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10 de agosto de 2026

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Resistência a fungicidas aumenta desafio de manejo na soja

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Foto: Rainbow Agro/Divulgação

O manejo fitossanitário da soja ficou mais complexo nos últimos anos com a perda de sensibilidade de moléculas, mudanças no calendário de semeadura, irregularidade climática e menor margem para erros. O cenário exige que a escolha dos fungicidas considere não apenas o produto, mas o momento e a estratégia em que ele será utilizado.

A presença de cultivos sucessivos e a ampliação da janela de semeadura também contribuem para a manutenção de inóculo no ambiente. Ao mesmo tempo, períodos de estiagem intercalados com chuvas concentradas podem reduzir os dias disponíveis para aplicação justamente quando a lavoura precisa ser protegida.

Para Luiz Marcandalli, diretor de Marketing da Rainbow Brasil, a combinação desses fatores mudou a lógica de decisão no campo. “O manejo fitossanitário brasileiro ficou mais complexo pela soma de quatro fatores”, explica. Entre eles, cita a perda de sensibilidade de moléculas, o alongamento da janela de semeadura, a irregularidade climática e a compressão das margens do produtor.

Nesse cenário, a estratégia precisa começar antes mesmo da semeadura e considerar histórico da área, cultivar, ciclo, clima da microrregião e estádio da cultura. Uma área com ocorrência anterior de mofo-branco, por exemplo, pode exigir mudanças em todo o programa, enquanto a arquitetura da planta e o fechamento das entrelinhas interferem na capacidade de atingir diferentes partes do dossel.

Ferrugem e mancha-alvo exigem atenção diferente

rainbow agro foto divulgação publieditorial
Foto: Rainbow Agro/Divulgação

Na soja, a ferrugem-asiática continua sendo a doença com maior potencial de dano, mas a mancha-alvo é apontada pela Rainbow como o principal desafio de manejo diante da perda de sensibilidade a estrobilurinas e carboxamidas. “Se a pergunta é qual causa mais dano, a resposta é ferrugem. Se a pergunta é qual tem menos ferramenta disponível, a resposta é mancha-alvo”, afirma Marcandalli.

As diferenças entre as doenças também mudam a estratégia. A ferrugem exige proteção preventiva, enquanto a mancha-alvo demanda rotação rigorosa de mecanismos de ação e atenção à escolha da cultivar. Nas doenças de final de ciclo, o desafio está em antecipar o manejo, já que a infecção pode começar ainda na fase vegetativa, antes que os sintomas sejam percebidos.

O momento da aplicação também interfere no resultado do programa. Segundo Marcandalli, o fungicida pode atuar como protetor ou remediador dependendo de quando é utilizado. Por isso, a empresa recomenda iniciar a proteção ainda na fase vegetativa, com a chamada aplicação V0, por volta de 20 dias após a emergência, e manter os intervalos de aplicação de acordo com o risco epidemiológico e a persistência do produto.

A tecnologia de aplicação entra na mesma equação. Volume de calda, tamanho de gota e capacidade de penetração no dossel podem determinar o quanto do produto chega ao alvo. “O momento de aplicação define se o fungicida vai trabalhar como protetor ou como remediador. É a variável de maior peso sobre o resultado final e, ao mesmo tempo, a mais barata de acertar”, destaca.

O mofo-branco acrescenta outra camada ao manejo, já que não depende apenas do fungicida. Rotação de culturas, cobertura do solo e densidade de plantas fazem parte da prevenção, enquanto a aplicação precisa ser posicionada antes do fechamento das entrelinhas.

Pesquisa global parte de demandas do campo

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Foto: Rainbow Agro/Divulgação

É a partir dessa complexidade que a Rainbow apresenta a nova fase da campanha Fator WOW!, agora com foco no portfólio por cultura. A proposta é mostrar como a estrutura global de pesquisa e desenvolvimento da empresa é conectada às necessidades encontradas nas lavouras brasileiras, com a soja como um dos principais eixos e milho, algodão e cana-de-açúcar ampliando essa atuação.

A empresa mantém três centros de Pesquisa e Desenvolvimento na China, país de origem que se consolida como potência global em inovação agrícola, com mais de 520 pesquisadores. Conforme Marcandalli, as demandas brasileiras são identificadas junto a produtores, canais de distribuição e instituições de pesquisa e, posteriormente, avaliadas pelas áreas de Marketing e P&D antes de seguirem para a plataforma global de desenvolvimento.

