Connect with us
27 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Bactérias do gênero Bacillus se consolidam como os principais agentes de controle biológico na agricultura brasileira – MAIS SOJA

Published

on


O mercado brasileiro de produtos de controle biológico à base de bactérias do gênero Bacillus apresentou rápida expansão entre 2020 e 2025. Nesse período, a potencial área tratada com esses produtos aumentou de 7,5 milhões para 37,2 milhões de hectares, um crescimento de aproximadamente 391%. O faturamento passou de US$ 114,31 milhões (cerca de R$ 628,7 milhões) para US$ 403,17 milhões (cerca de R$ 2,21 bilhões), alta de 252%.

Os dados fazem parte de um estudo publicado no periódico Brazilian Journal of Microbiology por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da empresa Kynetec Brasil. O trabalho analisou a evolução do mercado brasileiro de produtos à base de Bacillus e reuniu informações sobre os mecanismos utilizados por essas bactérias para controlar doenças de plantas, promover o crescimento vegetal e contribuir para a tolerância a estresses ambientais.

De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em 2025 os produtos contendo Bacillus correspondiam a aproximadamente 43% da potencial área tratada com produtos contendo agentes de controle biológico no País. Na safra 2024/2025, o faturamento desses produtos representou 47% das vendas do mercado brasileiro de produtos à base de agentes de biocontrole, que alcançou US$ 855,68 milhões no período.

Mercado em expansão

Para estimar a potencial área tratada e o faturamento, os pesquisadores utilizaram dados de registros de produtos e informações de levantamentos realizados com produtores e gestores de propriedades agrícolas. As pesquisas de campo foram conduzidas pela Kynetec e envolveram cerca de 16 mil entrevistas por safra, considerando diferentes culturas, regiões produtoras e tamanhos de propriedades. Na safra 2024/2025, foram realizadas 15.708 entrevistas.

Advertisement

A chamada área potencial tratada corresponde à soma das áreas que recebem aplicações dos produtos, considerando as recomendações de uso e as práticas relatadas nos levantamentos. Em 2025, os produtos contendo agentes de biocontrole, de forma geral, alcançaram uma potencial área tratada de 86,9 milhões de hectares. Desse total, 37,2 milhões de hectares correspondiam a produtos biológicos à base de Bacillus.

“O crescimento ocorreu de forma contínua,” explica Bettiol. “A participação dos produtos à base de Bacillus na potencial área tratada por produtos contendo agentes de controle biológico passou de 34% em 2020 para 43% em 2025. Somente entre 2024 e 2025, a potencial área tratada com produtos à base dessas bactérias cresceu 35%”.

Cristiano Limberger, gerente comercial e especialista em estudos de mercado da Kynetec Brasil, ressalta o fato de que, em relação ao faturamento, os produtos à base de Bacillus passaram de US$ 114,31 milhões em 2020 para US$ 403,17 milhões em 2025. A participação desse grupo de organismos nas vendas totais de produtos de controle biológico aumentou de 42% para 47% no mesmo período.

Foto: Embrapa

Diversidade de produtos

A revisão identificou 297 produtos comerciais à base de Bacillus registrados e comercializados no Brasil até 2025, reunindo 126 cepas. Entre as espécies com maior número de cepas comercializadas estavam Bacillus subtilis, com 31, Bacillus amyloliquefaciens, com 27, e Bacillus velezensis, com 25. Também foram encontradas formulações com outras espécies e combinações de diferentes microrganismos.

De acordo com Roberto Lanna-Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os produtos, registrados por 42 empresas, podem ser utilizados em diferentes modalidades de aplicação, como tratamento de sementes, pulverização foliar e aplicação no sulco de plantio. Destacavam-se como principais doenças e organismos-alvo nematoides-das-galhas e das lesões radiculares, antracnose, mofo-branco, mofo-cinzento, mancha-alvo, tombamento, oídio e nematoide-de-cisto.

Advertisement

“Entre as espécies, a Bacillus amyloliquefaciens alcançou a maior potencial área tratada em 2025. Produtos à base dessa espécie foram utilizados em 13,87 milhões de hectares. Na sequência figuraram as espécies Bacillus subtilis, Bacillus pumilus, Cytobacillus firmus, Bacilus velezensis e Bacillus methylotrophicus. Já a Bacillus thuringiensis, utilizada principalmente no controle de pragas, também se expandiu e alcançou 4,2 milhões de hectares de potencial área tratada em 2025”, destaca Lanna-Filho.

