Sustentabilidade
IMEA: Preços do milho disponível recuam em MT e Chicago com avanço do plantio e colheita nos EUA – MAIS SOJA

Out/26 é marcado pela queda dos preços do milho disponível em MT e em Chicago. Após altas mensais de 7,22% em ago/26 e 10,18% em set/26, impulsionadas pelo maior apetite comprador e pelo receio de atrasos na semeadura da soja, que poderiam comprometer a janela ideal do milho, a média parcial de out/26 do preço do milho em MT, até 23/10, recuou 3,82% frente a set/26, ficando em R$ 46,66/sc.
O movimento reflete o menor ritmo das negociações e o avanço da semeadura da soja, favorecendo a expectativa do cultivo do milho dentro da janela ideal e reduzindo as preocupações com o calendário agrícola.
Assim, entre 19 e 23/10, o preço médio do milho disponível em MT ficou em R$ 44,99/sc, queda semanal de 3,24%. Em Chicago, as cotações acompanharam a tendência, com recuo semanal de 3,75% e média de US$ 4,61/bu. Nos EUA, o avanço da colheita e a perspectiva da segunda maior produção da história reforçam a maior oferta e estoques de passagem elevados, pressionando as cotações.
Confira os principais destaques do boletim:
- QUEDA: o contrato de milho na B3 recuou 3,05% ante a semana passada, pressionado pela baixa em Chicago e pelo recuo do mercado físico nacional, registrando média de R$ 65,69/sc no período.
- BAIXA: o indicador do milho em Campinas recuou 1,22% ante a semana passada, em meio à postura cautelosa dos compradores e à menor liquidez nas negociações, registrando média de R$ 64,38/sc.
- ALTA: O prêmio de exportação do milho no porto de Santos registrou avanço de 7,95% ante a semana passada, alcançando ¢US$ 0,88/bu.
Produção de etanol de milho avança no BR e reforça a importância do cereal na indústria de biocombustíveis.
De acordo com os dados da ANP, a produção total de etanol no Brasil atingiu 14,51 mi de m³ entre jul/26 e set/26, alta de 0,80% ante o mesmo período de 2025. Desse volume, 2,90 mi de m³ correspondem ao etanol de milho, crescimento anual de 23,71%. Esse avanço reflete a maior utilização do cereal pela indústria, cuja participação projetada na produção nacional de etanol passou de 16,29% em jul–set/25 para 20,00% em jul–set/26, aumento de 3,71 p.p.
Entre os principais polos industriais, MT liderou com 1,76 mi de m³, 60,72% do etanol de milho estimado no país em jul–set/26, seguido por MS (539,22 mil m³), GO (262,02 mil m³) e MA (220,29 mil m³). Juntos, concentraram 95,92% da produção prevista de etanol de milho no período. Diferentemente da cana-de-açúcar, o milho permite formar estoques e
abastecer as usinas ao longo do ano, reduzindo a dependência dos períodos de safra e favorecendo a continuidade das operações industriais, o que fortalece a demanda doméstica pelo cereal.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Algodão: Chuvas nos EUA e demanda aquecida sustentam ICE, mas mercado de MT registra leve retração – MAIS SOJA

Entre 19 e 23/10, o contrato dez/26 na ICE registrou a média de ¢ US$ 80,77/lb, avanço de 0,57% ante a semana anterior. A valorização foi favorecida pelas preocupações com os efeitos das chuvas sobre a colheita americana e pelo interesse de compra das indústrias próximo de ¢ US$ 80,00/lb. Para Mato Grosso, esse movimento pode fortalecer as referências de negociação da pluma, ao elevar o valor do algodão no mercado internacional. No entanto, o dólar recuou 0,24% no período, compensando parte desse ganho quando convertido para reais.
Nesse cenário, o preço médio em MT apresentou queda de 0,36%, para R$ 126,44/@. O avanço internacional favoreceu as negociações, mas não impediu a leve queda semanal dos preços em Mato Grosso, que ainda permanecem acima dos registrados no mesmo período da safra passada. Para as próximas semanais, a valorização do dólar após o resultado eleitoral poderá reforçar a paridade de exportação e favorecer melhores ofertas pela pluma em Mato Grosso.
Confira os principais destaques do boletim:
- RETRAÇÃO: o preço do algodão no Cepea, apresentou queda semanal de 0,23%, e ficou cotado em ¢ R$ 406,28/lb, essa retração é reflexo da maior disponibilidade de pluma no mercado.
