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27 de outubro de 2026

Business

Pesquisa da Embrapa e Sabesp transforma lodo em fertilizante de liberação lenta

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Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), permite transformar o lodo gerado em estações de tratamento de água em fertilizante de liberação lenta. A inovação neutraliza o alumínio potencialmente tóxico presente no resíduo e incorpora nutrientes essenciais às plantas, como nitrogênio e potássio.

O processo utiliza nanotecnologia para converter um material de difícil destinação em insumo agrícola. Além de reduzir o impacto ambiental do descarte, a solução pode melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e diminuir perdas durante a adubação.

Os resultados obtidos em laboratório e em casa de vegetação foram positivos. Agora, os pesquisadores buscam parceiros empresariais para desenvolver um projeto-piloto industrial e avaliar a viabilidade da produção em maior escala.

Foto: Alefe Borges/Embrapa

Como o lodo é transformado em fertilizante?

O lodo produzido nas estações de tratamento de água (ETAs) apresenta características que dificultam seu aproveitamento agrícola, principalmente a baixa quantidade de matéria orgânica e a elevada concentração de sais de alumínio utilizados no processo de tratamento.

Segundo o pesquisador Caue Ribeiro, da Embrapa Instrumentação, o alumínio em determinadas formas pode prejudicar o desenvolvimento das raízes e dificultar a absorção de nutrientes, especialmente o fósforo.

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Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram um processo hidrotérmico, realizado em equipamentos submetidos a condições controladas de temperatura e pressão.

O tratamento reorganiza os componentes do lodo e forma cristais de sodalita, um mineral da família das zeólitas capaz de reter o alumínio em sua estrutura e reduzir sua liberação no ambiente.

O material obtido é combinado com outras substâncias para produzir grânulos fertilizantes enriquecidos com nitrogênio e potássio.

A formulação permite que os nutrientes sejam liberados gradualmente no solo, aumentando o tempo de disponibilidade para as plantas.

Testes mostram ganhos na produção de biomassa

Experimentos realizados na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), avaliaram o desempenho do fertilizante em cultivos de azevém e capim-piatã.

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Os pesquisadores observaram melhorias na absorção de nutrientes e na produção de biomassa vegetal.

No caso do azevém, os tratamentos com sodalita granulada apresentaram eficiência agronômica de duas a três vezes superior à do grupo de controle. Resultados semelhantes foram identificados no capim-piatã, embora com diferenças menores.

Segundo a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste, a estrutura do fertilizante contribui para reter nitrogênio e reduzir perdas do nutriente.

“A zeólita retém mais o nitrogênio, evita a emissão de gases e mantém os nutrientes disponíveis para que as raízes das plantas os absorvam em maior quantidade”, explica.

A tecnologia pode representar uma alternativa para melhorar a eficiência da adubação, especialmente diante da dependência brasileira de fertilizantes importados.

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Foto: Alefe Borges/Embrapa

Sabesp produz 124 mil toneladas de lodo por ano

O reaproveitamento do resíduo também pode representar uma redução nos custos de destinação das empresas de saneamento.

Atualmente, a Sabesp gera aproximadamente 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 estações de tratamento de água que opera no estado de São Paulo.

O custo médio de transporte e destinação é estimado em R$ 300 por tonelada. Nas maiores unidades, a movimentação do material pode exigir até 16 viagens diárias de caminhões.

Segundo Marco Barros, diretor corporativo de Produção de Água, Tratamento de Esgoto e Manutenção Estratégica da Sabesp, a companhia busca alternativas para reduzir o envio desses resíduos aos aterros sanitários.

A expectativa é que a tecnologia desenvolvida em parceria com a Embrapa possa ser aplicada futuramente em outras estações com características semelhantes.

Foto: Wagner Bettiol/Embrapa

Fertilizante também pode transportar bactérias benéficas

Além da liberação gradual de nutrientes, os pesquisadores investigaram a utilização dos grânulos como veículo para microrganismos que favorecem o crescimento das plantas.

Nos testes, a formulação apresentou compatibilidade com a bactéria Bacillus megaterium, associada à promoção do crescimento vegetal e ao melhor aproveitamento de nutrientes.

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O microrganismo permaneceu viável nos grânulos durante quase cinco meses de monitoramento, indicando potencial para o armazenamento e a aplicação de inoculantes biológicos.

Por outro lado, a formulação não apresentou resultados satisfatórios para a incorporação do fungo Trichoderma asperelloides, utilizado no controle biológico de doenças.