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Foto: Rainbow Agro/Divulgação

A partir daí, uma necessidade brasileira pode resultar na adaptação de uma formulação existente ou no desenvolvimento de uma combinação voltada especificamente ao país. Um dos exemplos citados é o Zerrust Mixx, fungicida que reúne clorotalonil, picoxistrobina e tebuconazol e que, segundo a empresa, nasceu de uma lacuna identificada no manejo da ferrugem asiática e da mancha-alvo. Outro é o Furion, inseticida desenvolvido a partir de desafios relacionados ao controle de lagartas no país.

“Em ambos os casos, a origem não foi uma molécula nova, mas uma leitura do problema brasileiro traduzida em formulação”, explica Marcandalli.

Soluções Rainbow para cada cultura

Na soja, o portfólio de fungicidas conta com ferramentas de destaque como o Zerrust Mixx, voltado ao controle consistente de ferrugem asiática, mancha-alvo e doenças de final de ciclo (DFCs); o Rustban, com atuação no controle de manchas foliares; o Kromstar, indicado no manejo das doenças de final de ciclo; o Adiconstar, que proporciona atuação sobre amplo espectro de doenças; e o Kryver Xtra, tecnologia que promove plantas protegidas por dentro e por fora.

No milho, a companhia mantém o mesmo nível de excelência tecnológica, com o Kingstar Xtra, fungicida que favorece maior sanidade foliar e folhas mais ativas; o Zerrust Mixx, com atuação sobre a mancha branca e a ferrugem; o Caterole Plus, inseticida indicado no controle de lagartas; o Aceway, com ação sobre a cigarrinha-do-milho e o percevejo-barriga-verde; e o Mesozine Xtra, herbicida que entrega performance com efeito residual prolongado.

Para a cana-de-açúcar, o portfólio responde aos desafios da produção com o Peakstar, fungicida que contribui para qualidade e produtividade; o Masipro, inseticida indicado no controle da broca-da-cana e do gorgulho; o Aceway, que atua sobre a cigarrinha-das-raízes e o bicudo-da-cana; o Mesozine Xtra, herbicida com formulação concentrada e com balanço exclusivo de ativos; e o Esifon Full, regulador de crescimento que contribui para o equilíbrio hormonal do ciclo reprodutivo da cultura.

Na cultura do algodão, o portfólio atua com o mesmo nível de tecnologia global. O Zerrust Mixx e o Rustban são as referências no manejo de doenças foliares, cobrindo ramulária, ramulose e mancha-alvo, com destaque para a ramulária, hoje o principal desafio fitossanitário da cultura, em que a associação entre multissítio e sítios-específicos ajuda a preservar a eficácia dos programas ao longo de um ciclo longo de aplicações. O Aceway atua sobre o bicudo-do-algodoeiro, a mosca-branca e o pulgão-do-algodoeiro. E o Esifon Full, regulador de crescimento, favorece a uniformização do período reprodutivo.

Tecnologia conectada ao campo

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Foto: Rainbow Agro/Divulgação

Antes de chegar ao produtor, as soluções passam por validação agronômica no Brasil, incluindo ensaios conduzidos com instituições de pesquisa independentes. A Rainbow também mantém centros de distribuição em Mato Grosso e outros estados produtores, além de equipe comercial nas principais regiões agrícolas.

Sustentando toda essa retaguarda técnica, a Rainbow fundamenta sua atuação em quatro pilares essenciais: Portfólio Robusto, Valor Conveniente, Serviços Eficientes e Parceria Confiável. Guiada pelo lema “Tudo sobre Crescimento”, a organização cultiva uma cultura centrada no cliente, pautada por respostas ágeis, flexibilidade operacional e profundo respeito às estratégias de canal.

O portfólio brasileiro da Rainbow reúne mais de 80 produtos, entre fungicidas, inseticidas, herbicidas e bioestimulantes. Para Marcandalli, a experiência no mercado mostrou que a amplitude precisa estar acompanhada de posicionamento técnico por cultura, região e momento da safra. É essa combinação entre tecnologia, manejo e proximidade com o campo que sustenta a nova etapa do Fator WOW! e a proposta “Rainbow. Tudo sobre Crescimento.”

O fator WOW! que faltava na sua lavoura está aqui.