- BAIXA: o preço do caroço de algodão em Mato Grosso ficou na média de R$ 700,25/t, queda de 0,70%, diante da demanda enfraquecida e da maior procura pelo DDG na alimentação animal.
- DESVALORIZAÇÃO: a cotação média do poliéster apresentou redução de 2,59% no comparativo semanal e ficou precificado na média de ¢ US$ 46,65/lb.
Na semana encerrada em 15/10, os embarques americanos de algodão somaram 45,51 mil t.
Com avanço de 35,01% em relação à semana anterior. Nas duas semanas de out/26, o volume atingiu 79,22 mil t, alta de 21,73% ante mesmo período da safra 25/26. No acumulado de ago/26 até a parcial de out/26, os embarques totalizaram 433,65 mil t, volume 29,32% superior ao período comparável da safra 25/26. Esse desempenho conta com o aumento dos embarques ao Vietnã, em um cenário de revisão positiva do USDA para
o consumo de algodão pela indústria têxtil do país. Até 15/10, as entregas americanas ao Vietnã somaram 135,87 mil t no acumulado da temporada, avanço de 23,65% ante o período equivalente da safra anterior.
Apesar da aceleração, o USDA manteve as exportações dos EUA projetadas em 2,68 mi de t para 26/27. A manutenção das compras e do ritmo de embarques nas próximas semanas erá determinante para avaliar uma possível revisão positiva da projeção nas exportações.
Fonte: IMEA

Sustentabilidade
IMEA: Avanço da colheita de soja nos EUA e plantio acelerado em MT pressionam cotações do grão – MAIS SOJA

Segundo o USDA (26/10), a colheita da safra 26/27 de soja nos EUA atingiu 79,00% dos 34,76 mi de ha projetados para o ciclo, avanço semanal de 15,00 p.p. O ritmo está 6,00 p.p. abaixo do observado na safra 23/24, também marcada pela ocorrência de um El Niño forte.
O atraso inicial dos trabalhos a campo elevou os prêmios de risco e contribuiu para a valorização da soja em Chicago, que atingiu US$ 13,28/bu em set/26, maior cotação do ano. Contudo, a recuperação da colheita nas últimas semanas reduz as preocupações quanto a possíveis impactos sobre a produção dos EUA e reforça as perspectivas de oferta do grão. Na semana (19/10 a 23/10), o contrato nov/26 fechou a US$ 12,51/bu, em média, recuo de 1,86% ante a semana anterior, voltando a ser negociado abaixo de US$ 13,00/bu.
Para os próximos dias, a previsão de clima mais quente e seco no Meio-Oeste dos EUA deve favorecer a conclusão da colheita, mantendo a pressão sobre as cotações.
Confira os principais destaques do boletim:
- QUEDA: em meio às incertezas sobre as obrigações de biocombustíveis nos EUA, o óleo de soja na CME registrou recuo de 1,76% ante a semana passada, encerrando em média ¢US$ 66,41/lb.
- RETRAÇÃO: sustentado pela queda nos contratos futuros da oleaginosa na CBOT, a paridade de exportação para mar/27 registrou retração semanal de 2,53%.
- BAIXA: pressionado pela queda nos preços da soja em Chicago, reflexo do avanço da colheita dos EUA, o preço da oleaginosa em MT encerrou o período na média de R$ 134,27/sc.
A semeadura de soja em MT atingiu 75,81% da área até 23/10, com avanço semanal de 23,95 p.p.
Após um início mais lento, a semeadura da soja em Mato Grosso ganhou ritmo e já supera o maior percentual registrado para o período nas últimas safras. As regiões Médio-Norte e Oeste apresentam os maiores percentuais semeados, com 96,60% e 86,78% da área semeada, respectivamente. A região Sudeste também ganha destaque, com 59,04% de área semeada, uma vez que costuma ter uma semeadura mais tardia em relação às demais
regiões do estado. Se o ritmo atual for mantido, o estado deve ultrapassar os 80% da área implantada até a próxima semana, assegurando que a maior parte da área de milho segunda safra seja semeada dentro da janela ideal.
Diante desse cenário, a semeadura se desenvolve de forma positiva, mas vale ressaltar que a safra ocorre sob a influência do El Niño, reforçando a importância do acompanhamento das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras.
Fonte: IMEA

Sustentabilidade
Bactérias do gênero Bacillus se consolidam como os principais agentes de controle biológico na agricultura brasileira – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de produtos de controle biológico à base de bactérias do gênero Bacillus apresentou rápida expansão entre 2020 e 2025. Nesse período, a potencial área tratada com esses produtos aumentou de 7,5 milhões para 37,2 milhões de hectares, um crescimento de aproximadamente 391%. O faturamento passou de US$ 114,31 milhões (cerca de R$ 628,7 milhões) para US$ 403,17 milhões (cerca de R$ 2,21 bilhões), alta de 252%.