De acordo com Bettiol, outra tendência observada foi o crescimento de formulações em consórcio, que combinam diferentes espécies de Bacillus ou associam essas bactérias a fungos utilizados no controle biológico. Os consórcios formados exclusivamente por espécies de Bacillus alcançaram 5,57 milhões de hectares de potencial área tratada em 2025. Já os consórcios combinando Bacillus com fungos antagonistas como Trichoderma e Paecilomyces também cresceram.


Os múltiplos mecanismos de ação dos Bacillus

Além de analisar o mercado, o trabalho revisa os mecanismos que explicam a ampla utilização de Bacillus como agentes de biocontrole. Uma das características mais importantes dessas bactérias é a capacidade de produzir endósporos, estruturas resistentes que permitem a sobrevivência em condições ambientais desfavoráveis. Essa característica favorece o desenvolvimento de formulações estáveis e com maior facilidade de armazenamento.

As bactérias também produzem uma grande variedade de substâncias com atividade contra organismos causadores de doenças. Entre elas estão lipopeptídeos, bacteriocinas, enzimas, sideróforos e compostos orgânicos voláteis. “Esses metabólitos podem atuar sobre fungos, bactérias e nematoides por diferentes mecanismos”, explica Roberto Lanna-Filho.

Um dos mecanismos é a antibiose, na qual compostos produzidos pelas bactérias interferem diretamente nos organismos-alvo. Os lipopeptídeos das famílias iturina, fengicina e surfactina, por exemplo, afetam a membrana celular de patógenos. Enzimas produzidas por Bacillus também podem degradar componentes das paredes celulares de fungos e o revestimento de nematoides.

Advertisement

Outro mecanismo é a competição por espaço e nutrientes. As bactérias conseguem colonizar superfícies de sementes, raízes e folhas, formando comunidades protegidas por uma matriz que contribui para sua permanência na planta hospedeira. A ocupação desses espaços dificulta o estabelecimento de microrganismos patogênicos por formar uma barreira físico-tóxica.

Os pesquisadores também destacam o chamado quorum-quenching, mecanismo pelo qual determinadas bactérias interferem nos sistemas de comunicação utilizados por outros microrganismos. A interrupção desses sinais afeta processos relacionados à virulência, à formação de biofilmes e à sobrevivência dos patógenos.

Estímulos à defesa e ao crescimento das plantas

Os efeitos de Bacillus não se limitam à ação direta sobre os patógenos. Algumas espécies também podem estimular mecanismos de defesa das plantas, desencadeando respostas locais ou sistêmicas. Essas respostas envolvem diferentes vias hormonais associadas ao ácido salicílico, ácido jasmônico e etileno.

Outro efeito estudado é a promoção do crescimento vegetal. As bactérias podem produzir fitormônios (hormônios vegetais), solubilizar nutrientes e produzir sideróforos (moléculas que capturam e transportam ferro para o interior das plantas), além de influenciar a arquitetura das raízes. Há ainda evidências de que determinadas espécies auxiliam as plantas a enfrentar condições de estresse, como déficit hídrico, salinidade e temperaturas elevadas — aspecto de enorme importância considerando as mudanças climáticas.

Segundo Limberger, a combinação desses mecanismos ajuda a explicar a presença crescente de produtos à base de Bacillus em programas de manejo integrado. Nesses sistemas, os agentes de controle biológico são utilizados em conjunto com cultivares resistentes, rotação de culturas, práticas culturais, sistemas de apoio à decisão e, quando necessário, produtos químicos.

Advertisement

Perspectivas para os bioinsumos

A análise indica que o mercado de produtos à base de Bacillus vem se tornando mais diversificado, com aumento do número de cepas, produtos e combinações entre microrganismos. Para os pesquisadores, avanços em áreas como genômica, metabolômica e biologia de sistemas poderão contribuir para a seleção mais precisa das cepas e o desenvolvimento de consórcios direcionados a determinadas culturas, patógenos e condições ambientais.

O estudo também aponta que a evolução do mercado vem acompanhada de mudanças no ambiente regulatório, com maior exigência na identificação das cepas e aprimoramento da caracterização dos produtos. Esse processo colabora para ampliar a qualidade das informações disponíveis sobre os produtos comercializados.

Para Wagner Bettiol, a experiência brasileira mostra a interação entre conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico, regulamentação e adoção pelos agricultores na expansão dos produtos biológicos. O trabalho aponta ainda que o avanço das formulações à base de Bacillus estará cada vez mais associado a estratégias de manejo integrado de doenças e à busca por sistemas de produção mais sustentáveis.

Sobre o artigo

O artigo Bacilli the most important biocontrol agent in Brazilian agriculture: from mechanisms of action to market adoption, de Wagner Bettiol, Roberto Lanna-Filho e Cristiano Limberger, foi publicado em 28 de setembro de 2026 no Brazilian Journal of Microbiology. O texto está disponível em acesso aberto.

Acesse o artigo completo na Springer Nature.

Advertisement

Fonte: Embrapa



FONTE

Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Sustentabilidade

IMEA: Avanço da colheita de soja nos EUA e plantio acelerado em MT pressionam cotações do grão – MAIS SOJA

Published

on


Segundo o USDA (26/10), a colheita da safra 26/27 de soja nos EUA atingiu 79,00% dos 34,76 mi de ha projetados para o ciclo, avanço semanal de 15,00 p.p. O ritmo está 6,00 p.p. abaixo do observado na safra 23/24, também marcada pela ocorrência de um El Niño forte.

O atraso inicial dos trabalhos a campo elevou os prêmios de risco e contribuiu para a valorização da soja em Chicago, que atingiu US$ 13,28/bu em set/26, maior cotação do ano. Contudo, a recuperação da colheita nas últimas semanas reduz as preocupações quanto a possíveis impactos sobre a produção dos EUA e reforça as perspectivas de oferta do grão. Na semana (19/10 a 23/10), o contrato nov/26 fechou a US$ 12,51/bu, em média, recuo de 1,86% ante a semana anterior, voltando a ser negociado abaixo de US$ 13,00/bu.

Para os próximos dias, a previsão de clima mais quente e seco no Meio-Oeste dos EUA deve favorecer a conclusão da colheita, mantendo a pressão sobre as cotações.

Confira os principais destaques do boletim:
  • QUEDA: em meio às incertezas sobre as obrigações de biocombustíveis nos EUA, o óleo de soja na CME registrou recuo de 1,76% ante a semana passada, encerrando em média ¢US$ 66,41/lb.
  • RETRAÇÃO: sustentado pela queda nos contratos futuros da oleaginosa na CBOT, a paridade de exportação para mar/27 registrou retração semanal de 2,53%.
  • BAIXA: pressionado pela queda nos preços da soja em Chicago, reflexo do avanço da colheita dos EUA, o preço da oleaginosa em MT encerrou o período na média de R$ 134,27/sc.
A semeadura de soja em MT atingiu 75,81% da área até 23/10, com avanço semanal de 23,95 p.p.

Após um início mais lento, a semeadura da soja em Mato Grosso ganhou ritmo e já supera o maior percentual registrado para o período nas últimas safras. As regiões Médio-Norte e Oeste apresentam os maiores percentuais semeados, com 96,60% e 86,78% da área semeada, respectivamente. A região Sudeste também ganha destaque, com 59,04% de área semeada, uma vez que costuma ter uma semeadura mais tardia em relação às demais
regiões do estado. Se o ritmo atual for mantido, o estado deve ultrapassar os 80% da área implantada até a próxima semana, assegurando que a maior parte da área de milho segunda safra seja semeada dentro da janela ideal.

Diante desse cenário, a semeadura se desenvolve de forma positiva, mas vale ressaltar que a safra ocorre sob a influência do El Niño, reforçando a importância do acompanhamento das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras.

Advertisement

Fonte: IMEA



 

Continue Reading

Sustentabilidade

Preços recebidos pelos produtores rurais gaúchos saltam 7,54% em setembro – MAIS SOJA

Published

on


Os preços recebidos pelos produtores rurais do Rio Grande do Sul registraram um salto expressivo no mês de setembro. Segundo o relatório mensal divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul, nesta segunda-feira (26/10/), o Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) subiu 7,54% em relação ao mês anterior. O resultado marca a quarta alta mensal consecutiva e representa a maior variação para o indicador desde fevereiro de 2022.

O grande motor dessa elevação foi a soja, que apresentou avanço de 8,7% no mês, quase quatro vezes superior ao padrão sazonal para o período, atingindo o maior patamar de cotação desde abril de 2023. O arroz também manteve forte ritmo de valorização, subindo 8,4% no mês e acumulando expressiva alta de 52,4% no ano. A sustentação nos preços do cereal é amparada pela projeção de uma redução de 36% nos estoques brasileiros para a próxima safra. Na contramão dos grãos, o boi gordo recuou 3,3%, movimento atribuído a fatores sazonais do mercado pecuário.

Com o resultado de setembro, o IIPR acumula alta de 16,29% no ano e saltou de 4,05% em agosto para 13,73% no acumulado em 12 meses.

Recomposição de perdas

Embora a variação acumulada do IIPR em 12 meses (13,73%) supere com margem o IPCA geral (4,58%) e o IPCA Alimentos e Bebidas (4,66%), a Assessoria Econômica da Farsul pontua que o cenário exige uma análise de longo prazo.

Advertisement

Ao observar o horizonte dos últimos dois anos, constata-se que o preço recebido pelo produtor rural permanece praticamente estável, com leve variação de 0,7%, enquanto os preços dos alimentos ao consumidor final subiram 11,6% no mesmo período. Portanto, a alta recente reflete a recomposição de perdas acumuladas pelo setor produtivo, e não a origem de um novo ciclo inflacionário vindo do campo.

Custos de produção voltam a acelerar

Do lado da porteira para dentro, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou alta de 1,44% em setembro, maior avanço mensal desde o mês de abril. No acumulado em 12 meses, o ritmo do IICP praticamente dobrou, passando de 1,65% em agosto para 3,35% em setembro, somando 5,13% no ano.

Os fertilizantes continuam sendo os principais ofensores dos custos, subindo 3,9% no mês e respondendo por mais da metade da variação positiva do índice. No acumulado do ano, o insumo explica mais do que a totalidade da inflação de custos. O impacto foi parcialmente mitigado pela retração nos preços dos defensivos agrícolas.

Além disso, a alta de 17% nas cotações internacionais do petróleo pressionou diretamente o mercado interno de combustíveis. O preço do diesel subiu 5,2% no Rio Grande do Sul em setembro, impulsionado pela defasagem frente à paridade de importação e por restrições pontuais na oferta. A elevação do combustível refletiu imediatamente nos serviços de frete (4,1%) e nos custos das operações mecânicas nas propriedades (2,1%).

Confira o relatório na íntegra.

Advertisement

Fonte: Farsul



 

FONTE

Autor:Farsul

Site: Farsul

Advertisement
Continue Reading

Sustentabilidade

Frente fria deixa chuvas no Centro-Norte e volumes voltam a crescer no Sul no início de novembro – Rural Clima – MAIS SOJA

Published

on


A última semana de outubro começa com chuvas concentradas na faixa mais ao norte do Brasil, após a passagem de uma frente fria pela região Sudeste, segundo o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos.

No Sul, o tempo abre no início da semana, com pancadas isoladas entre o Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná. Também há áreas de instabilidade na faixa litorânea do Sudeste e no litoral paranaense. Entre segunda e terça-feira (27), as chuvas devem se concentrar principalmente em Mato Grosso, Goiás, norte de Minas Gerais e na região do Matopiba.

O cenário muda a partir de quarta-feira (28), quando áreas de instabilidade se formam sobre a faixa central do país. “Na quinta-feira, o tempo volta a fechar no Sul do Brasil, em especial no Paraná. Então, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais com muitas chuvas já no final dessa semana”, disse o especialista.

Segundo Santos, os volumes podem atrapalhar os trabalhos no campo. “Todas essas chuvas, como a gente falou na semana passada, podem trazer algumas paralisações no plantio da soja e nas atividades de campo, como a colheita da cana-de-açúcar. Deem muita atenção ao longo dessa semana”, alertou.

Advertisement

Para o fim de semana e, principalmente, o início de novembro, a tendência é de retorno de altos volumes ao Sul do país, com avanço gradual das chuvas para as regiões centrais. O ponto de atenção segue sendo o Matopiba.

De acordo com o agrometeorologista, tanto o modelo americano quanto o europeu indicam poucas chuvas para a região nas próximas semanas, embora o europeu seja um pouco mais úmido. A tendência é de concentração das precipitações entre Santa Catarina, Paraná, Sudeste e Centro-Oeste, alcançando apenas algumas áreas do sul do Matopiba, como o sul do Tocantins, o oeste da Bahia e o extremo sul do Maranhão, além de partes do Pará.

As temperaturas devem subir ao longo da semana, mas sem picos expressivos. “Por conta das chuvas, as temperaturas não sobem tanto, mas é uma semana que vai trazer chuvas em grande parte dessa faixa central do Brasil, chuvas um pouco menores e mais irregulares sobre o Sul, e o final de semana com muita chuva no Sul”, concluiu Santos.

Fonte: Agência Safras



 

Advertisement
FONTE

Autor:Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News

Site: Agência Safras

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT