Connect with us
2 de agosto de 2026

Business

Doença misteriosa surge na colheita e já causa prejuízo de mais de R$ 100 mil em lavoura de milho em MT

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Uma doença fúngica identificada apenas durante a colheita tem preocupado produtores de milho em Mato Grosso. Em São José do Rio Claro, um agricultor já contabiliza prejuízo superior a R$ 100 mil nos primeiros talhões colhidos, enquanto pesquisadores buscam compreender o comportamento do patógeno e sua participação nas perdas registradas nas lavouras.

O problema ocorre em meio ao avanço da colheita da segunda safra. No município, dos cerca de 100 mil hectares cultivados com milho, aproximadamente 15% da área havia sido colhida até o momento da reportagem do projeto Mais Milho.

Apesar das boas condições climáticas registradas ao longo do ciclo, produtores relatam preocupação com a rentabilidade da cultura, pressionada pelos altos custos de produção e pelos preços considerados baixos para o cereal.

Além do cenário econômico, a descoberta da doença durante a retirada dos grãos do campo acendeu um sinal de alerta entre agricultores e pesquisadores. Como os sintomas não aparecem durante o desenvolvimento da planta, muitos casos só são identificados quando as espigas são abertas ou passam pela colheita mecanizada.

Milho grão foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Milho avança, mas preocupação cresce

Em São José do Rio Claro, a maior parte dos produtores optou por respeitar a janela considerada adequada para o cultivo do milho. O receio de enfrentar perdas em uma safra de custos elevados fez com que muitos agricultores evitassem apostas fora do período recomendado.

Conforme o presidente do Sindicato Rural de São José do Rio Claro, Aparecido Rodrigues, uma produtividade abaixo do esperado pode comprometer a rentabilidade da atividade, “porque o custo está caro, e hoje você plantar uma lavoura e não produzir razoável você fica no vermelho”.

Ele explica que as características dos solos da região exigem ainda mais cautela na tomada de decisão. “Tem um agravante a mais aqui. Essa terra é mista e sente mais o sol, então você tem que tomar muito cuidado, se está fora da janela não adianta arriscar não”.

Quem ficou fora do período ideal buscou alternativas para ocupar as áreas, com culturas como feijão caupi, gergelim, sorgo e até braquiária para formação de matéria orgânica destinada à soja.

Apesar das margens apertadas, Aparecido destaca que a chegada das usinas de etanol de milho trouxe mais segurança para a comercialização da produção na região. “A gente tem que agradecer muito essas usinas de etanol de milho. Depois que entraram melhorou 100%. Antes você via aquelas pilhas de milho no tempo, ninguém comprava e quando comprava era por R$ 8, R$ 10 reais a saca”.

Podridão salmão do milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Problema só aparece na colheita

Entre os produtores que conseguiram plantar dentro da janela, a avaliação é positiva em relação ao clima. As chuvas e períodos de sol ocorreram em momentos favoráveis para o desenvolvimento da cultura, aumentando a expectativa por uma boa produtividade.

O agricultor Cleverson Bertamoni, que cultivou 1.550 hectares de milho nesta safra, afirma ao Canal Rural Mato Grosso que as condições climáticas foram melhores do que as registradas no ano passado. “O clima esse ano ajudou bem mais do que o ano passado, está sendo melhor, veio chuva na hora certa, choveu mais tarde, veio sol na hora certa“.

Mesmo com o bom desempenho das lavouras, a comercialização preocupa. Segundo ele, os preços atuais não acompanham a alta dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. “Se você não fez contrato futuro e resolver vender o milho da mão para boca, igual a gente fala, você vai pegar R$ 40 não paga o custo”.

A situação ficou ainda mais delicada quando a colheita começou. Em uma área de 230 hectares, os primeiros talhões apresentaram perdas estimadas em cerca de 19 sacas por hectare. O problema chamou a atenção porque não havia qualquer sinal visível durante o ciclo da cultura.

De acordo com o produtor, externamente as espigas aparentam normalidade, o que dificulta a identificação antecipada da doença. “A palha está sadia, se você não abre você não vê”.

Cleverson conta que os primeiros casos pareciam isolados, mas a incidência aumentou conforme a colheita avançou.

“Nós achávamos em uma espiga ou outra, a gente achava que o problema não iria ser tão grande a nível de pegar todos os talhões da fazenda”.

