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ITR 2026 muda nesta segunda: veja quem será obrigado a declarar pela internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador.
O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.
O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).
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A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.
Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.
A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).
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Business
FAEP cobra crédito emergencial após tornado atingir produtores no Paraná

O Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) cobrou dos governos do Paraná e federal a adoção de medidas emergenciais para atender moradores e produtores rurais afetados pelo tornado registrado no estado no sábado (8). Entre os pedidos estão a criação de linhas de crédito, o levantamento dos prejuízos e a priorização do restabelecimento da energia elétrica nas áreas atingidas.
As tempestades provocaram danos em diferentes municípios paranaenses. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), houve ocorrências em cidades como Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora.
De acordo com a Defesa Civil, casas, galpões e granjas foram danificados, enquanto árvores e postes foram derrubados. Também houve propriedades sem fornecimento de energia elétrica.
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A FAEP informou que pretende formalizar, no início desta semana, pedidos às Secretarias estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), além da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A entidade também defende que as Defesas Civis municipais façam um levantamento dos estragos e iniciem o atendimento das comunidades afetadas.
Para produtores rurais e demais moradores que tiveram prejuízos, a FAEP reivindica a disponibilização de crédito emergencial pré-aprovado. Em comunicado, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que áreas urbanas e rurais precisam de uma resposta coordenada do poder público e defendeu prioridade para o restabelecimento da energia. Segundo ele, mecanismos emergenciais de crédito seriam um primeiro passo para permitir a reconstrução e a retomada das atividades nas propriedades atingidas.
A entidade também voltou a pedir medidas preventivas diante da recorrência de fenômenos climáticos extremos no Paraná. Em julho, representantes de órgãos públicos, entidades e universidades participaram de reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para discutir os efeitos do El Niño no estado e estratégias de prevenção e resposta a tornados, vendavais e tempestades de granizo.
Segundo dados citados pela FAEP, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais na última década. Os eventos alcançaram os 399 municípios do estado, afetaram mais de 4,5 milhões de pessoas e provocaram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
Entre safras e gerações: o legado dos pais no campo

No Dia dos Pais, produtores contam como o exemplo, os valores e a convivência em família ultrapassam gerações
Ser pai é ensinar, proteger e deixar um legado. No campo, esse papel ganha um significado ainda maior, onde o exemplo é passado de geração em geração, fortalecendo não apenas as famílias, mas também a continuidade da produção rural. Neste Dia dos Pais (09.08), produtores da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) compartilham momentos que mostram como os valores aprendidos em casa seguem guiando o presente e construindo o futuro.
No ritmo das safras, a família ocupa um lugar central na vida do produtor rural. É dentro de casa que os filhos aprendem, desde cedo, valores como responsabilidade, respeito e dedicação. Muito antes de conhecerem o trabalho na lavoura, eles acompanham o exemplo dos pais e passam a compreender o significado de cuidar da terra e das pessoas.
Para o conselheiro fiscal da Aprosoja MT, Raul Pruinelli, a paternidade representa o maior projeto de vida. Mais do que formar sucessores para a propriedade, ele acredita que a principal missão de um pai é criar pessoas preparadas para construir a própria história.
“Construir uma família foi um marco muito importante na nossa vida. A expectativa de cada um de nós, depois do casamento, era justamente ser pai. Essa é a grande missão que temos: trazer um filho ao mundo, dar a ele todas as condições para se desenvolver, ser uma pessoa de bem e dar continuidade ao que construímos. Esse é o nosso grande projeto de vida”, contou.
Se para os filhos o pai é a principal referência, para quem ocupa esse papel o desafio é fazer com que os ensinamentos sejam transmitidos pelo exemplo do dia a dia. Na rotina do campo, onde a convivência entre as gerações está presente na lida, atitudes costumam ensinar mais do que palavras.
“A grande preocupação quando os filhos chegam é mostrar o caminho e dar o exemplo. O maior patrimônio que um pai deixa para os filhos é o exemplo, fazer o que é certo e mostrar os valores corretos. É isso que constrói uma base sólida para que eles possam seguir a própria caminhada”, contou o delegado do núcleo de Sinop, João Marcos Bustamante.
