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16 de setembro de 2026

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Doença misteriosa surge na colheita e já causa prejuízo de mais de R$ 100 mil em lavoura de milho em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Uma doença fúngica identificada apenas durante a colheita tem preocupado produtores de milho em Mato Grosso. Em São José do Rio Claro, um agricultor já contabiliza prejuízo superior a R$ 100 mil nos primeiros talhões colhidos, enquanto pesquisadores buscam compreender o comportamento do patógeno e sua participação nas perdas registradas nas lavouras.

O problema ocorre em meio ao avanço da colheita da segunda safra. No município, dos cerca de 100 mil hectares cultivados com milho, aproximadamente 15% da área havia sido colhida até o momento da reportagem do projeto Mais Milho.

Apesar das boas condições climáticas registradas ao longo do ciclo, produtores relatam preocupação com a rentabilidade da cultura, pressionada pelos altos custos de produção e pelos preços considerados baixos para o cereal.

Além do cenário econômico, a descoberta da doença durante a retirada dos grãos do campo acendeu um sinal de alerta entre agricultores e pesquisadores. Como os sintomas não aparecem durante o desenvolvimento da planta, muitos casos só são identificados quando as espigas são abertas ou passam pela colheita mecanizada.

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Milho grão foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Milho avança, mas preocupação cresce

Em São José do Rio Claro, a maior parte dos produtores optou por respeitar a janela considerada adequada para o cultivo do milho. O receio de enfrentar perdas em uma safra de custos elevados fez com que muitos agricultores evitassem apostas fora do período recomendado.

Conforme o presidente do Sindicato Rural de São José do Rio Claro, Aparecido Rodrigues, uma produtividade abaixo do esperado pode comprometer a rentabilidade da atividade, “porque o custo está caro, e hoje você plantar uma lavoura e não produzir razoável você fica no vermelho”.

Ele explica que as características dos solos da região exigem ainda mais cautela na tomada de decisão. “Tem um agravante a mais aqui. Essa terra é mista e sente mais o sol, então você tem que tomar muito cuidado, se está fora da janela não adianta arriscar não”.

Quem ficou fora do período ideal buscou alternativas para ocupar as áreas, com culturas como feijão caupi, gergelim, sorgo e até braquiária para formação de matéria orgânica destinada à soja.

Apesar das margens apertadas, Aparecido destaca que a chegada das usinas de etanol de milho trouxe mais segurança para a comercialização da produção na região. “A gente tem que agradecer muito essas usinas de etanol de milho. Depois que entraram melhorou 100%. Antes você via aquelas pilhas de milho no tempo, ninguém comprava e quando comprava era por R$ 8, R$ 10 reais a saca”.

Podridão salmão do milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Problema só aparece na colheita

Entre os produtores que conseguiram plantar dentro da janela, a avaliação é positiva em relação ao clima. As chuvas e períodos de sol ocorreram em momentos favoráveis para o desenvolvimento da cultura, aumentando a expectativa por uma boa produtividade.

O agricultor Cleverson Bertamoni, que cultivou 1.550 hectares de milho nesta safra, afirma ao Canal Rural Mato Grosso que as condições climáticas foram melhores do que as registradas no ano passado. “O clima esse ano ajudou bem mais do que o ano passado, está sendo melhor, veio chuva na hora certa, choveu mais tarde, veio sol na hora certa“.

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Mesmo com o bom desempenho das lavouras, a comercialização preocupa. Segundo ele, os preços atuais não acompanham a alta dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. “Se você não fez contrato futuro e resolver vender o milho da mão para boca, igual a gente fala, você vai pegar R$ 40 não paga o custo”.

A situação ficou ainda mais delicada quando a colheita começou. Em uma área de 230 hectares, os primeiros talhões apresentaram perdas estimadas em cerca de 19 sacas por hectare. O problema chamou a atenção porque não havia qualquer sinal visível durante o ciclo da cultura.

De acordo com o produtor, externamente as espigas aparentam normalidade, o que dificulta a identificação antecipada da doença. “A palha está sadia, se você não abre você não vê”.

Cleverson conta que os primeiros casos pareciam isolados, mas a incidência aumentou conforme a colheita avançou.

“Nós achávamos em uma espiga ou outra, a gente achava que o problema não iria ser tão grande a nível de pegar todos os talhões da fazenda”.

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Como menos de 20% da área foi colhida até agora, ainda não é possível mensurar o tamanho total dos prejuízos. O produtor teme que o problema continue aparecendo nos próximos talhões e observa que a permanência do milho no campo parece favorecer o avanço da doença. “Não colhi nem 20% ainda da área, então essas perdas podem aumentar, a gente não pode dimensionar ainda”.

Ele relata que foram realizadas três aplicações de fungicidas ao longo do ciclo, incluindo uma aplicação preventiva, mas sem resultados satisfatórios. “O prejuízo nesses primeiros talhões já é superior a R$ 100 mil, fora que estamos só no começo”.