Pesquisa também avalia aplicação direta do lodo no solo

Em estudos paralelos, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente analisaram a possibilidade de utilizar o lodo de tratamento de água diretamente no solo, sem passar pelo processo de transformação em fertilizante.

Experimentos com milho e feijão demonstraram respostas diferentes conforme a quantidade de resíduo incorporada.

O feijão apresentou redução de biomassa em concentrações superiores a 25%, enquanto o milho tolerou concentrações de até 50% nas condições experimentais.

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Apesar disso, os pesquisadores identificaram limites menores como referência para aplicações com menor risco de desequilíbrios nutricionais.

Para a produção de alimentos, os resultados indicaram a utilização de doses de até 5% em proporção de peso. Já em projetos de recuperação de áreas degradadas e construção de solos artificiais, concentrações de até 15% apresentaram resultados considerados adequados nas condições avaliadas.

Esses resultados ainda não representam uma recomendação geral para aplicação do resíduo em lavouras comerciais.

Tecnologia busca parceiros para produção industrial

O projeto foi desenvolvido durante quatro anos, envolveu investimentos superiores a R$ 2,7 milhões e reuniu pesquisadores de diferentes unidades da Embrapa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A próxima etapa será a estruturação de um projeto-piloto industrial, além da realização de testes agronômicos em campo.

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Também será necessário avaliar os procedimentos regulatórios para eventual registro do fertilizante no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Caso a viabilidade técnica, econômica e regulatória seja confirmada, a tecnologia poderá oferecer uma nova alternativa para a destinação de resíduos do saneamento e a produção de fertilizantes com liberação gradual de nutrientes.

Fonte complementar: publicações técnicas da Embrapa confirmam o desenvolvimento dos concentrados zeolíticos a partir do lodo de estações de tratamento de água e seu potencial para fertilizantes de liberação controlada.

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Diálogo com Lula exige propostas concretas do agro, diz Ademiro Vian

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O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva deve seguir os mesmos moldes de ministérios agrícolas adotados na gestão atual, com o Mapa e o MDA à frente dos assuntos que regem o setor. Essa é a avaliação do especialista em finanças do agro, Ademiro Vian.

Contudo, ele acredita que, com base no discurso feito pelo presidente neste domingo (25), será uma administração mais voltada ao diálogo, algo positivo para solucionar os grandes problemas da agropecuária brasileira: endividamento, financiamento para as próximas safras, custos de produção e seguro rural.

Para Vian, existem recursos e mecanismos que podem ser oferecidos pelo governo, mesmo que com taxas não tão atrativas e subsidiadas, para que o produtor consiga pagar suas dívidas. “O importante para o produtor é ele ter previsibilidade, ter recursos na hora certa e ter uma taxa de juros que ele consiga pagar. Isso é possível sim com diálogo, como o presidente prometeu, e com um pouco mais de audácia nas propostas que serão feitas”, diz.

O especialista lembra que o Projeto de Lei nº 2,951/2024, que reformula o marco legal do seguro rural no Brasil, já está aprovado e sancionado e precisa apenas resolver a questão orçamentária para colocá-lo em execução.

Diante de todos os desafios do agro, Vian ressalta que o essencial é que o Executivo e a bancada do agro exercitem o diálogo a despeito das diferenças ideológicas.

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“Mas precisamos de um diálogo com propostas concretas, nada de radicalismos porque isso só vai trazer prejuízo para o agronegócio. [Se houver radicalismos] o setor vai ficar sem crédito, com o endividamento praticamente parado, sem solução, o que não é bom para ninguém. Quem acaba perdendo é o país, são os agricultores. Então estou apostando em um diálogo; mesma estrutura [de governo], mas um diálogo que consiga dar encaminhamento para esses problemas tão graves que a agricultura está vivendo hoje”, conclui.

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Oferta restrita sustenta alta do feijão preto no mercado brasileiro

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O mercado brasileiro de feijão manteve trajetória de valorização entre 15 e 22 de outubro, apoiado pela oferta restrita de lotes de melhor qualidade e por compras pontuais de reposição do varejo. Segundo o Indicador de preços Cepea/CNA, o feijão preto liderou as altas, enquanto o carioca registrou avanços mais moderados. No campo, o plantio da primeira safra 2026/2027 atingiu 20,9% da área acompanhada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com o levantamento, o percentual semeado está abaixo da média histórica de 22,3%. O atraso do plantio no Paraná e as chuvas que dificultam a colheita em São Paulo mantêm o mercado atento ao comportamento da oferta nas próximas semanas.

No feijão carioca peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços subiram, em média, 0,64% na semana. Itapeva (SP) teve alta de 1,91%, impulsionada pelo interesse nas primeiras ofertas da nova colheita. Em Barreiras (BA) e Sorriso (MT), houve recuo de 0,91% e 0,28%, respectivamente, em meio à resistência dos compradores aos preços pedidos.

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Para o feijão carioca notas 8,0 e 8,5, a valorização média foi de 1,17%, favorecida pela retomada das compras. As altas superaram 3% no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, em Sorriso (MT) e na capital paulista. Já Distrito Federal, Sul Goiano e Centro-Noroeste Goiano registraram queda de 0,45%, 0,81% e 1,85%, nessa ordem, refletindo diferenças na qualidade dos lotes e na necessidade de reposição.

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No feijão preto tipo 1, a alta média foi de 2,70%, com valorização em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Sorriso (MT) liderou os avanços, com 4,52%, seguido por Itapeva (SP), com 1,44%, e Curitiba (PR), com 0,27%. A entressafra e a menor disponibilidade de grãos de qualidade seguem dando sustentação aos preços.

Na avaliação do indicador, a oferta restrita mantém os preços firmes, especialmente no feijão preto. Para o carioca, o avanço da colheita em São Paulo pode ampliar a disponibilidade. No Paraná, o plantio alcançou 65% da área prevista, ante 74% no mesmo período de 2025.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Dólar mais alto deve favorecer preços do milho nos portos e na B3, aponta Grão Direto

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O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com queda de 3,80% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência fechou a R$ 65,53 por saca, baixa de 1,56% no período.

A ferramenta de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, traz os elementos que devem mexer com os preços do cereal nos próximos dias, após a definição da eleição presidencial que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. Confira:

  • Mercado interno com oferta folgada: milho segue com preços pressionados no mercado brasileiro, segundo o Cepea, por causa da boa disponibilidade do cereal. Os compradores seguem cautelosos, abastecidos no curto prazo e observando o plantio, enquanto os produtores estão mais flexíveis para negociar, seja para fazer caixa, seja por receio de novas quedas. A demanda das usinas de etanol de milho e das fábricas de ração para aves e suínos segue firme e deve continuar crescendo, conforme a Conab, o que ajuda a dar um piso aos preços.
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  • Dólar alto pode reanimar a exportação e a B3: a exportação de milho segue em ritmo mais lento que no ano passado, e a perda de competitividade nos portos vinha pesando sobre os preços internos. Com o dólar mais alto após as eleições, a paridade de exportação tende a melhorar, o que pode trazer algum fôlego às cotações nos portos e aos contratos na B3, que vinham com viés de baixa. Ainda assim, com oferta confortável, a reação no interior deve ser mais gradual do que nos portos. Na prática, a semana já começa com o milho valorizando mais de 3% na B3.
  • Chicago com pouco peso, mas atenção à colheita norte-americana: em Chicago, o milho segue pressionado pelo avanço da colheita nos EUA, que, segundo o relatório de andamento de safra do USDA, ainda está abaixo da média, mas deve ganhar ritmo com o tempo seco no Meio-Oeste nos próximos dias. A demanda externa pelo milho norte-americano aparenta estar firme, o que limita quedas maiores. Para o produtor brasileiro, porém, o efeito de Chicago nesta semana deve ser bem menor do que o do câmbio e do ritmo de compra da indústria nacional.
  • Macroeconomia e oportunidades: com a conclusão das eleições presidenciais, a Bolsa também teve uma manhã de forte turbulência. O Ibovespa caiu 10% ainda no leilão de abertura, pouco antes das 10h, e acionou o circuit breaker, uma pausa automática de 30 minutos nos negócios por causa da queda forte. Foi a primeira vez desde março de 2020, na pandemia. Na volta, o índice seguiu em queda forte e chegou a recuar mais de 16%, à casa dos 171 mil pontos. Os juros negociados na Bolsa para os próximos anos também dispararam: a taxa para 2031 passou de 12,58% para 14,46% ao ano logo cedo. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana. O Boletim Focus desta segunda, com projeções coletadas antes da votação, ainda previa dólar a R$ 5,05 no fim do ano, o que mostra o tamanho do ajuste. “Daqui para frente, o mercado vai acompanhar os primeiros sinais sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica”, destaca o Grainsights.

Também estão no radar a decisão de juros nos Estados Unidos na quarta-feira (28), com expectativa de manutenção, e a reunião do Copom em 3 e 4 de novembro. Dólar alto melhora o preço em reais e a competitividade da soja e do milho, mas também encarece fertilizantes, defensivos e o crédito atrelado à moeda.

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