excesso de precipitações tem prejudicado o avanço da moagem da safra 2026/27 no Centro-Sul. Com isso, agentes do setor projetam atrasos no calendário da temporada e um volume expressivo de cana que deverá ficar para moagem no próximo ano.

No mercado de etanol, a oferta reduzida se soma à demanda aquecida. Distribuidoras têm comprado volumes adicionais para atender à procura, favorecida pela paridade de preços entre a gasolina C e o etanol nas bombas, além da preocupação com a disponibilidade do produto nos próximos meses.

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Na parcial de outubro, as vendas de etanol hidratado pelas usinas já superam o volume registrado em setembro e devem alcançar cerca de 350 milhões de litros, o maior resultado do ciclo 2026/27, segundo o Cepea. No caso do etanol anidro, as condições climáticas também preocupam os agentes quanto ao cumprimento dos volumes previstos em contrato. As chuvas excessivas prejudicam o acúmulo de açúcar na cana, reduzindo o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR) e a qualidade da matéria-prima.

Já no mercado de açúcar cristal, os preços continuam em alta, embora o ritmo de valorização tenha desacelerado na última semana. A sequência atual chegou à 14ª elevação semanal consecutiva, a mais longa desde 2020.

Além dos impactos das chuvas sobre a moagem e a qualidade da cana, o maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol ao longo da safra tem limitado a fabricação de açúcar, contribuindo para sustentar os preços do produto.

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Chuvas avançam sobre áreas agrícolas nesta terça-feira, informa Inmet

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A atuação de uma frente fria no litoral sul da Bahia favorece a formação de um canal de umidade sobre o país nesta terça-feira (27), com previsão de chuvas e trovoadas em importantes áreas agrícolas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). As instabilidades mais intensas devem atingir Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, o Distrito Federal, o sul do Pará, o centro e norte de Goiás, o norte de Minas Gerais, o sul do Piauí e áreas da Bahia e do Maranhão.

O Inmet mantém aviso amarelo de perigo potencial para tempestade até esta quarta-feira (28) em áreas das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O alerta abrange uma faixa que vai do oeste do Amazonas, passa por grande parte do Centro-Oeste e chega ao litoral da Bahia e de Sergipe. Nessas áreas, há risco de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora e ventos de 40 a 60 quilômetros por hora.

Na região Norte, o tempo segue instável, com chuva e trovoadas no Acre, Tocantins, Rondônia e em áreas do Amazonas e do sul do Pará. Em Palmas (TO), a máxima pode chegar a 37 °C nesta quarta-feira.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

No Nordeste, a previsão indica tempo instável na Bahia e no sul do Piauí e do Maranhão. Para esta quarta-feira (28), as áreas de instabilidade devem se intensificar no oeste e no litoral baiano, incluindo o Recôncavo Baiano, além do centro e sul do Piauí e do sul do Maranhão.

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No Centro-Oeste, as áreas de instabilidade atingem o nordeste de Mato Grosso, o norte e a região central de Goiás e o Distrito Federal, com previsão de chuvas com trovoadas ao longo do dia. Em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, a umidade aumenta e favorece pancadas isoladas até a noite.

No Sudeste, a chuva se concentra no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, também sob aviso amarelo. Já no Sul, a terça-feira será de tempo firme. O dia começou com temperaturas baixas e possibilidade de geada na Serra Gaúcha e Catarinense, mas o frio perde força ao longo das próximas horas.

A previsão do Inmet indica manutenção das instabilidades sobre parte do país até esta quarta-feira (28), enquanto a região Sul segue com predomínio de sol e aumento gradual da nebulosidade a partir de amanhã.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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Decisão do TJMT altera exigências para sistemas de irrigação em Mato Grosso

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A instalação de estruturas de irrigação em Mato Grosso passa a depender de novas avaliações ambientais em situações que antes tinham enquadramento prévio na legislação estadual. A mudança ocorre após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) considerar inconstitucionais três dispositivos da Lei Estadual nº 12.717/2024, em decisão de 8 de outubro, que também afeta as condições para regularização de empreendimentos e interrupção da captação de água.

A decisão não impede a atividade de irrigação, mas modifica procedimentos que produtores poderiam considerar no planejamento de seus empreendimentos. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) afirma acompanhar os desdobramentos e orienta o setor a verificar as exigências aplicáveis a cada projeto.

Um dos pontos de atenção envolve intervenções em áreas ambientalmente protegidas. Obras destinadas à irrigação podem exigir avaliações específicas conforme sua localização e seus impactos, o que torna importante consultar o órgão ambiental antes de executar novas estruturas.

As mudanças também alcançam quem já possui sistemas instalados ou processos de regularização em andamento. Nesses casos, é necessário verificar as condições das licenças e autorizações existentes e quais exigências se aplicam após a decisão judicial.

Análise ambiental e regularização

A legislação estadual permitia enquadrar previamente determinadas intervenções como de interesse social e baixo impacto ambiental, incluindo barramentos, bombas e tubulações em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e abertura de corredores em Reservas Legais. Com a decisão judicial, esse enquadramento passa a depender de análise técnica do órgão ambiental.

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Também foi invalidada a regra que concedia cinco anos para a regularização de sistemas de irrigação, com previsão de condições especiais para penalidades, descontos em multas e até 24 meses sem novas autuações. Esses benefícios deixam de ter respaldo no dispositivo anulado.

Para quem já possui um processo em andamento, será necessário avaliar a situação à luz das exigências aplicáveis. A decisão não significa, por si só, que todos os empreendimentos estejam irregulares, pois cada caso depende de suas licenças, autorizações e condições específicas.

A Famato frisa em nota defender critérios técnicos objetivos e regras de transição claras, além de maior agilidade na análise dos pedidos de licenciamento. A entidade também aponta a importância do diálogo entre produtores, órgãos ambientais, Ministério Público e Judiciário para conciliar a atividade produtiva com a conservação dos recursos naturais.

Captação de água

Outra mudança diz respeito à indisponibilidade hídrica. O dispositivo invalidado previa 180 dias para encerrar as atividades ou retirar equipamentos quando a licença ou a outorga fosse negada por falta de disponibilidade de água. Com o julgamento, a interrupção da captação poderá ser exigida imediatamente.

A alteração exige atenção dos produtores que dependem de recursos hídricos para manter os sistemas em funcionamento. A outorga autoriza o uso da água, enquanto a licença ambiental estabelece condições para a instalação e a operação do empreendimento. São procedimentos distintos, e o atendimento às exigências de um não substitui as do outro.

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A orientação da Famato é manter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) atualizado e organizar projetos, laudos e documentos técnicos. Antes de iniciar ou ampliar obras, especialmente em áreas protegidas ou próximas a cursos d’água, o produtor deve consultar o órgão ambiental competente.

Quem tiver autorizações negadas ou processos de regularização pendentes deve buscar assistência técnica e jurídica para avaliar as providências cabíveis.


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Pesquisa da Embrapa e Sabesp transforma lodo em fertilizante de liberação lenta

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Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), permite transformar o lodo gerado em estações de tratamento de água em fertilizante de liberação lenta. A inovação neutraliza o alumínio potencialmente tóxico presente no resíduo e incorpora nutrientes essenciais às plantas, como nitrogênio e potássio.

O processo utiliza nanotecnologia para converter um material de difícil destinação em insumo agrícola. Além de reduzir o impacto ambiental do descarte, a solução pode melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e diminuir perdas durante a adubação.

Os resultados obtidos em laboratório e em casa de vegetação foram positivos. Agora, os pesquisadores buscam parceiros empresariais para desenvolver um projeto-piloto industrial e avaliar a viabilidade da produção em maior escala.

Foto: Alefe Borges/Embrapa

Como o lodo é transformado em fertilizante?

O lodo produzido nas estações de tratamento de água (ETAs) apresenta características que dificultam seu aproveitamento agrícola, principalmente a baixa quantidade de matéria orgânica e a elevada concentração de sais de alumínio utilizados no processo de tratamento.

Segundo o pesquisador Caue Ribeiro, da Embrapa Instrumentação, o alumínio em determinadas formas pode prejudicar o desenvolvimento das raízes e dificultar a absorção de nutrientes, especialmente o fósforo.

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Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram um processo hidrotérmico, realizado em equipamentos submetidos a condições controladas de temperatura e pressão.

O tratamento reorganiza os componentes do lodo e forma cristais de sodalita, um mineral da família das zeólitas capaz de reter o alumínio em sua estrutura e reduzir sua liberação no ambiente.

O material obtido é combinado com outras substâncias para produzir grânulos fertilizantes enriquecidos com nitrogênio e potássio.

A formulação permite que os nutrientes sejam liberados gradualmente no solo, aumentando o tempo de disponibilidade para as plantas.

Testes mostram ganhos na produção de biomassa

Experimentos realizados na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), avaliaram o desempenho do fertilizante em cultivos de azevém e capim-piatã.

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Os pesquisadores observaram melhorias na absorção de nutrientes e na produção de biomassa vegetal.

No caso do azevém, os tratamentos com sodalita granulada apresentaram eficiência agronômica de duas a três vezes superior à do grupo de controle. Resultados semelhantes foram identificados no capim-piatã, embora com diferenças menores.

Segundo a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste, a estrutura do fertilizante contribui para reter nitrogênio e reduzir perdas do nutriente.

“A zeólita retém mais o nitrogênio, evita a emissão de gases e mantém os nutrientes disponíveis para que as raízes das plantas os absorvam em maior quantidade”, explica.

A tecnologia pode representar uma alternativa para melhorar a eficiência da adubação, especialmente diante da dependência brasileira de fertilizantes importados.

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Foto: Alefe Borges/Embrapa

Sabesp produz 124 mil toneladas de lodo por ano

O reaproveitamento do resíduo também pode representar uma redução nos custos de destinação das empresas de saneamento.

Atualmente, a Sabesp gera aproximadamente 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 estações de tratamento de água que opera no estado de São Paulo.

O custo médio de transporte e destinação é estimado em R$ 300 por tonelada. Nas maiores unidades, a movimentação do material pode exigir até 16 viagens diárias de caminhões.

Segundo Marco Barros, diretor corporativo de Produção de Água, Tratamento de Esgoto e Manutenção Estratégica da Sabesp, a companhia busca alternativas para reduzir o envio desses resíduos aos aterros sanitários.

A expectativa é que a tecnologia desenvolvida em parceria com a Embrapa possa ser aplicada futuramente em outras estações com características semelhantes.

Foto: Wagner Bettiol/Embrapa

Fertilizante também pode transportar bactérias benéficas

Além da liberação gradual de nutrientes, os pesquisadores investigaram a utilização dos grânulos como veículo para microrganismos que favorecem o crescimento das plantas.

Nos testes, a formulação apresentou compatibilidade com a bactéria Bacillus megaterium, associada à promoção do crescimento vegetal e ao melhor aproveitamento de nutrientes.

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O microrganismo permaneceu viável nos grânulos durante quase cinco meses de monitoramento, indicando potencial para o armazenamento e a aplicação de inoculantes biológicos.

Por outro lado, a formulação não apresentou resultados satisfatórios para a incorporação do fungo Trichoderma asperelloides, utilizado no controle biológico de doenças.

Pesquisa também avalia aplicação direta do lodo no solo

Em estudos paralelos, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente analisaram a possibilidade de utilizar o lodo de tratamento de água diretamente no solo, sem passar pelo processo de transformação em fertilizante.

Experimentos com milho e feijão demonstraram respostas diferentes conforme a quantidade de resíduo incorporada.

O feijão apresentou redução de biomassa em concentrações superiores a 25%, enquanto o milho tolerou concentrações de até 50% nas condições experimentais.

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Apesar disso, os pesquisadores identificaram limites menores como referência para aplicações com menor risco de desequilíbrios nutricionais.

Para a produção de alimentos, os resultados indicaram a utilização de doses de até 5% em proporção de peso. Já em projetos de recuperação de áreas degradadas e construção de solos artificiais, concentrações de até 15% apresentaram resultados considerados adequados nas condições avaliadas.

Esses resultados ainda não representam uma recomendação geral para aplicação do resíduo em lavouras comerciais.

Tecnologia busca parceiros para produção industrial

O projeto foi desenvolvido durante quatro anos, envolveu investimentos superiores a R$ 2,7 milhões e reuniu pesquisadores de diferentes unidades da Embrapa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A próxima etapa será a estruturação de um projeto-piloto industrial, além da realização de testes agronômicos em campo.

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Também será necessário avaliar os procedimentos regulatórios para eventual registro do fertilizante no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Caso a viabilidade técnica, econômica e regulatória seja confirmada, a tecnologia poderá oferecer uma nova alternativa para a destinação de resíduos do saneamento e a produção de fertilizantes com liberação gradual de nutrientes.

Fonte complementar: publicações técnicas da Embrapa confirmam o desenvolvimento dos concentrados zeolíticos a partir do lodo de estações de tratamento de água e seu potencial para fertilizantes de liberação controlada.

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