Os dados fazem parte de um estudo publicado no periódico Brazilian Journal of Microbiology por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da empresa Kynetec Brasil. O trabalho analisou a evolução do mercado brasileiro de produtos à base de Bacillus e reuniu informações sobre os mecanismos utilizados por essas bactérias para controlar doenças de plantas, promover o crescimento vegetal e contribuir para a tolerância a estresses ambientais.
De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em 2025 os produtos contendo Bacillus correspondiam a aproximadamente 43% da potencial área tratada com produtos contendo agentes de controle biológico no País. Na safra 2024/2025, o faturamento desses produtos representou 47% das vendas do mercado brasileiro de produtos à base de agentes de biocontrole, que alcançou US$ 855,68 milhões no período.
Mercado em expansão
Para estimar a potencial área tratada e o faturamento, os pesquisadores utilizaram dados de registros de produtos e informações de levantamentos realizados com produtores e gestores de propriedades agrícolas. As pesquisas de campo foram conduzidas pela Kynetec e envolveram cerca de 16 mil entrevistas por safra, considerando diferentes culturas, regiões produtoras e tamanhos de propriedades. Na safra 2024/2025, foram realizadas 15.708 entrevistas.
A chamada área potencial tratada corresponde à soma das áreas que recebem aplicações dos produtos, considerando as recomendações de uso e as práticas relatadas nos levantamentos. Em 2025, os produtos contendo agentes de biocontrole, de forma geral, alcançaram uma potencial área tratada de 86,9 milhões de hectares. Desse total, 37,2 milhões de hectares correspondiam a produtos biológicos à base de Bacillus.
“O crescimento ocorreu de forma contínua,” explica Bettiol. “A participação dos produtos à base de Bacillus na potencial área tratada por produtos contendo agentes de controle biológico passou de 34% em 2020 para 43% em 2025. Somente entre 2024 e 2025, a potencial área tratada com produtos à base dessas bactérias cresceu 35%”.
Cristiano Limberger, gerente comercial e especialista em estudos de mercado da Kynetec Brasil, ressalta o fato de que, em relação ao faturamento, os produtos à base de Bacillus passaram de US$ 114,31 milhões em 2020 para US$ 403,17 milhões em 2025. A participação desse grupo de organismos nas vendas totais de produtos de controle biológico aumentou de 42% para 47% no mesmo período.
Diversidade de produtos
A revisão identificou 297 produtos comerciais à base de Bacillus registrados e comercializados no Brasil até 2025, reunindo 126 cepas. Entre as espécies com maior número de cepas comercializadas estavam Bacillus subtilis, com 31, Bacillus amyloliquefaciens, com 27, e Bacillus velezensis, com 25. Também foram encontradas formulações com outras espécies e combinações de diferentes microrganismos.
De acordo com Roberto Lanna-Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os produtos, registrados por 42 empresas, podem ser utilizados em diferentes modalidades de aplicação, como tratamento de sementes, pulverização foliar e aplicação no sulco de plantio. Destacavam-se como principais doenças e organismos-alvo nematoides-das-galhas e das lesões radiculares, antracnose, mofo-branco, mofo-cinzento, mancha-alvo, tombamento, oídio e nematoide-de-cisto.
“Entre as espécies, a Bacillus amyloliquefaciens alcançou a maior potencial área tratada em 2025. Produtos à base dessa espécie foram utilizados em 13,87 milhões de hectares. Na sequência figuraram as espécies Bacillus subtilis, Bacillus pumilus, Cytobacillus firmus, Bacilus velezensis e Bacillus methylotrophicus. Já a Bacillus thuringiensis, utilizada principalmente no controle de pragas, também se expandiu e alcançou 4,2 milhões de hectares de potencial área tratada em 2025”, destaca Lanna-Filho.
De acordo com Bettiol, outra tendência observada foi o crescimento de formulações em consórcio, que combinam diferentes espécies de Bacillus ou associam essas bactérias a fungos utilizados no controle biológico. Os consórcios formados exclusivamente por espécies de Bacillus alcançaram 5,57 milhões de hectares de potencial área tratada em 2025. Já os consórcios combinando Bacillus com fungos antagonistas como Trichoderma e Paecilomyces também cresceram.