Como menos de 20% da área foi colhida até agora, ainda não é possível mensurar o tamanho total dos prejuízos. O produtor teme que o problema continue aparecendo nos próximos talhões e observa que a permanência do milho no campo parece favorecer o avanço da doença. “Não colhi nem 20% ainda da área, então essas perdas podem aumentar, a gente não pode dimensionar ainda”.

Ele relata que foram realizadas três aplicações de fungicidas ao longo do ciclo, incluindo uma aplicação preventiva, mas sem resultados satisfatórios. “O prejuízo nesses primeiros talhões já é superior a R$ 100 mil, fora que estamos só no começo”.

Podridão salmão do milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fundação Rio Verde intensifica investigação

Diante dos relatos registrados em campo, a Fundação Rio Verde ampliou o monitoramento das áreas afetadas para entender melhor a ocorrência da doença e os danos observados nas espigas.

A pesquisadora Luana Belufi explica que a chamada “podridão salmão da espiga” está associada à presença de fungos que afetam diretamente os grãos e podem provocar sintomas característicos durante a fase final da cultura.

Um dos principais sinais observados é a coloração salmão que aparece na palha e também nos grãos das espigas comprometidas. “Um dos sinais que mais chamam a atenção é a formação dessa coloração salmão”.

Segundo a pesquisadora, a identificação correta é fundamental porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças já conhecidas pelos produtores. “É importante observar essa formação desse sinal avermelhado que é possível ver aqui nos grãos para diferenciar dos outros sintomas, dos outros patógenos que também podem estar ocorrendo ali no campo, como Fusarium e a Diplodia”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Os estudos também buscam compreender quais fatores favorecem a ocorrência do problema e qual é a real participação desse fungo nos danos observados nas lavouras da região.

Conforme a pesquisadora Isabela Ulsenheimer, os prejuízos não se limitam à produtividade. “Nas espigas afetadas ocorre a deterioração desses grãos e o aumento da incidência desses grãos avariados, e isso resulta descontos na comercialização”.

Ela acrescenta que as equipes trabalham na caracterização dos sintomas e na compreensão da distribuição da doença nas regiões produtoras.

Diagnóstico é apontado como principal ferramenta

Enquanto as pesquisas avançam, a recomendação é que produtores e técnicos reforcem o monitoramento das áreas durante a colheita e observem atentamente as espigas com sinais de deterioração.

Os pesquisadores avaliam que o cenário ainda exige cautela e que a presença da doença pode estar relacionada a um conjunto de fatores, não necessariamente a um único agente causador.

Segundo Luana Belufi, o foco neste momento é ampliar o entendimento sobre o problema antes de associá-lo definitivamente a uma única causa. “Nesse momento mais importante do que associar o problema a um único fungo é compreender, estamos diante de um complexo de fatores e que possíveis agentes podem estar envolvidos”.

A pesquisadora reforça que a identificação correta dos sintomas continua sendo a principal ferramenta para orientar futuras estratégias de manejo e auxiliar a tomada de decisão dentro das propriedades. “O diagnóstico sempre é a melhor ferramenta para orientar qualquer tomada de decisão”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no site do Canal Rural

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no YouTube


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Doença misteriosa surge na colheita e já causa prejuízo de mais de R$ 100 mil em lavoura de milho em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Empresa contrata 200 profissionais para laboratórios de algodão

Published

on


Foto: Embrapa

O Bureau Veritas abriu cerca de 200 vagas para atuação em seus laboratórios de classificação de fibra de algodão em Mato Grosso. As oportunidades são para os cargos de auxiliar de laboratório e operador de HVI (High Volume Instrument) e estão distribuídas entre cinco unidades da empresa no estado.

Líder no segmento de classificação de fibra, o Bureau Veritas responde por aproximadamente 65% do mercado brasileiro. A ampliação das equipes acompanha o crescimento da cotonicultura nacional. Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá produzir cerca de 4 milhões de toneladas de pluma em 2026.

As vagas estão disponíveis nos municípios de Sapezal, Campo Novo do Parecis, Rondonópolis, Sorriso e Lucas do Rio Verde.

Segundo o diretor de Agronegócios, Food e Commodities do Bureau Veritas no Brasil, Paulo Freire, Mato Grosso ocupa posição estratégica para a empresa devido à relevância da produção estadual de algodão.

“O estado possui produção comparável à dos maiores produtores de algodão do mundo e vem crescendo muito nos últimos anos. Ampliar nossos times locais é essencial para acompanharmos a demanda crescente por serviços técnicos, com qualidade, agilidade e confiabilidade”, afirma.

Funções

Os auxiliares de laboratório serão responsáveis pela organização, conferência e identificação das amostras de algodão, além do registro de informações nos sistemas e da correta vinculação das amostras aos respectivos clientes e análises.

Já os operadores de HVI atuarão na operação dos equipamentos High Volume Instrument, tecnologia utilizada para avaliar as características da fibra de algodão. Entre as atividades estão a calibração e ajustes básicos das máquinas, acompanhamento das análises, monitoramento dos resultados, controle da rastreabilidade do processo e conservação dos equipamentos, seguindo os padrões de qualidade e segurança.

Benefícios e inscrições

Os profissionais contratados terão acesso a benefícios como vale-alimentação e Wellhub.

O processo seletivo é realizado de forma online, e as inscrições podem ser feitas pelo site da empresa.

O post Empresa contrata 200 profissionais para laboratórios de algodão apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

A dívida do Brasil cresce. Onde está o problema?

Published

on


Foto: Agência Brasil

As notícias deste fim de semana voltaram a chamar a atenção para o avanço da dívida pública brasileira. É um tema que merece preocupação. Mas o verdadeiro desafio não está apenas no volume da dívida. Está, principalmente, no preço que o Brasil paga para financiá-la.

O custo dos juros já consome uma parcela gigantesca da riqueza nacional. Em vez de direcionar recursos para infraestrutura, logística, educação, inovação e aumento da produtividade, o país destina uma fatia crescente de sua capacidade financeira ao serviço da dívida.

A conta que reduz o crescimento

O Brasil convive com uma das maiores taxas reais de juros do planeta. Isso significa que o Tesouro Nacional precisa oferecer um prêmio elevado para captar recursos, refletindo a percepção de risco sobre a economia.

A dívida, por si só, não explica esse fenômeno. Diversos países possuem níveis de endividamento superiores ao brasileiro e conseguem financiá-los pagando juros muito menores. A diferença está na confiança que inspiram, na previsibilidade das políticas públicas e na solidez de suas instituições.

O orçamento perdeu capacidade de investir

Outro aspecto pouco discutido é a rigidez das contas públicas.

Hoje, a maior parte da arrecadação federal já está comprometida com despesas obrigatórias. O espaço para investimentos tornou-se extremamente reduzido. Dos recursos discricionários restantes, parcela significativa é destinada às emendas parlamentares, que cumprem função política relevante, mas frequentemente se distribuem em milhares de iniciativas de alcance local, com impacto limitado sobre a produtividade da economia.

O resultado é um Estado que investe pouco justamente onde poderia aumentar a competitividade do país.

O capital segue os incentivos

O investidor faz uma conta simples.

Se os títulos públicos oferecem remuneração elevada e praticamente sem risco de crédito, muitos investimentos produtivos deixam de ser competitivos. Projetos industriais, logísticos, agropecuários e de infraestrutura passam a exigir retornos cada vez maiores para compensar o custo do capital.

Juros elevados deixam de ser apenas um problema do governo. Tornam-se um freio ao crescimento de toda a economia.

Discutimos os efeitos e esquecemos as causas

Ao longo de décadas, o Brasil acumulou despesas obrigatórias, renúncias tributárias, subsídios, vinculações orçamentárias e uma estrutura fiscal extremamente rígida. Sempre que a atividade desacelera, a resposta costuma ser ampliar benefícios, criar exceções ou buscar soluções de curto prazo.

O resultado é uma política econômica que frequentemente exige do Banco Central juros elevados para preservar a estabilidade de preços, enquanto o mercado incorpora um prêmio maior para financiar o Estado.

Forma-se um círculo vicioso: o risco aumenta, os juros sobem, a dívida fica mais cara e o próprio custo da dívida alimenta novas preocupações fiscais.

O debate que o Brasil adia

Talvez esteja na hora de mudar a pergunta.

Em vez de discutir apenas quanto a dívida cresceu, deveríamos perguntar por que o Brasil continua sendo um dos países mais caros do mundo para financiar o próprio Estado.