Podridão salmão do milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fundação Rio Verde intensifica investigação

Diante dos relatos registrados em campo, a Fundação Rio Verde ampliou o monitoramento das áreas afetadas para entender melhor a ocorrência da doença e os danos observados nas espigas.

A pesquisadora Luana Belufi explica que a chamada “podridão salmão da espiga” está associada à presença de fungos que afetam diretamente os grãos e podem provocar sintomas característicos durante a fase final da cultura.

Um dos principais sinais observados é a coloração salmão que aparece na palha e também nos grãos das espigas comprometidas. “Um dos sinais que mais chamam a atenção é a formação dessa coloração salmão”.

Segundo a pesquisadora, a identificação correta é fundamental porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças já conhecidas pelos produtores. “É importante observar essa formação desse sinal avermelhado que é possível ver aqui nos grãos para diferenciar dos outros sintomas, dos outros patógenos que também podem estar ocorrendo ali no campo, como Fusarium e a Diplodia”, frisa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

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Os estudos também buscam compreender quais fatores favorecem a ocorrência do problema e qual é a real participação desse fungo nos danos observados nas lavouras da região.

Conforme a pesquisadora Isabela Ulsenheimer, os prejuízos não se limitam à produtividade. “Nas espigas afetadas ocorre a deterioração desses grãos e o aumento da incidência desses grãos avariados, e isso resulta descontos na comercialização”.

Ela acrescenta que as equipes trabalham na caracterização dos sintomas e na compreensão da distribuição da doença nas regiões produtoras.

Diagnóstico é apontado como principal ferramenta

Enquanto as pesquisas avançam, a recomendação é que produtores e técnicos reforcem o monitoramento das áreas durante a colheita e observem atentamente as espigas com sinais de deterioração.

Os pesquisadores avaliam que o cenário ainda exige cautela e que a presença da doença pode estar relacionada a um conjunto de fatores, não necessariamente a um único agente causador.

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Segundo Luana Belufi, o foco neste momento é ampliar o entendimento sobre o problema antes de associá-lo definitivamente a uma única causa. “Nesse momento mais importante do que associar o problema a um único fungo é compreender, estamos diante de um complexo de fatores e que possíveis agentes podem estar envolvidos”.

A pesquisadora reforça que a identificação correta dos sintomas continua sendo a principal ferramenta para orientar futuras estratégias de manejo e auxiliar a tomada de decisão dentro das propriedades. “O diagnóstico sempre é a melhor ferramenta para orientar qualquer tomada de decisão”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

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Foto: Paulo Lanzetta

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.

A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.

No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.

De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.

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No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.

“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.

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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

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Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.

A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.

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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.

O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.

Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).

O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.

Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.

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Fonte: gov.br

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Prefeitura abre chamada pública para compra de alimentos com investimento de R$ 324,8 mil

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MDA

A Prefeitura de Sorriso (MT) abriu uma chamada pública para agricultores familiares interessados em fornecer alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O programa permite que o poder público compre alimentos produzidos por agricultores familiares e destine esses produtos a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas e serviços públicos de segurança alimentar.

Em Sorriso, serão investidos R$ 324.899,20 na compra de alimentos da agricultura familiar. Entre os produtos previstos estão frutas, verduras, legumes, mandioca, farinha, mel, ovos, frango caipira, queijo, pães e bolachas caseiras, entre outros.

A chamada pública é destinada a agricultores familiares individuais que moram em Sorriso e possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo.

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Os interessados deverão preparar um Projeto de Venda, informando os alimentos que produzem e pretendem fornecer ao programa, além de apresentar a documentação exigida no edital.

Como participar?

Os documentos e o Projeto de Venda deverão ser entregues presencialmente na SEMASA, entre os dias 17 e 30 de setembro de 2026, das 7h às 12h, de segunda a sexta-feira.

Entre os documentos necessários estão CPF, RG ou CNH, extrato do CAF, comprovante de endereço, Projeto de Venda e Declaração de Produção Própria. Quando for o caso, também deverá ser apresentado o CadÚnico atualizado.

Após o prazo de inscrição, a equipe técnica responsável pelo PAA fará a análise dos projetos. Os agricultores habilitados poderão ser chamados para realizar as entregas, conforme a demanda dos programas atendidos e a disponibilidade de recursos.

Local: Rua Marechal Cândido Rondon, nº 2311, Jardim Bela Vista
Prazo: 17 a 30 de setembro
Horário: 7h às 12h
Entrega: presencialmente

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Critérios

O PAA possui critérios de priorização para ampliar a participação de públicos específicos da agricultura familiar, como mulheres, agricultores inscritos no CadÚnico, assentados da reforma agrária, jovens de 18 a 29 anos, pescadores, indígenas, quilombolas, negros e integrantes de povos e comunidades tradicionais.

O edital também estabelece a participação mínima de 50% de mulheres e 60% de fornecedores inscritos no CadÚnico. As compras estão previstas para ocorrer de novembro de 2026 a julho de 2027, ou até que os recursos disponíveis sejam utilizados. O limite de comercialização é de até R$ 15 mil por agricultor, por CAF, em cada ano civil, conforme as regras do programa.

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