Os múltiplos mecanismos de ação dos Bacillus
Além de analisar o mercado, o trabalho revisa os mecanismos que explicam a ampla utilização de Bacillus como agentes de biocontrole. Uma das características mais importantes dessas bactérias é a capacidade de produzir endósporos, estruturas resistentes que permitem a sobrevivência em condições ambientais desfavoráveis. Essa característica favorece o desenvolvimento de formulações estáveis e com maior facilidade de armazenamento.
As bactérias também produzem uma grande variedade de substâncias com atividade contra organismos causadores de doenças. Entre elas estão lipopeptídeos, bacteriocinas, enzimas, sideróforos e compostos orgânicos voláteis. “Esses metabólitos podem atuar sobre fungos, bactérias e nematoides por diferentes mecanismos”, explica Roberto Lanna-Filho.
Um dos mecanismos é a antibiose, na qual compostos produzidos pelas bactérias interferem diretamente nos organismos-alvo. Os lipopeptídeos das famílias iturina, fengicina e surfactina, por exemplo, afetam a membrana celular de patógenos. Enzimas produzidas por Bacillus também podem degradar componentes das paredes celulares de fungos e o revestimento de nematoides.
Outro mecanismo é a competição por espaço e nutrientes. As bactérias conseguem colonizar superfícies de sementes, raízes e folhas, formando comunidades protegidas por uma matriz que contribui para sua permanência na planta hospedeira. A ocupação desses espaços dificulta o estabelecimento de microrganismos patogênicos por formar uma barreira físico-tóxica.
Os pesquisadores também destacam o chamado quorum-quenching, mecanismo pelo qual determinadas bactérias interferem nos sistemas de comunicação utilizados por outros microrganismos. A interrupção desses sinais afeta processos relacionados à virulência, à formação de biofilmes e à sobrevivência dos patógenos.
Estímulos à defesa e ao crescimento das plantas
Os efeitos de Bacillus não se limitam à ação direta sobre os patógenos. Algumas espécies também podem estimular mecanismos de defesa das plantas, desencadeando respostas locais ou sistêmicas. Essas respostas envolvem diferentes vias hormonais associadas ao ácido salicílico, ácido jasmônico e etileno.
Outro efeito estudado é a promoção do crescimento vegetal. As bactérias podem produzir fitormônios (hormônios vegetais), solubilizar nutrientes e produzir sideróforos (moléculas que capturam e transportam ferro para o interior das plantas), além de influenciar a arquitetura das raízes. Há ainda evidências de que determinadas espécies auxiliam as plantas a enfrentar condições de estresse, como déficit hídrico, salinidade e temperaturas elevadas — aspecto de enorme importância considerando as mudanças climáticas.
Segundo Limberger, a combinação desses mecanismos ajuda a explicar a presença crescente de produtos à base de Bacillus em programas de manejo integrado. Nesses sistemas, os agentes de controle biológico são utilizados em conjunto com cultivares resistentes, rotação de culturas, práticas culturais, sistemas de apoio à decisão e, quando necessário, produtos químicos.
Perspectivas para os bioinsumos
A análise indica que o mercado de produtos à base de Bacillus vem se tornando mais diversificado, com aumento do número de cepas, produtos e combinações entre microrganismos. Para os pesquisadores, avanços em áreas como genômica, metabolômica e biologia de sistemas poderão contribuir para a seleção mais precisa das cepas e o desenvolvimento de consórcios direcionados a determinadas culturas, patógenos e condições ambientais.
O estudo também aponta que a evolução do mercado vem acompanhada de mudanças no ambiente regulatório, com maior exigência na identificação das cepas e aprimoramento da caracterização dos produtos. Esse processo colabora para ampliar a qualidade das informações disponíveis sobre os produtos comercializados.
Para Wagner Bettiol, a experiência brasileira mostra a interação entre conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico, regulamentação e adoção pelos agricultores na expansão dos produtos biológicos. O trabalho aponta ainda que o avanço das formulações à base de Bacillus estará cada vez mais associado a estratégias de manejo integrado de doenças e à busca por sistemas de produção mais sustentáveis.
Sobre o artigo
O artigo Bacilli the most important biocontrol agent in Brazilian agriculture: from mechanisms of action to market adoption, de Wagner Bettiol, Roberto Lanna-Filho e Cristiano Limberger, foi publicado em 28 de setembro de 2026 no Brazilian Journal of Microbiology. O texto está disponível em acesso aberto.
Acesse o artigo completo na Springer Nature.
Fonte: Embrapa

Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
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