O CONTEÚDO DESTA PUBLICAÇÃO É DESTINADO A AGRICULTORES, ENGENHEIROS AGRÔNOMOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DO SETOR AGRÍCOLA. ATENÇÃO: O USO DO PRODUTO DE ACORDO COM A BULA E AS INSTRUÇÕES DE USO RECOMENDADAS PELO FABRICANTE É DE TOTAL RESPONSABILIDADE DO USUÁRIO.

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FAEP cobra crédito emergencial após tornado atingir produtores no Paraná

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O Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) cobrou dos governos do Paraná e federal a adoção de medidas emergenciais para atender moradores e produtores rurais afetados pelo tornado registrado no estado no sábado (8). Entre os pedidos estão a criação de linhas de crédito, o levantamento dos prejuízos e a priorização do restabelecimento da energia elétrica nas áreas atingidas.

As tempestades provocaram danos em diferentes municípios paranaenses. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), houve ocorrências em cidades como Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora.

De acordo com a Defesa Civil, casas, galpões e granjas foram danificados, enquanto árvores e postes foram derrubados. Também houve propriedades sem fornecimento de energia elétrica.

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A FAEP informou que pretende formalizar, no início desta semana, pedidos às Secretarias estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), além da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A entidade também defende que as Defesas Civis municipais façam um levantamento dos estragos e iniciem o atendimento das comunidades afetadas.

Para produtores rurais e demais moradores que tiveram prejuízos, a FAEP reivindica a disponibilização de crédito emergencial pré-aprovado. Em comunicado, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que áreas urbanas e rurais precisam de uma resposta coordenada do poder público e defendeu prioridade para o restabelecimento da energia. Segundo ele, mecanismos emergenciais de crédito seriam um primeiro passo para permitir a reconstrução e a retomada das atividades nas propriedades atingidas.

A entidade também voltou a pedir medidas preventivas diante da recorrência de fenômenos climáticos extremos no Paraná. Em julho, representantes de órgãos públicos, entidades e universidades participaram de reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para discutir os efeitos do El Niño no estado e estratégias de prevenção e resposta a tornados, vendavais e tempestades de granizo.

Segundo dados citados pela FAEP, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais na última década. Os eventos alcançaram os 399 municípios do estado, afetaram mais de 4,5 milhões de pessoas e provocaram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro Mato Grosso

Entre safras e gerações: o legado dos pais no campo

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No Dia dos Pais, produtores contam como o exemplo, os valores e a convivência em família ultrapassam gerações

Ser pai é ensinar, proteger e deixar um legado. No campo, esse papel ganha um significado ainda maior, onde o exemplo é passado de geração em geração, fortalecendo não apenas as famílias, mas também a continuidade da produção rural. Neste Dia dos Pais (09.08), produtores da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) compartilham momentos que mostram como os valores aprendidos em casa seguem guiando o presente e construindo o futuro.

No ritmo das safras, a família ocupa um lugar central na vida do produtor rural. É dentro de casa que os filhos aprendem, desde cedo, valores como responsabilidade, respeito e dedicação. Muito antes de conhecerem o trabalho na lavoura, eles acompanham o exemplo dos pais e passam a compreender o significado de cuidar da terra e das pessoas.

Para o conselheiro fiscal da Aprosoja MT, Raul Pruinelli, a paternidade representa o maior projeto de vida. Mais do que formar sucessores para a propriedade, ele acredita que a principal missão de um pai é criar pessoas preparadas para construir a própria história.

“Construir uma família foi um marco muito importante na nossa vida. A expectativa de cada um de nós, depois do casamento, era justamente ser pai. Essa é a grande missão que temos: trazer um filho ao mundo, dar a ele todas as condições para se desenvolver, ser uma pessoa de bem e dar continuidade ao que construímos. Esse é o nosso grande projeto de vida”, contou.

Se para os filhos o pai é a principal referência, para quem ocupa esse papel o desafio é fazer com que os ensinamentos sejam transmitidos pelo exemplo do dia a dia. Na rotina do campo, onde a convivência entre as gerações está presente na lida, atitudes costumam ensinar mais do que palavras.

“A grande preocupação quando os filhos chegam é mostrar o caminho e dar o exemplo. O maior patrimônio que um pai deixa para os filhos é o exemplo, fazer o que é certo e mostrar os valores corretos. É isso que constrói uma base sólida para que eles possam seguir a própria caminhada”, contou o delegado do núcleo de Sinop, João Marcos Bustamante.

Os ensinamentos recebidos na infância também permanecem presentes quando chega a hora de assumir novas responsabilidades. Para delegado do núcleo de Sinop, Albino Galvan, a trajetória construída pelos pais foi o alicerce para tudo o que veio depois. Ao lembrar da dedicação da família para construir uma vida em Mato Grosso, ele faz questão de reconhecer quem abriu caminho para as novas gerações.

“Às vezes, a gente não sabe se está acertando ou errando como pai. Eu quero seguir o que meu pai e minha mãe me ensinaram. Sempre me emociono ao falar disso, porque existe uma lacuna entre nós. Naquela época, vocês trabalhavam de domingo a domingo, tudo era muito difícil e não existiam as facilidades e o acesso à informação que temos hoje. Eu digo que os verdadeiros heróis que nós tivemos dentro de Mato Grosso foram vocês. Eu simplesmente estou dando continuidade ao que meu pai fez e ao que vocês construíram. Sou muito grato por tudo isso”, afirma.

Em muitas propriedades rurais de Mato Grosso, o trabalho compartilhado entre pais e filhos é resultado dessa construção feita ao longo dos anos. O contato diário com a atividade desperta o interesse das novas gerações e torna a sucessão um processo natural, baseado na convivência e na confiança.

Para o produtor rural Célio Riffel, acompanhar esse processo é motivo de orgulho. Depois de ver os filhos crescerem no campo, hoje ele observa a nova geração assumir responsabilidades na condução da propriedade.

“Ser pai é motivo de muita satisfação e orgulho. Ver um filho nascer e crescer é algo muito especial. Sempre moramos no interior, e nossos filhos cresceram brincando na roça, acompanhando o nosso trabalho. Foi muito gratificante ver que eles passaram a gostar do que fazíamos. Hoje, meu filho segue os nossos passos e praticamente conduz a lavoura, enquanto eu fico mais na retaguarda. Isso é motivo de muito orgulho”, destacou.

Assim como uma lavoura precisa de cuidado para produzir boas safras, a construção de uma família também exige dedicação diária. No campo, onde o tempo ensina que tudo é resultado de trabalho e paciência, ser pai é plantar valores que continuarão florescendo por muitas gerações.

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Agro Mato Grosso

Trichoderma amplia tolerância de culturas a estresses abióticos

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Pesquisadores reuniram evidências sobre salinidade, seca e metais e aponta limites para uso no campo

Fungos do gênero Trichoderma podem ampliar a tolerância de culturas agrícolas à salinidade, à seca e à contaminação por metais pesados por meio de alterações no sistema radicular, na fotossíntese, no equilíbrio iônico e nas defesas antioxidantes. Pesquisadores chineses reuniram resultados disponíveis até junho de 2026. Apontaram forte dependência da linhagem utilizada, da cultura, do método de aplicação e das condições ambientais. Eles alertam para a falta de validação ampla em campo, principalmente diante de temperaturas extremas e estresses combinados.

O estudo analisou o uso de Trichoderma como agente de controle biológico, biofertilizante e bioestimulante microbiano. A síntese abrange salinidade, déficit hídrico, metais pesados, temperaturas extremas e poluentes emergentes. Os mecanismos descritos incluem mudanças na arquitetura das raízes, regulação antioxidante, ajuste osmótico, aquisição de nutrientes, homeostase de íons, equilíbrio hormonal e expressão de genes ligados à resposta ao estresse.

Fungo, planta e rizosfera

Os efeitos dependem da interação entre fungo, planta e rizosfera. A linhagem precisa apresentar características genéticas e metabólicas adequadas, sobreviver ao armazenamento e à aplicação, alcançar a região das raízes e manter colonização funcional. O processo também sofre influência do solo, da microbiota residente, do genótipo da planta e da intensidade do estresse.

A diversidade genética dentro do gênero ajuda a explicar diferenças entre resultados. Uma análise de 25 linhagens agrícolas e industriais encontrou 4.960 genes compartilhados e um pangenoma aberto. Pesquisadores relacionam genes acessórios e específicos de cada linhagem a funções como metabolismo secundário, interação com plantas, competição microbiana e adaptação ambiental.

Colonização radicular

A colonização radicular ocupa posição central nesse processo. Espécies como Trichoderma harzianum, Trichoderma asperellum, Trichoderma virens e Trichoderma atroviride podem atuar na rizosfera e nos tecidos superficiais das raízes. Compostos liberados pelos fungos influenciam ramificação radicular, formação de pelos absorventes e sinalização hormonal. O aumento da superfície radicular favorece a absorção de água e nutrientes sob condições adversas.

Resultados em salinidade

A salinidade concentra algumas das evidências agronômicas mais consistentes. Em mostarda-da-índia, Brassica juncea, a aplicação de Trichoderma harzianum em solo naturalmente salino elevou clorofila, prolina, teor de óleo e acúmulo de nutrientes. O tratamento também reduziu a absorção de sódio e a relação entre sódio e potássio. A aplicação via composto aumentou a produtividade de sementes em cerca de 23%. O teor de óleo cresceu entre 19% e 23,4%.

Outro experimento mostrou redução da relação entre sódio e potássio de 2,14 para cerca de 0,92 no genótipo Tori-7 sob o tratamento mais intenso com composto. Segundo pesquisadores, esse resultado indica participação do fungo na estabilização iônica, além do estímulo ao crescimento.

Resultados em citros reforçam esse mecanismo. A inoculação com Trichoderma harzianum aumentou crescimento, biomassa, taxa fotossintética, condutância estomática e teor de clorofila sob estresse salino. As plantas acumularam menos sódio e apresentaram maior expressão de genes associados ao transporte de água e à resposta ao excesso de sal.

Dados em seca

Na seca, os resultados envolvem principalmente manutenção do sistema radicular, uso da água, fotossíntese e controle do estresse oxidativo. A inoculação com Trichoderma asperellum melhorou nutrição, concentração de clorofila e carotenoides, taxa fotossintética, condutância estomática e eficiência no uso da água em cana-de-açúcar. O tratamento também elevou a atividade de enzimas antioxidantes e o acúmulo de prolina.

Em milho, uma linhagem de Trichoderma asperellum aplicada às sementes manteve populações do fungo ao longo do desenvolvimento da cultura e reduziu os efeitos do déficit hídrico. Em arroz, o biopriming com Trichoderma harzianum alterou respostas moleculares associadas à tolerância posterior à falta de água.

Tratamentos combinados

Os cientistas alertam para ter cautela na interpretação de tratamentos combinados. Um experimento com pimentão utilizou biochar incorporado ao solo e uma suspensão independente de Trichoderma harzianum. O estudo avaliou coaplicação, mas não comprovou o biochar como veículo do fungo. Sob irrigação correspondente a 50% do regime avaliado, o tratamento combinado elevou em mais de 40% a atividade de três enzimas antioxidantes e reduziu o peróxido de hidrogênio em aproximadamente 25%. Outro marcador de dano oxidativo, no entanto, apresentou resposta divergente.

Metais pesados

Os metais pesados formam outra frente de pesquisa. Em mostarda-da-índia submetida a cádmio, a combinação entre Trichoderma harzianum e ácido poliaspártico aumentou o volume radicular em 30,65% e a biomassa total em 42,38%. O acúmulo total de cádmio subiu 79,11%. A concentração do metal nas folhas cresceu até 71,12%. Os pesquisadores interpretam o resultado como aumento simultâneo da tolerância da planta e da capacidade de remoção do contaminante.

A mesma combinação elevou a eficiência de remoção de cádmio do solo de 21,71% para 38,27% em outro estudo. As análises também detectaram mudanças na comunidade microbiana da rizosfera. A revisão ressalta uma limitação: associações obtidas por análises de coocorrência não comprovam relações causais nem demonstram recuperação funcional da rede microbiana.

Calor e frio

As evidências para calor e frio permanecem mais restritas. Estudos com Trichoderma harzianum após exposição ao calor demonstraram sobrevivência e adaptação do próprio fungo. Esses dados não comprovam proteção térmica das culturas, manutenção da produtividade ou estabilidade em campo.

Para ampliar a aplicação agrícola, os pesquisadores recomendam seleção específica de linhagens para cada cultura, estudos de genes e proteínas envolvidos nas respostas, padronização de formulações, experimentos com múltiplos estresses e ensaios em diferentes locais. A revisão também aponta necessidade de avaliações de biossegurança e análises econômicas em escala de produtor. O avanço dessas etapas poderá definir com maior precisão onde os inoculantes de Trichoderma entregam respostas reproduzíveis sob condições comerciais (doi 10.3390/jof12080578).

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