Os ensinamentos recebidos na infância também permanecem presentes quando chega a hora de assumir novas responsabilidades. Para delegado do núcleo de Sinop, Albino Galvan, a trajetória construída pelos pais foi o alicerce para tudo o que veio depois. Ao lembrar da dedicação da família para construir uma vida em Mato Grosso, ele faz questão de reconhecer quem abriu caminho para as novas gerações.
“Às vezes, a gente não sabe se está acertando ou errando como pai. Eu quero seguir o que meu pai e minha mãe me ensinaram. Sempre me emociono ao falar disso, porque existe uma lacuna entre nós. Naquela época, vocês trabalhavam de domingo a domingo, tudo era muito difícil e não existiam as facilidades e o acesso à informação que temos hoje. Eu digo que os verdadeiros heróis que nós tivemos dentro de Mato Grosso foram vocês. Eu simplesmente estou dando continuidade ao que meu pai fez e ao que vocês construíram. Sou muito grato por tudo isso”, afirma.
Em muitas propriedades rurais de Mato Grosso, o trabalho compartilhado entre pais e filhos é resultado dessa construção feita ao longo dos anos. O contato diário com a atividade desperta o interesse das novas gerações e torna a sucessão um processo natural, baseado na convivência e na confiança.
Para o produtor rural Célio Riffel, acompanhar esse processo é motivo de orgulho. Depois de ver os filhos crescerem no campo, hoje ele observa a nova geração assumir responsabilidades na condução da propriedade.
“Ser pai é motivo de muita satisfação e orgulho. Ver um filho nascer e crescer é algo muito especial. Sempre moramos no interior, e nossos filhos cresceram brincando na roça, acompanhando o nosso trabalho. Foi muito gratificante ver que eles passaram a gostar do que fazíamos. Hoje, meu filho segue os nossos passos e praticamente conduz a lavoura, enquanto eu fico mais na retaguarda. Isso é motivo de muito orgulho”, destacou.
Assim como uma lavoura precisa de cuidado para produzir boas safras, a construção de uma família também exige dedicação diária. No campo, onde o tempo ensina que tudo é resultado de trabalho e paciência, ser pai é plantar valores que continuarão florescendo por muitas gerações.
Agro Mato Grosso
Trichoderma amplia tolerância de culturas a estresses abióticos

Pesquisadores reuniram evidências sobre salinidade, seca e metais e aponta limites para uso no campo
Fungos do gênero Trichoderma podem ampliar a tolerância de culturas agrícolas à salinidade, à seca e à contaminação por metais pesados por meio de alterações no sistema radicular, na fotossíntese, no equilíbrio iônico e nas defesas antioxidantes. Pesquisadores chineses reuniram resultados disponíveis até junho de 2026. Apontaram forte dependência da linhagem utilizada, da cultura, do método de aplicação e das condições ambientais. Eles alertam para a falta de validação ampla em campo, principalmente diante de temperaturas extremas e estresses combinados.
O estudo analisou o uso de Trichoderma como agente de controle biológico, biofertilizante e bioestimulante microbiano. A síntese abrange salinidade, déficit hídrico, metais pesados, temperaturas extremas e poluentes emergentes. Os mecanismos descritos incluem mudanças na arquitetura das raízes, regulação antioxidante, ajuste osmótico, aquisição de nutrientes, homeostase de íons, equilíbrio hormonal e expressão de genes ligados à resposta ao estresse.
Fungo, planta e rizosfera
Os efeitos dependem da interação entre fungo, planta e rizosfera. A linhagem precisa apresentar características genéticas e metabólicas adequadas, sobreviver ao armazenamento e à aplicação, alcançar a região das raízes e manter colonização funcional. O processo também sofre influência do solo, da microbiota residente, do genótipo da planta e da intensidade do estresse.
A diversidade genética dentro do gênero ajuda a explicar diferenças entre resultados. Uma análise de 25 linhagens agrícolas e industriais encontrou 4.960 genes compartilhados e um pangenoma aberto. Pesquisadores relacionam genes acessórios e específicos de cada linhagem a funções como metabolismo secundário, interação com plantas, competição microbiana e adaptação ambiental.
Colonização radicular
A colonização radicular ocupa posição central nesse processo. Espécies como Trichoderma harzianum, Trichoderma asperellum, Trichoderma virens e Trichoderma atroviride podem atuar na rizosfera e nos tecidos superficiais das raízes. Compostos liberados pelos fungos influenciam ramificação radicular, formação de pelos absorventes e sinalização hormonal. O aumento da superfície radicular favorece a absorção de água e nutrientes sob condições adversas.
Resultados em salinidade
A salinidade concentra algumas das evidências agronômicas mais consistentes. Em mostarda-da-índia, Brassica juncea, a aplicação de Trichoderma harzianum em solo naturalmente salino elevou clorofila, prolina, teor de óleo e acúmulo de nutrientes. O tratamento também reduziu a absorção de sódio e a relação entre sódio e potássio. A aplicação via composto aumentou a produtividade de sementes em cerca de 23%. O teor de óleo cresceu entre 19% e 23,4%.
Outro experimento mostrou redução da relação entre sódio e potássio de 2,14 para cerca de 0,92 no genótipo Tori-7 sob o tratamento mais intenso com composto. Segundo pesquisadores, esse resultado indica participação do fungo na estabilização iônica, além do estímulo ao crescimento.
Resultados em citros reforçam esse mecanismo. A inoculação com Trichoderma harzianum aumentou crescimento, biomassa, taxa fotossintética, condutância estomática e teor de clorofila sob estresse salino. As plantas acumularam menos sódio e apresentaram maior expressão de genes associados ao transporte de água e à resposta ao excesso de sal.
Dados em seca
Na seca, os resultados envolvem principalmente manutenção do sistema radicular, uso da água, fotossíntese e controle do estresse oxidativo. A inoculação com Trichoderma asperellum melhorou nutrição, concentração de clorofila e carotenoides, taxa fotossintética, condutância estomática e eficiência no uso da água em cana-de-açúcar. O tratamento também elevou a atividade de enzimas antioxidantes e o acúmulo de prolina.
Em milho, uma linhagem de Trichoderma asperellum aplicada às sementes manteve populações do fungo ao longo do desenvolvimento da cultura e reduziu os efeitos do déficit hídrico. Em arroz, o biopriming com Trichoderma harzianum alterou respostas moleculares associadas à tolerância posterior à falta de água.
Tratamentos combinados
Os cientistas alertam para ter cautela na interpretação de tratamentos combinados. Um experimento com pimentão utilizou biochar incorporado ao solo e uma suspensão independente de Trichoderma harzianum. O estudo avaliou coaplicação, mas não comprovou o biochar como veículo do fungo. Sob irrigação correspondente a 50% do regime avaliado, o tratamento combinado elevou em mais de 40% a atividade de três enzimas antioxidantes e reduziu o peróxido de hidrogênio em aproximadamente 25%. Outro marcador de dano oxidativo, no entanto, apresentou resposta divergente.
Metais pesados
Os metais pesados formam outra frente de pesquisa. Em mostarda-da-índia submetida a cádmio, a combinação entre Trichoderma harzianum e ácido poliaspártico aumentou o volume radicular em 30,65% e a biomassa total em 42,38%. O acúmulo total de cádmio subiu 79,11%. A concentração do metal nas folhas cresceu até 71,12%. Os pesquisadores interpretam o resultado como aumento simultâneo da tolerância da planta e da capacidade de remoção do contaminante.
A mesma combinação elevou a eficiência de remoção de cádmio do solo de 21,71% para 38,27% em outro estudo. As análises também detectaram mudanças na comunidade microbiana da rizosfera. A revisão ressalta uma limitação: associações obtidas por análises de coocorrência não comprovam relações causais nem demonstram recuperação funcional da rede microbiana.
Calor e frio
As evidências para calor e frio permanecem mais restritas. Estudos com Trichoderma harzianum após exposição ao calor demonstraram sobrevivência e adaptação do próprio fungo. Esses dados não comprovam proteção térmica das culturas, manutenção da produtividade ou estabilidade em campo.
Para ampliar a aplicação agrícola, os pesquisadores recomendam seleção específica de linhagens para cada cultura, estudos de genes e proteínas envolvidos nas respostas, padronização de formulações, experimentos com múltiplos estresses e ensaios em diferentes locais. A revisão também aponta necessidade de avaliações de biossegurança e análises econômicas em escala de produtor. O avanço dessas etapas poderá definir com maior precisão onde os inoculantes de Trichoderma entregam respostas reproduzíveis sob condições comerciais (doi 10.3390/jof12080578).
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