Essa é uma discussão que sucessivos governos e diferentes Legislaturas adiaram. A agenda de reformas estruturais quase sempre perde espaço para prioridades de curto prazo, disputas políticas e decisões voltadas ao próximo ciclo eleitoral. Enquanto isso, permanecem intocados os fatores que elevam o risco, encarecem o crédito e limitam a capacidade de investimento do país.

O Brasil precisa de um projeto nacional que sobreviva aos mandatos, fortaleça a responsabilidade fiscal, simplifique o Estado, aumente a produtividade e devolva confiança ao investidor.

Enquanto continuarmos administrando apenas as consequências, a dívida continuará crescendo. E, mais grave do que seu tamanho, continuará crescendo o preço que os brasileiros pagam por ela.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post A dívida do Brasil cresce. Onde está o problema? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

‘O Brasil tem muito para mostrar de uma nova agricultura’, diz representante da FAO

Published

on


Foto: Motion Array

Embora o Brasil seja reconhecido mundialmente como uma potência na produção de alimentos, o país ainda precisa comunicar melhor os avanços da agropecuária em sustentabilidade. A avaliação é do representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, que defendeu uma atuação mais estratégica do setor para fortalecer sua credibilidade no cenário internacional.

Durante palestra promovida pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), Meza afirmou que o desafio não está apenas em mostrar o volume da produção agrícola, mas em evidenciar como os alimentos são produzidos e quais avanços vêm sendo alcançados nas áreas ambiental e social.

“Tem muito para mostrar o Brasil de uma nova agricultura”, afirmou. “É uma potência agroalimentar produtora, mas esses esforços de ser mais ambientalmente adequada e socialmente adequada precisam ganhar mais ênfase na comunicação.”

Produção é reconhecida, mas imagem pode avançar

Segundo Meza, a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro já é amplamente conhecida pelos países importadores e por organismos internacionais. Para ele, o próximo passo é consolidar uma narrativa baseada em evidências sobre a evolução das práticas sustentáveis adotadas pelo setor.

Na avaliação do representante da FAO, o Brasil deve participar de forma mais ativa das discussões internacionais sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, apresentando propostas e demonstrando como a agropecuária pode contribuir para enfrentar esses desafios.

“O setor agrícola tem que desembarcar muito mais forte nessa discussão”, afirmou. Segundo ele, além de fazer parte do debate, o agro também é um dos segmentos mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas.

Dados científicos fortalecem a narrativa

Ao responder perguntas dos participantes do evento, Meza afirmou que uma comunicação eficiente depende da construção de indicadores sólidos e reconhecidos internacionalmente.

Para ele, estudos isolados ou experiências pontuais não são suficientes para responder aos questionamentos feitos por consumidores e governos de outros países. O caminho, segundo o representante da FAO, passa pela produção de dados consistentes que permitam demonstrar a evolução da agropecuária brasileira em aspectos como emissões de carbono, conservação ambiental, biodiversidade e adoção de tecnologias sustentáveis.

Na avaliação de Meza, uma base científica construída de forma coordenada entre governo, setor privado e academia teria mais força para sustentar a imagem do agro brasileiro.

“Tendo isso, quem poderia falar o contrário contra o produto Brasil?”, questionou ao defender que a narrativa seja construída sobre evidências, e não apenas sobre percepções.

Proposta é criar indicadores internacionais

Como exemplo, Meza sugeriu que o governo brasileiro proponha, no âmbito da FAO, a criação de uma metodologia internacional para medir a sustentabilidade da agropecuária.

A ideia seria desenvolver indicadores aceitos globalmente para acompanhar temas como redução do desmatamento, uso de bioinsumos, emissões de carbono, conservação da água e proteção da biodiversidade. Segundo ele, métricas padronizadas dariam mais transparência às discussões e permitiriam comparar a evolução dos países com base em critérios técnicos.

“O governo do Brasil poderia solicitar aos outros países membros da organização que se estabeleça um sistema para medir a sustentabilidade do setor agropecuário”, afirmou.

Para Meza, iniciativas desse tipo ajudariam a reduzir disputas de narrativa e fortaleceriam a posição brasileira em negociações e fóruns internacionais, ao demonstrar de forma objetiva os avanços alcançados pela agropecuária nacional.

O post ‘O Brasil tem muito para mostrar de uma nova agricultura’, diz representante da FAO apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT